segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fónix!

Tentem escrever um texto científico esmerado, seríssimo, que ilustre toda a vossa sapiência, com a merda da tecla-vírgula a funcionar só à terceira vez e a murro, e manter o bom humor. Tentem. Se conseguirem, parabéns, estão na minha categoria de heróis. Se não, têm toda a minha solidariedade.
A solidariedade do meu orientador, esqueçam, que ele, depois de me acrescentar cinco mil duzentas e setenta e três vírgulas ao texto que lhe enviei, deve estar com vontade de me matar de forma lenta e dolorosa. Mas como eu já fumo, ele confiará na sorte.

Saúde...

... é que não pode faltar. Nem numa revista feminina de terceira categoria.
A minha mãe convenceu-me de que é possível que eu tenha uma pneumonia, dado que ando há semanas com uma tosse que mais parece a gosma de um cão-de-fila. E porque também ando mais cansada do que o costume. E porque me farto de impar (não sabem o que é? paciência, que eu também só aprendi há umas semanas), logo eu que nunca me queixo.
Diz ela, a progenitora, que eu deveria fazer uma radiografia ao tórax.
E eu até concordo. Só não sei é quando. Vou ali marcar na moleskine um dia para pensar nisso. E fumar o primeiro cigarrito do dia, que está quase na hora da aula, e o tema de conversa puxa.

Dica da Semana

E já que isto parece o parente pobre e fútil de uma revista feminina de segunda categoria, não pode faltar um conselho de beleza:
A minha progenitora ofereceu-me uma caixa da Benefit que se chama "Confessions of a Concealaholic". Tendo em conta que às seis e um quarto da manhã já estava de pestana aberta e olheiras até ao queixo, cheia de borbulhas por causa dos chocolates que enfardei em Lisboa e uns papos nos olhos que me lembraram uma boga congelada há um mês... e que, quando cheguei à escola, um duche, duas horas e tal de viagem e um tratamento de concealing depois, sem almoçar e com um mau humor de fugir, me disseram: estás com um óptimo aspecto!... (e eu já tinha tirado os óculos escuros...) o meu conselho é: ide à Sephora. Se comigo hoje resultou, convosco resultará sempre.

Está bem, venha outra...

... que isto hoje está para o consultório sentimental: tenho uma amiga que anda com um "senhor casado". Sim, porque ele é um senhor, ela é que é a cabra: a culpa é sempre das gajas, que são umas invejosas e gostam de roubar o que é alheio. Os "senhores casados" não têm culpa nenhuma, elas é que lhes apontam bazucas à cabeça (sim, à cabeça que eles tanto prezam) e os obrigam a desrespeitar mulher, filhos, família: grandes meretrizes, cortesãs, rameiras! Apedrejadas! Apedrejadas é que era...
Perdi-me? Não. Perguntava-me ela, que é que eu faço, pá? Dei-lhe um sábio conselho que recebi por mail, entre outros itens de uma lista com o título "Como ser feliz", ou coisa que o valha:
- Se a sua relação é secreta, você não devia estar nela.
E mais nada.
(Acredito que para o tema "senhores casados" a Carolina tenha um rol de "sugestões Amélie Poulain" que nunca mais acabe... é que esses são tão fáceis de entalar que até dá pena!)

