Estou exausta. Parece que me passou um comboio por cima, fez marcha atrás (por acaso acho que os comboios não têm essa possibilidade, mas é para a imagem, permitam-me a liberdade (pouco) poética) e voltou a passar por cima de novo.
Dizem que as mulheres falam muito. Muito mais do que os homens. Algumas falam tanto que até as outras mulheres dizem "fulana não se cala um bocadinho, pá!".
Eu não sou normal. Tenho um colega de escola que diz que não percebe como sou solteira, já que sou uma benção de gaja que fala pouco, tem um timbre aceitável, um volume adequado e de manhã, então, nem abre o bico. É um facto. (Não que sou uma benção, mas que falo pouco, tenho zero de habilidade para conversas de circunstância e ice-breakers, e detesto que me façam perguntas de rajada, umas atrás das outras, que me chateiem logo pela manhã ou que entrem em monólogos intermináveis sobre assuntos que não me interessam nem levemente. O meu colega diz que é uma benção, o resto do mundo chama-lhe mau feitio.)
Como coordeno os diretores de turma da minha escola, e hoje reunimos pela primeira vez, tive que falar durante mais de uma hora. E parece que se me exauriu a paciência, e se me esgotou completamente a energia.
Cheguei a casa e disse à Mzinha "Não me leves a mal se falares comigo e não te responder". É que não me apetece ouvir ninguém, nem consigo concentrar-me num discurso com mais de três palavras. E muito menos falar. Estou com a minha interação verbal e social abaixo de zero. Devia ter nascido gajo.
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