Sou só eu que acho sinistro que haja a possibilidade de que as escolas, no âmbito da Educação Sexual, passem a distribuir preservativos aos adolescentes?
É só a mim que escandaliza que isto possa acontecer num futuro próximo?
Quem me conhece bem, sabe: sou completamente alérgica ao que chamo “a moral e os bons costumes”. A maior parte das vezes, um chorrilho de parvoíces hipócritas que as pessoas usam para ser infelizes e dizer mal da conduta alheia. Sou uma pessoa muito bem resolvida a nível sexual, sempre fui. Tão bem resolvida que sou olhada de lado muitas vezes, porque não me culpo, não me arrependo, não me ruborizo, não me desconforto, não me impressiono com outras preferências, não critico ninguém que seja feliz nas suas escolhas. E isto porquê? Porque tive a sorte de ter uma família impecável. Porque sempre pude recorrer à minha mãe em caso de dúvida e jamais uma pergunta minha ficou sem resposta. Porque foi por ela, e não por amigas da mesma idade, que obtive todos os esclarecimentos pedidos no mesmo tom natural que ela usa para falar do jantar ou do trabalho.
O que está errado é fazer da sexualidade assunto tabu em casa. Se os adolescentes puderem falar de sexo com os pais, porque raio precisarão de preservativos antes de ter idade para largar as Barbies? Não percebo. Não será preferível falar-se de auto-estima, respeito pelo corpo enquanto templo sagrado, descobertas graduais? Não será preferível discutir-se tudo o que está subjacente ao sexo, coisas que demoram, em qualquer idade, tempo, bastante tempo, a consolidar? Arrepia-me pensar que, se tivesse um filho no Ensino Básico, este poderia já estar a pensar em deitar-se com alguém. Que noção tem um adolescente, com a vida inteira pela frente, da responsabilidade que é poder engravidar, do trauma que é ter que abortar, do que poderá ser ficar incapaz de voltar a ter filhos ou ter que os criar numa altura em que devia estar a divertir-se, a namorar, a estudar, a preparar um futuro, a sonhar? Não devia ser por aí, a Educação Sexual?
Comigo foi. Lembro-me de optar por não correr qualquer risco até bem tarde na minha vida. Lembro-me de preservar o meu corpo, de não ceder a tentações pela simples evocação da imagem do que seria ter que dizer em casa “Estou grávida”. Lembro-me de ter um medo horrível, depois disso, e depois de já ser sexualmente activa, de engravidar e optar por um aborto que, correndo bem ou mal, seria sempre uma catástrofe emocional. Só já bem mais tarde, depois dos vinte e cinco, esses medos passaram todos. Agora, neste momento, seria mãe na maior das calmas. Mas continuo e continuarei a não estar preparada para ter HIV ou Hepatite B.
A Escola não pode banalizar o acto sexual adolescente simplesmente porque a sociedade, a televisão, a publicidade, tudo, enfim, se erotizou. Tem que se incutir responsabilidade aos miúdos. Fazê-los perceber que podem estragar as suas vidas inutilmente, com algo que, a seu tempo e bem vivido, será uma das partes mais bonitas da sua existência. Ensiná-los a esperar. Mostrar-lhes as alternativas. Avisá-los das consequências, não só de uma gravidez, mas de doenças mortais, avassaladoras, estigmatizantes. E deixá-los, depois, escolher. Se escolherem arriscar, então que comprem eles os preservativos. Não são senhores para arranjar tabaco? Não são senhores para conseguir todo o tipo de substâncias ilícitas?
Todo o ser humano, moldado de forma coerente e consciente, sabe parar quando o instinto é sobreviver. Não deveria ser por aí que a Educação Sexual deveria ir? Sou contra o facilitismo quando se trata de coisas sérias. Os meus alunos sabem disto. Os meus filhos sabê-lo-iam também. Em vez de dar preservativos às meninas de treze anos, devia-se-lhes perguntar: estás preparada para ser mãe? Achas que tens idade para casar, arranjar um emprego, ir viver sozinha, levantar-te três e quatro vezes por noite? Não? Bem-vinda ao mundo dos adultos. Tem juízo e vai estudar.
É só a mim que escandaliza que isto possa acontecer num futuro próximo?
Quem me conhece bem, sabe: sou completamente alérgica ao que chamo “a moral e os bons costumes”. A maior parte das vezes, um chorrilho de parvoíces hipócritas que as pessoas usam para ser infelizes e dizer mal da conduta alheia. Sou uma pessoa muito bem resolvida a nível sexual, sempre fui. Tão bem resolvida que sou olhada de lado muitas vezes, porque não me culpo, não me arrependo, não me ruborizo, não me desconforto, não me impressiono com outras preferências, não critico ninguém que seja feliz nas suas escolhas. E isto porquê? Porque tive a sorte de ter uma família impecável. Porque sempre pude recorrer à minha mãe em caso de dúvida e jamais uma pergunta minha ficou sem resposta. Porque foi por ela, e não por amigas da mesma idade, que obtive todos os esclarecimentos pedidos no mesmo tom natural que ela usa para falar do jantar ou do trabalho.
