quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Será pecado?

Nesta época de presépios iluminados, árvores de Natal que vão para o Guiness e milhares de luzinhas a piscar, eu só me lembro de Copenhaga, do dinheiro que me tiram de IRS, e do que eu gostaria, isso sim, que ele não servisse para estourar em decorações de Natal.
Nesta época de paz e amor pelo próximo, eu só me lembro de ter pensamentos homicidas em relação à maior parte da gente que me rodeia.
Nesta época de solidariedade e interajuda, eu só me lembro de olhar para o livro da Popota com desgosto, e não o comprar por achar um escândalo que só uma terça parte reverta para as tais obras de caridade.
Nesta época de felicidade e auto-indulgência, em que toda a gente aproveita para engordar uns quilos, eu só me lembro que, logo eu, que preciso tanto deles, fico completa e irremediavelmente enjoada pelo prato típico ser o bacalhau.

Sejam bem-vindos ao meu mundo. My name is Jade, and I'm a sinner.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Se é chato...

... coça!
Pois... e o que faz uma gaja que não tem, de repente, tempo para se coçar? Aguenta? Não se queixa?
Eu cá não tenho lá muito bom feitio e cheira-me que o próximo colega que se lembrar de me dizer que, afinal, em vez de trezentos e cinquenta e sete documentos, cada professor vai ter que entregar trezentos e cinquenta e oito, em cada reunião de conselho de turma de avaliação, vai levar um valente estalo no focinho.
Epá, é que para comichões, vá, ainda vou tendo pachorra, agora para trabalhar para aquecer só porque um grupo de imbecis tem fêtiches com grelhas de excel...não.
Só me apetece começar a largar daqueles palavrões a que a malta do ano passado estava tão habituada que já nem se chocava... só que, este ano, sou capaz de provocar uma data de ataques cardíacos... o que até nem era mal pensado, f*da-se!!!


(e agora vou ali já venho, pôr números em tabelas, acabar de ver testes, ponderar níveis, preparar actas de conselho de turma de avaliação, justificar a atribuição de todos, sim, leram bem, todos os níveis 2 atribuídos... e cortar os pulsos!)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Desafios

À medida que vou crescendo, vou ficando mais... cautelosa? cobarde? não sei, das duas uma. A verdade é que nunca fui daquelas pessoas corajosas e optimistas, que levam tudo à frente com a convicção de que, o que quer que se proponham a fazer, sairá brilhante. Não. Nunca me meti em grandes cavalgadas, nunca pratiquei desportos radicais, nunca me arrisquei a fazer loucuras, sempre medi consequências previamente. Muitas vezes é a gente assim, certinha, que acontecem as piores tragédias e, quando ouço histórias dessas, sinto-me infinitamente revoltada. Infelizmente, a vida muitas vezes se assemelha ao tema já velhinho da Alanis, o Ironic.
Arrisco pouco em todas as áreas da vida: para não me habilitar a ficar sem emprego, acabei por assentar arraiais bem longe de Lisboa e da minha mãe. Para não me habilitar a ser completamente humilhada por rejeições directas, perdi alguns possíveis namorados. Para não me habilitar a ficar sem dinheiro para um rainy day, como tenho tantos na minha vida, continuo sem ter casa própria ou o carro que gostaria de conduzir.
Admiro as pessoas que encaram os desafios com tenacidade. Admiro as pessoas que, todos os dias, são felizes a lutar pelos seus próprios impossíveis, porque só essas os conseguem desmistificar e fazer jus ao termo da nike "Impossible is nothing". Admiro as pessoas que sonham alto, sem medo da queda de Ícaro. Admiro.
Porque eu detesto desafios. Detesto pôr-me à prova. Detesto falhar.
Em fases piores da vida, naquelas fases em que "não tinha vida", diziam-me muitas vezes, estabelece objectivos e vai atrás deles, e as listas que eu fazia eram simplesmente ridículas, com objectivos de fasquia embaraçosamente baixa e, ainda assim, rasgadas e atiradas ao lixo, como se apenas as palavras me pressionassem e empurrassem para o fracasso.
E agora, eis que me impingem um desafio. O desafio. Talvez aquele que mais me aterroriza e que me faz estar, desde sexta-feira, petrificada, sem que o congelamento advenha das baixas temperaturas e do frio polar que há quem diga que veio em vaga e eu não sei, porque não saí de casa. E, sozinha em casa durante o fim-de-semana, ouvi a voz do meu amigo D., que não vejo há anos, a repetir até ao expoente da loucura a sua máxima, em voz grave e séria, "Enfrenta o elefante, Jade!"
Há desafios pelos quais preferia não ter que passar. E há notícias às quais tenho que aprender a reagir com celeridade. Porque quando está tudo tão perdido que caíu no esquecimento e uma voz me diz, é agora ou nunca, convém começar a fazer por isso. Ontem.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A Garça-Real

