terça-feira, 23 de agosto de 2011

Back to School

Ontem fui apresentar-me à escola com um tipo de náusea e a sensação de que um mês passou em dois dias. E eu gosto do que faço, quero dizer, gosto muito da parte das aulas. E depois, encontro alunos e ex-alunos no Face e a náusea passa-me. Até fico com algumas saudades, confesso. Ainda assim, embora esteja bastante melhor da cabecinha e do corpinho, muito mais relaxada e funcional, não consigo deixar de me sentir apreensiva por estar um novo ano à espera. É que, caramba, tenho um bocado de medo de não me aguentar à bronca com a correria que aí vem. Não me sinto preparada, não me sinto a cem por cento. Mas acho que deve ser como aquelas pessoas que esperam pelo momento certo para ter filhos e ele nunca vem, por um motivo ou outro. Se calhar, depois de seis meses de férias, ainda assim, sentiria não estar à altura. Tenho que trabalhar nesta minha insegurança mental, que surgiu com a depressão, sinto-me sempre demasiado vulnerável para o meu gosto. Estou habituada a que o lado profissional seja sempre aquele que salva a minha auto-estima porque, convenhamos, sou boa no que faço e os meus alunos retribuem em carinho aquilo que lhes dou em sermões, missas cantadas e pares de berros.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O Reverso da Medalha #1

Tenho para mim que toda a Bela tem o seu Senão. A propósito disto, o Pedro Rolo Duarte tem um post no seu blogue muito bem escrito, como sempre, sobre as sardinhas e a temperatura da água do mar este Verão, em que defende que quer a Bela e o Senão. Pois é, Pedro... querias que fosse Natal todos os dias, já agora?
Uma das grandes provas de que nada de bom vem sem consequências é a minha enoooorme lista de qualidades, que vêm, todas elas, com um grande "mas" à frente.
Hoje escolhi uma das minhas melhores qualidades, a seu tempo postarei outras: sou uma mocinha muito pontual. É raríssimo não chegar a horas, seja ao que for. Qual é o reverso da medalha? Não espero mais de dez minutos por ninguém e, se a isso for obrigada, tenho o dia estragado e estrago o dia ao idiota que me deixou pespegada. É fatal como o destino.

domingo, 14 de agosto de 2011

(Des)culpas esfarrapadas

A Susi é uma das minhas melhores amigas. Também é uma das mais antigas, diga-se, em abono da verdade, que sou péssima a manter contactos e falo com pouquíssima gente dos meus tempos de escola, e apenas por facebook. A Susi e a V., guardo-as dos tempos de Faculdade, quase há vinte anos. E sabem tudo o que de importante se tem passado na minha vida desde aí.
Acontece que a Susi, ao contrário da V., mora na mesma cidade que eu. Uma cidade tão grande que, cada uma morando na sua ponta, a minha casa fica a sete minutos de carro da dela, mais coisa, menos coisa. E a Susi não me vê há seis meses. Nem falava comigo por telefone aí há uns quatro. Culpa minha, que não lhe retribuía as chamadas, nem lhe respondia às sms. Numa cidade como a nossa, ela sabia que eu estava viva: havia sempre alguém que me via no supermercado, na bomba de gasolina, ou num desses sítios por onde me arrastei obrigada nestes últimos tempos. Houve sempre alguém que lhe disse "eu vi-a, parece bem.".
Ao longo destes meses, pensei em telefonar-lhe milhares de vezes, em mandar-lhe sms, centenas, e em ir a casa dela, umas dezenas. Desisti sempre, por razões várias e, sobretudo, por não me apetecer mexer-me para lado nenhum. As pessoas que vi neste período de tempo foram as que me bateram, literalmente, à porta de casa e me arrastaram, (quase) literalmente, porta fora. Disse muitas vezes que a minha depressão não era politicamente correcta, e que lamentava: os mais próximos, incluindo a minha mãe, pareciam achar que eu tinha todas as razões para me enfiar em casa a dormir, desde que isso não afectasse a relação que eu tinha com cada um, em particular. Infelizmente, afectou todos, sem excepção.
Como me forcei a funcionar profissionalmente, e o que faço exige comunicação constante, energia qb e muito auto-controlo, de cada vez que saía da escola instalava-se-me um silêncio poderoso. Vindo da alma, do cosmos, de Deus, sei lá de onde. E isso não mudou, melhorou, mas não mudou. Habituei-me a um conforto isento de palavras, de sorrisos, de trocas. Habituei-me a tudo aquilo que a maior parte do Mundo diz ser contraproducente num estado depressivo, mas que a mim me faz bem, me recompõe e me dá algum estômago para continuar.
A Susi é uma das minhas melhores amigas, e telefonei-lhe esta semana. Disse-lhe, estou viva, ela respondeu, eu sei; logo a seguir, disse-lhe, desculpa, e ela disse, não sejas parva, onde é que nós ficámos? Pusémos a conversa em dia, expliquei-lhe como pude, em vinte minutos, as andanças de seis meses, e disse-lhe, à despedida, eu telefono-te (à espera, pelo menos neste instante, de um comentário mais sarcástico). Ela respondeu, até breve. Também por isto, a Susi é uma das minhas melhores amigas.

