Hoje foi das 9.15 às onze e meia da noite. Amanhã é uma dose muito mais leve: das 9.15 às 20.45. Belo conforto. Só me apetece subir aos postes e apalpar o traseiro às lâmpadas. Estaria capaz de chorar se não tivesse a sensação de que fui atropelada por um camião TIR. E ja não me lembro de outro dia em que tenha tido tanto frio. Não estou gelada até aos ossos, isso é fácil, que estou a desaparecer a olhos vistos (agora o meu novo nick na escola é meia-dose... nice.), estou gelada até à alma. Que fase horrorosa.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
House
Mais do que a máxima "Everybody lies", a que me escapa a controvérsia de tão senso comum que é para todos menos os hipócritas, aquela que me custa mesmo, mesmo, a engolir (e nada de piadinhas ao meu esófago, se faz favor), é "people don't change". Infelizmente, hoje, estou muito certa disso. Ainda acrescentaria, nos meus tempos de ingenuidade, ao recusar este facto que tanto me dói, "ok, they may not change... but they can evolute". Hoje acho que não. Ok, House-1, Jade-0.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Dia dos Namorados
O melhor convite que me fizeram para a noite de S. Valentim que se aproxima reza assim: "olha, na terça depois da reunião metemo-nos no carro e vamos pelas ruas atropelar os casais de namoradinhos felizes à saída dos restaurantes!!!". Lindo, pá. Só isto me tiraria de casa com um frio polar.
Por outro lado, uma amiga minha que mora lá para trás dos calhaus, sugeriu que o fizéssemos naquela cidade que, no meu caso, sempre matávamos casalinhos que valessem a pena. Recusei o convite: deixai-os, a esses, lá estar, que a sua noção de felicidade é bem diferente da minha. Por outro lado, à razão com que enchem os restaurantes por aqui, eu e a minha amiga, mais um carro, faremos tantos pontos que subiremos vários níveis no nosso jogo preferido do momento: anti.loveVille, powered by zynga.
E sim, é verdade: com grande pena minha, mas sem que consiga já lutar contra isso por falta de força e de convicção, transformei-me em mais um cliché: o da encalhada de meia-idade seca e azeda. Temos pena, mas os homens a quem acho (alguma muito pouca) graça nem disponíveis estão. Resta-me ser ácida e ressabiada, que é o único direito que me assiste.
E sim, é verdade: com grande pena minha, mas sem que consiga já lutar contra isso por falta de força e de convicção, transformei-me em mais um cliché: o da encalhada de meia-idade seca e azeda. Temos pena, mas os homens a quem acho (alguma muito pouca) graça nem disponíveis estão. Resta-me ser ácida e ressabiada, que é o único direito que me assiste.
A mim ninguém me cala!
Ontem o dia acabou por correr tão, mas tão, mal que acabei por nem vir para aqui estrebuchar com o único momento em que me lembro de dar uma gargalhada sonora, daquelas que vêm da alma! Quase a acabar a sessão, o DOC diz-me, do nada: olha que para a semana não nos vemos mas eu vou ler o blogue. E eu, ahn? E ele, sim, vou ler o blogue, e nem sei que te faço se lá encontro a palavra xpto (não vou dizer qual é, que não se brinca com a pessoa que nos anda a mexer com os neurónios).
Pronto, eu não digo a tal palavra.
Mas não se escapa de eu denunciar publicamente aqui, neste espaço, que o meu terapêuta me insulta com palavras científicas que acha que eu não conheço, para depois querer emendar a mão, quando se apercebe que eu sou uma tipa cultíssima que percebe que está a ser achincalhada mesmo quando a linguagem utilizada é enciclopédica.
Isso é muito feio, sr. terapêuta, fique sabendo: isso é sonsice! (não sei se isto existe). Para a próxima vez, insulte-me mesmo com vocabulário do Norte, que eu nunca me ofendo. E BE AFRAID... que, como se provou, é muito difícil insultar-me sem eu dar conta.
(Já as chantagens, como pode ver, funcionam muito bem, que eu sou maluca, mas não sou parva, irra!)
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Trigo Limpo
Uma sucessão de pequenos contratempos logo pela manhã deixou-me com uma subtil ansiedade em relação ao resto do dia. Era para trazer o JadeMobile, optei por vir à boleia, pensando: má opção, assim não te podes mexer daqui para fora quando te apetecer ou der na veneta. O mau começo do dia não esperou muito para se materializar, foi logo à hora do pequeno-almoço, no bar. Já cá canta um ataque de fúria que só me apetece é partir a cara a muita gente.