Ontem, no dia do meu aniversário, calhou não ter aulas nem reuniões à tarde, o que é quase inédito e, tendo calhado na data em que foi, é praticamente prova de milagre. Pouco depois do meio-dia, peguei no carro para me vir embora e, ao passar a ponte sobre a ribeira, atravessou-se-me à frente, em vôo baixo, uma garça-real que, diz quem sabe, é espécie ameaçada de extinção. Lembro-me de ter considerado este momento um bom augúrio, ontem, no dia do meu aniversário.
Depois esqueci-me disso, e fui à minha vida. Cumpri alguns compromissos e rituais. A Mzinha tinha-me mandado umas sms a desafiar-me para ir jantar ao nosso restaurante favorito mas, convenhamos, estava um frio do cacete, e disse-lhe que ficava para outro dia. Não estava para aí virada, sou gato de lareira. Por isso, dormi a minha sestinha à tarde. Ainda pensei: fónix, Jade, és mesmo uma triste, não tens melhor para fazer na tarde dos teus anos que te ires enfiar na cama? E disse o gato Garfield, dentro de mim, não, não tens, e quê? É pouco bom, queres ver?
Ronronava eu muito quentinha, já a tarde ia avançada, batem-me à porta e era um amigo, para me dar um beijo de Parabéns. Ouço a Mzinha a falar baixinho "ela está a dormir...", e um cagaçal de todo o tamanho "ACORDA-A! PARABÉNS A VOCÊ!!!" Saltei estremunhada da cama, e a sorte dele foi não me ter, de facto, acordado.
Olhei para o telemóvel, e fiquei pior que estragada. Nenhum, repito, nenhum dos meus amigos mais próximos do ano anterior, a malta aqui do burgo, nem um sequer, me tinha mandado sms. Não havia deles chamadas não-atendidas.
A Mzinha fez uma lasagna deliciosa, e eu disse-lhe várias vezes. "aquela gente... fulano, sicrano, senhora e beltrana, ninguém disse ponta de corno, acreditas nisto?"
A Mzinha não tinha culpa, e eu não adiantei mais. Pus cara alegre e fui atendendo chamadas do resto do pessoal, da malta que está longe, da malta do costume e até... de novos amigos bloggers, que me fizeram surpresas irresistíveis "adivinha quem é..." Brutal! Claro que aproveitava para dizer à Mzinha, já viste isto? Até as amizades feitas na net desencantam o meu número de telemóvel ou me mandam os parabéns pelo blogue e "aquela gente...". Estava piursa.
Depois das dez, refastelada no sofá e na palhaçada com a Mzinha, tocam à porta. E eu, ah, estava a ver... é o Pastorinho, de certeza! Vai levar nas orelhas! E lá me aparece o Pastorito, todo contente, enquanto eu estrebuchava, se não viesses cá nunca mais te falava! Parvo! Estava furiosa...
No meio desta ladainha, que eu não sou boa de assoar, nem falo propriamente baixo entra-me, sala adentro, a restante seita. Todos em peso. Todos sem excepção. Uns a rir, outros a resmungar, outros a dizer, vá lá, chora lá, uma com um bolo na mão, outra com um presente, outro com uma lembrança de uma viagem...
Toda eu me iluminei. Uma luz que veio, indiscutivelmente, de dentro. Abracei-os com força. Nem lhes levei a mal que me cantassem os parabéns. Perdoei-lhes tudo. A Mzinha, metida ao barulho, lá disse que a ideia do restaurante tinha sido da seita e eu, bicho-do-mato, lhes tinha estragado os planos. Mas foi muitíssimo melhor assim. Num milionésimo de segundo, esta sala virou um caos, com tudo a falar ao mesmo tempo, a rir, a contar histórias, a entalar o parceiro do lado, conta lá, vá, conta lá as coisas como elas foram, ou queres que conte eu? a discutir os novos rankings, a elaborar teses políticas, a chatear o próximo por causa dos resultados do futebol, a gritar disparates e a mandar calar toda a gente, à vez, épá, deixa-me falar, que isto assim ninguém se entende... cala-te, tu, ora essa! calam-se todos que quem manda aqui sou eu, porque eu é que sou a... olha-me esta, isso é que era bom, já viste isto? Está com a mania, agora...
O pandemónio do costume. De um costume a que já estava desacostumada, e do qual sentia mesmo falta. Não há nada mais reconfortante, para mim que sou esquisita, que ter um gajo a dizer-me com um ar muito cómico, tu cala-te e desculpa lá estar a mandar-te calar na tua casa mas...
Intimidade. Há coisas que não têm preço, e melhor do que lhes poder perdoar o silêncio, foi tê-los ouvido falar, gritar, rir, provocar, insultar, transformar o éter em som... como se o tempo não tivesse passado.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Secretly