Frio... sempre frio

De cada vez que tenho uma conversa de mulheres cujo assunto é o crápula-do-gajo-que-nos-trocou-por-outra-que-ainda-por-cima-tem-ar-de-puta-e-nada-na-cabeça, lembro-me de um namorado que tive há uns bons anos atrás, e com quem estive para me casar. A relação acabou por si, não sobreviveu à distância, ao meu feitiozinho insuportável, por um lado, e bastante instável, por outro. Não tinha idade para me casar (nem sei se alguma vez terei) e rapidamente encontrei um novo amor mais perto. Contudo, ainda tivémos tempo para infernizar a vida um do outro: é que demorou uns largos meses, acabar com uma relação de sete anos. E nesses largos meses, ele conseguiu fazer com que o odiasse. (e vice-versa, certamente).
Nunca me esqueci de uma conversa que tive com quatro amigas da altura. Foi num jantar de mulheres e, depois de desfiar o rosário de merdas que ele me tinha dito e feito, e que eu tinha respondido e contra-atacado, estivémos mais de uma hora... acreditem, mais de uma hora, a inventar cenas do arco-da-velha para lhe fazer, mesmo ao estilo Amélie Poulain / A Vingadora.
Foi das coisas mais retemperadoras que me lembro de ter tido na vida. Qual viagem para tratar dor de corno, qual outro gajo para esquecer o primeiro. Dar largas à imaginação maldosa, essa é que é essa! Nunca mais me esqueci de algumas das propostas. E a Carolina, autora das piores, não desfazendo, também ainda se deve lembrar.
Há mais de um ano que não tenho ódios de estimação: batem-me forte mas passam-me rápido, acho que estou cada vez mais imune a grandes sentimentos. Mas quando uma conversa, de repente, se vira para uma mulher infeliz porque o seu namorado a deixou ou, sem a deixar, a magoou, e há um coro de vozes femininas entre o acusatório e o consolador, o justificativo e o "queime-se - em - praça - pública", eu, de há dez anos a esta parte, atrevo-me sempre a dizer, em voz calma e expressão impávida e serena: " E se deixasses passar uma ou duas semanas e lhe partisses uns copinhos de cristal na banheira? Não achas que um mesito de patas para o ar lhe refrescaria as ideias, o ajudaria a pensar melhor na vida? Não? Tu é que sabes..."
Se há coisa que aprendi com as minhas amigas, - já depois de adulta, que a minha mãe me educou para ser a maior tansa do Mundo e foi com elas que aprendi a abrir a pestana, - é que o ódio consome demasiada energia... e a vingança é um prato que se serve, sempre, frio.

Às vezes...

... custa com'ó caraças regressar. Mesmo que se tenha passado o fim-de-semana em casa. Mesmo que nem sequer se tenha conversado grande coisa com a família. Mesmo que nem se tenham visto séries como deve ser na cabo. Só porque faz falta aquele cheiro particular da casa da nossa mãe. E porque apetece chegar a casa e ter um chocolate em cima da cama.

domingo, 18 de abril de 2010

Isto é que é motivação...

O meu agregado familiar lisboeta é constituído por quatro seres, a contar comigo.
De momento, duas estão de orelhas espalmadas em almofadas, respiração regular e olhos fechados.
O mais pequeno, e único macho da casa, grasna, canta, rosna, enfim, deve estar em plena rave semi-primaveril.
E eu estou ao computador, a trabalhar. Com uma vontadinha doida de ser produtiva, não desfazendo... e a culpa é deles, claro.

Só que a família não se escolhe, inveja-se.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

JadeMobile

A máquina infernal foi ao senhor doutor. À entrada das urgências perguntam-me, enquanto "familar-acompanhante":
-Matrícula?
Eu: ehhh... não sei, é aquele ali.
-Modelo?
Eu: ahn? É preto.
-Oh, minha senhora, e a marca, sabe, ao menos?
Eu: ah! É um Seat Ibiza! (Fónix, até que enfim que o imbecil do enfermeiro me fala em Português!)
-Venha buscá-lo dentro de uma hora.
Eu (só pensei, não disse): Tratamento ambulatório, pelo menos não ficas internado, nem chamam a assistência social por negligência parental.
O estúpido do enfermeiro ainda diz "já é um bocado tarde para isto, mas enfim, ainda lhe resolvemos a situação hoje."
Saí muito agradecida, até me aperceber de que o favor me custou quase cem euros.
O Sistema Nacional de Saúde Automóvel é vergonhoso.
Gatunos, ladrões, chupistas!