E como acho que é pouco...

... ter livros por ler desde a feira do livro de 2010, que este ano nem tempo nem disposição tive para lá pôr os pés (é a chamada anadonia, aprendi recentemente...), hoje fui à FNAC e tive que trazer mais uns quantos, que sou ursa. Incluindo o segundo livro sobre desenho e pintura, que não tenho talento, mas tenho vontade, e desenhar tem sobre mim o mesmo efeito que os puzzles têm sobre a Mzinha. Se trocássemos de hobbies, acho que já tínhamos partido o estaminé todo, de frustração.

sábado, 13 de agosto de 2011

Literatura de Férias

Já marcharam O Deus das Moscas, romance; A Rapariga que Inventou um Sonho, short-stories; o Eduquês (...), ensaio/educação; Depressivos Somos Nós, tese/psiquiatria; Passos Coelho, Um Homem Invulgar, biografia; Netherland, romance; A Avaliação no Quotidiano de Sala de Aula, tese / pedagogia; Ninguém Escreve ao Comandante, Novela;

(Alguns, foi questão de terminar de os ler, que comecei-os e abandonei-os vezes sem conta ao longo do ano lectivo; mas tendo em conta o calibre do dito ano, pelo menos consegui resistir à idiotia da literatura de cordel, tipo MRP ou Nicholas Sparks, o que já não é mau de todo. Em espera: A Companhia de Estranhos, thriller histórico, Movimentos de Arte Contemporânea: o Pós-Modernismo, ensaio / artes plásticas e A Língua como Projecto Didáctico, ensaio / didáctica).


Acho que sou uma pessoa, para dizer o mínimo, eclética.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Um Épico

Tenho só a dizer que fui ver o último da saga de Harry Potter com tudo o que tive direito: écran gigante, dolby surround e óculos 3D, tipo moscardo. E A-DO-REI! Ainda há filmes que valem o dinheiro do bilhete. (O hamburguer da Portugália também não esteve mal, não senhor... mas era escusado ter perdido a cabeça com pulseiras e colares, que são lindos, são, e vão lindamente com o meu tom de pele, mas bolas: a crise, cacete, a crise...)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Just for the record...

... são estas belas horas, acabei há pouco o último relatório, amanhã tenho que estar na escola das 10 às 19.30, e com um LM azul a arder-me entre os dedos, o que me ocorre pensar é que nada disto faz sentido. As nossas opções não traçam tanto o nosso destino como a vida que vai acontecendo para além delas. O que nos cai em cima é que nos define, a verdade é essa. Em tudo o que não depende de nós reside a maior das felicidades e o arrasar de todas as estruturas emocionais que construímos. Assim sendo, o meu mantra, ultimamente é "que se lixe". Just for the record.

Shame on you, Miss Jade!

Em dia de entrega de avaliação docente lá na escola, tenho vergonha de ser professora. Nestes dias, gostava de ter seguido uma carreira que não tivesse como missão, entre outras, servir de exemplo às gerações vindouras, a sério: com exemplos destes, o que aí vem não augura nada de bonito. Só vejo coisas que me chocam, só ouço comentários que me deprimem, só leio coisas ridículas, só se me deparam absurdos.
O meu terapêuta diz que é a natureza humana, mas que eu saiba não nasci amiba e não me reconheço na falta de escrúpulos, na facadinha nas costas, no compadrio, na cambada de gente que passa o ano inteiro em biquinhos de pés a tentar aparecer. Não me revejo no sistema, sendo parte dele, e estou muito satisfeita com a minha menção de bom, porque é o que me considero: boa professora. Estou em paz com o meu trabalho, com a minha avaliação, com o meu desempenho, esse bom desempenho que agora, e de repente, toda a gente acha ofensivo, quando andaram anos a levar com um "satisfaz" que os satisfazia porque requerer o "bom" dava muito trabalho.
Deveria eu ter, também, vergonha, do meu bom desempenho. Mas não. Eu tenho mesmo é vergonha de fazer parte de uma classe profissional que cada vez mais acha que quanto mais papéis sem interesse nenhum escreve, apresenta, organiza, preenche e superlativiza, melhor é. Quanto mais festas e fantochadas, mais comemorações e visitas de estudo, mais "projectos" e mais "actividades" promove, mais competente se torna.
Eu gosto de dar boas aulas e ensinar Inglês. Num ano, costumo dar bastantes aulas boas e cada vez ensino menos, que os gaiatos aprendem só o que lhes apetece e poucos estão virados para as Línguas, é um facto. Mas é disso que eu gosto, é por isso que eu luto e, de vez em quando, venço.
Na profissão de professora, mereço um bom. Na de burocrata, um regularzito. Mas na de animadora de tempos livres, relações públicas e celebridade de jet-set a aparecer em tudo o que é foto e jornal, nessa não me apanham: faço questão do insuficiente e venha o plano de acompanhamento, que me falta o papel higiénico já que, na última semana, nem de ir às compras tive tempo, tanta foi a idiotia do eduquês.