Não gosto de ser o centro das atenções. Não sei reagir bem a demonstrações de ternura. Odeio que me cantem os parabéns. (Agora que penso nisso, devo ter algum trauma de infância com cantorias: ainda há uns dias barafustava contra tudo o que é festival da canção e afins, lembram-se? Deve ser por cantar mal todos os dias...).
Mudei de escola. Não disse a ninguém que fazia anos, mas tenho lá gente que me conhece de outros carnavais e alguém se descaiu. No entanto, foi tudo muito sóbrio e discreto. Beijinhos e abraços dos colegas e nenhum chavascal, o que eu adorei. A coisa não transpirou muito, e os alunos andaram na santa ignorância. Só uma, espertíssima, se apercebeu e mandou umas bocas ao primeiro tempo da manhã. Eu abri-lhe os olhos, ela calou-se. Ficou para o fim, na sala. Depois do último colega sair, disse-me: "A stôra tem é sorte: esta gente (os colegas) é tapadinha de todo!" Eu ri-me e nem tive tempo para lhe responder, já ela estava abraçada ao meu pescoço a dizer baixinho "Muitos parabéns, stôra, muitas felicidades". Deu-me um beijinho na bochecha e saiu aos saltinhos, deixando-me estupefacta, com as lágrimas a correr cara abaixo, e um sorriso de orelha a orelha.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A Lista da Mzinha

Pedi ajuda à Mzinha, que o post anterior deixou-me desconfortável: "O que é que aconteceu de bom este ano?" E ela, (que parece que anda sempre com uns óculos de lentes cor de rosa, mar, estrelas cadentes e arco-íris... e girassóis, bolas de sabão e algodão doce) então, olha, mudou a ministra, eu vim cá parar outra vez (é modesta, a minha amiga), efectivaste, fomos colocadas em escolas com bom ambiente... E eu, um bocado envergonhada, ah...pois foi.

Arrivederci!

Bye bye, Idade de Cristo.
Feitas as contas, o saldo é positivo: todos nós temos uma cruz para carregar e, pelo menos, não me espetaram lá mãos e pés. E quando isto é a única coisa optimista que me ocorre dizer sobre o ano que passou... estou apresentada!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Podem insultar-me