(Mas a máquina infernal já geme menos, valha-nos isso, que as preocupações de uma mãe nunca acabam...)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

É oficial...

... o meu orientador tem qualidades de Deus. É, pelo menos, omnipotente. Pode tudo. Como é que alguém que dá aulas e conferências, orienta mestrados e doutoramentos às dúzias, escreve livros, ensaios, estudos e blogues, vê todos os CSI e Dr Houses, e ainda vai a Nova Iorque a trabalho nos intervalos, tem tempo para ler e corrigir cem páginas num período de tempo em que eu não consegui escrever nem mais um parágrafo?
Será que dorme? É que eu nem isso, e ainda assim ando há dias sem tempo ara me coçar.
Shit, shit, shit!
Sou tãããão inteligente e jamais perceberei isto...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Tenho para mim que..

... num dia em que chove desalmadamente e está um frio de rachar, depois de uma semana de sol e calor a prometer e não cumprir o fim das intempéries;
... num dia de derby lisboeta, à hora das aulas dos EFAs de 12º ano, que acham que a sala de aula é mais ou menos a mesma coisa que a Tasca da Mariquinhas com um LCD a transmitir o jogo;
... num dia de TPM literal e não metafórico, como a maior parte dos meus;
... num dia em que o meu carro não se arranjou por milagre, e continua de fechos e vidros eléctricos avariados e eu me torno católica de tanto rezar para não ficar lá presa;
... num dia em que ainda não jantei, e estou em quebra de açúcar...


... não é fácil que a coisa ainda piore.




(mas tendo em conta que o Sporting ainda vai muito a tempo de levar 3 ou 4 secos na pá, ou de eu ser parada pela brigada e ter que falar com os senhores agentes por gestos, para eles me abrirem a porta do meu próprio carro, ou de ter que estacionar bem longe do prédio e arrastar-me debaixo de baldes de água até casa a alombar com pasta e computador, ou de chegar finalmente a casa e não me apetecer jantar nada do que lá há... é melhor estar caladinha, que a procissão ainda agora vai no adro.)

sábado, 13 de março de 2010

Objectos...

... de desejo.


Sempre fui um bocado fetichista, há objectos que pertencem à minha arquinha de tesouros e perdê-los seria quase trágico. São praticamente insubstituíveis. Senão, vejamos: a Moleskine, os Aviadores e os Vogue, os Merrell, as All-Star, a Pandora, todos os meus relógios, os CDs com capas de cartão, tipo envelope, os DVDs da minha Grey, uma caneca que me trouxeram de Washington, que é branca e diz tão-somente, a azul, "FBI", alguns dos lápis da minha colecção, todas as inoxcrom da Ágata Ruiz de Prada, o meu frasco de perfume do momento, a minha máquina fotográfica, especialmente porque é cor-de-laranja, ou talvez só por isso, todos os livros que tenho por ler, mas são meus, meus, meus, e acaricio-lhes as capas e cheiro-lhes as folhas, prometendo fazer-lhes companhia em breve, o meu saquinho de vernizes, a minha bolsa de maquilhagem, o meu estojo de lápis e, desde hoje...

...o meu MP3 Hello Kitty que, convenhamos, já não bastava ser tão fofo que até faz mal à saúde, ainda me permite andar pela casa de mãos a abanar e a voz do Eddie Vedder a cantar-me ao ouvido "let's just breathe..."
Let's.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Viver em Contraluz

Sei que há muita gente que embirra com vídeos em blogues, e passa pelos posts sem nunca os abrir. Aconselho toda a gente a não fazer isso desta vez. Não se vão arrepender, garantidamente.

Este post foi indecentemente copiado do blogue "Ideias Saltitantes", mas acredito que a autora não se incomode: porque se há mensagem que vale a pena passar a toda a gente que vê noticiários e sai do sério com a vidinha do dia-a-dia, que custa a todos, essa mensagem é, sem dúvida, esta.
Bom fim-de-semana, vivam em contraluz.






quinta-feira, 4 de março de 2010

Ahn?

