Superstição por superstição, fevereiro está agora no top do mês terribilis do ano. No ano passado, atirou-me para o divã do psiquiatra. Este ano, ainda estou para ver que opção me resta.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Sexto Sentido
O post anterior estava a adivinhar chuva. Reescrevendo o anteriormente dito: oxalá tivesse desaparecido da face da terra. Ontem, preferencialmente.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Happiness? Ok, right.
Já percebi, e levei três décadas e uns aninhos, que o conceito de felicidade, como diz o outro mentecapto, é coisa que não me assiste.
O de infelicidade, ou o conceito Inglês de "misery", também não. Não nasci nem para vítima nem para mártir.
Agora estou convencidíssima que a vida, a minha, quero eu dizer, sempre foi e será pura gestão de danos. Resta-me aceitar isso, o que não é fácil, e seguir em frente.
domingo, 29 de janeiro de 2012
Vamos lá esquecer
que este dia existiu. Já só faltam três horas para ele acabar. Ainda agora vi um trailer do novo episódio da Grey, um magistral "what if?", e não pude deixar de o relacionar comigo. What if... all the shit that happens to me and that I just can't control... didn't?". Já nem falo das más opções. Só de toda a trampa que não depende de mim e que me cai em cima.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Sábado
Adoro Sábados, e se alguém me dissesse, como canta o Abrunhosa, "Gosto de ti como quem gosta de Sábados", sentiria estar a ser muitíssimo apreciada e valorizada.
Este fim-de-semana não fui a Lisboa, não achasse a minha mãe que eu fazia um maior esforço económico e físico para estar com o Chico que com ela. Verdade seja dita, precisava de estar em minha casa uns dias, entregar-me, devagarinho, às tarefas domésticas que detesto, mas que começo a entrar em stress quando passa demasiado tempo sem que as cumpra e, claro, ter disponibilidade para resolver uns quantos itens profissionais da lista do a-fazer.
Nos Sábados há tempo para tudo: para levantar cedo (o que para mim são as dez da manhã), para sair e ir tomar café, para matar o vício no facebook, e para ir pensando na vida, enquanto maquinalmente se cumprem lavagens de roupa na máquina, e coisas que metem aspiradores e esfregonas.
Não me sinto só. Não me sinto só e não percebo por que é que não estou alegre. Por que é que não me consigo livrar desta tristeza latente, quando tudo corre nos eixos e nem sequer lamento o que não tenho. Enquanto esfregava o lavatório, pensava (que eu sou muito erudita) no último episódio que vi da Grey, e no Dr Webber a dizer ao Karev: "tem cuidado, porque amanhã posso querer ensinar-te outra coisa nova". Para quem sabe do que estou a falar, é fácil perceber que tenha associado isto a uma frase que o meu orientador me disse há muitos anos, e que é uma citação não sei de quem: "quando o aluno está preparado, o professor aparece". Relacionando isto com o amor, por não me sentir sozinha nem carente, pode até ser que enquanto aluna esteja preparada para um novo mestre; acontece que não me apetece, mesmo nada, ser ensinada à maneira Webber. Not again, right?
E depois penso que, como sempre cresci em contato com pessoas self-centered, sempre fui um bocado o satélite dessas pessoas, adequando o meu humor ao seu humor e tentando passar despercebida sempre que sabia estar de trovoada. Pessoas que me perguntavam se estava bem e nem sempre esperavam pela resposta. Pessoas que prometiam mundos e fundos e dececionavam sempre. Pessoas que diziam, em tal dia, fazemos isto, e depois, quando chegava o dia tão aguardado, esqueciam-se ou tinham mais do que fazer.
Por isso cresci e desenvolvi-me a não ter grandes expetativas em relação a ninguém, mas também a fazer o resto do Mundo não as ter em relação a mim. A gente acaba por transformar-se um bocadinho nos exemplos que tem, certo?
Mas ainda dou comigo a sorrir, com ternura, da minha própria ingenuidade, quando acompanho com atenção alguém que, em troca, me pergunta se estou bem e não espera pela resposta. Ou que está tão habituado a ser sempre quem desabafa e quem tem ombro para chorar, que nem pergunta. Sorrio sem tristeza, porque considero positivo que parte do que fui em criança teime em não morrer, apesar da violência diária por que todos nós passamos.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
A Pérola
Em quase três anos de sala de professores nesta escola, hoje ouço uma pérola que compensa todos os tempos mortos que aqui já passei: "Ai, filha, eu sou casada há tantos anos que ele já nã' é mê marido... é mê avô!!!".
