Hoje estive à conversa com Vzinha. Soube bem, soube a bons velhos tempos. Não te incomodas que comente aqui o nosso encontro, não, minha amiga? É que não te disse explicitamente que iria falar sobre isso no blogue, não escrevo aqui de forma premeditada, tipo, olha espera lá aí um bocadinho, não fales agora, hold that thought que eu quero anotar tudo para depois espetar tim-tim por tim-tim no blogue logo à noite ou amanhã de manhã. Não é assim que funciona. Há, de facto, ideias de conversas que me ficam a bailar na alma e que, depois de muita valsa, lá fazem uma vénia e olham à volta, a chamar outro par. Por isso, e visto ter mencionado o teu nick, espero que não vejas a tua parvicidade invadida, mas eu também só escrevo sobre o que para mim é importante, vai daí… adiante.
Disseste, a certa altura de uma conversa que apesar de longa me soube a pouco, “aos 30, já não há paciência”, referindo-te a determinadas atitudes. Eu concordei, e até ilustrei com um exemplo da minha vida íntima, tão nosso conhecido. E acrescentei, se tivesse vinte anos, a coisa se calhar tinha passado, mas já tinha 30, pá… não deu.
E pus-me a pensar: o que muda aos 30? O que mudou comigo mudará com toda a gente? Com todas as mulheres, pelo menos? Julgo que não. Uma mulher que é mãe aos vinte anos tem, necessariamente, que pensar de forma diferente da minha, que sou solteira aos trinta. Mas apesar das vivências, terá esta idade alguma coisa em comum, que não olhe a vivências e, quem sabe, a sexos?
Aos 30 aprendi a privilegiar a qualidade em detrimento da quantidade. Apliquei isto a tudo na minha vida, desde os filmes que vejo e os livros que leio, às pessoas com quem me relaciono. Cá está, é a tal perda de paciência para o medíocre. Não se lêem mais de duas páginas, não se vêem mais que quinze vinte minutos, não se aturam atitudes parvas ad aeternum. Se a exigência se apura, o mesmo acontece com a tolerância. Tolerância é antónimo de ignorância, e aos 30 somos mais cultos, palavra manhosa, vá, menos ignorantes. Enquanto os níveis de pachorra diminuem, a compreensão do Mundo aumenta, aumenta a paleta de cinzentos entre o preto e o branco. Não quer dizer que nos tornemos cinzentões, que eu acho que é um adjectivo muito injusto para classificar gente monótona. O que perdemos é o grande radicalismo, os grandes fundamentalismos. Aos 20 era-me fácil rotular pessoas, agora é quase impossível. A não ser quando são mesmo más. Ou mesmo boas. As excepções confirmam a regra e eu conheço umas quantas, é verdade, nos dois clubes.
Aos 20, generaliza-se: “os homens são todos iguais”. Aos 30, relativiza-se: ”São todos iguais, mas há uns mais iguais que outros”. E condescende-se, acrescentando “e a gente precisa deles”. E ganha-se sabedoria, concluindo “E eles, de nós”.
Aos 30, aprendi que um mau corte de cabelo não passa disso. Não me vai fazer perder o homem dos meus sonhos, não me vai fazer ser despedida, não me vai fazer ficar doente nem deixar de me rir até que cresça. Aos 30, aprendi que a vida se vive na mesma sem um companheiro, embora perca alguma graça. Os nossos objectivos e missões têm que ser levados para a frente, as nossas vitórias comemoradas, os nossos amigos acarinhados, as nossas responsabilidades cumpridas e as nossas necessidades primárias satisfeitas. Somos completos sozinhos. Um companheiro é um bónus. E quem está sozinho não está incompleto, quem está acompanhado é que beneficia do tal bónus, que não é para todos. E estou a falar apenas dos que andam bem acompanhados, que aos 30 também aprendi que se assim não for, antes sozinha.
Aos 30, aprendi que é importante gostarmos do que fazemos, para nos apetecer levantar de manhã, que é minha crença absoluta que as manhãs foram feitas para um gajo dormir na cama, só que a cabra da Eva estragou tudo. Deus compensa com a alegria no trabalho os inocentes que até hoje pagam pelo erro da cretina. Megera. Também quem é que se lembra de fazer um ser humano a partir de uma costela? Tivesse arranjado melhor matéria-prima…
Aos 30 aprendi tanta coisa nova que acho que ficaria aqui muitas horas a enumerar pormenores. Só que também aprendi aos 30 que pouca gente está para nos aturar, e que se queremos ser ouvidos, devemos ser sucintos. Por isso, por enquanto, fico por aqui.
