quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sai de Baixo

Foi uma das minhas séries de culto, numa altura em que estava em estágio e a única televisão que via era esse stress-relieving-super-remedy, às tantas da noite. Devo-lhe, e ao Seinfeld, a minha sanidade mental de tempos muitíssimo trabalhosos, mas em que ainda valia a pena e compensava moralmente pensar em materiais novos, puxar pela criatividade e deitar-me às tantas da madrugada. Numa época em que quem me assistia às aulas sabia mais do que eu, era muito mais competente e experiente, apresentava alternativas eficazes quando me apontava falhas, e me avaliava com seriedade.
Lembro-me agora, muitas vezes, da Magda, ou melhor, da "Má-gui-dá" do Sai de Baixo, e da expressão fétiche, "Cal'á boca, Má-gui-dá!", transformada, ultimamente, na ordem hilariante "Cala-te, Jade!", dos meus colegas na sala de professores, quando começo a vociferar que o rei vai nu. Esta ordem, desde o Halloween, foi substituída pela pergunta, não menos cómica,"Queres fiozinho de côco para coser essa boquinha?"
Adoptei a filosofia da Má-gui-dá. Agora, quando me apetece -tantas vezes- denunciar a idiotia do status quo, abro a boca e em voz bem alta... ZURRO. E sinto-me muito menos burra.

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