terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Desta vez tive sorte...

À saída do hipermercado hoje, o meu telemóvel começou a tocar. Claro que quando lhe peguei, depois de alguns palavrões que metiam malas de gajas à mistura, a Mzinha já tinha desligado. Não retribuí a chamada, que tinha falado com ela uns minutos antes, a desafiá-la para um café numa esplanada, e ela não estava ainda despachada. Pensei "já chegou a casa e quer saber onde ando".
Quando cheguei, nada. Chegou uns momentos depois:"dei-te um toque", e eu, "pois, eu vi". E ela "quando saíste do Modelo eu estava numa das caixas a pagar. Mas olhaste para mim, com aquele ar de "não te estou a ver, que não quero ver ninguém e detesto esta cidade onde toda a gente se conhece"... e foste-te embora.
Claro que não a vi. E desta vez tive sorte, ou seria mais uma a chamar-me mal-educada por tudo o que é tasca ou cabeleireiro desta Cidade de Deus.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Duques e cenas tristes

Depois de um fim-de-semana em que pouco me mexi, se não considerarmos os passos que vão da sala à cozinha, tinha que haver uma epifania qualquer, visto que, além de mover o dedo para mudar de canais ou clicar no mahjong, também mexi neurónios. E demais, que quando estou com a neura a minha cabeça é tipo whirlpool: quanto mais quieta estou, mais viajo dentro do poço.
Já fiz muitas cenas tristes justificadas por aquilo a que pomposamente um dia chamei amor: cenas embaraçosas, deprimentes e decadentes, género novela venezuelana do piorzinho. Já fiz e claro que hoje me arrependo. Às vezes, até me rio de mim própria, "onde é que estavas com a cabeça, were you out of your mind???", ao mesmo tempo que me benzo agradecida por muito poucos terem testemunhado os meus momentos de desvario, que os meus amores são raros e, dadas as minhas tristes figuras, valha-nos isso.
Só que fiquei a pensar: será isto uma total falta de auto-estima? Ou será auto-estima a mais? Veio-me assim, esta pergunta, tipo Carrie Bradshaw ao computador. Se não, vejamos. Humilhei-me, pois foi. Implorei, argumentei, chorei. Acho que num dos casos, até solucei. (!!!) Fiz, portanto, de tudo um pouco. Mas será que foi por querer alguém que já não me queria, por achá-lo tão melhor que eu, que só me minimizando ao infinitamente pequeno teria uma hipótese? Será que foi rastejar, perder o limite do digno? Ou será que foi por achar que sou tão boa, mas tão boa, que uma rejeição não só era incompreensível como fazia do meu príncipe encantado o maior sapo do Mundo?
Ainda hoje acredito que as pessoas que me rejeitaram estariam bem melhor comigo. Só que hoje já acredito que estou eu bem melhor sem elas. E muito sinceramente... acho que isto responde à minha própria pergunta.

Got a Life... and now what?

Quando ter uma vida é ter uma vida completamente estúpida, olha, mais vale ser acusada de não ter nenhuma e ir gozando. Estou farta do casa-trabalho. Estou tão fartinha que, em casa, pouco mais faço que dormir. E até podia achar que o sono é indício de depressão, mas não é aquele sono de "levantar-me para quê?", não. É o sono de andar todo o dia a abrir a boca, deitar-me e adormecer instantaneamente e dormir horas a fio seguidas. E depois, levantar-me, e passada uma horita estar outra vez a bocejar.
Não é depressão. Deve ser tédio.
Ando entediada e preciso de mudar de vida, já que só ter uma não chega.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Dias de Tempestade

