segunda-feira, 9 de maio de 2011

É mesmo à tuga...

O nosso povo tem grandes qualidades, sendo uma das mais importantes a generosidade. Mas é uma generosidade in extremis, em alturas de catástrofe óbvia. Aí, o tuga mobiliza-se, vira-se do avesso, contribui para campanhas, voluntaria-se para dar parte do seu tempo e dinheiro para socorrer os outros. É uma pena que, no dia-a-dia comezinho, o tuga tenha muito mais tendência para a inveja, a chico-espertice e o umbigo. E depois, as coisas acontecem.
Quando o Conselho Pedagógico da minha escola aprovou sem pio a vontade da Directora de fazer dos nossos alunos de nono ano cobaias para testes intermédios a todas as disciplinas teóricas, como bem se lembram, D. Jade vociferou, berrou e deixou longos protestos nas actas das reuniões de todos os órgãos em que tem assento. Também vociferou, berrou e deixou protestos na sala de professores e no gabinete da Direcção. Toda a escola (à excepção da colega de Ciências) se manteve impávida e serena. Ainda vi, na maior parte das vezes, sorrisos paternalistas. Ainda ouvi, algumas vezes e de gente mais frontal, que, se os professores de Língua Portuguesa e Matemática eram "os suspeitos do costume" ano após ano, e passavam a vida a ser pressionados, "era justo" que os outros comessem pela mesma medida. Sei que, como fui eu que mais perdi a cabeça com este argumento, me recusei a ter aulas assistidas e a compactuar com esta avaliação de docentes até onde pude, muita gente deve ter pensado que eu tinha apenas medo dos resultados. Houve muita gente com um gostinho especial, eu sei, por finalmente me ver ser passado o tal atestado de incompetência em praça pública, porque "tenho a mania que sou boa", porque até leio uns livros e não faço disso segredo, porque escrevo bem e não tenho medo de escrever actas, porque corrijo erros de colegas, and so on, and so on.
Amanhã é o teste intermédio de interacção oral de Inglês. Quando pus a questão sobre a organização do mesmo à Directora, e disse que ia ser complicado arranjar tempo e recursos para o fazer, ela respondeu "não se preocupe com isso, que isso é trabalho para secretariado e direcção." Pois.
Se não fosse eu, a andar de um lado para o outro, a fazer perguntas inconvenientes e a tratar de tudo, amanhã não estava nada feito. E ainda ouvi bocas: "tu que és a chefe dos intermédios", "já que tenho que trabalhar na minha tarde livre, depois pagas um café", merdas destas. Até os funcionários da escola vieram ter comigo a perguntar se eu não tinha vergonha de fazer "aquela maldade aos meninos, coitadinhos" (porque eles, funcionários, também têm que ficar mais quarenta e cinco minutos que o horário que cumprem à risca, e toda a gente sabe que quem manda na escola sou eu, por acaso).
Ocorreu-me hoje varias vezes um provérbio tibetano milenar, muito sensato e adequado à ocasião, que começa por "vai para" e acaba em "alho". Mas não o disse. Estou à espera de um momento mais apropriado, que não tenho dúvidas nenhumas que esteja para breve.

domingo, 8 de maio de 2011

Domingos






A cor-de-rosa custam menos.

Pois, mais essa...

E à conta dos Velvet Carochinha, foi mais um tabu ao ar. Fiz as pazes com o youtube. Aos poucos, aos poucos... enche a galinha o papo!

Não percam



O que de melhor tenho visto a ser feito nas escolas portuguesas. Abaixo os projectos para Inglês ver, e a parvoeira que se faz à conta da avaliação docente. O nosso governo, que tanto contribuiu para a nossa desacreditação pública, leva aqui uma enorme estalada de luva branca! (O refrão, ai Nossa Senhora, o refrão!...)

sábado, 7 de maio de 2011

...


A Angela Merkl adoptou um pinguim. Chama-se Alexandra. Gosto mesmo destes simpáticos. Sempre aprumados, sempre de bem com a vida.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Um dia destes...


Experimento pintar um quadro.

Não duvidem...

