Passou.
Foi muito triste, é sempre um pouco mais triste, de cada vez que me vejo reduzida a um corpo frágil transferido de uma maca para uma cama de hospital, onde as enfermeiras desfilam para me tirar a tensão, me picar as veias (a minha mãe horrorizada, prestes a bater na que me enfiou o cateter do soro, "eu vou-lhe ao focinho", rosnou quando a gaja virou costas, "tu és tão forte e estás com cara de quem está cheia de dores, eu juro que a esgano"), me perguntar pela enésima vez se estou bem, se tenho dores, se estou tonta.
Desta vez a minha mãe esteve comigo, e foi reconfortante, por um lado, e muito pior, por outro. Sei bem o que digo, quando teimo com toda a gente que quero passar por tudo sozinha, o inferno é a triplicar quando se vê quem nos ama a sofrer.
No ano passado, a coisa correu melhor, sem assistência. A solidão é avassaladora, mas eu sabia que estavam comigo, pelos telefonemas e as mensagens - houve até quem ligasse para o hospital a saber de mim... pessoa essa que, este ano, já não esteve: a minha vida tem destas ironias trágicas.Mas tem também coisas muito boas. Há amigos que, desde que o são, estão sempre.
Há um ser especial que conheci graças a este blogue, que está sempre.
Está.
Sempre.
E ainda assim, escreve,
"Hoje, como muitas vezes – bem sabes, não me fazes falta para estar. Faz-me sim,
falta que esta distância toda não a fosse. Faz-me falta estar por perto. Passar
no hospital a dar um abraço e desejar boa sorte antes da operação. E passar de
novo mais logo a saber como correu, talvez não por ti, mas pelos teus. E
deixar-te um ramo de flores, como fazem os melhores dos amigos.
Não estou. Não sei. Nem sei quem sabe. Mas lembrei-me de ti toda a tarde…. E de te ter dito certo dia que ninguém escolhe ser teu amigo. Se fosse escolha, jamais escolheria toda esta preocupação. Mas é algo tão natural… gostar de ti. Que nem a tua doença evita ou afasta. Por isso, hoje, diz ao médico que tenha cuidado contigo, avisa-o que a sorte te deu um corpo demasiado frágil para todos os amigos que carregas dentro dele. E que somos muitos os que ficam do lado de cá à tua espera. Hoje e sempre.
Quando à tua doença, diz-lhe que tirando estes 3 dias por ano nunca lhe vou dar confiança. This isn't everything you are."
Não estou. Não sei. Nem sei quem sabe. Mas lembrei-me de ti toda a tarde…. E de te ter dito certo dia que ninguém escolhe ser teu amigo. Se fosse escolha, jamais escolheria toda esta preocupação. Mas é algo tão natural… gostar de ti. Que nem a tua doença evita ou afasta. Por isso, hoje, diz ao médico que tenha cuidado contigo, avisa-o que a sorte te deu um corpo demasiado frágil para todos os amigos que carregas dentro dele. E que somos muitos os que ficam do lado de cá à tua espera. Hoje e sempre.
Quando à tua doença, diz-lhe que tirando estes 3 dias por ano nunca lhe vou dar confiança. This isn't everything you are."
A ti, a única coisa que posso responder, gratíssima pela tua amizade é "quem me dera que todos não estivessem como tu não estás."
Receber um ramo de flores em casa, no dia em que saí do hospital, foi de uma ternura que me custa a engolir, por mais dilatações que faça: não passa no nó na garganta. Beijos
