...de fim-de-semana prolongado. Num hotel de cinco estrelas com tudo pago, incluindo anestesia geral.
(suspiro)
É a vida que temos, e temos pena.
terça-feira, 17 de julho de 2012
sábado, 14 de julho de 2012
Sem Título
Hoje foi um dia mau.
Um dia mau com um bom momento, aquele em que soube que uma amiga minha me mandou os Magic Beans do Harry Potter, trazidos diretamente de Orlando e partilhados desinteressada e generosamente comigo. Sem ainda os ter provado, psicologicamente comi dois ou três de vómito e de cera das orelhas.
Vim de Lisboa muito cedo, para uma reunião de Departamento. Não vinha muito sossegada nem muito feliz, que as novidades do médico não foram animadoras, embora, diga-se a bem da verdade que, a partir do momento em que ponho um ponto final no meu mal-estar e resolvo agir e passar pelo pesadelo todo de novo, a indiferença abate-se sobre mim como uma couraça, e nenhuma novidade é levada com a marretada emocional que se esperaria.
Ontem chorei no médico, mais por cansaço que por desespero, e ele aconselhou-me a procurar um psiquiatra: o DOC vai rir-se com esta. Mas quando soube que eu ando em terapia há ano e meio, o meu médico de sempre não se riu. Fez um ar muito preocupado, e quase blasfemou contra a direção da minha escola e a minha falta de assertividade. "Mas porque te metes tu em tantos cargos?" Todos os médicos que me acompanham me tratam por tu, este, porque me conhece doente há mais anos dos que os que tinha quando o procurei pela primeira vez.
É difícil alguém que está fora do ensino, como ele está agora, entender. Lá lhe expliquei que não só não me metia como não os podia recusar. Disse-me que não sou deficiente mas também não sou normal, e que a minha doença exige tempo para descanso. Só me deu vontade de rir, entre lágrimas e no meio do pânico que é o atual sistema não deixar ninguém descansar, quanto mais eu, numa escola pequena, com uma direção que não me grama mesmo nada.
Ainda assim, lá vim eu, picar o ponto, passar a manhã na reunião de departamento e a tarde a organizar o que falta para a reunião de EFAs.
Na reunião de departamento, assisti a mais uma cena triste daquelas em que quando a bronca estoira, a culpa é deitada para cima do mexilhão. Fiquei pôdre. Mas será que é assim tão dificil assumir culpas, erros, dizer "epá, bolas, não sou perfeita e meti o pé na poça, sei que agora não há remédio, mas desculpem lá, sou humana". Perco o respeito todo pelos meus congéneres humanos, os cobardes, que atiram para cima dos do lado responsabilidades que lhe cabem, só porque sim, porque podem e porque o dizem com convicção suficiente para não serem contestados.
E depois veio a auto-avaliação do departamento e a coordenadora não quis que ninguém se pronunciasse sobre o que está mal, "não acredito em exorcismos", disse, numa ironia clara à diretora que pediu noutra reunião que exorcisássemos tudo o que correu mal num dado projeto de escola.
E eu, que raramente estou de acordo com a direção, desta vez tive pena. Porque para evitar discussões e palavras mais agrestes, recorreu à hipocrisisa de quem acha que, se os alunos avaliaram os professores do departamento com notas altas, é porque somos perfeitos. Não somos, não sou, e há tanto para dizer sobre o que poderíamos fazer melhor se não fôssemos uma cambada de hipócritas que só estão bem a roer os tornozelos uns dos outros, quando os apanham de costas...
E depois fui falar com a minha diretora, por causa do que o médico disse, e ela foi impecável. Disse-me taxativamente o que me esperava para o ano, e acrescentou que me gostava de ter na escola mas que se quisesse concorrer, a saúde vinha primeiro. Decidi quase imediatamente ficar.
Para acabar o dia em grande, um dos meus melhores amigos foi mandado a mobilidade por valores mais altos se levantarem. Não tenho muitos amigos e homens ainda menos. Depois de falar com ele ao telefone, fiquei a saber mais, e menos irritada mas, ainda assim, vai fazer-me uma falta imensa. Pelo menos sei que, a mudar, será sempre para melhor.
