de precisar do triplo do esforço e do quíntuplo das marradas na parede das pessoas normais para conseguir o mesmo resultado. E ainda assim não o conseguir. E estou cansada das dificuldades e dos desgostos. E de ter que me levantar cedo. E das segundas-feiras, sobretudo das segundas-feiras. E das memórias em forma de imagem. E das ausências e dos silêncios. E de olhar para a minha vida e ver que fui recorrentemente parte da lista de suplentes e das segundas escolhas. E estou cansada, apesar e sobretudo, de nunca me darem hipótese de ir a jogo.
12 comentários:
Acredito perfeitamente que estejas cansada e dorida. Eu estou igualmente cansada e dorida, da vida que levo. Contudo, és tu, que te esforças mais que eu. Que arriscas mais que eu. Que dizes que sobretudo, estás cansada de nunca te darem hipótese de ir a jogo.
Engraçadas as visões diferentes que eu e tu, temos de ti. Eu sempre te vi a ir a jogo, a dar a cara e algumas vezes o focinho (que é onde apanhas sem merecer) por quase tudo aquilo em que acreditas, que vives. Acredito que muitas vezes perdes por falta de sorte, por uma incrível quantidade de bolas no poste. Por uma incrível quantidade de enganos e desenganos que te são alheios. Porque o árbitro é injusto, porque as condições do terreno são desfavoráveis ou porque a outra equipa foi melhor.
Fazes parte daquele grupo de favoritos que por motivos parvos ou incompreensíveis, acaba sempre por perder ou ser desqualificado nas primeiras rondas. Mas, sempre te vi a ir a jogo. E nunca te vi a desistir do que quer que fosse. A entregares ao destino sem lutar uma primeira vez. Nunca vi. E tanto quanto diz o optometrista, vejo bem.
Quem não vai a jogo sou eu. Que sou cobarde. Entre outras coisas. Que li o mail em que “O” ex descreve o sonho que teve sobre o nosso novo (e possível) futuro e… reajo com inércia. Que escolho não reagir de outra forma que não esta: inerte. Que decido que não volto a arriscar. Não irei correr o risco de partir a estrutura frágil e desengonçada que ficou da última vez. Neste tempo que passou, fiquei mais alta, enquanto pessoa, mais velha, mas não mais forte. Quem não vai a jogo sou eu. Que tenho medo de quebrar como tu quebraste. Como já quebrei um dia.
Tu vais a jogo, sempre foste, e por isso a minha admiração por ti é gritante. Gritante é também o desencontro que a vida te tem trazido. E faço figas para que o Karma chegue e que a ironia do destino cut’s you some slack.
Minha querida,
chorei a ler o teu comentário. No nosso caso, não ir a jogo não é cobardia, é inteligência. É estúpido não sabermos os nossos limites. Destrói-nos enquanto pessoas. Muda-nos. Perdemos tudo, incluindo a nossa anterior identidade. Perdemo-nos de nós.
E essa treta de o que não nos mata torna-nos mais fortes é outro cliché mentiroso. Crescer fragiliza-nos. Repetir os mesmos erros faz-nos, apenas, perder o respeito por nós próprios. Respeito muito quem opta por não arriscar. Não por cobardia, cobardes são os que não nos dão a mão porque é desconfortável. Não arriscar por inteligência. Por sabermos, no íntimo, que vamos sofrer e termos o imenso amor-próprio de dizer "não estou para isso." Beijos enormes
Se eu tivesse dito "não estou para isso" e virado costas quando devia, não estaria neste estado. E o bom que vivi não compensa nem um décimo de todos os danos colaterais que se espetaram contra mim a trezentos a hora. Preferia mil vezes ficar para sempre na dúvida " e se...?" do que esta decepção amarga que ainda dói todos os dias, do levantar ao deitar, como uma náusea. E é mais um cliché que vai com os porcos. Aprender a evitar o que e óbvio. Porque nos vemos, fingindo não ver. Isso é self-esteem.
Tendo em conta tudo isto, decidi planear a minha viagem a Roma. Descubro no dia seguinte que não vou só ter de trabalhar 1 dia dos 3 da viagem, mas todos.
Resolvo ir mais cedo, sair mais tarde. Voltar por veneza.
Não interessa o que resolvi... em 2h recebo o telefona que além do trabalho as chefes vão comigo. Querem o mesmo avião, os mesmos dias, o mesmo hotel. Querem vir mais cedo, têm filhos. Querem ir mais tarde, têm maridos.
E eu que queria que toda esta gente se fosse foder... vi-me fodida. Nem mudar de pais posso sem levar uma rasteira da vida.
Às duas, só me resta dizer uma das frases que é minha, por natureza, e por autoria, "a existência não esta para graças".
Despedaçadas, ultrapassadas pelas circunstâncias, derruídas, algumas de nós, ainda no chão, outras, em processo de levantamento ou ainda não... estamos aqui. Por enquanto, sabe-se lá por quanto tempo, o suficiente para perdermos o cepticismo, a inércia, ou não, por enquanto, hoje, mesmo de rastos, ainda... estamos. Viva a nós.
Acho que percebeste que me auto-repliquei. Lá está, algum dia a bi-polaridade seria indisfarçável! LOL
Claro que percebi, o gatito é inconfundível. Mas como me pareceu intencional, respondi à letra...
Aquele gato é a minha sombra :-)
Não foi intencional. Nem um acto falhado foi. Fui eu a ser vencida pela máquina aka laptop e pelo habito de não mudar para anonimo! .
Para a Shadow
Subscrevo a grande maioria do primeiro comentário que fizeste, tanto em relação à opinião que tens da Jade como em relação à inércia que notas em ti - eu noto-a em mim... Se calhar nós gravitamos em torno de um planeta Jade por termos características semelhantes e admirarmos nela as mesmas coisas. Obrigada pela doce recordação que enviaste e que conservo por perto para me lembrar que a vida pode ser doce, dependendo daquilo que decidimos comer... Conta comigo para ir olhando pela nossa pedra preciosa, ok?
Com amigas como vocês, a minha vida só pode ser mesmo muito sweet.
Jade, darling, antes que decidas chorar com o comentário da An..onima tem atenção a isto:
- por outras palavras, aquilo que ela te chamou foi CALHAU com OLHOS! LOL :P
An...ónima,
a vida às vezes surpreende-nos. E manda.nos coisas boas de sítios que nem sabíamos existir.
E devo dizer que fico contente por saber que o teu optometrista também te deu o OK! :-)
Beijos às duas
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