Tivémos todos um tal ataque de riso que agora olho à volta e só vejo gente de copo de vinho do Porto na mão. A formação moodle promete...
(suspiro)
Já consegui ir à farmácia buscar os comprimidos. Não foi fácil: ainda andei um bom bocado à procura do carro, antes de me lembrar que hoje vim de boleia. Entretanto, lá enfiei uma pastilha. À espera do efeito, estou aqui na sala de professores, muito sossegadinha, a rezar para passar despercebida e não me incluirem nas conversas parvas que por aqui vão acontecendo. Só por causa das tosses, já enfiei os fones nos ouvidos, com a Pink a lamentar-se "I don't believe you", que sempre está mais de acordo com o meu tom de pele.
Há dias em que custa um bocadinho mais do que o costume, acordar na mesma vidinha de sempre, enfiados na mesma cara, no mesmo corpo e nos mesmos raciocínios. Hoje estou desconfortável: meti a pata na poça e, embora esteja habituada a fazê-lo, ou exatamente por isso, fiquei especialmente "fragilizada", como diz uma amiga minha. Começam a enervar-me determinadas caraterísticas da minha personalidade que, por mais que tente, não consigo corrigir. Quando dou conta, já está: ou falei demais, ou perdi as estribeiras e gritei com a pessoa errada, ou cometi uma gaffe, ou fui desagradável sem intenção, ou abri a boca para falar Português claramente e as pessoas ouviram o meu discurso em Chinês.
Hoje a conversa ao almoço andou à volta de casamentos e relações, com o Russo a repetir a-praga-da-cigana de que este ano é a minha vez de aparecer na escola grávida, and so on, and so on. E, depois, pergunta-me: por que é que és tão contra isso? não queres ter filhos? Epá, não. A maternidade não é uma das minhas vocações, nem uma das minhas prioridades. Muitas amigas minhas tinham esse objetivo de vida, e se não tivessem arranjado um companheiro partiriam para uma produção independente. Not I. Para mim, muito mais importante que o filho que vou ter é o pai que lhe vou escolher. Sem um pai à altura, não há filho meu que nasça.
Fez-se silêncio à mesa do restaurante. Já me estava a sentir idiota o suficiente antes disso, depois então... completamente alien. Acho que devo ter sido criada por lobos, (raised by wolves, like Meredith) mas hoje sinto-me deficiente em feminilidade. Para além de falar como um carroceiro e de ter a sensibilidade de um calhau, não tenho instinto maternal. Queimem-me na fogueira, thank you very much.
Para evitar mais merdas, fones nos ouvidos, não me vá alguém perguntar se tenho namorado e por que não.
Sou fofinha, aguentem-se!
Só quem, como eu, já se esqueceu de aviar uma receita de antidepressivos a tempo, sabe o desconforto que a ressaca dá, um sono horroroso, tonturas e um mau humor de fugir: só te queres deitar (no sofá, na mesa da sala de professores, numa secretária da sala de aula, na calçada à frente da escola, - who gives a damn?) e dormir a perder de vista. Movida por uma força interior parecida com a de uma divindade (ch)alada, lá me pus a pé e vim trabalhar, com cara de deixem-me em paz ou corto-vos às postas. Por isso, a Coordenadora do Departamento de Expressões fartou-se de rir quando me viu espetar no placard um aviso manuscrito a canetas de feltro coloridas, com um enorme laço de cartão de Minnie, vermelho às pintas brancas, lá colado, e que começa com "CU-CU, Diretores de Turma!".
Sim, tenho muita dificuldade em estar de boa cara, mas gosto de dar um toque pessoal, de preferência humorístico, a tudo. (O Coordenador do Departamento de Ciências Humanas anda sempre a dizer que eu sou pirosa, e que as coisas pink são feias, e que as minhas Hello-Kitties são parvas e de mau-gosto, e tal e coiso, mas eu acho que ele tem é inveja! Pelo menos os meus DTs riem-se dos meus papelinhos, enquanto a equipa dele resmunga com todas as suas convocatórias. Rest my Case.)
