quarta-feira, 29 de julho de 2009

Decadente

Não me tem apetecido escrever. Por inúmeras razões que até viriam ao caso se as soubesse enumerar, mas não sei. Sei, contudo, que há sempre motivos subjacentes a tudo, especialmente à falta de vontade para fazer as coisas de que habitualmente gostamos.
É a decadência, diria eu à minha amiga Carolina, com o meu ar indiferente ou melodramático.
E foi exactamente isso que lhe disse hoje, ao almoço, sobre determinada atitude minha. E esse comentário en passant deu um post brilhante, dos dela. Aliás, deu dois, que inspirada no dela, aqui vai o meu.
Acho decadente... tudo aquilo que escrevi no comentário que lhe fiz ao post e que espero que ela aceite; se não o aceitar, é a decadência absoluta. Ide lá ver, não me vou repetir. E também acho decadente...
  • trabalhar quando está meio-mundo de férias, e estar de férias quando a maior parte dos teus amigos está a trabalhar;
  • ouvir música pimba à pressão porque o teu vizinho de baixo adora, e ainda por cima deve ser surdo;
  • ver horóscopos todos os dias apenas para poderes dizer mal da astróloga ou da tua vida;
  • comeres o que te dão quatro canais porque não te apetece levantar do sofá para pôr um DVD;
  • apetecer-te um bruto bife e comeres uma taça de cereais porque não foste às compras;

e também acho decadente, e aí não tenho culpas no cartório, pronto, são coisas que existem e não posso fazer nada contra elas, a não ser pegar na bazuca imaginária e disparar uns quantos balázios,

  • trash-media;
  • eleições à portuguesa (adoro a democracia e detesto não ter em quem votar por achar cretina 100% da nossa classe política);
  • música pimba;
  • o salário mínimo;
  • pessoas como eu a perder quatro horas diárias em transportes para alimentar os filhos, e ainda terem que ouvir chefes déspotas que guiam BMs descapotáveis a dizer parvoíces e a achar que são o máximo;
  • malta toda contente nos santos populares, sem se poder mexer e a trincar uma sardinha ao preço do quilo delas;
  • discussões intermináveis sobre futebol;
  • pedidos de amizade no hi5 feitos por gente que nunca vi mais gorda;
  • manter as aparências, sejam elas quais forem;
  • gente que se gaba de conduzir lindamente porque infringe todos os limites de velocidade e acha que isso é heróico;
  • comentários racistas, xenófobos, machistas e que tais;
  • gente que cheira a cerveja ou a vinho (quando não sou eu, claro, que jamais cheiraria a cerveja, já a vinho... tem noites);
  • preencher o IRS;
  • ser funcionária do estado e ainda pagar IRS por cima, depois de preencher a declaração e saber o que se descontou;
  • não ver nada feito de jeito neste país, depois dos dois pontos anteriores;
  • ouvir gente a atender telemóveis no meio de uma sessão de cinema;
  • discussões aos gritos em público, vulgo, peixeiradas;

Pronto, acho decadente.

Mas como dizia à Carolina, decadence is my middle-name, nowadays. Embora isso não seja, de todo, verdade, e mentir seja, de facto, o cúmulo da decadência.

7 comentários:

Mzinha disse...

Decadente "preencher o IRS"
Decadente é preencher o IRS e num ano receber perto de 100 € e no ano seguinte receber 13€. (+- com as mesmas despesas e ganhos).
Bem é melhor do que ter que pagar.
Beijinhos
A tua contabilista

Jade disse...

A minha contabilista é a melhor do Mundo!!! O meu Estado é que é um ladrão de primeira.

Mirovich disse...

LoooooL

Adorei o IRS, o estado de direito é que está garantidamente tortérrimo!!! LoooL

teia d'aranha disse...

E eu que já ia toda lampeira ao hi5 para te pedir para seres minha amiga... Eheheh... Agora, nem me atrevo!

Carolina disse...

Esqueci-me de dizer que também acho decadente o linguado grelhado com molho de manteiga e limão... Ah e todos aqueles gajos que se vestem de Cristiano Ronaldo e que pensam que ficam mesmo bem! Ó paciência!

Mzinha disse...

Decadente é aquilo que te aconteceu: interromper as férias para ires a cidade de Deus.

Jade disse...

Amiga, nas condições em que foi, concordo contigo. Não podia ser mais decadente. É o sistema educativo, tão inovador e corajoso, dizem alguns, que está decadente.