terça-feira, 12 de julho de 2011

É melhor, é...

Depois de horas ao computador a validar competências com o CSI NY e o NCIS em pano de fundo, o melhor é ir deitar-me, que amanhã e dia de terapia e se a coisa já vai mal quando durmo o suficiente, amanhã, com cinco horas de sono... devo ser internada numa casa de repouso. O que até nem era mal pensado, não senhor. Ainda assim, prefiro guardar-me para Novembro, ou Maio do ano que vem. Cheira-me que vou precisar.

Dúvida Existencial

Se estamos na era da informática e da velocidade, dos carros, dos electrodomésticos e da internet, se poupo tanto tempo na cozinha, nas deslocações, em todas as outras tarefas domésticas em geral, se já não preencho papéis para levantar dinheiro, se pago com cartão e não tenho que esperar por trocos... por que raio é que não tenho tempo para nada?
E, já agora, se é tudo em formato digital, por que diabo é que os papéis se multiplicam cá em casa?

Regresso às Origens

Quando era pequena, fiquei estrábica: estrabismo convergente. Contra a opinião do meu avô, na altura, por ser ainda pouco mais que uma bebé, a minha mãe optou por me pôr nas mãos de um oftalmologista de renome, que me operou aos dois olhos, e me corrigiu o estrabismo, sem sequelas, felizmente.
É disso que me lembro, depois de horas ao computador que me deixam de olhos em bico. É disso que me lembro quando as atitudes dos colegas me deixam de olhos em bico. E disso que me lembro quando a ignorância dos gaiatos me deixa de olhos em bico. É disso que me lembro quando a idiotia da burocracia do que parece o terceiro mundo, me deixa de olhos em bico.
Esta escola é um regresso às origens.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

News from Therapy

Sento-me numa cadeira e respondo à pergunta "então, como é que te sentes?" com um "muito melhor, obrigada" para, dez segundos depois, estar a chorar copiosamente. Depois, digo à criatura que me fita muito séria que faço lembrar aqueles malucos que decoram coisas para dizer só para ter alta dos manicómios e acabam sempre por se trair das maneiras mais idiotas e "toma lá mais um século de internamento que estás cada vez mais tolinha". A criatura que me fitava séria começa a rir-se. E eu também, lavada em lágrimas.
Arre, que sou estúpida.
Resumindo e concluindo, na mesma não estou, que toda a gente diz "quem te viu e quem te vê". Toda a gente à excepção, claro, do terapêuta. Era suposto que fosse ao contrário, mas parece que escolho de propósito aquela hora para me ir abaixo e fazer figuras tristes, quando passo o resto da semana airosamente a dizer as piadinhas do costume, a resmungar como antigamente e sereníssima no alto das minhas tamanquinhas de doze centimetros. Não choro, não me desespero, não entro em ansiedades com o trabalho, raramente sou agressiva e até já pinto as unhas dos pés de cores espampanantes. Parece-me, muito seriamente, que, se não fosse "the gym-issue", estaria praticamente em forma. Depois chego ao consultório e dizem-me que tenho uma patologia. Neat!
Agora a sério: quando comecei as sessões, fi-lo porque me tinha tornado no derradeiro e mais triste cliché de todos. Agrada-me bem mais a ideia de ser agora semelhante a uma das personagens freudianas dos filmes do Woody Allen, que muito admiro. Seriously. Não me deito num sofá, sento-me numa cadeira, mas de resto é quase igual. Ainda me abisma a forma como consigo estar tanto tempo a falar de mim própria sem o Doc adormecer e sem me repetir, que já lá vão muitas horas de monólogos dramáticos. E sim, noto a diferença em mim. E, se não fui clara, esclareço: sinto a diferença para melhor. Apesar dos pesares e das figuras de parva que faço, semanalmente, sensivelmente à mesma hora.

