quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A Pérola

Em quase três anos de sala de professores nesta escola, hoje ouço uma pérola que compensa todos os tempos mortos que aqui já passei: "Ai, filha, eu sou casada há tantos anos que ele já nã' é mê marido... é mê avô!!!".
Tivémos todos um tal ataque de riso que agora olho à volta e só vejo gente de copo de vinho do Porto na mão. A formação moodle promete... 

(suspiro)

Já consegui ir à farmácia buscar os comprimidos. Não foi fácil: ainda andei um bom bocado à procura do carro, antes de me lembrar que hoje vim de boleia. Entretanto, lá enfiei uma pastilha. À espera do efeito, estou aqui na sala de professores, muito sossegadinha, a rezar para passar despercebida e não me incluirem nas conversas parvas que por aqui vão acontecendo. Só por causa das tosses, já enfiei os fones nos ouvidos, com a Pink a lamentar-se "I don't believe you", que sempre está mais de acordo com o meu tom de pele.
Há dias em que custa um bocadinho mais do que o costume, acordar na mesma vidinha de sempre, enfiados na mesma cara, no mesmo corpo e nos mesmos raciocínios. Hoje estou desconfortável: meti a pata na poça e, embora esteja habituada a fazê-lo, ou exatamente por isso, fiquei especialmente "fragilizada", como diz uma amiga minha. Começam a enervar-me determinadas caraterísticas da minha personalidade que, por mais que tente, não consigo corrigir. Quando dou conta, já está: ou falei demais, ou perdi as estribeiras e gritei com a pessoa errada, ou cometi uma gaffe, ou fui desagradável sem intenção, ou abri a boca para falar Português claramente e as pessoas ouviram o meu discurso em Chinês.
Hoje a conversa ao almoço andou à volta de casamentos e relações, com o Russo a repetir a-praga-da-cigana de que este ano é a minha vez de aparecer na escola grávida, and so on, and so on. E, depois, pergunta-me: por que é que és tão contra isso? não queres ter filhos? Epá, não. A maternidade não é uma das minhas vocações, nem uma das minhas prioridades. Muitas amigas minhas tinham esse objetivo de vida, e se não tivessem arranjado um companheiro partiriam para uma produção independente. Not I. Para mim, muito mais importante que o filho que vou ter é o pai que lhe vou escolher. Sem um pai à altura, não há filho meu que nasça.
Fez-se silêncio à mesa do restaurante. Já me estava a sentir idiota o suficiente antes disso, depois então... completamente alien. Acho que devo ter sido criada por lobos, (raised by wolves, like Meredith) mas hoje sinto-me deficiente em feminilidade. Para além de falar como um carroceiro e de ter a sensibilidade de um calhau, não tenho instinto maternal. Queimem-me na fogueira, thank you very much.
Para evitar mais merdas, fones nos ouvidos, não me vá alguém perguntar se tenho namorado e por que não.

Sou fofinha, aguentem-se!

Só quem, como eu, já se esqueceu de aviar uma receita de antidepressivos a tempo, sabe o desconforto que a ressaca dá, um sono horroroso, tonturas e um mau humor de fugir: só te queres deitar (no sofá, na mesa da sala de professores, numa secretária da sala de aula, na calçada à frente da escola, - who gives a damn?) e dormir a perder de vista. Movida por uma força interior parecida com a de uma divindade (ch)alada, lá me pus a pé e vim trabalhar, com cara de deixem-me em paz ou corto-vos às postas. Por isso, a Coordenadora do Departamento de Expressões fartou-se de rir quando me viu espetar no placard um aviso manuscrito a canetas de feltro coloridas, com um enorme laço de cartão de Minnie, vermelho às pintas brancas, lá colado, e que começa com "CU-CU, Diretores de Turma!".
Sim, tenho muita dificuldade em estar de boa cara, mas gosto de dar um toque pessoal, de preferência humorístico, a tudo. (O Coordenador do Departamento de Ciências Humanas anda sempre a dizer que eu sou pirosa, e que as coisas pink são feias, e que as minhas Hello-Kitties são parvas e de mau-gosto, e tal e coiso, mas eu acho que ele tem é inveja! Pelo menos os meus DTs riem-se dos meus papelinhos, enquanto a equipa dele resmunga com todas as suas convocatórias. Rest my Case.)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Não é a minha praia.