... até porque ando tipo Dori, a peixinha do Nemo. Desmemoriada. Não celebraria mais de vinte segundos e era capaz de perguntar, umas horas depois, quem tinha ganho. A piada da semana (os meus colegas agora divertem-se às minhas custas), foi um mocinho lá da escola virar-se para mim e dizer, oh Jade, tu amanhã lembra-me de que... e eu, se calhar não é muito boa ideia pedires-me isso, mas ok, vou tentar. No bloco seguinte, armada aos cágados, digo à malta da sala de professores: estou a recuperar a credibilidade! Vejam lá que o Zé me pediu, logo a mim, para lhe lembrar amanhã de uma cena para os testes intermédios! Perante o meu sorriso de satisfação, uma colega minha, com a tromba enfiada num livro, pergunta, a olhar-me de esguelha, ah sim? e de que é que tens que o lembrar? Eu páro um microcabrão de um segundo e digo, estupefacta (que até a mim me surpreendo), epá iss'agora... não sei, esqueci-me!
E vou levar com esta até ser velhinha, olarilas!

Parêntesis

...não me tomem por arrogante, que não posso dizer que a derrota do Benfica não me tenha valido um sorrisinho de satisfação. Mas foi assim pequenino e sem comentários, cinco segundos depois já eu tinha mais que fazer e em que pensar. E antes que os lampiões venham para aqui armar a giga do costume, se fosse o meu clube, ainda assim e como ele anda, em vez de cinco segundos teriam sido aí uns vinte... não mais que isso.

Agora sim...


Estou de fim de semana. Mas para o tamanho da dita, sinto-me em fim de mês. Ou em fim de ano. Arre, chiça, que isto tem sido a doer! E promete continuar ao mesmo ritmo.... tanto fogo para apagar, tanta coisa que tem que ser feita para ontem, tanto problema a chover-me na telha com que ando, tanta chatice dá, pelo menos, para relativizar as coisas: no meio disto tudo, abençoados os que, como alguns que conheço, têm por principal zanga, ou suprema felicidade, os resultados das suas equipas no futebol. Ele há gente com vidinhas simples, que inveja. Já estou como a Christina, some girls are born simple, others are born... me!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Dilema do Dia

O meu levantar foi muito irónico. Estive mais de um quarto de hora a mandar o despertador tocar de cinco em cinco minutos enquanto me mentalizava que hoje merecia meter um dia de férias. Bolas, estou exausta. Mal me consigo mexer. Tinha o dia cheinho de aulas e uma reunião ao fim da tarde. Por entre mil desculpas maravilhosas, vinha "a outra" dizer que o primeiro bloco era a última aula com um nono ano antes do exame de interacção oral dos putos. Uns minutos de auto-indulgência a seguir, "a gaja" gritava que não podia faltar à reunião de validação de competências dos adultos da noite. Virava-me para o lado e fechava os olhos com força, e "a fulana" abanava-me aos guinchos, depois do post que escreveste ontem à noite é isto que fazes hoje de manhã?
A "grande estúpida" ganhou. Levei uma sova de dez horas de trabalho. E, ao contrário do que é costume, nem de fim-de-semana estou, que amanhã estou convocada para a aplicação de provas de aferição.
Bem vistas as coisas, o dilema é se tanto trabalho me deprime ou me serve de terapia ocupacional. Dilema a que acresce a pergunta "como raio se cala a outra metade da nossa bipolaridade?"

