terça-feira, 25 de março de 2014

Facebookassholes


O Facebook é, frequentemente, fonte de lágrimas, fúrias e ranger de dentes.

É preciso ter estômago, quando se tem um desgosto amoroso, para se abrir a dita página. Talvez porque, nesses tristes momentos, hoje em dia todos sejamos elevados à categoria de celebridades: aquilo que antigamente ficava na esfera da santa ignorância, aparece agora displicentemente nos murais. Já não é possível acreditar-se na desculpa esfarrapada com que nos brindavam, não és tu, sou eu, nasci para estar sozinho, não estou preparado para compromissos, tu mereces melhor, eu também estou a sofrer mas é melhor assim. Seguia-se então em frente, de coração partido, mas ainda preso pelos arames das mentiras piedosas.

Não se via, depois, na comunicação social, a dita criatura, feliz e contente, a fazer comentários ou a dar likes a fotos de outras mulheres, a esconder ostensivamente conteúdos outrora disponíveis, a aparecer toda contente em bares e festas. À medida que estas coisas acontecem, e aparecem músicas que sabemos que não nos são dedicadas, até porque nunca nos dedicaram nenhuma, pelo menos publicamente, e likes a comentários - estúpidos nas horas, na maior parte das vezes, e ainda por cima - quando os nossos, muito mais divertidos e inteligentes, passam ignorados, cresce uma náusea, um vómito, um desânimo e uma vontade enorme de tudo ser como antes, em que mesmo que a curiosidade mórbida apertasse, não havia nada a fazer a não ser engoli-la e andar para a frente, sem mais imagens ou palavras a assombrar-nos o espírito.

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