Os dois conselhos que mais tenho ouvido nas últimas semanas são "não leves a escola para casa" e "não ligues, não faças ondas".
Foi a isto que chegou o nosso país medíocre e provinciano.
Costumava achar que era por estar no interior, já que sou de Lisboa, e na minha cidade não há como andares a meter-te na vida alheia. A velocidade é tal, o stress tanto e as vidas tão complicadas que não sobra tempo para te preocupares com outra vida que não seja a tua. Daí dizerem que Lisboa é muito impessoal e fria. E eu agradeço que assim seja. Mas apesar de tudo, tenho que reconhecer que isto não é um problema das berças. É um problema dos tugas.
Ontem não queria crer na cara do nosso primeiro-ministro a falar na assembleia da república. Mais do que a falar, a sorrir cinicamente. Mas que país é este, em que um estado goza descaradamente com o contribuinte da função pública, o rouba, protegido por leis inventadas à pressão, e cujo chefe máximo do governo ainda se ri na cara dos representantes eleitos pelo povo e não há ninguém - NINGUÉM - que lhe cobre vergonha na cara? Pelo menos vergonha na cara. É uma república de bananas. Não das bananas, mas de bananas. De gente sem tomates, sem brio, sem orgulho.
Hoje, quando me disseram para não fazer ondas por assuntos escolares, protegidos pelo argumento de que "isto a mim só já me dá para rir", senti-me noutro planeta.
Aos meus colegas professores, andar a esfregar o chão de pavilhões às duas da manhã, ser convocados para reuniões pós-laborais às sextas-feiras "porque é um dia igual aos outros", serem-lhes impostas metas de 98% de sucesso independentemente da qualidade e da vontade dos alunos que apanham pela frente, serem-lhes exigidas a participação e a organização de pelo menos três actividades transversais e extra-curriculares por ano, tudo isto e muito mais, dá-lhes vontade... de rir. (???)
A mim, quando me pisam, quando me magoam, quando me desrespeitam, me insultam a inteligência ou me enxovalham, dá-me vontade de tudo, menos de rir. E sou eu que não devo fazer ondas? Ou estou rodeada de cretinos subservientes, muito hipócritas ou muito cobardes?
Acho que a opção é a terceira: estou neste momento a viver num país de merda. E não culpem a crise.
Foi a isto que chegou o nosso país medíocre e provinciano.
Costumava achar que era por estar no interior, já que sou de Lisboa, e na minha cidade não há como andares a meter-te na vida alheia. A velocidade é tal, o stress tanto e as vidas tão complicadas que não sobra tempo para te preocupares com outra vida que não seja a tua. Daí dizerem que Lisboa é muito impessoal e fria. E eu agradeço que assim seja. Mas apesar de tudo, tenho que reconhecer que isto não é um problema das berças. É um problema dos tugas.
Ontem não queria crer na cara do nosso primeiro-ministro a falar na assembleia da república. Mais do que a falar, a sorrir cinicamente. Mas que país é este, em que um estado goza descaradamente com o contribuinte da função pública, o rouba, protegido por leis inventadas à pressão, e cujo chefe máximo do governo ainda se ri na cara dos representantes eleitos pelo povo e não há ninguém - NINGUÉM - que lhe cobre vergonha na cara? Pelo menos vergonha na cara. É uma república de bananas. Não das bananas, mas de bananas. De gente sem tomates, sem brio, sem orgulho.
Hoje, quando me disseram para não fazer ondas por assuntos escolares, protegidos pelo argumento de que "isto a mim só já me dá para rir", senti-me noutro planeta.
Aos meus colegas professores, andar a esfregar o chão de pavilhões às duas da manhã, ser convocados para reuniões pós-laborais às sextas-feiras "porque é um dia igual aos outros", serem-lhes impostas metas de 98% de sucesso independentemente da qualidade e da vontade dos alunos que apanham pela frente, serem-lhes exigidas a participação e a organização de pelo menos três actividades transversais e extra-curriculares por ano, tudo isto e muito mais, dá-lhes vontade... de rir. (???)
A mim, quando me pisam, quando me magoam, quando me desrespeitam, me insultam a inteligência ou me enxovalham, dá-me vontade de tudo, menos de rir. E sou eu que não devo fazer ondas? Ou estou rodeada de cretinos subservientes, muito hipócritas ou muito cobardes?
Acho que a opção é a terceira: estou neste momento a viver num país de merda. E não culpem a crise.
4 comentários:
Cabe aqui a frase: "Deus, dai-me paciência, porque se me dás força mato-os!" ou obedecemos às nossas mães quando nos diziam para não mexermos na merda?
Pois, confesso que também tenho tido tudo menos vontade de me rir. Aliás, estou fartinha pelas costuras...
Há tantas merdices diariamente que eu pareço uma tresloucada de esperança sempre que jogo no euromilhões, à espera, não da luz ao fundo do túnel, mas da iluminação completa!!
o anónimo cita e muito bem essa fonte de principio. Aqui, nas universidades está igual.
Cá no norte (não este de onde não saio há mais de mês, mas o outro, mais abaixo) de vez em quando (entre gargalhadas ou olhares assassinos) ordena-se a um amigo que se vá foder. Aos outros, a esses de que falas, mandam-se para o caralho, não entre gargalhadas ou ar bullet-eye, mas entre sorrisos, do mais cínico e hipócrita possível.
Eu, hoje, por tudo isso que aqui escreves, mandei para o caralho o coordenador do meu departamento. Não há pachorra! E é triste pensar que só me deu para responder após 8 anos de algumas, várias, razões. Enfim... como a defesa de phd está longe e quem me paga é a FCT, na pior das hipóteses manda retirar o ar condicionado do laboratório. De manhã logo vejo, e se fizer muito frio, venho ter com a almofada ;-)
Cris, percebo-te lindamente, sei muito bem do que falas e não te invejo mesmo nada. Ainda que também não seja digna de inveja, acredita. Mas pimenta no rabo do vizinho, para nós, é refresco.
Anónimo... não me dá vontade de os matar. Mas dá-me MUITA vontade de lhes dar uns murraços bem puxados ao focinho. Não tenho é caparro, e depois também as comia...
Shadow... aqui tens um cheirinho do que isto tem sido, fora as merdas adjacentes de que tens conhecimento. Espero que entendas porque não atendo telefones nem respondo a sms. Têm sido uns dias (umas semanas) do piorio. E não mando ninguém foder, nem para o caralho, porque já nem isso me alivia. Ou muda seja o que for.
Estou fartinha desta gente.
Beijos a todas
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