Eu devo ser a única portuguesa - alien, absurda, marginal, elitista, armada ao pingarelho, - que detesta concursos que metam cantorias à mistura.
Acreditem se quiserem (eu acredito que as pessoas achem que estou a mentir, tal a febre tuga por concursos de talentos) mas não suporto estes programas. Detesto. Desde pequenina. Já aos três ou quatro anos odiava os festivais da canção. Depois era a eurovisão, com os júris dos outros países a nem sequer votar na canção de Portugal: uma noite inteira naquilo para um enxovalho final de todo o tamanho... que graça é que aquilo tinha? E quando metia miúdos da minha idade? Ainda gostava menos. Havia uma cena chamada... como é que era? Sequino d'Oro? Bem, era um programa italiano e já não me lembro bem do nome, só sei que morria de pena de uma desgraçada de uma miúda, a Maria Armanda, que passava a vida a cantar que via um sapo. Milhares de vezes. E o sapo não se ia embora, e a infeliz criança até com o sapo sonhava, certamente... bom, estes festivais ainda tinha eu que papar porque, quando eu era pequena, quem mandava na televisão (e em tudo o resto) eram os adultos lá de casa (e era igual em todas as casas, pelo menos nas que eu conhecia). Actualmente, quando vou a casas em que vivam crianças pequenas, só se vê o Canal Panda e o Disney Channel, mas isso, adiante, que os tempos mudaram muito e agora os putos traumatizam-se se respirares para cima deles, que dirá se tomares conta do comando.
Isto para chegar ao facto de que, felizmente, hoje em dia já ninguém me obriga a levar com os programas de que não gosto. E sinto-me um bocado estúpida, quando ando pelos blogues, ou entro na sala de professores, ou vou jantar com amigos, e não percebo patavina das conversas sobre os Ídolos, e as Canções-Não-Sei-Para-Quem, mais os Não-Sei-Quantos-em-Patins-no-Gelo. Sinto-me estúpida, é verdade, calo-me bem caladinha e finjo-me de transparente, para ninguém me fazer perguntas... epá, mas ver, ver, só para me manter informada... não, a isso não me convencem, nem me obrigam.
Prefiro vê-los depois, em concerto, se cantarem mesmo bem e singrarem, como a Sara Tavares, que "diz que" veio de um desses programas que eu nunca vi, nem tenho pena.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Lonesome, not lonely

Dos trinta e tal professores da minha escola pequenina, cerca de um terço mora na cidade onde eu vivo, a vinte e tal quilómetros da vila. Isto faz com que se combinem boleias diárias, para poupar gasóleo, pôr a conversa em dia e preservar o ambiente.
Acontece, porém, que eu levo sempre o meu carro. Porque sou do turno da noite, metade da semana, e é óbvio que ninguém fica especado à minha espera até às dez da noite; e saio cedo, nos restantes dias, já deito escola pelos poros e não também fico especada à espera de ninguém. A sexta-feira seria o único dia em que eu poderia partilhar carro. Acontece que às sextas nunca sei como o meu dia vai acabar, e sou uma moça de venetas. Pode dar-me para vir directamente para casa, mas também pode acontecer que me dê para a vadiagem, ou para ir directa a Lisboa, sei lá, gosto de ter a minha independência ao bater do primeiro segundo do fim-de-semana.
Tenho um colega que é muito bom moço, mas ao qual a emancipação feminina faz um bocado de espécie. Meteu na cabeça que às sextas tinha, porque tinha, que partilhar boleias comigo, apesar da restante dezena de seres que se desloca nas mesmas direcções às mesmas horas, e ficou muito vexado porque eu lhe disse categoricamente que não e, ultraje!, não me justifiquei sequer...
Andou a berrar aos sete ventos que eu tinha mau feitio e, como ninguém lhe ligou pevide, a novidade agora é insinuar que eu tenho uma vida dupla facto que, confesso, me lisonjeia sobremaneira. Por isso, apressei-me a dizer que não era dupla, era tripla como as tomadas. E que ninguém tinha que se meter em nenhuma das três.
Já em desespero, o rapaz perguntou a uma colega "que raio se passava com a Jade"... ao que ela respondeu: "A Jade é o lobo solitário da matilha. Não deixa de ser da matilha, contribui, está presente. Simplesmente só faz o que lhe dá na telha, e não presta contas da vida dela a ninguém."
Sorri. De facto é isso. Sou até muito sociável. Simplesmente escolho a quem contar o quê sobre a minha vida. Não sou um livro aberto, nem tenho que o ser. Uns acham que tenho coisas sórdidas a esconder. Eu chamo-lhe privacidade e independência.
Eu estou convencida de que tenho uma vida. Há quem ache que, no fim das contas, tenho duas. Nesse caso, faço alarde de que são três. E é deixá-los especular. Porque se há coisa que tira do sério as ovelhas de um rebanho, é haver uma que é preta.

... ad aeternum

E podia continuar a postar textos idiotas noite fora, sabem porquê? Por um pequeno e muito útil e simpático pormenor do meu fantástico metabolismo: o sono é directamente proporcional ao trabalho que tenho para fazer para ontem. Como tenho tudo organizado para amanhã, e entro de madrugada, é óbvio que estou com uma espertina filha-da-mãe, e só me apetece ir para a night bombar. Há-de dar-me o sono meia-hora antes de ter que me arrastar para o duche.
Se tivesse alguma coisa muito importante para fazer para a escola, já tinha adormecido em cima do teclado.
Awesome.

