Sobre a minha epifania emocional, correu muita tinta. Não parece, porque os leitores aqui do estaminé há muito que o comentam off the record, não sei porquê. Mas correu. Houve alguém que me disse que o seu príncipe encantado foi atropelado por um camião. Outra pessoa disse que o meu já não deve tardar (se tardar muito, terá que me procurar num lar da santa casa). Houve quem me dissesse que eu tenho que abrir o meu coração, ser mais simpática, mostrar disponibilidade para... nem sei bem para quê.
Em tempos, houve um rapaz que fez quatrocentos quilómetros para vir almoçar comigo. Entre as duas viagens, de vinda e de regresso a casa, esteve na estrada o dobro do tempo que passámos juntos. E permanecemos sempre em sítios públicos, a conversar amenamente, a rir e a recordar tempos idos. Foi das melhores horas de almoço, senão a melhor, de toda a minha vida. E não lhe toquei, sequer, ou ele a mim. Mas acho que esse par de horas foi o maior abraço que alguma vez alguém me deu. Se morrer muito velhinha, ainda assim o vou levar tatuado no corpo, esse abraço. Depois disso, estive muito tempo sozinha. Anos. Um dia achei que já chegava e conheci uma pessoa que me interessou. Muito. Parecia mesmo feita à minha medida. Vivia a umas dezenas de quilómetros de mim e eu achei que merecíamos ambos o esforço. Detesto conduzir mas peguei no JadeMobile, máquina infernal, e fui várias vezes à terra dele, vê-lo, conhecê-lo melhor. As coisas pareciam estar a encaixar bem. Uma noite, estive com uns amigos umas horas num cafezinho, na conversa, à noite. Ele esteve noutro, a uns quinhentos metros. Não fez esse caminho para estar comigo.
Em tempos, houve um rapaz que fez quatrocentos quilómetros para vir almoçar comigo. Entre as duas viagens, de vinda e de regresso a casa, esteve na estrada o dobro do tempo que passámos juntos. E permanecemos sempre em sítios públicos, a conversar amenamente, a rir e a recordar tempos idos. Foi das melhores horas de almoço, senão a melhor, de toda a minha vida. E não lhe toquei, sequer, ou ele a mim. Mas acho que esse par de horas foi o maior abraço que alguma vez alguém me deu. Se morrer muito velhinha, ainda assim o vou levar tatuado no corpo, esse abraço. Depois disso, estive muito tempo sozinha. Anos. Um dia achei que já chegava e conheci uma pessoa que me interessou. Muito. Parecia mesmo feita à minha medida. Vivia a umas dezenas de quilómetros de mim e eu achei que merecíamos ambos o esforço. Detesto conduzir mas peguei no JadeMobile, máquina infernal, e fui várias vezes à terra dele, vê-lo, conhecê-lo melhor. As coisas pareciam estar a encaixar bem. Uma noite, estive com uns amigos umas horas num cafezinho, na conversa, à noite. Ele esteve noutro, a uns quinhentos metros. Não fez esse caminho para estar comigo.
Não tenho que mostrar disponibilidade, bom feitio, simpatia, nada disso sou eu. Eu sou uma gaja dura e difícil, como já me descreveram. Não sou cá de falinhas mansas e paninhos quentes. Não sou aconchegadora de egos alheios, ainda estou a aprender a aconchegar o meu. Eu sou assim, e não deixo de ser extraordinária, como também já me definiram. Não tenho que fingir coisa nenhuma para atrair quem quer que seja. Dou-me a conhecer, e o tempo logo se encarregará do que tiver que ser. As atitudes das pessoas comigo, essas, separam sempre, mas sempre, o trigo do joio.