Hoje, no Doc, dou comigo a justificar o meu cansaço (tão recorrente que já dá ideia de ser crónico), a minha falta de energia para as tarefas mais corriqueiras e a minha inércia relativamente a tudo, mas sobretudo ao exercício físico, com a convicta frase "não é a minha praia: não me vou pôr por aí a correr, com'ós malucos". Ele só olhou para mim de determinada forma, e eu pus-me muito vermelha e estive a hesitar entre um ataque de riso e um corte nos dois pulsos, logo ali: é que o meu Doc corre que se farta e anda sempre metido em tudo o que é prova de triatlo e atletismo. Só eu, a chamar maluco ao terapêuta! Que desastrada! A expressão "querer morrer e não ter vagar" é soft para classificar o meu embaraço. Depois de lhe chamar maluco, cometer suicídio no gabinete do shrink ainda seria mais pé na poça... por isso, ri-me, e nem tentei justificar a gaffe, que seria, certamente, muito pior a emenda que o soneto. A gentileza, a ponderação e a diplomacia... estas qualidades é que, definitivamente, não são a minha praia! Arre!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Once Upon a Time

Fui uma criança muito precoce em muita coisa: em deixar fraldas, em falar, em ler. Em contrapartida, o reverso da medalha é que sou uma adulta muito infantil também, em muita coisa, sobretudo a nível emocional. Deixei de acreditar no Pai Natal e no Coelho da Páscoa já tarde na vida. No Príncipe Encantado, então,  deixei de acreditar há bem pouco tempo, menos de um ano. O meu mundo é muito mais triste desde que caíram os meus heróis, uns atrás dos outros, dos pedestais onde os tinha firmes e hirtos, desde sempre.
Durante muitos anos da minha vida, quando tudo o resto ruía, consolava-me com certa relação antiga, onde podia sempre regressar porque tudo tinha sido perfeito e as recordações eram doces. Perguntava-me muitas vezes o que faria se essa pessoa me batesse certo dia à porta, para me vir buscar (qualquer semelhança com o príncipe encantado que chega montado num cavalo branco e salva a princesa enclausurada numa torre alta e solitária não é pura coincidência...) e tremia por saber que o mais provável seria largar tudo e não olhar para trás. Sim, também tenho uma faceta imprevisível e impulsiva que segue sempre o coração, e é o meu lado mais meigo e carente (e também, inevitavelmente, o mais estúpido).
Depois, um dia, a cena deu-se. Ou melhor, aconteceu meio ao lado, de viés, como não podia deixar de ser, que a vida é irónica e muito cabra, pelo menos comigo. E eu, tal como na história imaginada, estive verdadeiramente pronta para largar tudo e ir. E ele, calmex, travão e marcha atrás no cavalo branco, e vamos antes deixar a vida como está que, mal por mal, a mudança dá trabalho e chatices, e é muito melhor ter paz e sossego que amor e uma cabana. Não vale a pena, não compensa, é complicado, é tudo muito complicado, duro e difícil.
Jamais as histórias de fadas terminam com "e viveram a sua vidinha sem complicações para sempre". Mas deviam. Talvez então eu conseguisse ainda acreditar em Príncipes Encantados e houvesse assim alguma cor no espírito esvoaçante que baila à minha volta, e a quem os comuns mortais chamam alma.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Era bonito, era...

Porque é que eu não sou rica?
Para começar, por falta de ambição. Dinheiro não é coisa que faça parte das minhas primeiras prioridades. Sou esquisita, eu sei. Houve quem dissesse que quem acha que o dinheiro não compra felicidade, faz compras no sítio errado: deve ser esse o meu problema. A verdade é que, antes de ser rica, quero ser muitas outras coisas que não vêm aqui ao caso.
Quero dizer que, se fosse ambiciosa e a minha luta fosse ter muito dinheiro, ainda assim, não me apanhavam nos concursos de televisão. E espero que alguém com o meu feitio, mas em busca de fortuna fácil, não se habilite a ir ao "ganha num minuto". Isto porque, em vez de vinte mil euros, sai de lá com um focinho de todo o tamanho, depois de berrar f*da-se! para Portugal inteiro ouvir e ir às trombas do Marco Horácio...

sábado, 14 de janeiro de 2012

Sobre a Maçonaria

O RAP disse agora, na Sic Notícias, tudo o que me tem passado pela cabeça a mim, que assumo conhecer alguns maçons que, por sua vez, não assumem publicamente sê-lo:

" Há duas coisas que eu não compreendo na Maçonaria: como é que um grupo que pugna pela igualdade e está aberto a todas as classes sociais e profissionais, e tem por nome Maçonaria, não conta com um único elemento trolha conhecido... e, se um antigo Grão-Mestre disse que o Maçon que usa a Maçonaria para fazer algum negócio deve ser... expulso, o final da sua frase deveria ser, e o Maçon que não usa a Maçonaria para fazer algum negócio deve ser... parvo."

