Agora, quase uma semana passada sobre o assunto, vou finalmente pronunciar-me sobre ele, não porque lhe tenha dado mais importância do que merece, mas porque gerou certas considerações filosóficas da minha parte, umas sobre mim, outras sobre a condição humana.
Determinado "senhor", por motivos que são alheios ao caso, insultou-me e conseguiu mesmo ofender-me, quer oral e pessoalmente, quer por escrito. É pessoa que está excluidíssima do meu mundo, se excetuarmos a vertente profissional havendo, também aí, várias opções de diálogo.
Entre outros mimos, disse-me duas coisas que eu acho serem espelho de uma idiotia que anteriormente não lhe atribuía. E têm ambas a ver com a minha forma de estar e a minha forma de comunicar, a nível formal e informal.
Formalmente, em contexto profissional, diz que eu sou "uma boca aberta", que digo tudo o que me vem à cabeça, que isso só me prejudica, que ainda "não aprendi a calar-me". Diz isto porque é um cobarde e acha que dizer o que se pensa e ser contra as chefias, mesmo quando as chefias estão erradas e os nossos argumentos são válidós é "não saber estar calada". Temos pena, mas temos o complexo de Joana D'Arc. Lá na escola, toda a gente sabe que este senhor deixa os tintins à porta da escola e à porta de casa. Toda a gente sabe, e toda a gente comenta. Nas costas dele, bem visto. Quem nasceu para ser capacho acha que a honestidade é falha de caráter e de boas maneiras. Nasceu para ser subserviente. Tenho imenso respeito pelas hierarquias e enorme lealdade às chefias, o meu próprio terapêuta acha que são caraterísticas quase excessivas da minha personalidade. Mas tenho muito mais respeito e lealdade aos meus princípios e, no caso de ter opiniões formadas sobre determinado assunto, exponho-as, doa a quem doer. E quando dói, é comum que o povo ache que são fruto de impulsividade, simplesmente porque ninguém no seu juízo perfeito discorda abertamente de ditadores vingativos. Posso não estar no meu juízo perfeito, mas considero que não tenho nada que aprender, neste domínio. Os outros é que têm que deixar de ser hipócritas e fazer crescer uma espinha dorsal.
Informalmente, em contexto familiar, disse-me que o meu vocabulário não é "próprio de uma senhora". De facto, não é. Felizmente, há características bem mais importantes que definem uma senhora do que o seu vocabulário. Esse senhor, por exemplo, resolveu dissertar sobre a relação que ele julga existir entre o meu mau feitio e o facto de eu não ter companheiro. Isso parece-me de mau gosto e fraca educação, mais a mais quando os seus telhados não são de vidro, mas de cristal. Porque, assim de repente, prefiro ter mau feitio a um companheiro invertebrado, ou a um que me torne a mim sua criada. Logo aí, estou em clara vantagem.
E, finalmente, há uma coisa que, quem tem pedigree, educação, valores e atitude sabe fazer: assumir culpas. Um cobarde, para mim, digo sempre isto, é o pior dos escroques: passa por inocente, morde pela calada e atira as suas culpas para quem tem mais perto. Sai sempre bem visto, mas não tem qualquer valor. Por isso, é de consciência limpa, e toda a minha educação de princesa, que digo aqui, abertamente, e a frio, depois de pensar, ponderar e analisar, que quero que ele se vá foder.