...over my shoulder, dei com o último Conselho de Turma da escola onde estive por três anos. É uma sensação estranha, saber que não me vou sentar mais naquelas cadeiras com aquelas pessoas. Saber que não vou partilhar mais aquele ambiente de trabalho, aquele modo de fazer as coisas, aquela sala de professores e o bar, em cafezinhos rápidos ou lanches mais demorados. Olhar para aquela gente e pensar, como tantas vezes hoje, "não vais ter nunca mais o prazer de trabalhar comigo" ou "já te livraste de mim, já viste que conveniente, até pareces mais leve, à despedida..."
Detesto despedidas. Mesmo quando, como o Pan, me dizem "de ti jamais me vou despedir" e eu sei que é verdade, também é verdade que há coisas que se perdem para sempre, quando duas pessoas deixam de ser colegas. Porque há coisas de colegas que mesmo os amigos jamais partilham. E há colegas que jamais serão amigos mas que, ainda assim, são pessoas com quem gostamos de estar.
E eu estou muito aliviada por não ficar na mesma escola e sei que é sítio onde não quero regressar. E esta convicção faz-me ter, então, a tal certeza de que há pessoas com quem não vai haver mais conversas casuais, mais partilha de trivialidades ou má-língua pura, há pessoas que, muito provavelmente, não voltarei a ver a não ser por um ou dois minutos, numa fila de supermercado. E embora esta sensação seja, no geral, muito gratificante, que cheguei a ter pesadelos com a hipótese remota de ir parar à mesma escola, tem também um timbre de saudade, quando as caras em questão mudam.
Apesar de tudo, e saltando para outra canção, o meu objectivo hoje, que saí mesmo de lá, é cumprir o conselho daquela banda "But don't look back in anger..."
Não está fácil, mas lá chegarei.
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