It's official

Abriu a época do ginásio. Fui. Com tanta sorte ou tanto azar que hoje era "Dia de Abdominais" e ia morrendo. No quinto tapete já nem me levantar como deve ser conseguia. Ao décimo, tinha que literalmente rebolar para me levantar de costas. E ao décimo quinto, finalmente, lá resmunguei "e a gente PAGA para isto!!!".
Antes disso, quando vínhamos em bando da escola para casa, comentava no carro com as minhas colegas e companheiras da tortura fit que, ao contrário das pessoas normais, queria ginásio por uma questão emocional e psicológica, e não estética e física, mas que, mesmo quando o frequentava (mais) regularmente não chegava nunca a sentir a explosão de endorfinas, a droga da felicidade. A inércia do sofá+cigarros+séries favoritas deixa-me muito mais feliz. É claro que o coro de protestos e de ameaças "se não fores hoje, vamos buscar-te pelos cabelos a casa e fazes o caminho a pontapé", entre outros mimos, ajudou a que não me atrevesse ao achincalho, que capaz disso e de muito mais são elas.
Fui. Mais uma vez, as endorfinas fizeram greve. Mas não posso deixar de sorrir quando alguém me diz hoje, depois disso, quando estava a resmungar de dores abdominais "És uma grande mulher. Tesa como não conheço mais nenhuma, palavra de honra". Quando perguntei porquê, a justificação foi que, dois meses e pouco passados da minha "travadinha", como eu lhe chamo e os amigos adoptaram, sem me aperceber fiz um percurso, "diz que" impressionante. Levantei-me sempre de manhã. Fui sempre trabalhar. Só faltei uma tarde, que me vim embora. Preparei alunos para testes intermédios dando, inclusivamente, horas extra. Fiz horas do curso da noite a fio, porque uma das minhas colegas meteu um atestado de trinta dias por causa de... uma depressão. Entreguei sempre os testes a tempo. Nunca faltei ao shrink. Nunca deixei de tomar banho e de me arranjar. Fui a todas as reuniões. Não me descontrolei de modo a entrar em colapso físico e a ter outra crise da minha amiga auto-imune. Tudo isto, sempre de coração partido e sem encontrar prazer em absolutamente nada. Tudo isto vazia de tudo excepto de lágrimas. Tudo isto sem apreciar o sabor dos alimentos que sempre adorei, dos cheiros que sempre me enebriaram, dos gestos e olhares que me oferecem todos os dias, e a que sempre fui sensível. Tudo isto sem calor na alma, sem sorrisos no espírito. Sou uma grande mulher. Tesa. Palavra de honra.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A triplicar

Hoje seria dia de "triple shrink": médico, esteticista e ginásio. A minha companhia para o gym cortou-se à última hora, por um daqueles imprevistos da vida, de modo que lá cumpri os outros dois. Já não tenho cara para aparecer no ginásio sozinha, depois de tanto tempo de ausência, mas lá me arrastei para a conversa psiquiátrica semanal, de onde ultimamente saio destroçada, para me ir enfiar nos cuidados de beleza, que a depressão não me deu para o abandalho (coração partido mas maquilhagem perfeita, é um dos meus mais antigos princípios). Anyway, esta mania das aparências que começa e acaba nas fronteiras do não dar parte fraca e de, pelo menos, cheirar sempre bem e não assustar as crianças, também deve ser causa para nenhum psiquiatra levar a sério as minhas dores. Excepto este, que me leva a sério mas não me passa atestados nem me aumenta a medicação, apesar de eu lhe dizer que estou exausta, que não consigo dizer duas frases sem falhar uma palavra, que oscilo permanentemente entre o sombrio e o indiferente. Diz que já percebeu que esta não sou eu, mas não me dá soluções. Põe-me a pensar, aceita que me isole e que procrastine, e não me dá uma pista. Nem sequer se devo praticar a auto-indulgência ou gastar energias a combater o marasmo, obrigando-me a fazer as coisas que me custam mas que toda a gente leiga diz que podem resultar e são o preciso contrário do que me apetece.
Por acaso, lembrei-me agora que o compromisso que tenho ao fim da tarde e princípio da noite pode resultar na terceira sessão de terapia de hoje: vou, finalmente, estar com a seita, numa prova de vinhos e lanche ajantarado. Apetece-me zero, para variar. Mas como em tudo o que não me apetece, depois de lá estar vou ficar contente por ter ido. Se o mesmo se aplicar ao ginásio, quando arranjar companhia para lá entrar, pode ser que em Maio crie novos costumes mais saudáveis e a coisa comece, se não a melhorar, pelo menos a estabilizar.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Por outro lado...

