Regressámos hoje. Para ser mais precisa, o regresso iniciou-se no Sábado, porque o destino era Dubrovnik e foi no Sábado que saímos de lá. O regresso incluiu, ainda, como bónus, Florença e Monpellier. A Li afirma, peremptoriamente, que depois de dez ou onze dias de viagem, confunde tudo e quer ajuda para legendar as fotos. o MMS diz que quer tirar férias das férias. A Mzinha já pensa em Saragoça, parar é morrer. Eu... eu nem sei.
Afirmei, várias vezes durante a viagem, muitas em tom de brincadeira (Desculpa lá, mas tu também estiveste em sítio tal comigo?) que estávamos todos a fazer viagens diferentes, tão díspares eram as sensações, as memórias, as impressões e opiniões. No fundo, ao mesmo tempo que se viaja fisicamente, fazem-se inúmeras viagens interiores. Eu especialmente, que tive a sorte de ser grande maçarica ao volante, e ser por isso poupada da grande responsabilidade (e consequente cansaço) de conduzir. A viagem física dispara uma corrente de pensamentos que nenhum outro contexto consegue produzir. Fazem-se comparações entre povos, analisam-se reacções estranhas e estrangeiras, passa-se o tempo a conversar, não se vê televisão, não se vai à net, usa-se pouco o telefone, luta-se para nos fazermos entender por entre multidões de gente a falar línguas diversas, olha-se trezentas vezes para mapas, amaldiçoa-se mais quinhentas a menina do GPS. Viajar é crescer e aprender. É diversão e surpresa, cansaço e saudade.
Ficam aqui as primeiras impressões, as minhas, as da Jade, que o MMS prometeu escrever as dele, neste blogue, em data a combinar.
Hoje, vou pincelar apenas uma tela impressionista. Os detalhes, anotados no bloquinho das contas e gastos, ficam para mais tarde.
Houve uma noite em branco, a primeira, a excitação era grande, a pressa de chegar, a curiosidade, a alegria de estar de férias, as novidades dos últimos dias, o acertar de ponteiros, caminhos e rotas. Objectivo: Dubrovnik. Os agouros de muitos: Vocês não vão conseguir chegar à Croácia, estão malucos? Pois. Estamos. Somos.
De Bilbao guardo a luz ao chegar. Um dia cinzento. O Guggenheim. A exposição do Surrealismo com as obras de Jean Arp e o meu quadro favorito de Magritte. A exposição temporária de Muñoz. Os tropeções de MMS que, por pouco, não foi ver o chão do museu de perto umas três ou quatro vezes. Magotes de gente a ouvir uns aparelhómetros parecidos com telemóveis com um ar alienado. Muitas crianças. Uma casa-de-banho que apareceu tarde demais. Um ramo de túlipas coloridas.
De San Sebastian, a paisagem, as alturas, a primeira água verde, o calor.
De Biarritz (toda a zona de Anglet e Bayonne, também) a festa, o fogo de artifício, as pessoas vestidas de branco e vermelho, um grupo celta a tocar ao vivo, uma gauffre maravilhosa, uma marginal animadíssima, risos.
Depois Mónaco, Marseille, Nice. Gente rica, grandes carros, grandes barcos. O desencontro com o George Clooney em St. Troppez. Ganchos para o cabelo feitos de massa, pintarolas e cápsulas de comprimidos. Uma cascata nascida num castelo. Bonecos gigantes de luz colorida empoleirados em colunas.
Itália, Veneza. A maior das surpresas. Lindo, lindo, lindo. As viagens de barco, a praça de S. Marcos, a rua das lojas de alta costura, as barraquinhas das máscaras venezianas, os gondoleiros, a vontade de ficar.
Depois, Croácia. Sim, chegámos lá. Aquela cidadezinha de que nunca me lembro do nome, onde não entrei nma catedral (Basílica, mais propriamente) porque ia de minissaia. As diversas ilhas para onde fomos de ferry. Tantas, tantas... Águas verdes, azuis turquesa, quentes, transparentes. Muitas pedras, muitas rochas, sem areia. Mar a confundir-se com um lago infinito. Linha do horizonte sempre escondida por ilhas multiplicadas ao expoente da loucura. Um calor abrasador. Cidades e Vilas a dar ideia de ser construídas com legos. Tudo muito arranjadinho, tudo muito homogéneo. Condutores do pior que eu já vi no Mundo inteiro. Plitvice. Lagos com cores indescritíveis. Um lago com a temperatura do corpo, como nunca tinha sonhado ser possível na Europa. Um pouco das Caraíbas bem mais perto. Muita música popular croata, entre o festivaleiro o ultra-romântico. Dubrovnik by night. Uma passagem de modelos de mulheres altas, bonitas e hiper produzidas. Tequillas sunrise e Blue curaçaos gigantescos. Gatos que pareciam drogados de tão mansos. Dubrovnik by day. Um calor abrasador. Muralhas. O mesmo mar. O rapaz dos chinelos cambados.
Eslovénia, Liubliana. Indescritível, só visto, lindo, saudades, tantas saudades.
Bósnia. Um dos melhores pôr-do-sol de todos os tempos. Encostas escarpadas, o mesmo mar...
E Florença. Magotes de gente num calor que não se aguenta. E, ainda assim, o respeito de estar numa cidade onde por trás das paredes há frescos de Miguel Ângelo e o inigualável homem de vitrúvio do Da Vinci. A T-shirt que não comprei mas posso apreciar noutra cor, vestida pelo MMS.
Por enquanto, as impressões da viagem são estas. Dez dias inesquecíveis, pintados numa paleta de predominância verde-água, cheiro a Lavanda (em Split, lembram-se?) e a fruta, uvas, pêssegos e figos roubados... medo do trânsito e do mar ondulando por baixo do ferry, trovoadas e chuva quente, pôres-do-sol e céus estrelados, a lua como companhia constante... vimo-la crescer.
E chegámos, bem, embora exaustos, com muitas imagens na bagagem, 7488 Km feitos (sem contar com os ferries), e muitas, muitas, inúmeras diria mesmo, outras viagens que nem todo o tempo do Mundo daria para contar.
5 comentários:
Porec... a cidade de q nunca te lembras do nome.
Ler este texto fez relembrar tudo aquilo q ainda está muito fresco... mas sabe bem ler estas palavras para recordar bons momentos!
E ainda és tu que queres ajuda para legendar as fotos? Nunca mais dava com esse nome, Porec! Sai um Porec de batata, faxavôr!
Uma síntese da viagem, quase fotográfica! faltou-te aquele pormenor que nos soube também, e que teve a ver com: após uma conversa de naufrágios e medos por aí...a banda sonora do «boat», iniciou a nossa viagem com nada mais nada menos que a do filme - Titanic! FABULOSO
O humor Croata é negro como a noite dos trovões... chiça! Até parecia que adivinhavam que aqui a caguinchas ia a bordo!
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