Em caso de naufrágio diz-se que os ratos são os primeiros a "abandonar o barco". Tal expressão é usada comummente para identificar cobardes ou traidores. E eu pergunto, em caso de naufrágio, abandonar o barco não é, tão só, sinal de inteligência e perspicácia?
Sempre tive queda para ser drama queen. Sempre tive alma de comandante, o mundo a ruir, o icebergue a destruir todas as hélices, a vida a meter água por todos os lados, as evidências a gritar salta fora e eu, firme e hirta, a afundar-me com o resto. Estóica. Persistente. Teimosa nas convicções. A morrer uma e outra vez, resignada à sua triste sorte. Coragem, abnegação? Chamemos-lhe, apenas, propensão para o abismo ou, tão simplesmente, rematadíssima estupidez.
Tenho um medo denso de barcos. Uma fobia ancestral que se me cola à pele e me arrepia à simples visão de fotografias do Titanic no fundo do mar, ou de um simples quebrar de uma garrafa de Champagne num casco novinho em folha. Aliás, eu, que adoro viajar mais do que qualquer outra actividade no Mundo, tenho um medo irracional de tudo o que é transporte. A minha visão do idílio seria dar a volta ao Mundo a pé. Caminhar sobre as águas como Cristo, se preciso fosse. Ou, ainda melhor, dividindo as águas dos mares como Moisés, para as fazer abater sobre perseguidores inconvenientes. Yeah, that suits me perfectly.
E eu acho que muito desse medo de barcos está relacionado com a metáfora, não do afogamento, mas do afundamento. Magrita como sou, é contraditório que afunde sempre a tão grande velocidade, mas é a pura das verdades.
A caminho de Lisboa, com as mãos no volante do JadeMobile, a rádio passou uma das minhas músicas favoritas "O Homem do Leme". Como acontece tantas vezes, descobri-lhe novas nuances. Porque as canções que nos emocionam, se forem boas, encaixam em fases diferentes das nossas vidas e tocam-nos de formas díspares consoante os momentos. E retive, desta vez, alguns versos que transformei em mantra:
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...
No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
No fundo horizonteSempre tive queda para ser drama queen. Sempre tive alma de comandante, o mundo a ruir, o icebergue a destruir todas as hélices, a vida a meter água por todos os lados, as evidências a gritar salta fora e eu, firme e hirta, a afundar-me com o resto. Estóica. Persistente. Teimosa nas convicções. A morrer uma e outra vez, resignada à sua triste sorte. Coragem, abnegação? Chamemos-lhe, apenas, propensão para o abismo ou, tão simplesmente, rematadíssima estupidez.
Tenho um medo denso de barcos. Uma fobia ancestral que se me cola à pele e me arrepia à simples visão de fotografias do Titanic no fundo do mar, ou de um simples quebrar de uma garrafa de Champagne num casco novinho em folha. Aliás, eu, que adoro viajar mais do que qualquer outra actividade no Mundo, tenho um medo irracional de tudo o que é transporte. A minha visão do idílio seria dar a volta ao Mundo a pé. Caminhar sobre as águas como Cristo, se preciso fosse. Ou, ainda melhor, dividindo as águas dos mares como Moisés, para as fazer abater sobre perseguidores inconvenientes. Yeah, that suits me perfectly.
E eu acho que muito desse medo de barcos está relacionado com a metáfora, não do afogamento, mas do afundamento. Magrita como sou, é contraditório que afunde sempre a tão grande velocidade, mas é a pura das verdades.
A caminho de Lisboa, com as mãos no volante do JadeMobile, a rádio passou uma das minhas músicas favoritas "O Homem do Leme". Como acontece tantas vezes, descobri-lhe novas nuances. Porque as canções que nos emocionam, se forem boas, encaixam em fases diferentes das nossas vidas e tocam-nos de formas díspares consoante os momentos. E retive, desta vez, alguns versos que transformei em mantra:
Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...
No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais...
E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...
Não sei se a vida é sempre a perder. É óbvio que não ficamos mais novos e o destino da viagem é igual para todos. Mas dizem que o importante não é o destino mas a viagem. E eu concordo. E vivo tempos conturbados ou, para me citar a mim própria numa frase já publicada por outros bloggers, "A existência não está para graças". Então, no meio de toda a filosofia de cordel que me tem passado pela cabeça nos últimos tempos, cheguei à conclusão que mudei de barco. Recusei-me a ser comandante do que estava a afundar, uma vez na vida e, não ao primeiro, mas ao derradeiro sinal de alerta, fiz como os ratos, e saltei fora. E, agora, "rompendo a saudade", aproveito um misto de vontades "de rir e de ir", deixando para trás "os outros", "os que jazem", "os que lá ficaram", e persigo o que foge porque, para insistir no que não tem remédio, "é tarde demais". Persigo, então, o futuro. E não, não tenho medo. Leram-me hoje as palmas das mãos. E vem aí um corte. Vem aí o desconhecido. Mas vem aí paz, calma. Diz que vem aí estabilidade. E eu, céptica até certo ponto, decidi que atrás do leme, "vai quem já nada teme". Mar Adentro, vai o homem, dirigindo o leme, em metafórica eutanásia.
Só que o homem do leme, contra todas as expectativas, é uma Mulher. Com M maiúsculo, de Maravilhosa. E J... de Jade.
4 comentários:
Uma mulher de..A... de... amiga (a propósito de uma conversa de almoço. Ou então não e é um "A" de.. Ainda vamos a Nova York ;)
ehehhe fui desancada por demorar a submeter o meu comment. Mas o "A" estava escrito.. Ele há coincidências e parvoíces do catano ;)
Foste desancada? No teu post, eu referia-me à tua frase "falava com uma amiga" sobre pessoas que são lugares... não estava relacionado com este post (fraquinho, fraquinho, em comparação com o teu) que publiquei hoje. Num hoje especial de que havia acordo de cavalheiros em não se falar. Mas dado que somos damas e não cavalheiros... embora muita gente nos trate como se fossemos gajos... estás perdoada.
Li hoje este teu post como se fosse a primeira vez. E dei com pormenores deliciosos que me fugiram das outras vezes todas.
Devo dizer que pelas mesmas razões (ou falta delas) que tu, continuo até à ultima dentro do barco. A aprendizagem e diferença nestes anos é apenas uma, independentemente da fama, do preço ou das estrelas do barco, levo sempre na mochila um barco insuflável.
Existirá o dia em que saberei reparar todas as falhas do navio, ou encontrarei uma tripulação que o faça. Até lá, vou ali por mais 2 adesivos nos furos do meu insuflável, que esse depende só de mim.
E quanto a personagens bíblicas, tb eu tenho mt mais de moises que noé ;)
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