Amanhã tenho reunião de equipa de exames à hora que deveria ter terapia, por isso fui hoje, à hora de almoço. Claro que cheguei à escola com a cara costumeira pós-DOC, de olhos esbugalhados de boga congelada há mês e meio. E embora já ninguém possa aturar ninguém, houve um colega que me trouxe um gelado, porque eu estava com "cara de quem precisava"; e houve outra que me disse, "temos que cuidar mais de nós proprios e uns dos outros. Temo-nos esquecido disso. Que é que eu posso fazer por ti?". E isso compensa o facto de vir para casa ver o jogo sozinha, com uma telha descomunal.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
3 escolas, 3 atitudes
Na minha escola antiga, à altura do Portugal-Dinamarca, está tudo em reuniões de avaliação.
Na escola da Mzinha, à altura do Portugal-Dinamarca, os professores estão todos na escola a ver o jogo.
Na minha escola atual, à altura do Portugal-Dinamarca, está tudo em suas casas, a ver o jogo.
Numa trabalha-se, noutra convive-se, na minha está tudo farto de trabalhar, tudo farto da escola e tudo farto uns dos outros. Depois de uma semana como esta, em que andou toda a gente a trabalhar de doze a catorze horas por dia com as mesmas pessoas, a sensação que eu tenho quando lá chego às oito da matina, é que dormi com eles. Logo, não me admiro mesmo nada que mal sejam horas, debande o professoredo todo em rebanho. Eu, inclusivamente, a balir satisfeita.
terça-feira, 12 de junho de 2012
sexta-feira, 8 de junho de 2012
E quando passa?
Ao contrário do que me costumam dizer, esta não é uma música de dor de corno, não. É muito mais triste que isso. É a melodia da ausência, quando tudo passa, até a mágoa. E sobra o vazio:
já passou,
desgastei,
para lá do fim.
É preciso partir,
é o preço do amor
para voltar a viver"
terça-feira, 29 de maio de 2012
Men
Quanto mais olho para o meu passado, mais o vejo desolador: mas que raio andei eu a fazer da minha vida amorosa tantos anos? Estou a rever as primeiras temporadas da Ally McBeal e identifico-me tanto com ela que ate dói. Hoje comentava isso na sala de profes e o rosto de uma colega minha iluminou-se: "É isso... eu sabia que me fazias lembrar alguém! Era viciada nessa série e, de facto, és tu!". E sou, tal e qual. Adorável, mas de poucos sorrisos. Super instável, mas fiel a si mesma. Magra demais. Em terapia. Super frágil, mas temida, e de resposta agressiva sempre pronta a saltar. E a vida amorosa dela... enfim. É pena é eu ser uma Ally McBeal uma década mais velha. Tivesse eu menos dez anos e, pelo menos, meia dúzia de erros colossais teriam sido evitados. Especialmente os últimos. às vezes, mais vale arrependermo-nos do que NÃO fizémos do que abrir certas portas que são verdadeiras caixas de Pandora. Por isso, só muito raras vezes uso a minha, e só quando me quero autoflagelar. Aprendi, pelo menos, a enterrar o passado e a não dar segundas hipóteses. São sempre erros a duplicar: esperar resultados diferentes com as mesmas premissas é sinal de debilidade mental e, se as minhas emoções continuam McBealianas, a minha mente anda clara como a água, desde que se trate de analisar erros e seguir em frente. Para corrigir testes e dar aulas já não posso dizer o mesmo.
sábado, 26 de maio de 2012
Eu e a terapia
Hoje sonhei que à última hora tinha que fazer de sereia numa ópera e na altura de me vestir e maquilhar ainda nem o guião tinha lido. E só pensava: com a memória com que eu ando, isto vai ser bonito, vai...
Como ando em terapia, interpretei o sonho de várias formas: ando em pânico com a minha falta de memória, stressada por nunca ter nada pronto a tempo e passo a vida a representar um papel que nada tem a ver comigo.
Concluindo, não faço a mínima ideia do que ando a fazer.
Como é que é?
