Vou largar a terapia. Quatro anos depois.
Como disse uma amiga minha a propósito de uma outra perda recente, a vida é um permanente deixar partir. Adorei esta frase. Mas vê-la assim, escrita, por mais bela que seja, faz-me arder muito os olhos e provoca-me um reflexo condicionado, engolir em seco, como se de repente alguém me jogasse as mãos ao pescoço e me apertasse só um bocadinho mais que o confortável. Um permanente deixar partir, e as letras, que não passam também elas de desenhos, desenham rostos, sorrisos, olhares, vozes, mãos, abraços, gargalhadas, muitas lágrimas. Deixei partir muita gente, este ano. Agora tenho que gerir essas perdas sem torrar a paciência ao DOC. Mas como não tenho coragem de torrar a paciência a mais ninguém, ou pelo menos não da forma violenta e obsessiva como fazia em sessão, parece que vou ter que crescer e fazer como as pessoas. Seja lá o que isso for.
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