O Facebook é, frequentemente, fonte de lágrimas, fúrias e
ranger de dentes.
É preciso ter estômago, quando se tem um desgosto amoroso,
para se abrir a dita página. Talvez porque, nesses tristes momentos, hoje em dia
todos sejamos elevados à categoria de celebridades: aquilo que antigamente
ficava na esfera da santa ignorância, aparece agora displicentemente nos
murais. Já não é possível acreditar-se na desculpa esfarrapada com que nos
brindavam, não és tu, sou eu, nasci para estar sozinho, não estou preparado
para compromissos, tu mereces melhor, eu também estou a sofrer mas é melhor
assim. Seguia-se então em frente, de coração partido, mas ainda preso pelos
arames das mentiras piedosas.
Não se via, depois, na comunicação social, a dita criatura,
feliz e contente, a fazer comentários ou a dar likes a fotos de outras mulheres,
a esconder ostensivamente conteúdos outrora disponíveis, a aparecer toda
contente em bares e festas. À medida que estas coisas acontecem, e aparecem
músicas que sabemos que não nos são dedicadas, até porque nunca nos dedicaram
nenhuma, pelo menos publicamente, e likes a comentários - estúpidos nas horas,
na maior parte das vezes, e ainda por cima - quando os nossos, muito mais
divertidos e inteligentes, passam ignorados, cresce uma náusea, um vómito, um
desânimo e uma vontade enorme de tudo ser como antes, em que mesmo que a
curiosidade mórbida apertasse, não havia nada a fazer a não ser engoli-la e
andar para a frente, sem mais imagens ou palavras a assombrar-nos o espírito.
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