Ontem dei comigo a dar tempo ao tempo num hipermercado desta zona. Percorri tudo com calma, estava praticamente vazio, e passei muito tempo na parte dos livros. Abri vários, e numa crónica do Eduardo Sá, numa obra nova sobre o amor, li o título "Todos nós somos infelizes". E eu, que ando de rastos, pergunto: ahn? Não era suposto um terapêuta tratar? Fazer com que cada um se relacione consigo e com os outros da forma mais saudável que o seu individualismo permite? Encontrar em si modos de satisfação, autoestima e realização pessoal? Não procuro um caminho para a tolerância das minhas misérias, procuro outro que as ultrapasse, quando são reais, e siga para um razoável bem estar. Todos nós somos infelizes? Shame on you Mr. Sá!
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Sinais dos Tempos
Sei que estou cota e vivo num país em crise quando os meus alunos adolescentes, em vez de se rirem de uma piada qualquer, dizem "LOL".
E finalmente percebo o que sentem aqueles que se estão perfeitamente nas tintas para o que lhes quero ensinar: é que quando eles, cheios de paciência, me tentam explicar o sentido de dizerem uma sigla estúpida em vez de darem uma gargalhada decente, eu imediatamente desligo... não percebo, nunca perceberei e nem quero perceber! How cool is that?
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Status do Gmail
"Feeling So Stupid"
In fact.
Ando numa daquelas semanas em que só sinto coisas parvas, só digo coisas parvas e só penso em parvoeiras.
E ando numa daquelas semanas em que toda a gente me cobra os atrasos no trabalho que não consigo ter pronto a tempo, porque não me consigo concentrar nem produzir durante um período de tempo razoável, que dirá suficiente.
E ando numa daquelas semanas em que me sinto um vulcão a entrar em erupção, e a minha consciênciia despeja baldes de água infinitos sobre os demónios das brasas e das chamas.
E ando numa daquelas semanas em que a minha cara é de fugir, mas só sou verdadeiramente insuportável comigo mesma.
Estou tão farta de cometer sempre os mesmos erros, por mais que tente cometer uns diferentes. Estou tão farta de ter que ir para a escola quando tudo o que me apetece é enfiar-me num buraco escuro e dormir, descansar, esperar que passe.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Também os há assim
Dias em que te levantas inexplicavelmente bem disposta.
Toda a gente se queixou que os putos hoje estiveram impossíveis mas eu, caladinha, que não o confessei a ninguém, senti na pele que, vá lá saber-se porquê, também me andou, todo o santo dia, a fugir o espírito para a asneira. Tivesse eu tido uma tentação do demónio e tinha sido menina para passar a tarde em dolce fare niente, numa esplanada a beber uns belos copázios de algo fresco e, de preferência, alcoólico: é que me estava mesmo, mesmo, a apetecer uma companhia divertida e uns momentos de relax e disparate.
Como Deus protege os audazes, não houve tentação, e em vez disso tive uma reunião de Pedagógico e vim direta para casa, onde considero seriamente ir dormir uma sestinha antes de me agarrar à correção de testes. Antes assim, que hoje estou em modo de pura da loucura, o que costuma ter resultados tão agradáveis quanto catastróficos...
Como Deus protege os audazes, não houve tentação, e em vez disso tive uma reunião de Pedagógico e vim direta para casa, onde considero seriamente ir dormir uma sestinha antes de me agarrar à correção de testes. Antes assim, que hoje estou em modo de
domingo, 13 de maio de 2012
Where the stories come from
Infelizmente para o meu cão e todos os serial killers desta cidade, não sou bicho de rotinas. Sou bicho de impulsos. Gosto de rotinas, é verdade, mas não consigo manter nenhuma, com grande pena minha: não como a horas, não me levanto nem deito a horas, não trabalho a horas, enfim, sou uma grande desorganizada e, ainda assim, o meu DOC diz que me organizo muito bem, dado o meu feitio e as minhas circunstâncias. No entanto, continuo a achar que sou um caos, especialmente quando se trata de combinar coisas, nem que seja para essa mesma tarde, desse mesmo dia. Nunca sei qual a veneta que me vai dar, ou o fogo que terei que apagar.