Exatamente, Ricardo. Brilhantismo é isto. Só nos fazem de parvos até nós deixarmos, pois.

O Chico e eu

O meu cão é a coisa mais próxima que tive a um filho, até hoje. A Guida, sendo um gato, é muito independente desde pequena, já nasceu ensinada e sábia, elegante e equilibrada, já nasceu adulta. A mim, então, nunca deu trabalhinho nenhum, já que a minha mãe assumiu, desde o princípio, a responsabilidade de lhe dar as refeições e limpar o caixote.
O Chico é completamente diferente. É um emprego a tempo inteiro e só sossega tudo cá em casa quando ele adormece, exausto, não sem antes combater o sono com birras de cachorro interminaveis que vão desde dentadas, patadas e latidos até um cabecear acompanhado de rosnadelas. Exige vigilância constante, para não acabar com a nossa mobília, os nossos sapatos favoritos e, sobretudo, a nossa paciência de santas. Ainda não fez uma única cagadela na rua, porque se envergonha, mas não se envergonha de roer os jornais onde é suposto aliviar-se cá em casa, e deixar os presentes sempre, mas sempre, no chão da casa de banho. Depois vem-nos chamar, com um grande sorriso, para irmos limpar a cagadela e o jornal triturado em milhões de pedacinhos.
Ir à rua com o Chico é certeza de falar com muita gente desconhecida. Gente com e sem cães. Gente muito simpática que deambula por esta cidade que eu antes julgava ser tão impessoal. Gente que mete conversa, que pede para lhe pegar ao colo, que diz piadas, que se despede, muitas vezes, com a palavra "Felicidades!". Também temos conversado com muitos donos de cães, e alguns experts em treino e raças: no outro dia, um senhor alemão, quando viu que ele tinha pedigree, disse-me, com aquele sotaque caraterístico "tinhas que arranjar um cão alemão, nein?" e eu, pois, é pena é não trazer o gene da disciplina germânica, ja?
O Chico é muito, mas mesmo muito, parvo. Eu ando a convencer a minha mãe de que o gajo é débil mental, mas a avó está em negação e diz que ele é, apenas, "muito cachorrinho, ainda". Só que eu acho que Deus nunca concentra grande beleza e grande inteligência num único ser, e tenho que reconhecer que o meu cão é lindo de morrer. É um íman de pessoas de todas as idades. Desde crianças, a velhinhos, passando por tias, motards, universitários barulhentos, polícias super sérios e donos de lojas, tudo pára e sorri para se meter com ele, que salta, se deita de costas, e distribui trincas e lambidelas onde quer que acerte. É muito sociável, gosta muito de pessoas, tolera bem outros cães, embora lhes acabe com a pachorra em três segundos, e continua muito ofendido, sem perceber porque é que a Guida o odeia. É o problema das pessoas bonitas e cheias de autoconfiança: sente-se ultrajado, por não agradar a gregos e troianos, e ainda não tem maturidade suficiente para perceber que algumas gajas, sobretudo as mais independentes e interessantes, como a Guida, gostam deles... cultos e inteligentes.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Aniversário...

Continuo a receber presentes de aniversário! Hoje esteve cá o House que me ofereceu um livro super fixe do Klimt! Epá, se houvesse um botão de "gosto" na testa dos amigos, como há no facebook... iss'é que era! Andava sempre a distribuir belinhas! E já tinha saudades deste entra e sai de gente cá em casa. E já há mais combinações para a semana que vem. Outra clicada no botão virtual do "gosto"!

