O nosso povo tem grandes qualidades, sendo uma das mais importantes a generosidade. Mas é uma generosidade in extremis, em alturas de catástrofe óbvia. Aí, o tuga mobiliza-se, vira-se do avesso, contribui para campanhas, voluntaria-se para dar parte do seu tempo e dinheiro para socorrer os outros. É uma pena que, no dia-a-dia comezinho, o tuga tenha muito mais tendência para a inveja, a chico-espertice e o umbigo. E depois, as coisas acontecem.
Quando o Conselho Pedagógico da minha escola aprovou sem pio a vontade da Directora de fazer dos nossos alunos de nono ano cobaias para testes intermédios a todas as disciplinas teóricas, como bem se lembram, D. Jade vociferou, berrou e deixou longos protestos nas actas das reuniões de todos os órgãos em que tem assento. Também vociferou, berrou e deixou protestos na sala de professores e no gabinete da Direcção. Toda a escola (à excepção da colega de Ciências) se manteve impávida e serena. Ainda vi, na maior parte das vezes, sorrisos paternalistas. Ainda ouvi, algumas vezes e de gente mais frontal, que, se os professores de Língua Portuguesa e Matemática eram "os suspeitos do costume" ano após ano, e passavam a vida a ser pressionados, "era justo" que os outros comessem pela mesma medida. Sei que, como fui eu que mais perdi a cabeça com este argumento, me recusei a ter aulas assistidas e a compactuar com esta avaliação de docentes até onde pude, muita gente deve ter pensado que eu tinha apenas medo dos resultados. Houve muita gente com um gostinho especial, eu sei, por finalmente me ver ser passado o tal atestado de incompetência em praça pública, porque "tenho a mania que sou boa", porque até leio uns livros e não faço disso segredo, porque escrevo bem e não tenho medo de escrever actas, porque corrijo erros de colegas, and so on, and so on.
Amanhã é o teste intermédio de interacção oral de Inglês. Quando pus a questão sobre a organização do mesmo à Directora, e disse que ia ser complicado arranjar tempo e recursos para o fazer, ela respondeu "não se preocupe com isso, que isso é trabalho para secretariado e direcção." Pois.
Se não fosse eu, a andar de um lado para o outro, a fazer perguntas inconvenientes e a tratar de tudo, amanhã não estava nada feito. E ainda ouvi bocas: "tu que és a chefe dos intermédios", "já que tenho que trabalhar na minha tarde livre, depois pagas um café", merdas destas. Até os funcionários da escola vieram ter comigo a perguntar se eu não tinha vergonha de fazer "aquela maldade aos meninos, coitadinhos" (porque eles, funcionários, também têm que ficar mais quarenta e cinco minutos que o horário que cumprem à risca, e toda a gente sabe que quem manda na escola sou eu, por acaso).
Ocorreu-me hoje varias vezes um provérbio tibetano milenar, muito sensato e adequado à ocasião, que começa por "vai para" e acaba em "alho". Mas não o disse. Estou à espera de um momento mais apropriado, que não tenho dúvidas nenhumas que esteja para breve.
Quando o Conselho Pedagógico da minha escola aprovou sem pio a vontade da Directora de fazer dos nossos alunos de nono ano cobaias para testes intermédios a todas as disciplinas teóricas, como bem se lembram, D. Jade vociferou, berrou e deixou longos protestos nas actas das reuniões de todos os órgãos em que tem assento. Também vociferou, berrou e deixou protestos na sala de professores e no gabinete da Direcção. Toda a escola (à excepção da colega de Ciências) se manteve impávida e serena. Ainda vi, na maior parte das vezes, sorrisos paternalistas. Ainda ouvi, algumas vezes e de gente mais frontal, que, se os professores de Língua Portuguesa e Matemática eram "os suspeitos do costume" ano após ano, e passavam a vida a ser pressionados, "era justo" que os outros comessem pela mesma medida. Sei que, como fui eu que mais perdi a cabeça com este argumento, me recusei a ter aulas assistidas e a compactuar com esta avaliação de docentes até onde pude, muita gente deve ter pensado que eu tinha apenas medo dos resultados. Houve muita gente com um gostinho especial, eu sei, por finalmente me ver ser passado o tal atestado de incompetência em praça pública, porque "tenho a mania que sou boa", porque até leio uns livros e não faço disso segredo, porque escrevo bem e não tenho medo de escrever actas, porque corrijo erros de colegas, and so on, and so on.
Amanhã é o teste intermédio de interacção oral de Inglês. Quando pus a questão sobre a organização do mesmo à Directora, e disse que ia ser complicado arranjar tempo e recursos para o fazer, ela respondeu "não se preocupe com isso, que isso é trabalho para secretariado e direcção." Pois.
Se não fosse eu, a andar de um lado para o outro, a fazer perguntas inconvenientes e a tratar de tudo, amanhã não estava nada feito. E ainda ouvi bocas: "tu que és a chefe dos intermédios", "já que tenho que trabalhar na minha tarde livre, depois pagas um café", merdas destas. Até os funcionários da escola vieram ter comigo a perguntar se eu não tinha vergonha de fazer "aquela maldade aos meninos, coitadinhos" (porque eles, funcionários, também têm que ficar mais quarenta e cinco minutos que o horário que cumprem à risca, e toda a gente sabe que quem manda na escola sou eu, por acaso).
Ocorreu-me hoje varias vezes um provérbio tibetano milenar, muito sensato e adequado à ocasião, que começa por "vai para" e acaba em "alho". Mas não o disse. Estou à espera de um momento mais apropriado, que não tenho dúvidas nenhumas que esteja para breve.