Hoje tinha planeado ir ao supermercado pela fresca da manhã, e já só fui pela fresca da tarde. Gosto de ir ao supermercado quando está quase vazio, porque há lá perto um café onde aprecio sentar-me sozinha a beber a minha meia de leite, rodeada de velhas cuscas por todos os lados. As tipas, que me olharam desconfiadas das primeiras vezes que lá me viram entrar, já se habituaram à minha presença domingueira. Devem lá passar o dia, que as vejo lá sempre, seja a que horas me dê na cartola dar às caras.
A Alice Vieira disse, há pouco tempo, no Câmara Clara, que quando escrevia crónicas semanais e lhe dava uma branca, ia ao café e dizia "vou à rua buscar uma história". Posso enganar todos os serial killers desta cidade, mas jamais trocarei as voltas às velhas cuscas. E trago sempre histórias. Da vida dos outros, claro está. E de adultério, de preferência. Hoje soube de uma determinada senhora a quem pagam a renda e dão vinte euros ao dia. Isto apesar da dita ter um emprego, e de quem paga as contas ter uma mulher. Por enquanto. Ao que parece a legítima descobriu, está armada a escandaleira, o tipo foi corrido de casa com uma mão à frente e outra atrás e... a outra, agora, sem renda e sem vinte euros, ainda tem que o gramar lá em casa. Isto há coisas mesmo injustas!
Apontamento
Não sei o que se passou, e ao que parece ninguém sabe. A notícia já me chegou tarde, via blogger amiga, e recebi-a com incredulidade: tive, mesmo, que ir ler notícias de há uns dias atrás para que me descesse a crueza da realidade. Soube ontem, e fiquei com uma sensação desconfortável, de perda triste. Não como se o conhecesse, mas como se lhe devesse alguma coisa que nunca poderia retribuir, mesmo que ele vivesse ainda, e por muito tempo. Obrigada, Sassetti, por teres sido dos poucos artistas que me fizeram sair de casa para um espetáculo, quando tudo eram sombras na minha vida, e ficar feliz por tê-lo feito, em vez de me arrepender, como tantas outras vezes aconteceu.
Sunday sem Sundaes
Como sou muito procrastinadora, vai para anos que os domingos são, para mim, dias de trabalho. De há umas semanas para cá são dias de trabalho muito rentável, que a criança acorda-me às seis e meia da manhã e só sossega quando me passa o sono de vez, por volta das onze. Por esta hora, hoje, já tenho uma turma de testes vista, roupa a secar e loiça lavadinha, para além de dois passeios e muita brincadeira no lombo.
Apesar de me custar muito, os passeios antes das sete da manhã são os meus favoritos. Disfruto do fresco e do silêncio. O último passeio da noite, por vezes, deprime-me: vocês não fazem ideia do que é passear num bairro vazio e ouvir gente a discutir dentro de casa, crianças a chorar, adultos a resmungar. Parece que a noite acorda todos os fantasmas e desperta todas as tensões. Pergunto-me se este país não estará, mesmo, à beira de um ataque de nervos.
Esperei muito pelo homem que julgava ser para mim. Muito mais do que era suposto, esperei muito tempo após ele se ter ido de vez, e muito tempo depois de me convencer disso, o que só por si não foi de um dia para o outro. Depois, esperei mais tempo por um homem indefinido, sem face. Não por um qualquer, mas por um que me fosse suficiente. O suficiente não é, nunca, o bastante.
Agora, ao deambular pelas ruas à luz da lua, ouvindo sem querer as vozes exaltadas dentro de tantas casas, o bastante existe para mim. Sempre disse que quero é paz e sossego e, finalmente, acredito nas minhas próprias palavras. Há muito tempo que não me sinto só. E isso, para mim, é muito mais que suficiente, por isso, basta-me.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Trouble Maker, Trouble Solver
Sou um prodígio a meter-me em encrencas, nas chamadas fases Murphy. Fases em que tudo o que há para correr mal, corre mesmo. Sempre coisas sem gravidade, mas encadeadas umas nas outras, como as cerejas, e que, ao fim de um dia de trabalho, levam uma pessoa como eu ao desespero.
Hoje comemorava mentalmente o facto do meu horário marcado ter sido cumprido, e conseguir estar em casa a horas normais. Ainda bem que não gastei dinheiro em foguetes: depois de passear com o Chico, ia sentar-me ao computador e... tinha deixado o cabo do dito na escola. Ora a bateria já morreu vai para dois anos. Para ajudar à festa, o meu telemóvel está sem saldo, logo não havia hipotese de pedir a alguém que ainda lá estivesse para mo trazer.
