sábado, 6 de junho de 2009

A Cereja no Topo do Bolo...

... é uma imagem usada recorrentemente para expressar o melhor da festa.

Tenho a acrescentar aos dois posts anteriores que sim, fui para a noite. Sem carteira. Porque eu perco tudo, revirei a casa, revirei o meu carro e o da Mzinha, revirei os bolsos e os armários, mais a pasta da escola, e desisti. Saí sem tabaco e com cinco euros no bolso, com a Mzinha sem dinheiro e com um humor muito parecido com o meu.

Como li ainda há pouco num post de uma amiga, sagitário é bicho que, quando se cala, é de temer. Somos tipicamente palavrosos e, no auge da alegria ou do desespero, sai-nos tudo boca fora. Passei duas horas no bar sem quase abrir a boca, e vim-me embora pior ainda, para encontrar a p*ta da carteira na pasta que tinha virado do avesso duas horas antes. Ou sempre lá esteve ou desmaterializou-se e voltou a materializar-se com o único intuito de me f*der o resto do dia.

Vim-me embora sem beber sequer um café ou uma água, para gastar os meus cinco euros num maço de tabaco. Enquanto acendia um cigarro, em silêncio, pensava num determinado provérbio tibetano de quase cinco mil anos, que me apetece tanto divulgar. Pensava, em silêncio, que não há como as palavras certas ditas no momento certo. Sou uma pessoa excelente nas palavras, e péssima nos momentos certos para as dizer.

Por isso, hoje sou um sagitário temível. Um sagitário em silêncio, a fermentar. À espera de um trigger. À espera de uma provocação, por menor que seja. À espera de uma hipótese para desentalar o que ando há tanto tempo a engolir caladinha. Adoro picardias mas detesto conflitos. Detesto discussões. Detesto agressões de qualquer espécie. Detesto ofender pessoas. Ainda assim, passo por ser "terrível", "do piorio". Oxalá, um dia destes, não dê proveito à fama que tenho. É que ando mesmo deserta de responder à letra, com juros, a alguns seres que me povoam a existência. E quando, e se, tal acontecer, não vai ser um espectáculo bonito. Mas os tibetanos é que a sabem...

A cereja no topo do bolo, em certos casos, é perfeitamente dispensável. Em silêncio, rogo ao meu Deus pessoal para me deixar comer o bolo sem a cereja, porque ela vai entalar, e terá que ser cuspida em cheio na cara do desprevenido que a tal se habilite incauto.

1 comentário:

Dry-Martini disse...

Apesar de tudo continuo a preferir as cerejas que te mandei :)

XinXin