O que está errado é fazer da sexualidade assunto tabu em casa. Se os adolescentes puderem falar de sexo com os pais, porque raio precisarão de preservativos antes de ter idade para largar as Barbies? Não percebo. Não será preferível falar-se de auto-estima, respeito pelo corpo enquanto templo sagrado, descobertas graduais? Não será preferível discutir-se tudo o que está subjacente ao sexo, coisas que demoram, em qualquer idade, tempo, bastante tempo, a consolidar? Arrepia-me pensar que, se tivesse um filho no Ensino Básico, este poderia já estar a pensar em deitar-se com alguém. Que noção tem um adolescente, com a vida inteira pela frente, da responsabilidade que é poder engravidar, do trauma que é ter que abortar, do que poderá ser ficar incapaz de voltar a ter filhos ou ter que os criar numa altura em que devia estar a divertir-se, a namorar, a estudar, a preparar um futuro, a sonhar? Não devia ser por aí, a Educação Sexual?
Comigo foi. Lembro-me de optar por não correr qualquer risco até bem tarde na minha vida. Lembro-me de preservar o meu corpo, de não ceder a tentações pela simples evocação da imagem do que seria ter que dizer em casa “Estou grávida”. Lembro-me de ter um medo horrível, depois disso, e depois de já ser sexualmente activa, de engravidar e optar por um aborto que, correndo bem ou mal, seria sempre uma catástrofe emocional. Só já bem mais tarde, depois dos vinte e cinco, esses medos passaram todos. Agora, neste momento, seria mãe na maior das calmas. Mas continuo e continuarei a não estar preparada para ter HIV ou Hepatite B.
A Escola não pode banalizar o acto sexual adolescente simplesmente porque a sociedade, a televisão, a publicidade, tudo, enfim, se erotizou. Tem que se incutir responsabilidade aos miúdos. Fazê-los perceber que podem estragar as suas vidas inutilmente, com algo que, a seu tempo e bem vivido, será uma das partes mais bonitas da sua existência. Ensiná-los a esperar. Mostrar-lhes as alternativas. Avisá-los das consequências, não só de uma gravidez, mas de doenças mortais, avassaladoras, estigmatizantes. E deixá-los, depois, escolher. Se escolherem arriscar, então que comprem eles os preservativos. Não são senhores para arranjar tabaco? Não são senhores para conseguir todo o tipo de substâncias ilícitas?
Todo o ser humano, moldado de forma coerente e consciente, sabe parar quando o instinto é sobreviver. Não deveria ser por aí que a Educação Sexual deveria ir? Sou contra o facilitismo quando se trata de coisas sérias. Os meus alunos sabem disto. Os meus filhos sabê-lo-iam também. Em vez de dar preservativos às meninas de treze anos, devia-se-lhes perguntar: estás preparada para ser mãe? Achas que tens idade para casar, arranjar um emprego, ir viver sozinha, levantar-te três e quatro vezes por noite? Não? Bem-vinda ao mundo dos adultos. Tem juízo e vai estudar.
12 comentários:
Olá Jade,
não és, de facto, a única a achar sinistro que as escolas passem a distribuir preservativos a adolescentes, quando, na verdade, deveria ser abordada a responsabilidade que se deve ter ao iniciar-se a sexualidade. A meu ver, alguém com 12, 13 anos (quiçá mais velhos) não é responsável o suficiente para saber, até, o que está fazer. Bem... saber até sabe, não pensa é no após, porque, provavelmente ninguém se preocupou em falar com ele / ela sobre isso. Para mim, a responsabilidade é muito mais que usar o preservativo. Além disso, para quê acelerar uma coisa que virá no seu tempo certo? A educação sexual parece estar muito limitada a um tema: o uso do preservativo. E o resto? Há muita coisa que deveria ser abordada e se calhar não é...
Beijinhos
Ontem li o teu blog, hoje abri o jornal... e dei com a minha escola. Não se fala de outra coisa cá. É é impressionante a quantidade de (comentários) bestas (que foram feitos) no restaurante em que estava a almoçar hoje a poucos metros da escola.
Se não se dá educação aos pais que se dê aos filhos... e a alguns professores tb.
http://www.publico.clix.pt/videos/?v=20090519140235&z=1
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1381561&idCanal=58
Não, não és a única! Li hoje no JN que além de preservativos vai ser distribuida também a pílula do dia seguinte. O que na minha opinião é ainda mais sinistro!!!