Estou de fim de semana.
Bem vistas as coisas, o resto que se lixe.

strike

Há gente com queda para pino de bowling. E o que eu não dava para lhes passar com uma bola gigante por cima, a toda a velocidade. Eu já vou pouco ao facebook, mas ainda assim de vez em quando consigo sair de lá mal-disposta. Ide lá espetar com a vossa felicidade no focinho uns dos outros e deixai-me estar na minha fase dark and twisty.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Homework

O meu médico dos neurónios mandou-me TPC de férias. Entre outras listas, uma das coisas que deixei de fazer de há dois meses para cá, quando "endoideci". Deixei de ouvir Pearl Jam e The National. Deixei de comer chocolate com verdadeira vontade. Deixei de fazer exercício físico, mas também deixei de comer com prazer. Deixei de me deitar muito tarde, mas também deixei de dormir realmente bem. Deixei de sair à noite. Nunca mais assisti a um espectáculo. Nunca mais fui ao cinema. Acho que li um livro, neste tempo todo, o que quer dizer que nunca mais li como era costume. Nunca mais tive um ataque de riso. Deixei de lado a minha pandora. Nunca mais estive com a seita toda reunida, para jantar ou copos. Nunca mais fui ao youtube. Só uso o facebook para jogar. Nunca mais usei um dos meus perfumes, nem determinada roupa. Há sítios por onde evito conscientemente passar e lugares onde me recuso ir sem dar explicações, porque quem está maluco, pode tudo. Nunca mais telefonei a ninguém por minha livre iniciativa, só para saber que andam os amigos a fazer, ou dar-lhes um beijo de saudades. Basicamente, nunca mais fui eu. E se o shrink me diz que tenho que me forçar a fazer alguma destas coisas, juro que o mando passear. Por mim, que há dois meses que não passeio, só porque sim, porque me apetece. Há dois meses que não me apetece nada, nem ninguém. Tornei-me na Jade, nome do meio "tanto faz".

sábado, 23 de abril de 2011

Sex and the City, I

Louise: Do you miss him?
Carrie: every day.


Ando a ver os filmes errados.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Queda Livre

Estamos quase na Páscoa e não consigo evitar pensar no dia de ano novo. Diziam os astrólogos que ia ser um ano em grande para os sagitários. Na altura, por coincidência, estava tão iludida que achava que isso de facto seria mesmo verdade. Possivelmente sou mesmo serpentária, porque este 2011 tem sido bem mais semelhante a um salto em queda livre, em que o pára-quedas abre, mas uns segundos tarde demais e me estatelo contra o chão com demasiada velocidade e força, sem morrer, embora nos primeiros momentos achasse que teria sido melhor, mas com violência suficiente para me partir toda.
E permaneço deitada numa cama de hospital metafórica. Sem grande reacção, ainda a ganhar energias, depois de as usar todas na difícil tarefa de sobreviver de algum modo ao estampanço. Esta fase do hospital é, suponho eu, a mais dura. Porque é lenta, a recuperação. É uma disciplina minuto a minuto. Uma disciplina que nunca tive, um racionalizar de cada acção, uma luta contra mim mesma, contra a procrastinação, contra a ansiedade, contra, sobretudo, a sombra da tristeza.
Vim para Lisboa. A minha mãe precisa de mim e vê todos os dias que não estou à altura de a ajudar. Não tenho forças. Não tenho forças nem para responder a sms, nem para pegar no telefone e desejar Boa Páscoa aos amigos. Passo horas a jogar frontier e a ver televisão em hipnose, mas sobretudo durmo. Durmo muito mais do que devia ou queria, mas é assim que pretendo descansar de três meses muito, muito, duros.
E hoje a minha mãe decidiu ouvir a banda sonora do Mamma Mia, que nós gostamos muito. E não pude deixar de sentir um nó na garganta ao ouvir "dancing queen, young and sweet, only seventeen. See that girl, watch that scene, digging the dancing queen." Essa era eu, aos dezassete anos. Más opções e graves decepções depois, a bailarina está toda partida numa cama de hospital, fartinha de esperar por melhoras.
Boa Páscoa a todos.