Isso...

... e o editor do blogger que me andou a trocar as voltas um mês inteiro, que sou preguiçosa e não me apeteceu ir ver whatahell was wrong with the morde-a-foca. Hoje dispus-me a isso, so here I go again, que cada vez estou menos info-excluída, aprender até morrer. (mas também não tinha nada de interesse para dizer, como se vê nos presentes posts)

Junho e Julho

Meses de muito trabalho. Na escola e em casa. De semana e não só. That's it. Trying to survive the tsunami of paperwork.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

"O" SPA

Não houve dia desta semana em que me deitasse antes das duas da manhã mas, ao contrário do que é costume, não foram insónias, nem "Mentes Criminosas", que me tiraram horas aos lençóis, foi trabalho. Foi trabalho acumulado que não fiz no fim-de-semana, que nesse tive mais em que pensar. De modo que, nestas noites, enfiei o focinho contrariado na correcção de testes, no preenchimento de grelhas, na redacção de actas e na validação de competências.


Não estive sozinha: entrei madrugada dentro com dois dos meus vários mosqueteiros de serviço, que fingiram ter muuuuuuuito que fazer para, simplesmente, fazer companhia, que sabem que a melhor ajuda que me podem dar é estar, apenas isso, para não me dar o sono ou a tentação de largar tudo e me ir deitar.


Na madrugada anterior, cá estávamos os três, cada um com seu portátil dedilhando, eu e a Mzinha na mesa, o Zeca no sofá, eu a trabalhar, eles a passar o tempo, a Mzinha a jogar na sua fronteira americana, o Zeca a informar-se sobre as novidades na sucessão das chefias do partido.


A páginas tantas, a Mzinha conta uma anedota sobre o Sócrates, eu rio-me e o Zeca amua. Atiro-lhe à cabeça com um maço de LM azul vazio. Ele resmunga, e começa a desfiar impropérios contra o Portas. Eu suspiro, mas a Mzinha faz-lhe pontaria e atira-lhe com o nosso baralho de cartas da bisca com força e precisão extraordinárias (felizmente estava quase vazio, só com jokers e 10, 11 e 12s) que, depois de o atingir com grande espalhafato em cheio no toutiço, aterrou (onde repousa ainda neste momento) na estante de livros atrás dele. Seguiu-se um coro de gargalhadas incontrolável, quase às duas da manhã.


E diz a Mzinha, já muito séria: porra, pá, estamos mesmo a precisar de um SPA para o cérebro! E eu pus-me a imaginar um líquido de neurónios jet set, que se pudesse inalar ou injectar ouvido dentro, com neurónios massagistas, neurónios expert em aromoterapia, outros personal trainers, outros com taças infinitas de caipirinhas, outros mestres de reiki e shiatsu e, os últimos, os melhores contadores de histórias de embalar existentes à face da terra.


A verdade inconfessável, contudo, é que um SPA para o cérebro... são os melhores amigos do Mundo.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Nova Estação

Abriu a época. Não a da caça, mas a do restlessness. E quando é assim, não sossego enquanto não me meto em sarilhos. Desta feita, o meu santo orientador de mestrado resolveu desinquietar-me via facebook para doutoramento. Lá lhe disse que sim. Nunca mais aprendo que a treta das redes sociais só nos dá é desgostos.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Dia da Criança

Eu e algumas meninas da minha DT...



Eu a rir-me dos quarenta ou cinquenta alunos a tentar acompanhar o fabuloso instrutor de hip-hop...



Paparazzi... dizem que as melhores fotos são tiradas por quem gosta de nós...






Paparazzi... rest my case!





Pose peso-pesado, mas em levezinho...





Coisa mai'linda, a minha fotógrafa de serviço!





O rascunho, antes da obra-prima anterior. Estávamos felizes, a gravar a primeira aula de equitação de muitos alunos, e uma professora. Eu, para variar, não me atrevi... achei que afocinhar no picadeiro e ficar cheia de areia nas orelhas não ia bem com o meu tom de pele!





A minha escola e a Câmara Municipal organizaram uma manhã de actividades para comemorar o Dia da Criança. Não sei quem se divertiu mais, se eles, se nós, os professores. Eu adorei todas as aulas, desde a equitação, ao hip-hop, passando pelo karaté e pelo mini-golf, foi tudo perfeito. As minhas meninas fizeram-me serenatas ao microfone com "the only exception" e "just breathe", e, para além de ficar toda babada, deu-me umas saudades destes nonos anos que me fizeram a cabeça à razão de juros... enfim! Ficam as imagens da paparazzi de serviço, para a posteridade!