Há silêncios que não são de ouro.
Tenho vindo aqui, olhar a folha em branco, inúmeras vezes. De todas elas, tudo o que há para dizer é indizível e, à parte o indizível, nada sobra. E quando alguém que escreve não pode dizer o que lhe vai na alma, prefere, acreditem, não ter esta capacidade. Esta capacidade de criar mundos e imagens com meros símbolos negros num fundo branco.
Escreverei, então, a preto num fundo preto.
Hesito sempre muito antes de fechar ciclos, virar costas, recomeçar. Olho sempre por cima do ombro, transformo-me sempre em sal.
Ultimamente, a minha Jade calou-se. A morte é, no fundo, o romper das comunicações, a impossibilidade de voltar a ouvir uma voz que um dia ouvimos. A Jade anda desaparecida, e não sei se lhe faça o luto já, se espere por dias mais soalheiros, a ver se, de repente, me vai surgir, verde e brilhante, arisca e sorridente, ou na sua essência mais dark and twisty, mais desesperada e revoltada.
Não sei se lhe faça o luto já, mas estou a considerar seriamente essa hipótese. Porque eu, eu vou escrever sempre, é uma das maldições que carrego comigo, já que nem sempre é catártico, não. Mas a Jade, a Jade foi definhando aos poucos, envelheceu depressa, foi consumida pelo fogo das suas próprias paixões.
É possível que aqui não regresse, mas não é definitivo. Definitiva é a morte e o silêncio impera, à espera da notícia que dê como facto absoluto que a minha amiga gémea morreu.
Tenho vindo aqui, olhar a folha em branco, inúmeras vezes. De todas elas, tudo o que há para dizer é indizível e, à parte o indizível, nada sobra. E quando alguém que escreve não pode dizer o que lhe vai na alma, prefere, acreditem, não ter esta capacidade. Esta capacidade de criar mundos e imagens com meros símbolos negros num fundo branco.
Escreverei, então, a preto num fundo preto.
Hesito sempre muito antes de fechar ciclos, virar costas, recomeçar. Olho sempre por cima do ombro, transformo-me sempre em sal.
Ultimamente, a minha Jade calou-se. A morte é, no fundo, o romper das comunicações, a impossibilidade de voltar a ouvir uma voz que um dia ouvimos. A Jade anda desaparecida, e não sei se lhe faça o luto já, se espere por dias mais soalheiros, a ver se, de repente, me vai surgir, verde e brilhante, arisca e sorridente, ou na sua essência mais dark and twisty, mais desesperada e revoltada.
Não sei se lhe faça o luto já, mas estou a considerar seriamente essa hipótese. Porque eu, eu vou escrever sempre, é uma das maldições que carrego comigo, já que nem sempre é catártico, não. Mas a Jade, a Jade foi definhando aos poucos, envelheceu depressa, foi consumida pelo fogo das suas próprias paixões.
É possível que aqui não regresse, mas não é definitivo. Definitiva é a morte e o silêncio impera, à espera da notícia que dê como facto absoluto que a minha amiga gémea morreu.
5 comentários:
O tempo acaba o ano, o mês e a hora
O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;
O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.
Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.
Luís de Camões
"Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"
William Shakespeare
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos,
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor
ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Morre lentamente...
Pablo Neruda
Não sei quem são, ou é, este anónimo. Sei, que este blog teve vários, anónimos. Uns anónimos amigos, outros conhecidos, e outros que deviam ter saído de casa em vez de vir para aqui.
Uns eram, são, mais anónimos que outros. Eu passei do anónimo, ao anónimo-conhecido. Ao anónimo-amigo. Ao só (ri-me agora com este “só” enganadoramente redutor) amiga, e quase nada anónima. Mas apesar destas mudanças de rótulos, fui sempre fã. Sou fã. Da tua escrita. Of the good days, the dark days. Pictures days. Entrelinhas dentro de entrelinhas days. Só não fã dos recados-days (quando supervalorizas com as tuas brilhantes construções, as bestas, desse vórtice que é o teu mundo).
Este comentário corre todo o risco de ser esquizofrénico. Tive um dia daqueles… não dos maus, mas dos… irreais, dignos de um guião do Pollock.
Tu sabes que me é difícil distinguir-te, separar-te da Jade. She’s the soft and darker side of you. E que mais que da tua escrita, é de ti que sou fã. Errrr… deixa-me corrigir. Sou, tua amiga. E quero-te bem. Mesmo que signifique a tristeza de não te, poder ler, de não poder ler, a Jade.
Mas, confesso aqui… Espero… Peço... para que ela, Jade, não tenha morrido. Estarei de luto se assim for. Peço aos deuses que esteja só inconsciente, talvez até só exausta. E peço-te a ti, que a guardes e cuides. Para que recupere. Ela não é melhor parte de ti. Ela não é apenas uma parte de ti. Ela é a essência de quem tu és.
Mas… se morrer… se morrer…. Que se despeça de pé: “Aqui jaz Jade, muito contra a sua vontade!”. Porque a Jade que eu conheço é uma gata. E nos sabemos que pode até não cair sempre de pé, mas ainda sobram vidas, das nove. Esperemos que venha a melhor.
http://www.youtube.com/watch?v=iGwM8ug6IWU
Apesar da tristeza, da dor, da solidão, da angústia e incerteza no caminho, há uma das Jade que vai continuar a sorrir, a insultar, praguejar e procrastinar, a dizer "Apre" e "homessa". Vai haver sempre uma metade que recupera a outra, é deixar o tempo trabalhar.
Além disso este texto está belissimo, não pode ser um requiem da Jade.
Bjs
JMP
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