Fui à minha escola antiga procurar consolo e não o encontrei. Tudo tinha planos para hoje à noite e, aqui sozinha com o Chico, resolvi que, não duvidando da amizade de ninguém, o meu lugar é, sem dúvida, onde estou.
Feitas as contas, no dia de hoje, vi bem quem se preocupa, quem está, quem quer saber, quem tem tempo para uma palavra, um carinho e um conforto: venha ele de um telefonema de Aveiro, de uns doces que ainda não chegaram de Vila Real ou de uma mensagem privada no facebook à qual não respondi por nem saber o que dizer.
Ah, e hoje (ou terá sido ontem? já nem sei), escreveram-me uma frase que ficou tatuada no meu ventrículo esquerdo "tem cuidado contigo que a sorte deu-te um corpo demasiado frágil para todos os amigos que carregas dentro dele". Não são muitos, mas são irrepreensíveis. E, à medida que o ciclo se repete, poucos são os que se mantêm, uns deixam de estar e outros passam a estar, sendo o saldo sempre, mas sempre, positivo, porque só faz falta quem... isso.
sábado, 7 de julho de 2012
Therapy and Love
Numa troca de mensagens privadas no facebook, às tantas uma amiga pergunta-me como estou em relação a determinada pessoa do meu passado, visto andar em terapia há um tempo já razoável. Respondi: "continuo a gostar dele e a achar que era the one. sinto-lhe a falta todos os dias. a terapia só ajuda a cabeça, não faz muito pelo coração. aprendi a viver com isso. e a achar que a minha vida sentimental encerrou (...) e ainda assim achar que mesmo assim, a vida continua, com o resto das coisas boas que pode ter. anyway, ainda há muito mundo para ver, muitos amigos para beber café, muitas séries de culto para nos apaixonar, muitos livros por ler".
Há dias em que acredito mesmo nisto, há outros em que nem tanto. Mas o equilíbrio é saudável, e embora o DOC ache que este ceticismo só faz sentido numa suicidária, eu acho que, se a vida se resumisse a um grande amor, o problema da sobrepopulação mundial estaria resolvido e não haveria já muitas árvores sem pessoas penduradas pelo pescoço.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Para o Doc
Informação inter-sessões: já falei com o médico. Já fumei o meu último cigarro. Tenho um futuro próximo de exames muito desagradáveis para fazer. Vale a pena cuidar de mim? Ou seria melhor ficar passivamente à espera que alguém cuidasse e definhar assim? Fique sabendo que preferia esperar a estar na angústia que estou agora. E que detesto tomar sempre as decisões acertadas, ainda que tarde e a más horas. Detesto.
Por causa do comentário da Shadow
Acrescento que, à medida que no Facebook os meus amigos vão colocando fotos novas, me apercebo que ninguém me fotografa, nem eu me deixo fotografar, há muitos meses. Porque não tenho vida social ou momentos inesquecíveis. (os que tive também não foram fotografados, e lamento isso todos os dias). E porque, como dizia alguém que ficou enterrado num passado bem distante, não há fotografias que nos favoreçam mais que aquelas que são tiradas por quem nos ama.
Sejamos explícitos
Não ando desesperada atrás de um homem, nem nada que se pareça.
É só que, se alguém se interessar por mim agora, fisicamente o mais débil que acho que já alguma vez estive, sem curvas, sem forças e sem sorriso, sem sentido de humor e sem paciência, sem brilho nos olhos e cor na alma, convenhamos... é porque é um amor verdadeiro.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Revolta
Todo o sentimento de revolta pressupõe uma noção muito forte de injustiça. Quando alguém se revolta contra a vida, tem que acreditar que a existência dá na mesma medida do esforço que se investe nela, no esforço de fazer as coisas corretamente, de ser alguém íntegro, generoso, solidário, tolerante, isto tudo apesar dos interesses, das ambições, dos desejos e dos sonhos.
Eu não faço parte desse grupo, dos que acreditam na justiça divina ou cósmica, que paga em sorte e saúde as boas ações de cada um.