Conformada com o facto de ter que fazer mais 40Km estupidamente, mal fecho a porta de casa, dou pela falta da chave da mesma. Tal não seria grave se a Mzinha não desse aulas hoje à noite. Bendito Facebook. Lá a consegui contactar de um dos computadores da escola e, felizmente, uma das colegas dela que mora na mesma cidade que nós ainda lá estava e trouxe-ma. Nisto se foi uma hora e meia da minha vida e toda a restante paciência que ainda sobrava. Isto porque, apesar de até nem ter corrido mal, e para ajudar à festa que já era de arromba, nos entretantos ainda levei com uma daquelas pessoas que não se tocam (toda a gente conhece alguém assim, e eu conheço várias, e normalmente aturo-as com delicadeza e paciência de Job), e aproveitam qualquer coisa que alguém diga para estarem tempos infinitos em monólogos infindáveis sobre a sua própria vida e as suas próprias experiências, que são sempre piores ou mais interessantes que as do resto do mundo. Se não fosse uma alma caridosa oferecer-me um cigarro, acho que desta vez teria sido mesmo desagradável. Com o cigarro, em vez de me dar a travadinha, entrei em modo passivo-agressivo e desliguei. Quando houve uma pausa no discurso, pirei-me da escola, recuperei a chave e agora, já em casa, considero a hipótese de ir respirar para dentro de um saco de papel.
Não há dúvida, contudo, que "practice makes perfect", e estou cada vez melhor e mais prática na resolução de problemas. Embora depois continue a precisar de me lamentar e de resmungar. Mesmo que seja por este meio e, cada vez menos, ao vivo e a cores.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Dois curtos apontamentos
... sobre o dia de hoje.
1 - À escala a que o Chico está a desenvolver um ódio visceral por todos os seres alados, no dia em que o meu Anjo da Guarda resolver, finalmente, aparecer para trabalhar, vai apanhar o cagaço de uma vida.
2- Depois da semana infernal que foi a última, hoje passei uma tarde que seria "livre" na escola, a trabalhar. Percebo agora o ar desanimado dos alunos quando eu insisto em escolher os membros dos grupos de trabalho, a fim de os equilibrar: é muito, mas muito, melhor trabalhar com pessoas de quem se gosta. A tarde passou-se razoavelmente bem graças aos meus dois companheiros de equipas que, convenhamos, o trabalho em si era daqueles tão aborrecidos quanto inúteis.
Adenda: O Chico ficou dez horas sozinho. Ainda está a recuperar do choque que foi ver-me entrar em casa. Não sei se de alegria ou de profunda revolta desapontada, esteve uns dez minutos a saltar-me ao pescoço (mmmm... à jugular?). Fomos à rua tomar duche, depois sequei-nos a secador e à vez, e agora, enquanto bebo um galãozinho quente, ele está aqui aos meus pés, a fingir-se de morto. (sim, que eu vejo-lhe o esterno peludo a mexer: pensam que não fui verificar?)
sábado, 5 de maio de 2012
A frio
Agora, quase uma semana passada sobre o assunto, vou finalmente pronunciar-me sobre ele, não porque lhe tenha dado mais importância do que merece, mas porque gerou certas considerações filosóficas da minha parte, umas sobre mim, outras sobre a condição humana.
Determinado "senhor", por motivos que são alheios ao caso, insultou-me e conseguiu mesmo ofender-me, quer oral e pessoalmente, quer por escrito. É pessoa que está excluidíssima do meu mundo, se excetuarmos a vertente profissional havendo, também aí, várias opções de diálogo.
Entre outros mimos, disse-me duas coisas que eu acho serem espelho de uma idiotia que anteriormente não lhe atribuía. E têm ambas a ver com a minha forma de estar e a minha forma de comunicar, a nível formal e informal.