É já a seguir

Agora que o governo vai dar 5000 euros de incentivo a quem comprar um carro eléctrico, pensaria nisso muito seriamente... não fosse a sorte que tenho com tudo o que me cai nas mãos e tem baterias recarregáveis:
  • Se for tipo o meu telemóvel, estou a ver-me ao volante de uma máquina infernal que vai parar a meio da auto-estrada e... o carregador? ficou em Lisboa... olha, liga-se ali a ficha a um chaparro!
  • Se for tipo o meu portátil, há um dia que pára à entrada de uma rotunda e diz, quer reiniciar em modo windows? (aconselhado). E eu fico até anoitecer a carregar em todos os botões, tipo mentecapta, desligo e volto a ligar, que o equipamento tem sempre razão... e sou tirada do carro com uma camisa-de-forças, enquanto um qualquer informático me diz que o arranja em troca de dez mil euros e eu grito "VENDIDO!"
  • Se for tipo a minha máquina fotográfica, vai-se abaixo no melhor da festa. Seja lá isso o que for, tratando-se de um carro... e estão a passar-me muitas imagens idiotas pela cabeça.

Espera aí que eu já compro um carro eléctrico.

What else?

Que tal um par de chifres, Mr. Clooney?
Parece que o solteiro mais cobiçado do Mundo afinal já não casa num iate ao largo de Portugal.
Parece que o solteiro mais cobiçado do Mundo levou com um valente par de chavelhos.
E eu não consigo ter pena. E não é por o tipo continuar available. É mesmo para perder um bocado a pose do ai-que-eu-sou-tão-bom-e-as-mulheres-andam-todas-atrás-de-mim-e-eu faço-delas-o-que-me-apetece...
Toma lá.
(pode ser que a tipa que lhe enfeitou a testa não seja lá muito boa da cabeça, a probabilidade disso é alta... mas não deixa de ser irónico, e eu cá gosto de ironias. Há muito Clooney por aí que anda mesmo a pedi-las...)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Filha de Peixe...

A minha mãe é um fenómeno. Não conheço ninguém que faça dos seus desastres pessoais comédias hilariantes com tanta facilidade, chega a ser de bradar aos céus.
Há uns tempos, resolveu mudar a instalação eléctrica lé de casa. Coisinha simples, achava ela. Eu, na altura, pensei seriamente em emigrar, já imaginando uma capricorniana que, mal a senhora que limpa a casa vira costas, se dedica a empurrar dois milímetros para o lado todos os objectos da sala, "porque não estão no sítio, que chatice", com dois homens a furar paredes e a esticar fios pela casa inteira.
Para ela, foi um pesadelo que durou tempo demais, fez barulho demais e custou muito mais do que estava previsto. Durante mais de uma semana, vociferou impropérios ao telefone e armou-se de esfregona e pano do pó para, no dia seguinte, estar tudo no caos anterior. Pensei que seria o fim da sua sanidade mental, ou o fim da vida dos incautos electricistas, das duas uma.
Trabalho feito, a minha progenitora andaria como se nada fosse... não fossem as piadinhas em que transformou uma semana de agruras: quando a chateiam, agora, diz que ignora e faz a sua cara de "curto-circuito". Genial! Como se não bastasse, no outro dia dizia-lhe que precisava de roupa, que estava frio aqui, e se ela não seria senhora de me oferecer umas camisolas felpudas no aniversário. Respondeu-me:"Para isso não há dinheiro, depois das obras. Mas, se quiseres, dispenso-te umas quantas tomadas das antigas, para lá enfiares os dedos ou a língua, e garanto-te que aqueces num instante!"
De onde é que vem o meu sentido de humor canino? Pois. Eu sabia que, se não emigrasse, qualquer coisa daquelas obras ia sobrar para mim...