Por causa das tosses, hoje não dou nem mais um minuto a esta escola. E vou faltar à formação de moodle, que também sou filha de Deus e a única, até agora, que nunca faltou.
Não, este sistema não merece que aqui passe a tarde toda a trabalhar para ir a uma formação que acaba já bem de noite. No way. Hoje que saia a fava a outro, que esta tansa vai para casa.
E depois ainda querem que eu ande bem disposta a pensar nas atividades de S.Valentim. Pois. Por mim, se o cupido queimasse as asas, caísse aos rebolões de uma nuvem bem alta e enfiasse a seta rabo acima... ainda era pouco!
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
fevereiro é o novo novembro
Superstição por superstição, fevereiro está agora no top do mês terribilis do ano. No ano passado, atirou-me para o divã do psiquiatra. Este ano, ainda estou para ver que opção me resta.
Sexto Sentido
O post anterior estava a adivinhar chuva. Reescrevendo o anteriormente dito: oxalá tivesse desaparecido da face da terra. Ontem, preferencialmente.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Happiness? Ok, right.
Já percebi, e levei três décadas e uns aninhos, que o conceito de felicidade, como diz o outro mentecapto, é coisa que não me assiste.
O de infelicidade, ou o conceito Inglês de "misery", também não. Não nasci nem para vítima nem para mártir.
Agora estou convencidíssima que a vida, a minha, quero eu dizer, sempre foi e será pura gestão de danos. Resta-me aceitar isso, o que não é fácil, e seguir em frente.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Vamos lá esquecer
que este dia existiu. Já só faltam três horas para ele acabar. Ainda agora vi um trailer do novo episódio da Grey, um magistral "what if?", e não pude deixar de o relacionar comigo. What if... all the shit that happens to me and that I just can't control... didn't?". Já nem falo das más opções. Só de toda a trampa que não depende de mim e que me cai em cima.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Sábado
Adoro Sábados, e se alguém me dissesse, como canta o Abrunhosa, "Gosto de ti como quem gosta de Sábados", sentiria estar a ser muitíssimo apreciada e valorizada.
Este fim-de-semana não fui a Lisboa, não achasse a minha mãe que eu fazia um maior esforço económico e físico para estar com o Chico que com ela. Verdade seja dita, precisava de estar em minha casa uns dias, entregar-me, devagarinho, às tarefas domésticas que detesto, mas que começo a entrar em stress quando passa demasiado tempo sem que as cumpra e, claro, ter disponibilidade para resolver uns quantos itens profissionais da lista do a-fazer.
Nos Sábados há tempo para tudo: para levantar cedo (o que para mim são as dez da manhã), para sair e ir tomar café, para matar o vício no facebook, e para ir pensando na vida, enquanto maquinalmente se cumprem lavagens de roupa na máquina, e coisas que metem aspiradores e esfregonas.
Não me sinto só. Não me sinto só e não percebo por que é que não estou alegre. Por que é que não me consigo livrar desta tristeza latente, quando tudo corre nos eixos e nem sequer lamento o que não tenho. Enquanto esfregava o lavatório, pensava (que eu sou muito erudita) no último episódio que vi da Grey, e no Dr Webber a dizer ao Karev: "tem cuidado, porque amanhã posso querer ensinar-te outra coisa nova". Para quem sabe do que estou a falar, é fácil perceber que tenha associado isto a uma frase que o meu orientador me disse há muitos anos, e que é uma citação não sei de quem: "quando o aluno está preparado, o professor aparece". Relacionando isto com o amor, por não me sentir sozinha nem carente, pode até ser que enquanto aluna esteja preparada para um novo mestre; acontece que não me apetece, mesmo nada, ser ensinada à maneira Webber. Not again, right?
E depois penso que, como sempre cresci em contato com pessoas self-centered, sempre fui um bocado o satélite dessas pessoas, adequando o meu humor ao seu humor e tentando passar despercebida sempre que sabia estar de trovoada. Pessoas que me perguntavam se estava bem e nem sempre esperavam pela resposta. Pessoas que prometiam mundos e fundos e dececionavam sempre. Pessoas que diziam, em tal dia, fazemos isto, e depois, quando chegava o dia tão aguardado, esqueciam-se ou tinham mais do que fazer.
Por isso cresci e desenvolvi-me a não ter grandes expetativas em relação a ninguém, mas também a fazer o resto do Mundo não as ter em relação a mim. A gente acaba por transformar-se um bocadinho nos exemplos que tem, certo?