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Não é a minha praia.
Hoje, no Doc, dou comigo a justificar o meu cansaço (tão recorrente que já dá ideia de ser crónico), a minha falta de energia para as tarefas mais corriqueiras e a minha inércia relativamente a tudo, mas sobretudo ao exercício físico, com a convicta frase "não é a minha praia: não me vou pôr por aí a correr, com'ós malucos". Ele só olhou para mim de determinada forma, e eu pus-me muito vermelha e estive a hesitar entre um ataque de riso e um corte nos dois pulsos, logo ali: é que o meu Doc corre que se farta e anda sempre metido em tudo o que é prova de triatlo e atletismo. Só eu, a chamar maluco ao terapêuta! Que desastrada! A expressão "querer morrer e não ter vagar" é soft para classificar o meu embaraço. Depois de lhe chamar maluco, cometer suicídio no gabinete do shrink ainda seria mais pé na poça... por isso, ri-me, e nem tentei justificar a gaffe, que seria, certamente, muito pior a emenda que o soneto. A gentileza, a ponderação e a diplomacia... estas qualidades é que, definitivamente, não são a minha praia! Arre!
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Once Upon a Time
Fui uma criança muito precoce em muita coisa: em deixar fraldas, em falar, em ler. Em contrapartida, o reverso da medalha é que sou uma adulta muito infantil também, em muita coisa, sobretudo a nível emocional. Deixei de acreditar no Pai Natal e no Coelho da Páscoa já tarde na vida. No Príncipe Encantado, então, deixei de acreditar há bem pouco tempo, menos de um ano. O meu mundo é muito mais triste desde que caíram os meus heróis, uns atrás dos outros, dos pedestais onde os tinha firmes e hirtos, desde sempre.
Durante muitos anos da minha vida, quando tudo o resto ruía, consolava-me com certa relação antiga, onde podia sempre regressar porque tudo tinha sido perfeito e as recordações eram doces. Perguntava-me muitas vezes o que faria se essa pessoa me batesse certo dia à porta, para me vir buscar (qualquer semelhança com o príncipe encantado que chega montado num cavalo branco e salva a princesa enclausurada numa torre alta e solitária não é pura coincidência...) e tremia por saber que o mais provável seria largar tudo e não olhar para trás. Sim, também tenho uma faceta imprevisível e impulsiva que segue sempre o coração, e é o meu lado mais meigo e carente (e também, inevitavelmente, o mais estúpido).
Depois, um dia, a cena deu-se. Ou melhor, aconteceu meio ao lado, de viés, como não podia deixar de ser, que a vida é irónica e muito cabra, pelo menos comigo. E eu, tal como na história imaginada, estive verdadeiramente pronta para largar tudo e ir. E ele, calmex, travão e marcha atrás no cavalo branco, e vamos antes deixar a vida como está que, mal por mal, a mudança dá trabalho e chatices, e é muito melhor ter paz e sossego que amor e uma cabana. Não vale a pena, não compensa, é complicado, é tudo muito complicado, duro e difícil.
Jamais as histórias de fadas terminam com "e viveram a sua vidinha sem complicações para sempre". Mas deviam. Talvez então eu conseguisse ainda acreditar em Príncipes Encantados e houvesse assim alguma cor no espírito esvoaçante que baila à minha volta, e a quem os comuns mortais chamam alma.
domingo, 15 de janeiro de 2012
Era bonito, era...
Porque é que eu não sou rica?
Para começar, por falta de ambição. Dinheiro não é coisa que faça parte das minhas primeiras prioridades. Sou esquisita, eu sei. Houve quem dissesse que quem acha que o dinheiro não compra felicidade, faz compras no sítio errado: deve ser esse o meu problema. A verdade é que, antes de ser rica, quero ser muitas outras coisas que não vêm aqui ao caso.