A Foot in My Mouth

Há uns dias, gozava um amigo meu, muito dado às culturas, por este se atrever a dizer que se tinha rido imenso com um dos filmes da saga "Onde é que pára a polícia". Arqueei uma das minhas sobrancelhas, com o meu ar mais atónito, e disse "Não posso crer que gostes dessa treta. É que é mesmo muito mau, muito fraquinho...", e ele, "'tás parva? Tem piadas da primeira divisão! Tu, que és tão instruída no pós-modernismo, deves reconhecer as colagens, os pastiches, as citações...." e eu, "reconheço, reconheço, só não lhes acho é piadinha nenhuma... é tudo tão idiota!", e ele, "Isso tem muita graça, vindo de uma gaja que adora as comédias românticas de Hollywood..."
A esta altura do campeonato, achei por bem engolir o que tinha para dizer e mudar de assunto, antes que fizesse mesmo como "as gajas" e deixasse de lhe falar pelo próximo milénio... era só o que me faltava, ouvir dizer mal da minha Julia Roberts, do meu Richard Gere e do meu Hugh Grant, da minha Meg Ryan e do meu Billy Cristal, and so on and so on, tão fofinhos, todos! Como se se pudessem comparar à parva da Priscilla Presley com aquela vozinha de sonsa irritante, tipo namorada do Dexter que só apetece partir-lhe a cara, mais o outro parolo com cara de energúmeno e cabelo branco, não-sei-quantos-Nielsen... é que nem de longe, nem com pastiches nem com pós-modernismos!

Cojones

Não há muito que me relaxe numa segunda à noite, porque é o primeiro dia da semana, e porque chego a casa tardíssimo e pelos cabelos.
Mas uma coisa que nunca falha é a visita aos meus blogues favoritos. Hoje, dois registos: um post da Paddy, que anda a estudar na faculdade e diz "Fuck this, I'm going to Hogwarts", que eu achei absolutamente brilhante; e o post da Teia, que desafia os leitores a fazer-lhe uma pergunta, uma qualquer, que ela responde...
Fónix, Teia, é preciso ter cojones... nunca, nunquinha nesta vida, hei-de aceitar esse desafio. Era o fim da picada (e imagino que de muito mais coisas. A minha vida dava um diário secreto, daqueles que se guardam nos confins do Vaticano. Espera, o Vaticano foi um péssimo exemplo, que isto de santidade tem muito pouco...)
E agora, adeus, que vou ali cumprir o último ritual da noite: Investigação Criminal seguida de Mentes Criminosas. Como é que alguém relaxa a ver crimes e assassinos em série? Pois é, é também por causa desta mente pecaminosa que jamais vos direi para me perguntarem o que quiserem. Muahahah!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Identidade Nacional

Há coisas que nos identificam, queiramos ou não, gostemos ou nem por isso, como Portugueses que somos. Não vou falar do Fado, porque não gosto, do Futebol, porque só me dá preocupações e decepções, nem de Fátima, porque não acredito. Não vou falar do bacalhau, que abomino, nem dos coentros, que detesto, nem das touradas, porque sou contra.
Então qual é a verdadeira identidade nacional? A forma como um Português prefere tudo, mas tudo, a ter que trabalhar. E com isso identifico-me eu bem.
Se não, vejamos esta pérola de diálogo que tiveram hoje comigo:
-Jade, vais a Lisboa no próximo fim-de-semana?
-Vou, porquê?
-Vais a algum shopping?
-De certeza, que queres que te traga?
-Um saquinho de gripe A.
No meio de uma histeria colectiva a nível mundial, por entre o pânico e o terror ao vírus, o tuga mostra toda a sua coragem: há que agarrar o H1N1 pelos cornos... desde que isso signifique sete dias a coçar a micose.
Vou ali já venho, beijar o primeiro ser que se atravesse à minha frente a espirrar...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Hábitos e Costumes



