O Face também tem uma espécie de blogues, e eu sigo os dos meus amigos. Hoje, no blogue Don't Play Games with a Girl who Can Play Better, foi partilhado um parágrafo muito bom da autoria de Rita Barata Silvério com o título deste post. E depois de muitos meses, deu-me vontade de escrever.
Hoje, por coincidência, foi um dia muito mau. E eu devia ter previsto isso mesmo quando, no passeio da manhã, o meu cão fez tal estrangeirinha com a trampa do peitoral que usa para eu não o estrafegar com coleiras, que tive que subir dois andares a bufar, com o grande mastodonte ao colo, todo contente, a trepar-me pelos ombros acima e a meter-me a língua nos olhos, nariz, cabelos e orelhas. O universo dá-nos sinais claros de que o dia vai correr mal, e é preciso coragem para os ignorar.
O que aconteceu depois não interessa a ninguém. O que interessa realmente é que este ano letivo que agora está a terminar parece querer morrer a estrebuchar em grande e eu, sinceramente, há muito que não estou para o aturar.
Não me lembro nunca de ter passado tantos meses em tão completo inferno. Uma lástima, a nível de saúde, um desastre, a nível de relações humanas. Tenho pedras suficientes colecionadas no caminho para construir a grande muralha ocidental, mas melhor fazia se tivesse feitio para as atirar ao focinho de algumas pessoas.
Infelizmente, e à semelhança de há uns anos atrás, aconteceram situações limite que me fizeram virar costas, em definitivo, a pessoas que tinha por próximas. A última vez que tal me aconteceu foi há quase uma década, e tenho por consolo de um saber de experiência feito que jamais me arrependi, e que a dor passou muito mais rápido que a angústia do antes.
Infelizmente, e à semelhança de há uns anos atrás, aconteceram situações limite que me fizeram virar costas, em definitivo, a pessoas que tinha por próximas. A última vez que tal me aconteceu foi há quase uma década, e tenho por consolo de um saber de experiência feito que jamais me arrependi, e que a dor passou muito mais rápido que a angústia do antes.
A mulher que eu quero ser não compactua com mentiras, com facadas nas costas. Não compactua com hipocrisias, com politicamente corretos. Não compactua com aparências, com interesses, com lambe-botismos. Não compactua com burrice, com estupidez, com egoísmos.
A mulher que eu quero ser não se cala. A mulher que eu quero ser jamais perde uma noite de sono a pensar como ferir alguém, como lhe fazer mal, como se vingar. A mulher que eu quero ser brilha, incomoda e suscita ódios por brilhar e incomodar, sendo que jamais os compreenderá.
A mulher que eu quero ser tem amigos que fazem por ela o impossível e estão sempre lá, sempre. A mulher que eu quero ser continua a fazer amigos verdadeiros, já bem perto dos quarenta, e não precisa de fazer disso alarde. A mulher que eu quero ser não esfrega as suas melhores qualidades na cara de ninguém e, no entanto elas são notadas o suficiente para serem invejadas sem pejo nenhum.
A mulher que eu quero ser é de uma generosidade infinita, e de aversões absolutas e físicas, ao ponto da náusea.
A mulher que eu quero ser vive as suas emoções sem as controlar demasiado, porque sabe desde que nasceu que o que se leva desta vida são os afetos genuínos.
No dia de hoje, sobretudo no dia de hoje, sei, com uma sabedoria que me vem das entranhas do corpo e das profundezas do espírito, que sou exatamente a mulher que quero ser. E de cada vez que, como hoje, sentir que alguém sai da sua vidinha triste e vazia para me fazer mal por puro despeito, terei a confirmação absoluta que sou exatamente a mulher que quero ser.


