De cada vez que tenho uma conversa de mulheres cujo assunto é o crápula-do-gajo-que-nos-trocou-por-outra-que-ainda-por-cima-tem-ar-de-puta-e-nada-na-cabeça, lembro-me de um namorado que tive há uns bons anos atrás, e com quem estive para me casar. A relação acabou por si, não sobreviveu à distância, ao meu feitiozinho insuportável, por um lado, e bastante instável, por outro. Não tinha idade para me casar (nem sei se alguma vez terei) e rapidamente encontrei um novo amor mais perto. Contudo, ainda tivémos tempo para infernizar a vida um do outro: é que demorou uns largos meses, acabar com uma relação de sete anos. E nesses largos meses, ele conseguiu fazer com que o odiasse. (e vice-versa, certamente).
Nunca me esqueci de uma conversa que tive com quatro amigas da altura. Foi num jantar de mulheres e, depois de desfiar o rosário de merdas que ele me tinha dito e feito, e que eu tinha respondido e contra-atacado, estivémos mais de uma hora... acreditem, mais de uma hora, a inventar cenas do arco-da-velha para lhe fazer, mesmo ao estilo Amélie Poulain / A Vingadora.
Foi das coisas mais retemperadoras que me lembro de ter tido na vida. Qual viagem para tratar dor de corno, qual outro gajo para esquecer o primeiro. Dar largas à imaginação maldosa, essa é que é essa! Nunca mais me esqueci de algumas das propostas. E a Carolina, autora das piores, não desfazendo, também ainda se deve lembrar.
Há mais de um ano que não tenho ódios de estimação: batem-me forte mas passam-me rápido, acho que estou cada vez mais imune a grandes sentimentos. Mas quando uma conversa, de repente, se vira para uma mulher infeliz porque o seu namorado a deixou ou, sem a deixar, a magoou, e há um coro de vozes femininas entre o acusatório e o consolador, o justificativo e o "queime-se - em - praça - pública", eu, de há dez anos a esta parte, atrevo-me sempre a dizer, em voz calma e expressão impávida e serena: " E se deixasses passar uma ou duas semanas e lhe partisses uns copinhos de cristal na banheira? Não achas que um mesito de patas para o ar lhe refrescaria as ideias, o ajudaria a pensar melhor na vida? Não? Tu é que sabes..."
Se há coisa que aprendi com as minhas amigas, - já depois de adulta, que a minha mãe me educou para ser a maior tansa do Mundo e foi com elas que aprendi a abrir a pestana, - é que o ódio consome demasiada energia... e a vingança é um prato que se serve, sempre, frio.
2 comentários:
isso sim é a verdadeira Evil sisterwood! Dignas de medalha Mer&Yang
Adorei!! Ri-me como uma perdida a recordar esta história que já me tinhas contado há uns tempinhos atrás:) Que saudades!! Beijo grande
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