Por isso não compreendo a minha sensação de revolta, a que me acompanha há dias seguidos, me amarga o espírito e me faz estar em constante desespero. Não me percebo, sinceramente.
Ando há dias cheia de dores, é verdade. É também compreensível que uma pessoa, por mais tolerante à dor que seja, esteja exausta e mal-humorada, sem paciência e pouco sorridente, a passar pelo que eu estou a passar, e que não é novidade, sejamos honestos.
O que não é aceitável é que tudo isto me ande a consumir a alma com sentimentos de "não é justo, estou farta disto, não mereço estas coisas", como se o merecimento algo tivesse a ver com os nossos infortúnios. Não há nada, porém, que seja mais verdade, que o facto de esta revolta se estar a avolumar tipo bola de neve a contaminar todos os setores da minha existência.
Estou revoltada contra a saúde, a profissão e o amor, num tudo-em-um que me sufoca com dedos transparentes e implacáveis, permanentemente fechados à volta do pescoço.
Ia eu hoje para uma reunião na escola, mais ou menos bem disposta, apesar de tudo, quando ouço o Pedro Abrunhosa com o seu sotaque do demónio a cantar "não desistas de mim" e, num flash, os últimos dezoito meses desaparecem e levo um murro no estômago que me tira o ar e me traz lágrimas em cascata cara abaixo: a mesma dor, o mesmo desespero, a mesma solidão, a mesma mágoa; tudo igual, durante longos minutos que pareceram a eternidade inteira, e a vontade quase irresistível de atirar o carro contra um sobreiro. E o quase lixa tudo, porque a coragem é nenhuma e parece que continuar a viver é um dado adquirido pelos genes, embora seja uma opção inútil e masoquista.
Ontem dizia ao DOC que ainda vou ser a primeira paciente dele a descobrir em terapia que o melhor é matar-se, embora saiba que tal não vai acontecer. Mas, se calhar, é mesmo inevitável tornar-me uma pessoa revoltada e irascível, verdadeiramente de mal com a vida, como todos acham que eu sou e, na verdade, nunca fui: houve sempre uma enorme parte do meu coração salvaguardada por uma quantidade muito saudável de ternura e sentido de humor, uma parte que de repente desapareceu, não existe mais.
E o facto de me encontrar mais uma vez doente, sem o amor que julgava pertencer-me por direito divino e humano, numa escola em que jamais verei qualquer tipo de mérito reconhecido pelas chefias, e sem hipóteses de mudança em qualquer uma das áreas referidas, faz-me achar, sinceramente, que não há rumo, nem sentido, em nada do que faça.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Labels
Detesto rótulos aplicados a pessoas. Ainda hoje uma encarregada de educação me falava disso em relação à filha, na mesma turma desde a pré-primária: professora, uma criança leva com um carimbo na pré e mantém-no até ao nono ano. Por mais que evolua, por mais que mude ou por mais que essa marca sempre tenha sido, desde o início, injusta.
Detesto preto e branco, detesto generalizações, detesto pressupostos, detesto preconceitos.
Detesto o rótulo que tenho, detesto que as pessoas me definam com uma ou duas palavras quando, eu própria, uso tantas e não me consigo definir devidamente.
Não nego, contudo, que palavras com fronteiras bem definidas dão uma sensação morna de segurança e que sou eu mesma, na cadeira do terapêuta, que o bombardeio com perguntas que pedem escolhas entre opostos: peço-lhe que me diga, por favor, sou depressiva, estou deprimida ou sou simplesmente preguiçosa? Sou boa pessoa ou sou idiota? Tenho uma autoestima fraca ou sou arrogante? Sou inteligente ou tão burra que nem sequer sei viver? E ele pergunta-me, sempre, se são apenas estas as opções ou se pode escolher outras. E recusa-se a responder. E eu resmungo contra os psiquiatras. E acabamos os dois a rir.
