quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Correio electrónico

Tenho andado a pôr em ordem o meu correio electrónico, entre oitocentas e tal mensagens recebidas desde sei lá quando, a maioria forwards que ninguém no seu juízo perfeito abre e lê, quer por falta de tempo, quer por desinteresse total. Tenho andado ainda a passar o meu tempo nessa conta, à espera de um mail de um amigo que promete notícias importantes, que defende precisar muito de falar comigo e, no entanto, se remete ao silêncio, vá-se lá entender a cabeça dos alheios seres. Tropecei em vários mails antigos, numa short-story enviada por H. em 2005, uma história tão presa à realidade que não pode ser mostrada a ninguém, e me picou a agulhas, mostrando que a dor ainda é real, quando se pressiona o que já parece uma cicatriz curada, mas que por baixo ainda esconde células nervosas. Invariavelmente, fecho os ficheiros quando as lágrimas me chegam aos olhos. O importante é que não passem das pestanas, o que não se vê, não se realiza, não é real, vamos lá abrir outro forward para rir, e pôr outra pedra sobre o mesmo assunto.
Tenho alguns mails, o da short-story incluído, que não consigo apagar. Não porque me façam bem, não porque me façam sorrir, mas porque me fazem, de lés-a-lés, lembrar épocas importantes da minha vida, essas sim, felizes, e às quais não gosto, mas preciso, de regressar, para não me convencer hoje que nunca aconteceram, tão longínquas e destituídas de sentido me parecem às vezes.
Guardo tudo. Cheguei a guardar mensagens de telemóvel anos a fio, para as apagar impulsivamente num momento mais doloroso e me arrepender de o ter feito no momento seguinte. Enfim, quis o destino que perdesse um telemóvel há uns dois ou três anos atrás (parece que apareceu, noutras mãos, mas já era, então, demasiado tarde) e com ele muitos contactos para sempre. Ironia das ironias, como sabem, outro dos meus telefones morreu um ou dois dias antes de ser operada ao cotovelo, e lá se foram mais alguns contactos de vez. O de H. não consta agora da lista, o que é perfeitamente escusado, visto ele mo ter obrigado, numa noite específica em que andou desnorteado, convencido que eu tinha sido finalmente vítima da minha má condução a decorar. A memória é uma coisa tramada, quando, como a minha, não é selectiva, e regressa às alturas felizes em alturas sombrias, tornando-as ainda mais nebuladas. Como o dia de hoje, que nem parece Agosto, não fosse este calor sufocante.
Vesti-me de cor-de-laranja. Pesei-me e, com satisfação, vi a balança da farmácia chegar aos 50Kg pela primeira vez em anos. Pelos vistos, até o vazio pesa. Ao menos isso.

2 comentários:

Anónimo disse...

É por isso que o meu mail passou a ter cento e muitas mensagens... já vi algumas e são porreiras.

Jade disse...

LOL! Sorry, Mzinha, sabes que eu não gosto de me aborrecer sozinha, tenho que chagar o resto do Mundo...