Ora bem, fui acusada por um leitor obtuso de defender o mesmo que o Papa defendeu em África. De não falar sobre o que não sei porque não tenho filhos. Pois não tenho, educo os dos outros que não o fazem, dos que se desmarcam, dos que não têm tempo, dos que não têm condições. Em África, o problema é de saúde pública, de falta de meios, de miséria e do flagelo da SIDA em populações adultas. Cá, o problema é falta de educação e diálogo. Não é a SIDA que preocupa os governantes, é o drama da gravidez adolescente. O que justifica preservativos e pílulas do dia seguinte. Justificaria. Seria a saída mais fácil. Eu digo, não lhes dêem peixe, ensinem-nos a pescar. Se isto é dizer o mesmo que disse o Papa, vou ali e já venho, ver no dicionário como me posso expressar melhor. Ou chegar às pessoas que só lêem blogues alheios para dizer asneiras com o ar arrogante de quem é pai de filhos.
Nojo escreve-se sem acento gráfico;
Este blogue é meu;
Este blogue é meu;
Este blogue é meu;
E obrigada por ter dado o que é bom para a tosse, faz bem aos fragmentos tabagísticos...
E falando em sanidade mental, a minha não me dá para ler blogues de que não gosto... porque será?
LOOOOL
engana-se o provedor da tanga: obrigada pelo sorriso! E quem é professor sabe: cada vez se ensinam menos conteúdos e mais maneiras. Mas isso é para quem dá aulas em vez de arrastar o rabo pelas escolas com ar de..., sem ar.
Ai, isto afinal é giro. Responder a comentários parvos sem ter que os publicar! Mas agora fiquei na dúvida, ao corrigir o português do provedor: se calhar a tal palavra tem mesmo acento... é que eu uso-a pouco. Vou ali já venho ao dicionário e já digo de minha justiça...
Ah, adorei a parte do "Educadora quem, você?" Não, o Zé da Adega. Eu só deseduco. E deseducar, existirá? Tenho mesmo que ir ao dicionário. É que a minha sanidade mental precisa de respostas a coisas importantes...
E também muito gostei de saber que os meus alunos acham as minhas aulas uma seca... quero dizer, eu já sabia disso, pela maneira como eles me tratam: odeiam-me os gaiatos, uns dormem nas minhas aulas,outros fazem desenhos para se manter acordados, outros assobiam, alguns espancam-me... é horrível!!! Mas como é que o sr. provedor terá acesso a tanta informação? Não me diga que é meu colega... oh, que desagradável, já não durmo hoje! E eu que pensava que todos os meus colegas me adoravam... que decepção.
Ok, fui ao dicionário: Provedor: zero; Jade: 2. (um pelo nojo sem acento e outro pelo deseducar, que eu, até quando invento, acerto.)
A multidão aplaude de pé, em extâse. O provedor, se tiver vergonha na cara, retira-se para sempre desta morada moribunda.
Mas não: porque a verdade é que ele me ama. A mim e a toda a gente que lhe possibilite destilar veneno, não vá, por lapso, morder a língua...
Provedor:2 (êxtase, manterem); Jade:3, as duas anteriores mais uma, por saber fazer contas.
Aliás: 4 (porque é um facto definitivo: ele ama-me!); melhor,5! (também tinha razão quanto à falta de vergonha na cara!).
Saldo final: Provedor:2; Jade:5
(e aos 5 encerra, como nos matrecos)
Volte sempre que queira ser silenciado e, ainda assim, enxovalhado. Ou sempre que queira fazer-me rir. Adoro rir-me, adorei este momentinho. LOOOOOLLLL
Não percebi bem essa matemática dos números. Mas está bem. Faz lembrar o poker chinês. Diga um número: 4, 5 ganhei. Diga outro:9, 10 ganhei.
Silenciado eu? jamé, jamé!
Enxovalhado eu? jamais! jamais!
Rir faz bem.
O que seria a vida sem um smile.
Ecce homo
Esta tinha que publicar. Chorei a rir. Provedor, 3, pelas gargalhadas.(serás tu, assim tão pouco desagradável, tão divertido?); Jade, 5!!!
Póker chinês... rebolei a rir!
Eu cá mandava esse senhor provedor (jogar) póker-alho...
cacofonias...
YKW
Sabes que me lembrei disso, a sério? Até comentei esse trocadilho com uma amiga... mas foi exactamente este senhor provedor que se eriçou com o post dos Direitos de Autor e me insultou por ser reles, ordinária e brejeira. Por isso, lembrei-me do trocadilho, ri-me sozinha e deixei passar a piada, tão fácil quanto hilariante... mas não resisti a publicar o teu comment, pela coincidência. Bjs
Enviar um comentário