Não nego, contudo, que palavras com fronteiras bem definidas dão uma sensação morna de segurança e que sou eu mesma, na cadeira do terapêuta, que o bombardeio com perguntas que pedem escolhas entre opostos: peço-lhe que me diga, por favor, sou depressiva, estou deprimida ou sou simplesmente preguiçosa? Sou boa pessoa ou sou idiota? Tenho uma autoestima fraca ou sou arrogante? Sou inteligente ou tão burra que nem sequer sei viver? E ele pergunta-me, sempre, se são apenas estas as opções ou se pode escolher outras. E recusa-se a responder. E eu resmungo contra os psiquiatras. E acabamos os dois a rir.
Ontem o DOC abordou comigo um assunto particularmente difícil e doloroso. Às tantas, numa tentativa de simplificação, usou uma metáfora bem ilustrativa: há dois tipos de atitude, quando alguém está atrás de um volante de um carro descontrolado em direção a uma árvore... ou se resigna, encolhe os ombros e se deixa ir de encontro ao obstáculo, ou guina o volante, trava, volta a guinar, capota o carro e pode ir ou não de encontro à árvore, pode até morrer na mesma... ou não. Eu disse-lhe que achava que fazia parte do segundo grupo. E aí, ele surpreendeu-me. Disse-me que sim, que eu era dos que lutavam. Mas que era dos que lutavam na certeza, porém, de que essa luta não iria valer de nada e que iria, fatalmente, acabar estatelada na árvore. E que isso não era pessimismo intrínseco, era uma convicção absoluta, fruto de más experiências diversas e repetidas ao longo de uma vida inteira.
O meu problema, diz ele, não é falta de resistência, mas falta de fé. Diz que eu sou muito corajosa, porque luto em todas as frentes, apesar de estar convencidíssima de que tudo o que faça, por mais que tente, não vai adiantar nada nem mudar o que quer que seja na minha vida. E que essa é uma coragem que não faz sentido nenhum. Acreditando no que acredito, com a força com que acredito, seria muito mais natural que fosse suicidária. E não sou.
Será talvez mais difícil mudar de crenças que de atitude. E, ao que parece, não há nada de errado com as minhas atitudes. E isso, para mim, é a epifania de uma vida. E um medo novo, que agora ganha uma forma de contornos bem definidos, como um rótulo.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Ainda assim...
Amanhã tenho reunião de equipa de exames à hora que deveria ter terapia, por isso fui hoje, à hora de almoço. Claro que cheguei à escola com a cara costumeira pós-DOC, de olhos esbugalhados de boga congelada há mês e meio. E embora já ninguém possa aturar ninguém, houve um colega que me trouxe um gelado, porque eu estava com "cara de quem precisava"; e houve outra que me disse, "temos que cuidar mais de nós proprios e uns dos outros. Temo-nos esquecido disso. Que é que eu posso fazer por ti?". E isso compensa o facto de vir para casa ver o jogo sozinha, com uma telha descomunal.
3 escolas, 3 atitudes
Na minha escola antiga, à altura do Portugal-Dinamarca, está tudo em reuniões de avaliação.
Na escola da Mzinha, à altura do Portugal-Dinamarca, os professores estão todos na escola a ver o jogo.
Na minha escola atual, à altura do Portugal-Dinamarca, está tudo em suas casas, a ver o jogo.
Numa trabalha-se, noutra convive-se, na minha está tudo farto de trabalhar, tudo farto da escola e tudo farto uns dos outros. Depois de uma semana como esta, em que andou toda a gente a trabalhar de doze a catorze horas por dia com as mesmas pessoas, a sensação que eu tenho quando lá chego às oito da matina, é que dormi com eles. Logo, não me admiro mesmo nada que mal sejam horas, debande o professoredo todo em rebanho. Eu, inclusivamente, a balir satisfeita.
terça-feira, 12 de junho de 2012
sexta-feira, 8 de junho de 2012
E quando passa?
Ao contrário do que me costumam dizer, esta não é uma música de dor de corno, não. É muito mais triste que isso. É a melodia da ausência, quando tudo passa, até a mágoa. E sobra o vazio:
já passou,
desgastei,
para lá do fim.