Quero dizer que, se fosse ambiciosa e a minha luta fosse ter muito dinheiro, ainda assim, não me apanhavam nos concursos de televisão. E espero que alguém com o meu feitio, mas em busca de fortuna fácil, não se habilite a ir ao "ganha num minuto". Isto porque, em vez de vinte mil euros, sai de lá com um focinho de todo o tamanho, depois de berrar f*da-se! para Portugal inteiro ouvir e ir às trombas do Marco Horácio...
sábado, 14 de janeiro de 2012
Sobre a Maçonaria
O RAP disse agora, na Sic Notícias, tudo o que me tem passado pela cabeça a mim, que assumo conhecer alguns maçons que, por sua vez, não assumem publicamente sê-lo:
" Há duas coisas que eu não compreendo na Maçonaria: como é que um grupo que pugna pela igualdade e está aberto a todas as classes sociais e profissionais, e tem por nome Maçonaria, não conta com um único elemento trolha conhecido... e, se um antigo Grão-Mestre disse que o Maçon que usa a Maçonaria para fazer algum negócio deve ser... expulso, o final da sua frase deveria ser, e o Maçon que não usa a Maçonaria para fazer algum negócio deve ser... parvo."
Exatamente, Ricardo. Brilhantismo é isto. Só nos fazem de parvos até nós deixarmos, pois.
O Chico e eu
O meu cão é a coisa mais próxima que tive a um filho, até hoje. A Guida, sendo um gato, é muito independente desde pequena, já nasceu ensinada e sábia, elegante e equilibrada, já nasceu adulta. A mim, então, nunca deu trabalhinho nenhum, já que a minha mãe assumiu, desde o princípio, a responsabilidade de lhe dar as refeições e limpar o caixote.
O Chico é completamente diferente. É um emprego a tempo inteiro e só sossega tudo cá em casa quando ele adormece, exausto, não sem antes combater o sono com birras de cachorro interminaveis que vão desde dentadas, patadas e latidos até um cabecear acompanhado de rosnadelas. Exige vigilância constante, para não acabar com a nossa mobília, os nossos sapatos favoritos e, sobretudo, a nossa paciência de santas. Ainda não fez uma única cagadela na rua, porque se envergonha, mas não se envergonha de roer os jornais onde é suposto aliviar-se cá em casa, e deixar os presentes sempre, mas sempre, no chão da casa de banho. Depois vem-nos chamar, com um grande sorriso, para irmos limpar a cagadela e o jornal triturado em milhões de pedacinhos.
Ir à rua com o Chico é certeza de falar com muita gente desconhecida. Gente com e sem cães. Gente muito simpática que deambula por esta cidade que eu antes julgava ser tão impessoal. Gente que mete conversa, que pede para lhe pegar ao colo, que diz piadas, que se despede, muitas vezes, com a palavra "Felicidades!". Também temos conversado com muitos donos de cães, e alguns experts em treino e raças: no outro dia, um senhor alemão, quando viu que ele tinha pedigree, disse-me, com aquele sotaque caraterístico "tinhas que arranjar um cão alemão, nein?" e eu, pois, é pena é não trazer o gene da disciplina germânica, ja?
O Chico é muito, mas mesmo muito, parvo. Eu ando a convencer a minha mãe de que o gajo é débil mental, mas a avó está em negação e diz que ele é, apenas, "muito cachorrinho, ainda". Só que eu acho que Deus nunca concentra grande beleza e grande inteligência num único ser, e tenho que reconhecer que o meu cão é lindo de morrer. É um íman de pessoas de todas as idades. Desde crianças, a velhinhos, passando por tias, motards, universitários barulhentos, polícias super sérios e donos de lojas, tudo pára e sorri para se meter com ele, que salta, se deita de costas, e distribui trincas e lambidelas onde quer que acerte. É muito sociável, gosta muito de pessoas, tolera bem outros cães, embora lhes acabe com a pachorra em três segundos, e continua muito ofendido, sem perceber porque é que a Guida o odeia. É o problema das pessoas bonitas e cheias de autoconfiança: sente-se ultrajado, por não agradar a gregos e troianos, e ainda não tem maturidade suficiente para perceber que algumas gajas, sobretudo as mais independentes e interessantes, como a Guida, gostam deles... cultos e inteligentes.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Aniversário...
Continuo a receber presentes de aniversário! Hoje esteve cá o House que me ofereceu um livro super fixe do Klimt! Epá, se houvesse um botão de "gosto" na testa dos amigos, como há no facebook... iss'é que era! Andava sempre a distribuir belinhas! E já tinha saudades deste entra e sai de gente cá em casa. E já há mais combinações para a semana que vem. Outra clicada no botão virtual do "gosto"!
