quarta-feira, 20 de maio de 2009

A Fuckin' Roller-Coaster

Gostam de montanhas-russas? Eu adoro. Gosto de emoções fortes, de adrenalina, do salto no vazio, do abismo. Gosto do medo, quando sobes a pique e imaginas a queda vertiginosa, a velocidade, a impotência, a entrega do corpo ao risco que a nossa intuição animal não identifica como calculado. No instante em que cais, não raciocinas, o grito sai involuntário, o instante parece a eternidade elevada ao expoente do infinito. Depois vêm a calma, a segurança, o alívio e, de repente, outra subida. E as tuas emoções, controladas pela tua razão, não têm tempo de assimilar estados. É tudo efémero como um floco de neve ao sol, uma sucessão de highs and lows, de medos e alívios, de subidas e descidas e curvas e rectas. E quando pões os pés no chão, a cambalear como se tivesses bebido demais, o sentimento contraditório que te aflora o espírito é igualzinho ao que acabaste de passar, uma variação entre um "foi fantástico" e um "nunca mais me apanham ali, cacete!"
Adoro montanhas-russas.
Já quando não se trata de carrosseis mas de emoções, quando não se trata de parques de diversão mas de relações entre pessoas, quando não se trata já de feiras populares mas da forma como tratas os outros e esperas ser tratado, o pior inferno existente "is a fucking roller-coaster".
Aí, o melhor a fazer, se fores a tempo, é oferecer o bilhete, mesmo que já pago, à vítima do lado.
Se não fores a tempo, e fores inteligente, não repetes a viagem. Se teimares, por capricho ou estupidez, em fazeres do abismo e da altura o teu modo de vida, não te queixes depois de passares o teu precioso tempo a vomitar as entranhas. Porque uma coisa é certa: um dia, a viagem corre mal. Dá para o torto. A engrenagem falha e tu despenhas-te a alta velocidade, embates no chão e desintegras-te. Não sobra nada de ti. Trocaste-te por meia-dúzia de emoções tão fortes quanto fraudulentas. A tua coragem e persistência resumem-se à palavra idiotia.
A vida é para viajar em velocidade cruzeiro, a apreciar a paisagem. De preferência, a pé.

8 comentários:

Shadow disse...

Pior ainda... esperar em filas intermináveis para andar na mesma roller-coster.

Como te disse uma vez, "Não. Porque ninguém aguenta viver sempre a 1000, é violento demais, cansativo demais e parvo, demais.

Jade disse...

...esperar em filas intermináveis para andar na mesma roller-coster.


(silêncio. silêncio muuuito fluente. palavras para quê? filas intermináveis diz quase tudo e o verbo esperar diz o resto)

Shadow disse...

E o que não se disse, não vale a pena dizer mas que ainda assim deixo aqui movida por la Palice: Não vale a pena.

Se fosse uma roller-coster, novinha em folha,sem ferrugem como a(s) outra(a), XPTO, feita de propósito para nós ou onde tempo e dinheiro ainda a conseguissem por a 100%, mas não é, não são as nossas!

ps: Bora a www.tap.pt e comprar um bilhete para Paris... Mas sem por os pés na Disney que até o Mickey é comprometido há decanas e não ata nem desata lol.

Jade disse...

Detesto Paris. Sorry. Londres, Barcelona, Havana, Moscovo, NY???

Shadow disse...

Havana, Moscovo e NY fazem parte da minha lista do "to do" e soa.me mt bem.

Mas diga-se qualquer coisa soa bem depois de ler que "um círculo é um quadrado redondo" e que "um pêssego é como uma maçã só que com um tapete por cima"..

Jade disse...

Consegui rir-me com vontade desse mail, e enviei-o para as pessoas que fazem parte do meu sorriso
;-)

Dry-Martini disse...

Muito bom post... mas também existem os comprimidos para o enjoou, que descobri na minha primeira ida às Berlengas :)

XinXin

Jade disse...

Sou contra as drogas, Dry-Martini.
;-)