Formalmente, em contexto profissional, diz que eu sou "uma boca aberta", que digo tudo o que me vem à cabeça, que isso só me prejudica, que ainda "não aprendi a calar-me". Diz isto porque é um cobarde e acha que dizer o que se pensa e ser contra as chefias, mesmo quando as chefias estão erradas e os nossos argumentos são válidós é "não saber estar calada". Temos pena, mas temos o complexo de Joana D'Arc. Lá na escola, toda a gente sabe que este senhor deixa os tintins à porta da escola e à porta de casa. Toda a gente sabe, e toda a gente comenta. Nas costas dele, bem visto. Quem nasceu para ser capacho acha que a honestidade é falha de caráter e de boas maneiras. Nasceu para ser subserviente. Tenho imenso respeito pelas hierarquias e enorme lealdade às chefias, o meu próprio terapêuta acha que são caraterísticas quase excessivas da minha personalidade. Mas tenho muito mais respeito e lealdade aos meus princípios e, no caso de ter opiniões formadas sobre determinado assunto, exponho-as, doa a quem doer. E quando dói, é comum que o povo ache que são fruto de impulsividade, simplesmente porque ninguém no seu juízo perfeito discorda abertamente de ditadores vingativos. Posso não estar no meu juízo perfeito, mas considero que não tenho nada que aprender, neste domínio. Os outros é que têm que deixar de ser hipócritas e fazer crescer uma espinha dorsal.
Informalmente, em contexto familiar, disse-me que o meu vocabulário não é "próprio de uma senhora". De facto, não é. Felizmente, há características bem mais importantes que definem uma senhora do que o seu vocabulário. Esse senhor, por exemplo, resolveu dissertar sobre a relação que ele julga existir entre o meu mau feitio e o facto de eu não ter companheiro. Isso parece-me de mau gosto e fraca educação, mais a mais quando os seus telhados não são de vidro, mas de cristal. Porque, assim de repente, prefiro ter mau feitio a um companheiro invertebrado, ou a um que me torne a mim sua criada. Logo aí, estou em clara vantagem.
E, finalmente, há uma coisa que, quem tem pedigree, educação, valores e atitude sabe fazer: assumir culpas. Um cobarde, para mim, digo sempre isto, é o pior dos escroques: passa por inocente, morde pela calada e atira as suas culpas para quem tem mais perto. Sai sempre bem visto, mas não tem qualquer valor. Por isso, é de consciência limpa, e toda a minha educação de princesa, que digo aqui, abertamente, e a frio, depois de pensar, ponderar e analisar, que quero que ele se vá foder.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Mudanças no ritmo
Fez ontem uma semana que trouxe o Chico cá para casa e pareço um zombie. Começo a compreender aqueles pais que desabafam com os diretores de turma "eu já não sei que lhe hei-de fazer", a referir-se aos filhos. Condescendentemente, os professores dão-lhes avisados conselhos e, depois, nas reuniões, julgam-nos e condenam-nos: "não os sabem educar e depois a gente que os ature". Pois. Mas se tiverem filhos tão teimosos e intratáveis como o Chico, que só se porta bem quando quer alguma coisa ou está podre de sono, e no restante tempo é teimoso que nem uma mula e só faz o que lhe dá na veneta, quer a gente se zangue, tenha pachorra para teimar com ele ou lhe dê umas valentes palmadas... que lhes resta? A mim não me restam muitas opções, a não ser esganá-lo, pegar-lhe fogo ou lhe dar uns valentes pontapés na cabeça até ele cair desmaiado com um fio de sangue a escorrer-lhe pelo focinho desafiador.
Hoje, depois de uma semana de gritos e puxões na coleira, e chapadas no lombo e no focinho, e esfregonas e castigos... a minha paciência está de tal modo por um fio que, depois de perguntar a um aluno o que significava determinada sigla que estava explícita no parágrafo anterior do texto que estávamos a analisar, à resposta dele de "não sei", lhe respondi, de imediato, num tom de voz imperturbável: "Olha, D., espero sinceramente que limpes o rabo melhor do que lês textos".
A turma toda, incluindo o D., que é adorável, desatou a rir incontrolavelmente, enquanto eu pensava que, felizmente, era a última aula da semana, que a coisa estava mesmo a descambar para o lado da minha sanidade mental, e que a minha sorte era dar aulas a um grupo de miúdos impecáveis que me conhece bem o suficiente para saber que nada do que eu digo é com intenção verdadeiramente insultuosa.
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