Apaziguamento

Hoje foi dia de Doc.
Depois do dia de ontem, em que, como aqui escrevi, andei fora de mim, tinha imensas coisas para lhe dizer hoje. Embora a minha má-disposição fosse fruto da anatomia feminina, a minha cólera latente tem, como é óbvio, motivos mais intrínsecos, por isso, quando ele me perguntou pelo trabalho, disse "tudo tranquilo" e avancei para assuntos mais prementes.
Ele deixou-me avançar na conversa e depois perguntou-me como era possível que no trabalho estivesse tudo em ordem, e eu disse-lhe que estou a tentar, e a conseguir, manter-me zen desde as férias do Natal, que foram uma benção para o meu cansaço acumulado. E que, citando uma amiga minha lá da escola "não me ia matar" por causa das ansiedades, paranóias e stresses de terceiros, nem ia envenenar-me mais com coisas que tinha para fazer para ontem e só apareceriam feitas para a semana, sem que mal nenhum ao mundo daí viesse. Ia retomar a abordagem dos meus outros stresses quando ele me disse que essa paz que eu de momento sentia, em relação à escola, era fruto de um conhecimento adquirido de que as coisas se fazem, e de que eu sou capaz de as controlar. A partir daí, não há quem venha de fora desinquietar-me o espírito ou contagiar-me com falsas urgências, mesmo que inconscientes. E que é essa confiança, de que sou capaz de lidar com as coisas que surgem a seu tempo, que me faz falta para resolver todos os outros problemas, mesmo que emocionais ou existenciais.
Foi uma conversa muito produtiva. Ontem dizia, ao jantar, aos meus amigos, que está instalado o drama nas escolas, e que o que as pessoas têm de fazer é desdramatizar e não entrar na paranóia coletiva, em que pais se envolvem em questiúnculas entre os filhos e se brigam por parvoíces adolescentes, metendo polícia e tribunais à mistura, e professores perdem o sono por causa de avaliações burocráticas e subjetivas, perdendo o objetivo fundamental do seu trabalho de ensinar, e colocando a produção de papeis à frente das suas aulas e dos seus alunos. Ponham-se, com calma, os pontos nos iis, trabalhe-se o que tem que ser sem medos, e reconheça-se que quem dá o que pode a mais não é obrigado.
Assim tenho que aprender a ser na intimidade. Não chego para todos. Gostaria de dar mais atenção a muita gente, mas não posso. Gostaria de ajudar mais a minha mãe, mas não tenho como. Gostaria de ajudar mais a Mzinha cá em casa, mas sei que ela não me deixará abusar e passar das marcas, por isso, por enquanto, vai sendo suficiente. Todos os dias arranjo novas culpas sem solução prática: ora o que não tem remédio, remediado está. Logo, a culpa é contraproducente. Há que agir o mais que se pode e seguir em frente aliviada de pesos. Se lá conseguir chegar, muito do caminho para o bem-estar estará percorrido. Muito disso passa por não deixar que terceiros me desconfortem com cobranças que não consigo pagar, ou manipulem sem que eu consiga resistir. Os terceiros continuarão sempre a tentar fazê-lo. Está em mim, e na minha confiança, não deixar que isso aconteça.

Mas que compensa...

Hoje estive, para dizer o mínimo, muitíssimo irritável. Por causa da condição feminina e do maldito TPM, tive que me controlar para não desancar na minha mãe ao telefone, e para transformar em humor as inúmeras explosões de cólera que me assoberbaram durante o dia, quer com os alunos, quer com os colegas. Estive impossível, e para eu dizer isto é preciso muito. Tudo me irritou, tudo me tirou do sério. Quando saí da escola, com um jantar combinado cá em casa, o que me apetecia era enfiar-me na cama e dormir.
Mas a boa comida e a boa companhia compensam sempre.
E dar uma sova no Buzz à Mzinha, na PSP3 que ela trouxe emprestada da irmã, também.
Não há como uma escapadela a meio da semana, entre risos e palavrões, para dar alguma cor a dias de sol sombrios.

P.S. Mais um vez, onde se lê "hoje", deverá ler-se "ontem", porque já passa da meia-noite.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Belas palavras, fracas atitudes

