Atão, pá, nunca mais escreveste, o teu blog tem teias de aranha (desculpa lá, Teia, refiro-me ao pó e à penumbra das casas fechadas e não ao brilhantismo do teu estaminé...), já lá nem vou, que se passa contigo, tens que actualizar a cena, escrevias tanto e tão bem...
Gimme a break.
Passei muitas horas, muitos dias, muitas semanas... de empreitada ao computador, a teclar palavras, a imaginar sinónimos, a refazer discursos, a preparar powerpoints e sumários, a copiar citações. Esgotei-me. Resolvi mergulhar, a seguir, nas palavras dos outros.
Ando por aí, nos vossos blogues. Ando por aí, de volta de alguns livros, muitos ao mesmo tempo, para não dar verdadeira confiança a nenhum, não me vá dar vontade de voltar a estudar este ou aquele autor. Ando por aí, a auto-hipnotizar-me na minha vila do Oeste Americano do Facebook, em que afugento ursos e dou cabo de cobras, o que na vida real me é bem mais difícil. Ando por aí, a sorrir convosco ou a abanar a cabeça. De vez em quando, reconheço, tenho ataques de arrogância, leio posts ou vejo fotos, ou dou com determinados comentários ou citações e penso "mais um que descambou em cretino, tão espertinho que parecia e é mais um possidónio...". Ando por aí, a ver filmes que tenho guardados há meses, para "quando tiver tempo". E agora tenho. Tenho tempo para estar na esplanada, para ir a casa dos amigos, para mimar os sobrinhos, para ler, ver televisão, ouvir música, fazer compras de supermercado, ir ao banco, ir ao ginásio, ir a Lisboa. Tenho tempo para isso tudo e ainda nem de férias estou realmente. Alguma coisa teria obrigatoriamente que falhar. É o blogue, é a escrita, a imaginação, a opinião, a piadinha.
Prometo voltar. Nem que seja com uma ou outra crítica enfadonha a um livro ou um filme. Recuso-me é a vir para aqui estragar dois anos de blogue sincero e transparente por obrigação, só porque sim, só porque enfim. Mais depressa encerro este e começo um novo.