Ontem dizia à Mzinha que já tinha uma turma favorita. Ela respondia-me, com a sua sensatez habitual, que evitava ao máximo favoritismos. Eu não sou capaz, sou mulher de emoções à flor da pele. Gosto muito de quase todos os meus monstritos, mas há turmas especiais, todos os anos, para as quais vou praticamente a cantar. E já escolhi a deste ano. (também há sempre uma turma para a qual vou aos suspiros, por saber que 9 em cada 1o vezes, vou ter que dar um par de berros... e também já está apresentada)
É um nono ano. Se há coisa que aprendi com a experiência, é que se um miúdo chega ao nono ano sem pescar um chavelho de Inglês, pouco há a fazer, que não seja ir incutindo os mínimos e não o massacrar demasiado. As minhas nódoas são adolescentes com os quais insisto o suficiente para que não passem noventa minutos a apanhar bonés, mas que não chateio demasiado, para não entrar numa batalha perdida de antemão.
Compreendo que esses se distraiam mais, conversem mais e desistam quando o Inglês passa, a partir de certa altura da aula, a chinês.
Hoje dei o Reported Speech. É impossível dar o discurso indirecto a alunos que não me distinguem um tempo do presente de outro do passado. Por isso, quando os pus a praticar, o João desligou.
Perguntou-me se um determinado professor, que lhes daria aulas a seguir, estava na escola, ao que eu respondi, está doido? então o homem foi pai no Sábado, acha que está para vos aturar esta semana? e ele, ó professora, a mulher dele é bonita? (o professor em questão não é uma estampa de homem, daí a pergunta a preto-e-branco, comum nestas idades). E eu, é, por acaso é bem bonita. E ele, a mulherzinha tem hi5? e eu, João, essa expressão é muito desagradável, "a mulherzinha"... ainda mais porque se trata de um "mulherão"! e ele, acto-contínuo, pergunta, um mulherão, como? assim como a professora?
O resto da turma levantou a cabeça mesmo a tempo de ver a minha cara de parva. Se não tivéssemos todos desatado a rir que nem uns alarves, quase tinha precisado que me tivessem feito um desenho para me explicar que "a professora" que era "um mulherão" era, afinal, eu.
No fim, só lhe disse João, nunca há-de perceber nadinha de Inglês... mas estou mesmo muito tentada, mesmo muito, a dar-lhe um três no final do período. Só porque sim.
Esta é a minha turma preferida. Só porque sim... e como não?