Apaziguamento
Hoje foi dia de Doc.
Depois do dia de ontem, em que, como aqui escrevi, andei fora de mim, tinha imensas coisas para lhe dizer hoje. Embora a minha má-disposição fosse fruto da anatomia feminina, a minha cólera latente tem, como é óbvio, motivos mais intrínsecos, por isso, quando ele me perguntou pelo trabalho, disse "tudo tranquilo" e avancei para assuntos mais prementes.
Ele deixou-me avançar na conversa e depois perguntou-me como era possível que no trabalho estivesse tudo em ordem, e eu disse-lhe que estou a tentar, e a conseguir, manter-me zen desde as férias do Natal, que foram uma benção para o meu cansaço acumulado. E que, citando uma amiga minha lá da escola "não me ia matar" por causa das ansiedades, paranóias e stresses de terceiros, nem ia envenenar-me mais com coisas que tinha para fazer para ontem e só apareceriam feitas para a semana, sem que mal nenhum ao mundo daí viesse. Ia retomar a abordagem dos meus outros stresses quando ele me disse que essa paz que eu de momento sentia, em relação à escola, era fruto de um conhecimento adquirido de que as coisas se fazem, e de que eu sou capaz de as controlar. A partir daí, não há quem venha de fora desinquietar-me o espírito ou contagiar-me com falsas urgências, mesmo que inconscientes. E que é essa confiança, de que sou capaz de lidar com as coisas que surgem a seu tempo, que me faz falta para resolver todos os outros problemas, mesmo que emocionais ou existenciais.
Foi uma conversa muito produtiva. Ontem dizia, ao jantar, aos meus amigos, que está instalado o drama nas escolas, e que o que as pessoas têm de fazer é desdramatizar e não entrar na paranóia coletiva, em que pais se envolvem em questiúnculas entre os filhos e se brigam por parvoíces adolescentes, metendo polícia e tribunais à mistura, e professores perdem o sono por causa de avaliações burocráticas e subjetivas, perdendo o objetivo fundamental do seu trabalho de ensinar, e colocando a produção de papeis à frente das suas aulas e dos seus alunos. Ponham-se, com calma, os pontos nos iis, trabalhe-se o que tem que ser sem medos, e reconheça-se que quem dá o que pode a mais não é obrigado.
Assim tenho que aprender a ser na intimidade. Não chego para todos. Gostaria de dar mais atenção a muita gente, mas não posso. Gostaria de ajudar mais a minha mãe, mas não tenho como. Gostaria de ajudar mais a Mzinha cá em casa, mas sei que ela não me deixará abusar e passar das marcas, por isso, por enquanto, vai sendo suficiente. Todos os dias arranjo novas culpas sem solução prática: ora o que não tem remédio, remediado está. Logo, a culpa é contraproducente. Há que agir o mais que se pode e seguir em frente aliviada de pesos. Se lá conseguir chegar, muito do caminho para o bem-estar estará percorrido. Muito disso passa por não deixar que terceiros me desconfortem com cobranças que não consigo pagar, ou manipulem sem que eu consiga resistir. Os terceiros continuarão sempre a tentar fazê-lo. Está em mim, e na minha confiança, não deixar que isso aconteça.
Mas que compensa...
Hoje estive, para dizer o mínimo, muitíssimo irritável. Por causa da condição feminina e do maldito TPM, tive que me controlar para não desancar na minha mãe ao telefone, e para transformar em humor as inúmeras explosões de cólera que me assoberbaram durante o dia, quer com os alunos, quer com os colegas. Estive impossível, e para eu dizer isto é preciso muito. Tudo me irritou, tudo me tirou do sério. Quando saí da escola, com um jantar combinado cá em casa, o que me apetecia era enfiar-me na cama e dormir.
Mas a boa comida e a boa companhia compensam sempre.
E dar uma sova no Buzz à Mzinha, na PSP3 que ela trouxe emprestada da irmã, também.
Não há como uma escapadela a meio da semana, entre risos e palavrões, para dar alguma cor a dias de sol sombrios.
P.S. Mais um vez, onde se lê "hoje", deverá ler-se "ontem", porque já passa da meia-noite.
P.S. Mais um vez, onde se lê "hoje", deverá ler-se "ontem", porque já passa da meia-noite.
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