Mas ainda dou comigo a sorrir, com ternura, da minha própria ingenuidade, quando acompanho com atenção alguém que, em troca, me pergunta se estou bem e não espera pela resposta. Ou que está tão habituado a ser sempre quem desabafa e quem tem ombro para chorar, que nem pergunta. Sorrio sem tristeza, porque considero positivo que parte do que fui em criança teime em não morrer, apesar da violência diária por que todos nós passamos.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
A Pérola
Em quase três anos de sala de professores nesta escola, hoje ouço uma pérola que compensa todos os tempos mortos que aqui já passei: "Ai, filha, eu sou casada há tantos anos que ele já nã' é mê marido... é mê avô!!!".
Tivémos todos um tal ataque de riso que agora olho à volta e só vejo gente de copo de vinho do Porto na mão. A formação moodle promete...
(suspiro)
Já consegui ir à farmácia buscar os comprimidos. Não foi fácil: ainda andei um bom bocado à procura do carro, antes de me lembrar que hoje vim de boleia. Entretanto, lá enfiei uma pastilha. À espera do efeito, estou aqui na sala de professores, muito sossegadinha, a rezar para passar despercebida e não me incluirem nas conversas parvas que por aqui vão acontecendo. Só por causa das tosses, já enfiei os fones nos ouvidos, com a Pink a lamentar-se "I don't believe you", que sempre está mais de acordo com o meu tom de pele.
Há dias em que custa um bocadinho mais do que o costume, acordar na mesma vidinha de sempre, enfiados na mesma cara, no mesmo corpo e nos mesmos raciocínios. Hoje estou desconfortável: meti a pata na poça e, embora esteja habituada a fazê-lo, ou exatamente por isso, fiquei especialmente "fragilizada", como diz uma amiga minha. Começam a enervar-me determinadas caraterísticas da minha personalidade que, por mais que tente, não consigo corrigir. Quando dou conta, já está: ou falei demais, ou perdi as estribeiras e gritei com a pessoa errada, ou cometi uma gaffe, ou fui desagradável sem intenção, ou abri a boca para falar Português claramente e as pessoas ouviram o meu discurso em Chinês.
Hoje a conversa ao almoço andou à volta de casamentos e relações, com o Russo a repetir a-praga-da-cigana de que este ano é a minha vez de aparecer na escola grávida, and so on, and so on. E, depois, pergunta-me: por que é que és tão contra isso? não queres ter filhos? Epá, não. A maternidade não é uma das minhas vocações, nem uma das minhas prioridades. Muitas amigas minhas tinham esse objetivo de vida, e se não tivessem arranjado um companheiro partiriam para uma produção independente. Not I. Para mim, muito mais importante que o filho que vou ter é o pai que lhe vou escolher. Sem um pai à altura, não há filho meu que nasça.
Fez-se silêncio à mesa do restaurante. Já me estava a sentir idiota o suficiente antes disso, depois então... completamente alien. Acho que devo ter sido criada por lobos, (raised by wolves, like Meredith) mas hoje sinto-me deficiente em feminilidade. Para além de falar como um carroceiro e de ter a sensibilidade de um calhau, não tenho instinto maternal. Queimem-me na fogueira, thank you very much.
Para evitar mais merdas, fones nos ouvidos, não me vá alguém perguntar se tenho namorado e por que não.
Sou fofinha, aguentem-se!
Só quem, como eu, já se esqueceu de aviar uma receita de antidepressivos a tempo, sabe o desconforto que a ressaca dá, um sono horroroso, tonturas e um mau humor de fugir: só te queres deitar (no sofá, na mesa da sala de professores, numa secretária da sala de aula, na calçada à frente da escola, - who gives a damn?) e dormir a perder de vista. Movida por uma força interior parecida com a de uma divindade (ch)alada, lá me pus a pé e vim trabalhar, com cara de deixem-me em paz ou corto-vos às postas. Por isso, a Coordenadora do Departamento de Expressões fartou-se de rir quando me viu espetar no placard um aviso manuscrito a canetas de feltro coloridas, com um enorme laço de cartão de Minnie, vermelho às pintas brancas, lá colado, e que começa com "CU-CU, Diretores de Turma!".
