Hoje, enquanto remexia no baú dos manuais escolares, e seleccionava os materiais a levar comigo, e congeminava já nas melhores estratégias para iniciar o ano com turmas que já conheço - sim, Mzinha, não te espantes, já comecei a pré-trabalhar... - resolvi que precisava de uma agenda de professor, e saí para a ir comprar. Regressei a casa sem agenda, mas claro, com dois livros novos, um do Auster, para não me sentir tão culpada por ter comprado o outro, do Ondjaki... ou vice-versa, e um par de argolas para ajôrelhas.
E pensei, that's it, estamos a queimar os últimos cartuchos das melhores férias dos últimos anos. Bem merecidas, que os últimos anos foram uma lista sucessiva de chatices, preocupações e desencantos.
Já todos sabem, porque o afirmo recorrentemente, que o ano que vai começar é, certamente, o mais complicado a nível profissional dos últimos tempos. A nível pessoal não será menos. Diz quem sabe, que as expectativas são contraproducentes. Que orientamos as nossas atitudes pelos nossos preconceitos (pré-conceitos, sejam eles positivos ou negativos). Pior ainda, que os meus não são mesmo nada luminosos, but tell me what's new...
Bom, espero, pelo menos, ter tempo, força de vontade e paciência para cumprir dois objectivos fulcrais: escrever a dissertação e ir ao ginásio. Tratar da alma e do corpo, quero eu dizer. Não me esquecer de mim no percurso, no desenrolar dos acontecimentos, no meio do stress e das decepções que vão surgir. Arranjar tempo para tomar café com os meus colegas fora das horas de expediente, para a S. e a Leonoreta, sempre, para fazer jantares lá em casa com a seita do costume, para rir com a Mzinha, a Li e a T., just girls, de vez em quando, que é saudável... e vai ser difícil, com metade da pandilha a dar aulas à noite. Para ir ao cinema e ao Twins, para vir a Lisboa estar com a minha mãe e os meus amigos de sempre, para me orientar no meio da vida atribulada e desorganizada que, por muito que me irrite, acabo sempre por levar.
Em Junho, o meu objectivo é estar a escrever textos ainda com algum cabimento, ainda com alguma lógica, prova de que não dei em doida. E espero, nesses textos, falar ainda de amigos. Daqueles que sobrarem depois do processo de eleições e de avaliação de professores. Deus me ajude. Boa sorte para todos.
E eis que vou tratar de queimar os últimos cartuchos, se possível, em silêncio, com o Auster e o Ondjaki a murmurar-me histórias de encantar ao ouvido.
3 comentários:
Um dos meus objectivos nas férias era preparar o início do ano e a página na net para os alunos: claro que ainda não fiz nada e não devo fazer. Devo estar com o stress após férias, sem vontade de fazer nada...
Não, Mzinha, não é stress nenhum, é cansaço. Se houve quem deu o litro este ano, foste tu, que eu sou testemunha. És daquelas pessoas low-profile que se fartam de trabalhar. Os que apregoam o muito que fazem, e a grande dificuldade de tudo o que fazem, são os que menos fazem. Descansa.
Por muito que vos custe, não deixem de assinar e puxar os galões ( sai uma meia de leite descafeinada) na hora certa! As competentes são vocês. (M não conheço, mas se Jade diz eu acredito!) E os créditos não são para deixar por mãos alheias. Agora já estão a ser realmente avaliadas pelo que fazem, não se esqueçam. e mais tarde ou mais cedo isso entra nos eixos.
Ex-professora, agoraTSHST, SlummyMummy to be.
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