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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

No Ouvido

Há uns meses, uma amiga mandou-me este vídeo para o mail. Abominei-o. Tudo nele me irritou, desde a letra, à música, e aos intervenientes, que estão longe de ser por mim apreciados. Depois, o raio da canção passou a tocar na rádio e, à conta de ser demasiado preguiçosa para mudar de emissora, ou optar pelo CD que lá está há meses, foi entrando no ouvido. E agora gosto dela.
Ontem, na Grey, dizia-se que há coisas de que gostamos imediatamente, e há outras que precisamos de conhecer melhor até lhes darmos uma hipótese. Essas são mais importantes, já que nos baseamos no real para as apreciar. E estes dois convenceram-me. Para mim, acordar um dia e aperceber-me de que I love you a little less than before, é o momento mais duro da relação. Pior até do que aquele em que me apercebo que o desamor acontece por parte da outra pessoa. Quando ele nasce em mim, sinto-me uma fraude autêntica. Acho que foi por isso que detestei esta música, de início. Pela minha recusa em deixar de gostar das pessoas de quem gostei muito tempo, por motivos inexplicáveis. Para muitos, este momento traz paz. Contentam-se com recordações de bons momentos passados, bravo, assim é que é. Para mim os bons momentos passados estão lá, mas não são suficientes para me dar paz. A paz alcanço-a eu, sempre, no presente. A viver novos momentos, a sentir-me apaixonada, a levantar-me com um sorriso, como se o futuro estivesse ali ao pé dos chinelos que enfio antes de tomar o pequeno-almoço e ir meter-me no duche. Como se o futuro fosse um par de pantufas que quero mesmo calçar porque são exactamente do meu número e me aquecem os pés.
Fartei-me de ler, nestas férias. Li uma frase que adorei: "Vive o teu dia como se fosse o último, porque mais dia menos dia, acertas". E, por isso, deixo-vos então um vídeo com uma música levezinha. Daquelas que, diz o G. com o ar arrogante de quem percebe de boa música, daqui a um ano já ninguém se vai lembrar. Pois não, G., mas daqui a um ano, sei lá onde vou estar e com quem, sei lá se sequer vou estar...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Ámen

Recebi esta sms brilhante, de destinatário não menos brilhante, acto-contínuo ao final do episódio de hoje da Grey: "Ámen"
Assim se vive a cumplicidade.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Grey's Anatomy, III

RTP 2, 4ª temporada. A missa das terças à noite. Imperdível. Ou vês, ou não comungas.
Hoje o verbo inglês que me ocorre, perante o episódio que se me depara é "cope". Significa "lidar com um assunto". Encaixar. Arranjar uma alternativa positiva. Desenrascar. Resolver o assunto e andar para a frente. Cope. É o verbo dos sobreviventes, dos corajosos, dos intervenientes. Burke deixou Christina no altar e pediu a demissão, desapareceu. Perguntam-lhe como está. "Fine". She's coping. Meredith foi acusada de ser responsável pela morte da madrasta, descobriu que a irmã é uma das novas internas. Uma irmã que ela não conhecia. Terminou tudo com Derrick. E como é que ela está? "Fine". She's coping. E a Izzie... perdeu o Denny, apaixonou-se pelo melhor amigo, que entretanto está casado, e não lhe fala, por culpa, por estupidez masculina, por... quê? E como está ela? "Fine", She's coping.
E, não me lixem, eu sei. Eu sei que é uma série, eu sei que não é real, mas caramba, até assusta.
Acaba sempre tudo como não acaba na vida real, eu sei: Afinal o George não fala à Izzie porque a ama a ela, e não à mulher com quem casou. Até aí, pacífico. Mas aparece em casa dela para lho dizer, olhos nos olhos. Pois, é uma série. Afinal o Derrick e a Meredith transformam uma separação numa despedida sem fim. Pacífico, é apenas uma série. Afinal a Christina... a Christina é um caso à parte. É a personificação do suspension of disbelief.
Mas esta gente ensina-me, pelo exemplo ficcional.
Queria ser livre ancorada em ti. Jamais o serei. I'm coping. Gostaria que me mostrasses o mundo real depois de me teres apresentado todo o Universo num breve sonho teu. Mas vives agora em permanente vigília, não sonhas mais. And I'm coping. Queria que me dissesses as deixas que invento para a nossa peça de teatro em milhares de actos, que escrevo de olhos fechados, no escuro, à noite. E não me ofereces mais que o silêncio. And I'm still coping. Queria poder virar a mesa numa reunião sindical, e ter ao lado alguém que partisse os pratos que restassem inteiros, e o que encontrei foi quem levantasse a mesa e arrumasse a sala. And I go on coping. Ambicionaria um mundo em que as minhas verdadeiras amigas, aquelas a que posso dizer tudo, incluindo que estão erradas, sem que daí advenham constrangimentos de parte a parte, morassem no meu prédio. E elas moram longe. And I insist on coping. Queria o cheiro da minha mãe aqui em casa, e o meu médico na mesma cidade, para não apanhar sustos que demoram o tempo de uma viagem infernal a passar. And, even though, I'm coping.
E se me perguntarem, I'm fine.
Simplesmente sei que ninguém aqui me conhece suficientemente bem para responder "You always are. And that's precisely your problem." Como o Derrick sobre a Meredith, personagens fictícias de uma vida tão real.