Sim, tenho muita dificuldade em estar de boa cara, mas gosto de dar um toque pessoal, de preferência humorístico, a tudo. (O Coordenador do Departamento de Ciências Humanas anda sempre a dizer que eu sou pirosa, e que as coisas pink são feias, e que as minhas Hello-Kitties são parvas e de mau-gosto, e tal e coiso, mas eu acho que ele tem é inveja! Pelo menos os meus DTs riem-se dos meus papelinhos, enquanto a equipa dele resmunga com todas as suas convocatórias. Rest my Case.)
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Não é a minha praia.
Hoje, no Doc, dou comigo a justificar o meu cansaço (tão recorrente que já dá ideia de ser crónico), a minha falta de energia para as tarefas mais corriqueiras e a minha inércia relativamente a tudo, mas sobretudo ao exercício físico, com a convicta frase "não é a minha praia: não me vou pôr por aí a correr, com'ós malucos". Ele só olhou para mim de determinada forma, e eu pus-me muito vermelha e estive a hesitar entre um ataque de riso e um corte nos dois pulsos, logo ali: é que o meu Doc corre que se farta e anda sempre metido em tudo o que é prova de triatlo e atletismo. Só eu, a chamar maluco ao terapêuta! Que desastrada! A expressão "querer morrer e não ter vagar" é soft para classificar o meu embaraço. Depois de lhe chamar maluco, cometer suicídio no gabinete do shrink ainda seria mais pé na poça... por isso, ri-me, e nem tentei justificar a gaffe, que seria, certamente, muito pior a emenda que o soneto. A gentileza, a ponderação e a diplomacia... estas qualidades é que, definitivamente, não são a minha praia! Arre!
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Once Upon a Time
Fui uma criança muito precoce em muita coisa: em deixar fraldas, em falar, em ler. Em contrapartida, o reverso da medalha é que sou uma adulta muito infantil também, em muita coisa, sobretudo a nível emocional. Deixei de acreditar no Pai Natal e no Coelho da Páscoa já tarde na vida. No Príncipe Encantado, então, deixei de acreditar há bem pouco tempo, menos de um ano. O meu mundo é muito mais triste desde que caíram os meus heróis, uns atrás dos outros, dos pedestais onde os tinha firmes e hirtos, desde sempre.
Durante muitos anos da minha vida, quando tudo o resto ruía, consolava-me com certa relação antiga, onde podia sempre regressar porque tudo tinha sido perfeito e as recordações eram doces. Perguntava-me muitas vezes o que faria se essa pessoa me batesse certo dia à porta, para me vir buscar (qualquer semelhança com o príncipe encantado que chega montado num cavalo branco e salva a princesa enclausurada numa torre alta e solitária não é pura coincidência...) e tremia por saber que o mais provável seria largar tudo e não olhar para trás. Sim, também tenho uma faceta imprevisível e impulsiva que segue sempre o coração, e é o meu lado mais meigo e carente (e também, inevitavelmente, o mais estúpido).
Depois, um dia, a cena deu-se. Ou melhor, aconteceu meio ao lado, de viés, como não podia deixar de ser, que a vida é irónica e muito cabra, pelo menos comigo. E eu, tal como na história imaginada, estive verdadeiramente pronta para largar tudo e ir. E ele, calmex, travão e marcha atrás no cavalo branco, e vamos antes deixar a vida como está que, mal por mal, a mudança dá trabalho e chatices, e é muito melhor ter paz e sossego que amor e uma cabana. Não vale a pena, não compensa, é complicado, é tudo muito complicado, duro e difícil.
Jamais as histórias de fadas terminam com "e viveram a sua vidinha sem complicações para sempre". Mas deviam. Talvez então eu conseguisse ainda acreditar em Príncipes Encantados e houvesse assim alguma cor no espírito esvoaçante que baila à minha volta, e a quem os comuns mortais chamam alma.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Era bonito, era...
Porque é que eu não sou rica?
Para começar, por falta de ambição. Dinheiro não é coisa que faça parte das minhas primeiras prioridades. Sou esquisita, eu sei. Houve quem dissesse que quem acha que o dinheiro não compra felicidade, faz compras no sítio errado: deve ser esse o meu problema. A verdade é que, antes de ser rica, quero ser muitas outras coisas que não vêm aqui ao caso.
Quero dizer que, se fosse ambiciosa e a minha luta fosse ter muito dinheiro, ainda assim, não me apanhavam nos concursos de televisão. E espero que alguém com o meu feitio, mas em busca de fortuna fácil, não se habilite a ir ao "ganha num minuto". Isto porque, em vez de vinte mil euros, sai de lá com um focinho de todo o tamanho, depois de berrar f*da-se! para Portugal inteiro ouvir e ir às trombas do Marco Horácio...
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