Sempre fui uma pessoa de palavra(s). Gosto da verdade e da sinceridade e tento, por todos os meios, agir em coerência com as minhas convicções. Estou a ler uns livros de um terapêuta clínico que, entre outras coisas, falam da dificuldade que o ser humano tem em seguir os seus princípios. No vasto campo do que é a realidade, a moda agora é proclamar altos valores morais e éticos e agir optando pelos caminhos mais simples. A dificuldade, então, não é obedecer aos seus valores mais íntimos, mas fingir que eles são outros, os expectáveis, e disfarçar com arte e manha suficientes para convencer o resto do mundo de que somos, de facto, seres guiados por valores de bem.
No cerne de educações mais ou menos religiosas, o bem e o mal estão claramente definidos. Uma boa educação, sendo ela autoritária ou permissiva, quer-se bem consolidada no que diz respeito ao branco e preto. Os católicos, que conheço melhor, têm os famosos dez mandamentos. Outras religiões terão as suas regras, os seus pecados, as suas responsabilidades e obrigações perante o Ser Superior. Os descrentes deverão reger-se, quanto mais não seja, pelas leis do seu país, as regras da sua escola, a sua ética profissional, e a sua consciência cívica.
A vida, ao contrário da teoria, não é a preto e branco e está cheia de dilemas, que nos obrigam, muitas vezes, a proceder contra as nossas convicções em favor de um bem maior, quer este seja não ofender o próximo, manter o emprego ou um casamento, ou lutar pela pátria.
Isto eu entendo.
O que eu não entendo são nuances de cinzento nas coisas mesquinhas. Não percebo a manipulação, a mentira dita para se levar alguém a agir conforme os nossos desejos, a mentira dita para não assumir os erros já cometidos e identificados, a mentira dita a nós próprios e aos outros. E essas são as mentiras mais frequentes. As que são utilizadas para parecermos melhores do que somos quando só nos envergonham, porque acabam sempre por ser desmascaradas.
Nos tais livros, o terapêuta aconselha as pessoas a identificar atitudes e a não ouvir palavras. Esta é uma das grandes lições que dá a quem quer ser feliz, rodeando-se das pessoas mais parecidas consigo, em vez de fazer más escolhas vezes sem conta, sem aprender com os seus erros.
Eu, como sou uma pessoa de palavra(s), tenho muita dificuldade em separar águas, e deambular por um mundo em que as pessoas não são o que dizem ser. Mais do que reconhecer as fronteiras da minha auto-estima, percebo agora porque muita gente me identifica com uma pessoa que a tem fraca: é que eu assumo as minhas falhas bem mais facilmente, até, que as minhas qualidades. Eu sou quem digo ser, ou disso estou convencida. A diferença é que, num universo em que muita gente se acha mais do que é, eu tenho a tendência para achar que sou menos. Não por modéstia, mas por insegurança. E, depois, as minhas atitudes acabam por me definir um patamar acima. Por isso, acho tão triste que as atitudes da maioria das pessoas as acabe por definir vários patamares abaixo. Por isso, a partir de agora, vou mesmo tentar seguir o avisado conselho e fazer como os maridos fazem com as suas esposas de uma vida inteira: não ouvir 90% do que é dito, e olhar para os pormenores do que é feito.

Nesta ninguém acerta

O que faz Sôdôna Jade com a sua tarde livre, mas dando aulas de manhã e à noite a 20 km de casa?

a) Fica na escola, porque em casa não tem net, embora na escola não possa aceder aos jogos;
b) Vai para casa, e como está um dia lindo, resolve meter-se na cama e dormir a sesta, borrifando-se no dia lindo;
c) Vai para casa, e como está um dia lindo, aproveita para resolver assuntos pendentes no exterior, tipo fazer a inspeção do carro, ir ao banco, almoçar ao sol de Inverno, etc.;
d) Vai para casa, e como está um dia lindo, senta-se ao computador e trabalha para a escola, olhando o sol pela janela e suspirando;
e) Vai para casa, e como está um dia lindo, mas está com um telhado de fugir, senta-se no sofá e pensa na vida, auto-flagelando-se a pensar nas trezentas mil e duas coisas que tem por fazer e não lhe apetece, porque está um dia lindo que a sua culpa nao a deixa aproveitar.
f) Vai para casa e, como está um dia lindo, faz as malas, mete-se no carro e, a caminho de Lisboa, reza para que haja um lugar no próximo vôo para Nova Iorque;

E a resposta certa é a… c)!!!
Quem diria? Sobretudo num dia em que faltou um bocadinho danoninho para ficar na cama a curtir o cansaço e o sono, a má-disposição e a inércia?
Nesta, às sete e meia da manhã, nem eu acreditaria: todos os dias são hipóteses infinitas de opções.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Cair em (des)graça

