domingo, 12 de agosto de 2012

Fujam do Hospital d'Os Lusíadas

Não há palavras para descrever os últimos dias. Tenho um amigo de longa data a morrer de cancro no Hospital d'Os Lusíadas, onde a família está a pagar pelo menos 250 euros por dia para lhe dar o máximo de conforto e cuidados, e alguma dignidade na hora da partida quando, de facto, está a ser tratado abaixo de cão, não é alimentado convenientemente porque "arranca os tubos", não é higienizado corretamente porque "tem muita força", não é medicado convenientemente porque "outra merda de desculpa qualquer", cai da cama três ou quatro vezes por noite porque "não pode ser amarrado, é muito novo e está muito lúcido" embora não reconheça a filha a maior parte do tempo.
No entanto, foram estes mesmos profissionais de saúde que esconderam à família que, em consultas ambulatórias era nítido que ele constituía um perigo para si mesmo e os outros e o deixaram ir para casa, a conduzir, com a locomoção muitíssimo comprometida, desidratado e cheio de metásteses no fígado. Foram estes profissionais de saúde que tiveram que ser obrigados aos gritos a interná-lo e agora dizem à família "Vá passear que está um lindo dia de sol, descanse, não era isso que queria?".
Podemos todos ser vítimas de azar. Mas estes azares não deviam existir num país democrático em pleno século XXI.

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