Previsibilidade.
Sou uma pessoa previsível. Na maior parte do tempo, cada ser que me rodeia, conheça-me bem ou nem tanto, sabe com o que pode contar, sabe o que esperar, e sabe, principalmente, que não pode esperar muito ou contar comigo por aí além. Não sou dada a passar a mão pelo pêlo, não tenho feitio para grandes lamechices e sou um zero à esquerda quando se trata de exprimir sentimentos nobres. Também os sinto, também os tenho, mas sou pouco efusiva nos afectos, salvo raríssimas excepções.
Claro que há o reverso da medalha. As pessoas de quem gosto sabem que não se passa muito tempo sem que eu lhes telefone a dar ou pedir sinais de vida. Sabem que as procuro, que lhes mando mails, nem que sejam apenas forwards com uma frase “das minhas”, como diz a Mzinha. Que tento não deixar passar em branco os dias dos seus aniversários. Que retribuo chamadas perdidas. Que não me desleixo nas amizades.
É costume. É costume alimentar amizades a quilómetros de distância, é costume ir a casa das pessoas, é costume parar para ouvir a resposta a um “como estás, está tudo bem?”. É costume ter tempo para deitar conversa fora ao telefone, e paciência para estar horas a ouvir alguém desabafar. A ouvir mesmo, e não a fingir que oiço, enquanto penso noutras coisas. Há muita gente que se admira, tempos depois “eu disse-te isso? Eu contei-te isso? Ainda te lembras disso?” Sou assim. Sou previsível. Estou atenta.
Novembro não é um mês agradável. Começa o frio, chove, não há feriados, o tempo aperta, o trabalho cresce exponencialmente e, não sei porquê, há sempre problemas, chatices e surpresas desagradáveis. Há sempre rotinas a descarrilar, merdices a correr mal, cansaço acumulado, pormenores sem fim a anotar na moleskine. É o ponto mais negro da noite, que antecede a madrugada das coisas boas que vêm de seguida, em Dezembro. As férias, o descanso, os mimos, os presentes, as festas, o tempo para ter tempo.
Este Novembro não foi excepção, e a rotina foi a perda do que em mim era rotina e costume, a perda da previsibilidade. Abandonei blogue. Quase abandonei e-mail e telefone. Pus amigos em stand-by. Vivi para o trabalho. Dormi nos intervalos. Não foi nem fácil, nem simpático. Nem sei se foi, sequer, útil. Mas era necessário. Tive que me organizar, que parar, sem de facto o fazer. Tive que recomeçar. Tive que me ambientar a muita coisa nova, e em algo de novo em mim, cá dentro. Uma novidade que se prendeu num olhar em frente, num soltar de amarras, numa recusa em vivências nostálgicas. Fiz um grande esforço. Vivi de forma minimalista, reduzi o meu mundo ao essencial: trabalho, horas de sono e alimentação disciplinada, pouquíssimos ou nenhuns cigarros por dia. Poucas chamadas telefónicas, só à progenitora e ao cumprimento dos aniversários dos amigos. Pouca vida social. Pouca gente à volta. Ninguém a quem prestar contas ou dar justificações. Só a Mzinha e o H., porque uma vive comigo e é como se fosse minha irmã, por isso posso estar em silêncio, ou falar sem parar horas a fio, que não há cobranças nem intromissões, nem desconfortos nem juízos de valor; o outro porque me conhece quase desde sempre, lê nas entrelinhas e me oferece riso e chocolates, me empresta livros e me pergunta por eles, obrigando-me a ler e a evoluir, esteja eu dentro do poço lá no fundo, ou com o melhor dos humores.
E no fim de um Novembro com uma rotina sempre igual, mas tão diferente das rotinas dos últimos anos, sinto-me quase, quase em forma, para regressar à base, voltar a procurar outras pessoas, voltar a conversar e a deitar conversa fora. Sinto-me quase, quase pronta, para sossegar os que me ligaram “que se passa contigo?”, “preocupa-me que não escrevas”, “estás bem?”, “não é nada teu costume”…
Estou quase, quase pronta. O que se passou comigo, não sei. Se estou bem, acho que se não estou, para lá caminho. Sinto-me centrada, ou concentrada. Sinto-me em paz. Tenho andado em stress, mas sem ansiedade. Pouco efusiva, como sou por natureza, mas sem dramas interiores, o que também era costume. Pouco palavrosa, mas com a dose de parvoeira natural e suficiente para ainda me reconhecer. E, na escola onde toda a gente me trata pelo diminuitivo e os putos estão, finalmente, a começar a entender-se com a profe de Inglês, tal como na vida privada, e anormalmente recatada, que tenho levado, a minha pele, aos poucos, começa a servir-me à medida. Começo a sentir-me realmente confortável com ela. E, se Novembro raramente traz algo de bom, este, pelo menos trouxe-me isso: uma pele feita à medida das minhas necessidades.