Ontem dizia à Mzinha que já tinha uma turma favorita. Ela respondia-me, com a sua sensatez habitual, que evitava ao máximo favoritismos. Eu não sou capaz, sou mulher de emoções à flor da pele. Gosto muito de quase todos os meus monstritos, mas há turmas especiais, todos os anos, para as quais vou praticamente a cantar. E já escolhi a deste ano. (também há sempre uma turma para a qual vou aos suspiros, por saber que 9 em cada 1o vezes, vou ter que dar um par de berros... e também já está apresentada)
É um nono ano. Se há coisa que aprendi com a experiência, é que se um miúdo chega ao nono ano sem pescar um chavelho de Inglês, pouco há a fazer, que não seja ir incutindo os mínimos e não o massacrar demasiado. As minhas nódoas são adolescentes com os quais insisto o suficiente para que não passem noventa minutos a apanhar bonés, mas que não chateio demasiado, para não entrar numa batalha perdida de antemão.
Compreendo que esses se distraiam mais, conversem mais e desistam quando o Inglês passa, a partir de certa altura da aula, a chinês.
Hoje dei o Reported Speech. É impossível dar o discurso indirecto a alunos que não me distinguem um tempo do presente de outro do passado. Por isso, quando os pus a praticar, o João desligou.
Perguntou-me se um determinado professor, que lhes daria aulas a seguir, estava na escola, ao que eu respondi, está doido? então o homem foi pai no Sábado, acha que está para vos aturar esta semana? e ele, ó professora, a mulher dele é bonita? (o professor em questão não é uma estampa de homem, daí a pergunta a preto-e-branco, comum nestas idades). E eu, é, por acaso é bem bonita. E ele, a mulherzinha tem hi5? e eu, João, essa expressão é muito desagradável, "a mulherzinha"... ainda mais porque se trata de um "mulherão"! e ele, acto-contínuo, pergunta, um mulherão, como? assim como a professora?
O resto da turma levantou a cabeça mesmo a tempo de ver a minha cara de parva. Se não tivéssemos todos desatado a rir que nem uns alarves, quase tinha precisado que me tivessem feito um desenho para me explicar que "a professora" que era "um mulherão" era, afinal, eu.
No fim, só lhe disse João, nunca há-de perceber nadinha de Inglês... mas estou mesmo muito tentada, mesmo muito, a dar-lhe um três no final do período. Só porque sim.
Esta é a minha turma preferida. Só porque sim... e como não?

quarta-feira, 3 de março de 2010

Adendinha

Estou capaz de accionar o alarme de incêndio: assim como assim houve simulacro há uma semana, o pânico não deve matar ninguém... pelo menos, não mata ninguém que não esteja já morto de tédio.

Ridículo

O Conselho Pedagógico está reunido na sala ao lado daquela em que aguardo a hora de ir ter com os meus formandos dos cursos de adultos. Estão dez ou doze pessoas reunidas à porta fechada há mais de quatro horas. Às vezes, ouvem-se vozes exaltadas; outras, gargalhadas; com mais frequência, algo de monocórdico com um silêncio sepulcral por trás. Ainda não ouvi foi nada de interessante. E penso na senhora seca que dois ou três amigos meus estão a apanhar. Nada me tira da ideia que nesta escola se faz de propósito. Só para se poder dizer que se trabalha muito seriamente e que, por isso, as reuniões nunca se fazem em menos de três horas.
Deve ser por isso que temos cem por cento de sucesso. Sim, é das reuniões.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Febre

Ninguém me vicia num jogo em que os animais da quinta incluem pinguins e renas com luzinhas de Natal nas hastes, Santa Paciência...

Cúmulo da inércia

Fiz a viagem escola-casa de coração nas mãos, com o ponteiro da reserva quase a bater no fundo, e quando cheguei não me apeteceu fazer mais duzentos metros até à bomba da gasolina.