Acho uma imensa metafórica graça àquelas pessoas que te apontam o dedo por estares "a gritar" com elas e, na sua versão dos factos, estares "fora de ti", a agir "irracionalmente", e outros mimos com que te brindam no calor do momento, mimos esses que nunca admitem serem ofensivos e insultuosos quando, na realidade, tudo começou contigo a repetir, em voz baixa e calmamente, a mesma coisa que agora gritas, umas cinco ou seis vezes, quando estavam demasiado preocupadas com o seu ego e o seu discurso / monólogo semiautista, para te ouvir. Há certas pessoas que só te ouvem quando explodes, e depois te apontam o dedo porque o fazes. Dei comigo a pensar nisto hoje e a encontrar vários exemplos em conhecidos meus. Detesto esta nova moda de que a cólera é gémea da doença mental, como se nascesse de um desequilíbrio neuronal e não fosse tantas vezes deliberadamente provocada por terceiros que depois "não percebem a razão de tanto descontrolo". Muitas vezes, cobardes que só caem na real e saem do seu umbigo quando levam um par de berros e ficam cheios de medo do que os vizinhos ou as pessoas que estão a assistir "vão pensar". A esses cresce-lhes, de repente, uma enorme preocupação com os outros e uma imensa solidariedade com os frágeis sentimentos que uma porta possa ter, "não batas com a porta, se faz favor!". Gosto tanto da preocupação com as boas maneiras em situações de stress... que não consigo evitar sorrir, fechar a porta com cuidado e pensar, só pensar, porque nem me merecem o respeito que seria dizer-lhes "vai-te mas é fod*r!"
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