Obrigada, Vzinha, pelos dois dedos de conversa, pelo café e pela oportunidade de, como disseste, mais coisa menos coisa, desemperrar a verbalização. Espero não ter feito como a querida tia Ausenda. Beijos da Jade
Disseste, a certa altura de uma conversa que apesar de longa me soube a pouco, “aos 30, já não há paciência”, referindo-te a determinadas atitudes. Eu concordei, e até ilustrei com um exemplo da minha vida íntima, tão nosso conhecido. E acrescentei, se tivesse vinte anos, a coisa se calhar tinha passado, mas já tinha 30, pá… não deu.
E pus-me a pensar: o que muda aos 30? O que mudou comigo mudará com toda a gente? Com todas as mulheres, pelo menos? Julgo que não. Uma mulher que é mãe aos vinte anos tem, necessariamente, que pensar de forma diferente da minha, que sou solteira aos trinta. Mas apesar das vivências, terá esta idade alguma coisa em comum, que não olhe a vivências e, quem sabe, a sexos?
Aos 30 aprendi a privilegiar a qualidade em detrimento da quantidade. Apliquei isto a tudo na minha vida, desde os filmes que vejo e os livros que leio, às pessoas com quem me relaciono. Cá está, é a tal perda de paciência para o medíocre. Não se lêem mais de duas páginas, não se vêem mais que quinze vinte minutos, não se aturam atitudes parvas ad aeternum. Se a exigência se apura, o mesmo acontece com a tolerância. Tolerância é antónimo de ignorância, e aos 30 somos mais cultos, palavra manhosa, vá, menos ignorantes. Enquanto os níveis de pachorra diminuem, a compreensão do Mundo aumenta, aumenta a paleta de cinzentos entre o preto e o branco. Não quer dizer que nos tornemos cinzentões, que eu acho que é um adjectivo muito injusto para classificar gente monótona. O que perdemos é o grande radicalismo, os grandes fundamentalismos. Aos 20 era-me fácil rotular pessoas, agora é quase impossível. A não ser quando são mesmo más. Ou mesmo boas. As excepções confirmam a regra e eu conheço umas quantas, é verdade, nos dois clubes.
Aos 20, generaliza-se: “os homens são todos iguais”. Aos 30, relativiza-se: ”São todos iguais, mas há uns mais iguais que outros”. E condescende-se, acrescentando “e a gente precisa deles”. E ganha-se sabedoria, concluindo “E eles, de nós”.
Aos 30, aprendi que um mau corte de cabelo não passa disso. Não me vai fazer perder o homem dos meus sonhos, não me vai fazer ser despedida, não me vai fazer ficar doente nem deixar de me rir até que cresça. Aos 30, aprendi que a vida se vive na mesma sem um companheiro, embora perca alguma graça. Os nossos objectivos e missões têm que ser levados para a frente, as nossas vitórias comemoradas, os nossos amigos acarinhados, as nossas responsabilidades cumpridas e as nossas necessidades primárias satisfeitas. Somos completos sozinhos. Um companheiro é um bónus. E quem está sozinho não está incompleto, quem está acompanhado é que beneficia do tal bónus, que não é para todos. E estou a falar apenas dos que andam bem acompanhados, que aos 30 também aprendi que se assim não for, antes sozinha.
Aos 30, aprendi que é importante gostarmos do que fazemos, para nos apetecer levantar de manhã, que é minha crença absoluta que as manhãs foram feitas para um gajo dormir na cama, só que a cabra da Eva estragou tudo. Deus compensa com a alegria no trabalho os inocentes que até hoje pagam pelo erro da cretina. Megera. Também quem é que se lembra de fazer um ser humano a partir de uma costela? Tivesse arranjado melhor matéria-prima…
Aos 30 aprendi tanta coisa nova que acho que ficaria aqui muitas horas a enumerar pormenores. Só que também aprendi aos 30 que pouca gente está para nos aturar, e que se queremos ser ouvidos, devemos ser sucintos. Por isso, por enquanto, fico por aqui.
Obrigada, Vzinha, pelos dois dedos de conversa, pelo café e pela oportunidade de, como disseste, mais coisa menos coisa, desemperrar a verbalização. Espero não ter feito como a querida tia Ausenda. Beijos da Jade
5 comentários:
e o viver
o do verbo ser
sejam 30 ou 50
fazem parte
de um dia outro assim
sem fim
dos calhaus da Covilhã
xinho
os 30 chegaram, desolaram-me e ja quase se foram.... arg! agora veem os 31.... e ainda nao me conformei...
LOL!LOL! Bem, Lil, quando comecei a ler o teu comentário pensei que já ias passar para os quarenta!!!
Obrigada por teres esperado seis horas por mim... Estoicismo puro para alguém com 30 anos!
Podes comentar à vontade. Sou muito discreta e tal, mas adoro uns segundinhos de fama, mesmo que seja em chinelos e no teu quarto cor-de-rosa, que a minha mãe iria adorar.
Aos 30 aprendi que há coisas e pessoas pelas quais vale a pena esperar. Seja por ti seis horas, seja pelo meu príncipe o resto da vida...
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