A propósito de alguém com quem cortei relações no final do ano passado, dizia-me uma amiga que, quando pensa nisso e na forma como as coisas aconteceram, fica com ganas de insultar e agredir todo o tipo de pessoas que se comportam como a pessoa em questão se portou comigo. Eu ri-me. Outra disse-me, sobre determinado comentário meu àcerca do mesmo assunto “não há nada como cair em desgraça… e essa queda foi mesmo de focinho na lama, bolas!”. E eu ri-me. Porque, de facto, foi mesmo. Foi no pior dos timings, da pior das formas e pela pior das razões.
No entanto, foi a prova provada que a menina que iniciou um processo de terapia psicológica em março, já não existe. Sempre fui uma pessoa de valores bem definidos. Nada de ver o mundo a preto e branco, mas em certos casos, quase. Sempre fui, apesar disso, facilmente impressionável e muito mais sensível a grandes deceções. Cada uma era uma facada que deixava cicatrizes profundas. Deixei de falar a várias pessoas, ao longo da vida. Nunca, mas nunca, voltei atrás nestes cortes radicais, porque não foram impensados nem impulsivos, embora tenham sido sempre estranhados e criticados por terceiros.
Desta vez, a diferença é que a cicatriz é nenhuma. Não me apetece chorar, pelo contrário, muitas vezes dá-me vontade de rir: da sorte que tive, num determinado dia de novembro, em que o acaso me ofereceu de presente a verdade, e corroborou suspeitas que duraram anos e foram sempre tratadas com o desprezo de quem dizia ser eu portadora de manifesta doença da mania da perseguição. E depois, há outra coisa, depois do closure, para além de algum asco, que há-de passar, há a certeza de que tudo está onde devia, que há pessoas que fazem mais sentido com outras da mesma espécie, e nenhuma comigo. Não lhes desejo felicidade nenhuma, porque a hipocrisia é coisa que não me assiste, mas agradeço com sinceridade a felicidade que me trouxeram, quando optaram por outro caminho e me deixaram em paz para ser mais livre no meu.
E o riso sai-me naturalmente, e sem vontade de insultar nem agredir ninguém. Cada um tem, exatamente, o que merece, e quando é assim, eu, que adoro o princípio da justiça, não tenho nada do que me queixar.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sou generosa...

... e parece que isso não é muito comum.
Hoje o Doc disse-me que, por lhe levar um livro que li de uma só penada (e por isso só dormi três horas), para lhe emprestar, para além de também já lhe ter dado a conhecer umas cápsulas de óleo de peixe que me fazem muito bem, quando estou em condições de as engolir, que são do tamanho de bolas de canhão e eu sou estreita de canos, disse-me, então, que me ia nomear sua adviser (advisor? agora não me apetece ir verificar como é que esta cena se escreve), porque gosto de partilhar truques e receitinhas, leituras e coisas que vou encontrando, por acaso, e resultam comigo, e me fazem bem. Às vezes tenho receio de ser um bocado inconveniente e que ele ache que me estou a meter onde não sou, de todo, chamada.
Mas fiquei a pensar nisso. Pelos vistos, não é muito frequente que os pacientes do Doc lhe sugiram leituras e lhe apresentem medicamentos. Ou tenho a mania que sou boa, ou sou muito generosa... ou as duas coisas.

As agruras da maternidade

Nas férias de Natal, passei as noites a acordar de três em três horas para limpar xixis e cagadelas de cão, e brincar com ele uma hora inteira para que não ladrasse e acordasse os vizinhos. Fi-lo com todo o prazer, e não acusei de todo o toque do cansaço, embora seja, eu própria, amiga de muito sono, pelo que depreendo que o fedelho deva sair ao pai.
Chato é que agora, no início de um segundo período que promete ser de trabalho e stress intensos, venho para a cidade de deus deixando o filho com a avó, e as minhas noites são iguais, sem a parte dos xixis, das cagadelas e das brincadeiras: acordo de três em três horas, não volto a adormecer facilmente e não consigo ter sono antes da madrugada. Se o ritmo se mantiver, não tarda estou com uma depressão pós-parto.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Tell me what's new besides the year

Entre deitar e levantar cedo, cumprir escrupulosamente a minha lista diária de tarefas (que hoje incluía pendentes da escola, tarefas domésticas, compras, lavar carro e marcar esteticista), alimentar-me como deve ser e ir ao ginásio, cumpri... tcharan... 1,5!!! (em 23)

Ano Novo: 1
Jade: 0

vou acrescentar um último item à minha lista de resoluções de Ano Novo:
  • CUMPRIR lista de resoluções de Ano Novo.
(suspiro)