É preciso partir,
é o preço do amor
para voltar a viver"
terça-feira, 29 de maio de 2012
Men
Quanto mais olho para o meu passado, mais o vejo desolador: mas que raio andei eu a fazer da minha vida amorosa tantos anos? Estou a rever as primeiras temporadas da Ally McBeal e identifico-me tanto com ela que ate dói. Hoje comentava isso na sala de profes e o rosto de uma colega minha iluminou-se: "É isso... eu sabia que me fazias lembrar alguém! Era viciada nessa série e, de facto, és tu!". E sou, tal e qual. Adorável, mas de poucos sorrisos. Super instável, mas fiel a si mesma. Magra demais. Em terapia. Super frágil, mas temida, e de resposta agressiva sempre pronta a saltar. E a vida amorosa dela... enfim. É pena é eu ser uma Ally McBeal uma década mais velha. Tivesse eu menos dez anos e, pelo menos, meia dúzia de erros colossais teriam sido evitados. Especialmente os últimos. às vezes, mais vale arrependermo-nos do que NÃO fizémos do que abrir certas portas que são verdadeiras caixas de Pandora. Por isso, só muito raras vezes uso a minha, e só quando me quero autoflagelar. Aprendi, pelo menos, a enterrar o passado e a não dar segundas hipóteses. São sempre erros a duplicar: esperar resultados diferentes com as mesmas premissas é sinal de debilidade mental e, se as minhas emoções continuam McBealianas, a minha mente anda clara como a água, desde que se trate de analisar erros e seguir em frente. Para corrigir testes e dar aulas já não posso dizer o mesmo.
sábado, 26 de maio de 2012
Eu e a terapia
Hoje sonhei que à última hora tinha que fazer de sereia numa ópera e na altura de me vestir e maquilhar ainda nem o guião tinha lido. E só pensava: com a memória com que eu ando, isto vai ser bonito, vai...
Como ando em terapia, interpretei o sonho de várias formas: ando em pânico com a minha falta de memória, stressada por nunca ter nada pronto a tempo e passo a vida a representar um papel que nada tem a ver comigo.
Concluindo, não faço a mínima ideia do que ando a fazer.
Como é que é?
Ontem dei comigo a dar tempo ao tempo num hipermercado desta zona. Percorri tudo com calma, estava praticamente vazio, e passei muito tempo na parte dos livros. Abri vários, e numa crónica do Eduardo Sá, numa obra nova sobre o amor, li o título "Todos nós somos infelizes". E eu, que ando de rastos, pergunto: ahn? Não era suposto um terapêuta tratar? Fazer com que cada um se relacione consigo e com os outros da forma mais saudável que o seu individualismo permite? Encontrar em si modos de satisfação, autoestima e realização pessoal? Não procuro um caminho para a tolerância das minhas misérias, procuro outro que as ultrapasse, quando são reais, e siga para um razoável bem estar. Todos nós somos infelizes? Shame on you Mr. Sá!
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Sinais dos Tempos
Sei que estou cota e vivo num país em crise quando os meus alunos adolescentes, em vez de se rirem de uma piada qualquer, dizem "LOL".
E finalmente percebo o que sentem aqueles que se estão perfeitamente nas tintas para o que lhes quero ensinar: é que quando eles, cheios de paciência, me tentam explicar o sentido de dizerem uma sigla estúpida em vez de darem uma gargalhada decente, eu imediatamente desligo... não percebo, nunca perceberei e nem quero perceber! How cool is that?
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Status do Gmail
"Feeling So Stupid"
In fact.
Ando numa daquelas semanas em que só sinto coisas parvas, só digo coisas parvas e só penso em parvoeiras.
E ando numa daquelas semanas em que toda a gente me cobra os atrasos no trabalho que não consigo ter pronto a tempo, porque não me consigo concentrar nem produzir durante um período de tempo razoável, que dirá suficiente.
E ando numa daquelas semanas em que me sinto um vulcão a entrar em erupção, e a minha consciênciia despeja baldes de água infinitos sobre os demónios das brasas e das chamas.
E ando numa daquelas semanas em que a minha cara é de fugir, mas só sou verdadeiramente insuportável comigo mesma.
Estou tão farta de cometer sempre os mesmos erros, por mais que tente cometer uns diferentes. Estou tão farta de ter que ir para a escola quando tudo o que me apetece é enfiar-me num buraco escuro e dormir, descansar, esperar que passe.
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