Não vou falar do tempo, nem daquele filme antigo com a dupla Cruise / Kidman.
Não sei se é geral, mas por estes tempos, as escolas do meu distrito passam por dias de tempestade. Agora que os ânimos serenaram entre a grande maioria dos professores e o sistema vigente no nosso ministério, parece que são os alunos que resolveram começar a dificultar a vida nas nossas escolas. Andam passadinhos de todo.
A escola em que dou aulas e a escola da Mzinha são escolinhas de vila, pequeninas, com poucos alunos por turma e ambiente familiar. Os miúdos são provincianos, no que isso tem de bom. São miúdos, levam-se quase sempre a bem, sem stress, gritaria, expulsões da sala de aula ou confrontos directos. Um erguer de sobrancelha ou uma resposta mais ríspida mantêm as aulas sob controle, salvo raríssimas excepções que nem conselhos disciplinares justificam. Não será o paraíso, mas quando comparado com outras realidades, para lá caminhará.
Ultimamente, contudo, parece que os adolescentes do distrito endoideceram. Na minha escola, só fazem asneiras. Fora das aulas, é certo, mas às vezes dentro do espaço escolar, e muitas vezes fora deste. Começa a ser preocupante a propensão para a asneira, e alarmante a tendência para a violência, o bullying, a crueldade, a intolerância, o insulto.
Começa a ser demasiado frequente ouvir histórias de outras escolas em que esta violência é exercida pelos mais velhos aos mais novos, ou aos mais fracos. Começa a ser frequente, e grave, ouvir histórias de violência verbal e ataques físicos de alunos a funcionários e professores. E começa a ser demasiado frequente ouvir histórias de impunidade total em relação a alunos que só o são por haver uma inscrição formal na secretaria da escola: seres que são tudo menos alunos, fazem tudo menos estudar, comportam-se de forma selvagem em todas as circunstâncias, faltam às aulas ou lá vão apenas para provocar colegas e professores, não têm um mínimo de respeito pelo próximo e aproveitam o caos a que chegaram as escolas para serem, apenas, uma cambada de marginais à solta no meio de crianças assustadas e continuamente abusadas, violentadas, assaltadas e aterrorizadas.
Pergunto: onde é que nós estamos quando o ensino público se tornou, em muitos casos, um ATL de parasitas? onde é que nós estamos quando uma grande maioria de jovens com valores não quer ir à escola com medo de colegas que lá andam obrigados por um sistema que não os castiga por incumprimentos graves e ainda lhes passa a mão pelo pêlo a bem de uma inclusão absurda? É isto uma política social? É isto dar oportunidades a quem não as tem, ou é, pelo contrário, tirar oportunidades a quem as aproveitaria e teria todo o sucesso do mundo num ambiente são?
Venham medidas disciplinares como deve ser. Abram-se excepções à escolaridade obrigatória, quando esta serve como desculpa para encher salas de aula com seres que, sem exagero, seriam passíveis de procedimento criminal em qualquer parte do mundo civilizado. E, por amor de Deus, dêem-se oportunidades a quem as merece de facto.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Violência Verbal

Uma das minhas bloggers favoritas deve achar que não a suporto. Não é verdade, mas apesar de escrever bem que se farta, a moça tem, muitas vezes, ideias contrárias às minhas. Às minhas hoje em dia, que quando tinha a idade dela era igualzinha, sem tirar nem pôr. Mas há coisas que só se aprendem com a idade. (Agora é a Shadow que se vai atirar ao ar, mas não estou muito preocupada com a minha boa fama no Mundo Blogger, nem no outro, por sinal, e com a Shadow entendo-me eu bem que a conheço e me conhece...oooops, outro tabu, adiante!)
A idade e a experiência são boas conselheiras quando toca a radicalismos e fundamentalismos absurdos. A adolescência é a idade de todas as dúvidas. O estado adulto jovem, o de todas as certezas. A partir daí, a maravilha do meio termo, aquela visão cinzenta de um mundo que deixa de ser a preto e branco. E que, se assim não for, se não for uma paleta de cinzentos a perder de vista, nos torna infelizes, desajustados e completamente inúteis, como Quixote de espada em riste contra moinhos de vento.
Meus senhores, mantenhamos os nossos valores éticos. O que é ético é pessoal. Mas deixemo-nos de moralismos. A moral é social, é impingir aos outros o que achamos certo para nós. E os outros são isso mesmo, outros. De vivências, experiências, sentires e pensares diferentes. E, na maioria dos casos, igualmente válidos.
Quem não concorda comigo não é cretino, nem imbecil. É diferente. Embora possa ser diferente, apenas, porque ainda não cresceu, viveu, e/ou viu o suficiente para ser mais tolerante.
Tenho é pena de, eu própria, ainda não ter crescido, vivido e visto o suficiente para conseguir expressar as minhas opiniões sem um quê de violência verbal, que possa ser levada a mal por pessoas que nunca me viram na vida.

Um dia de cada vez

Ultimamente, tenho-me dedicado a enumerar os sucessos do dia naquele breve instante, entre o sonho e a realidade, em que adormecemos. Não têm sido muitos, mas tendo em conta todos os "apesares de", com que começo as frases hipnóticas, não está mau. Apesar do sono, tenho cumprido tarefas; apesar do cansaço, tenho dado boas aulas; apesar do stress e da ansiedade, tenho tirado algum tempo só para mim. E assim sucessivamente.
Um dia de cada vez, tenho evitado ataques de pânico e fugas para a frente. Isso vai ser a primeira vitória da lista do dia de hoje, quando estiver quentinha, e com aquela sensação de estar a deixar o corpo e a mergulhar no véu escuro do inconsciente.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Hilariante, digo eu

Talvez por gostar tanto de um como de outro (estou a falar do Horatio Caine do CSI Miami, o mais fraquinho dos três CSI, se me pedirem a opinião, e do Jim Carrey, um daqueles actores do humor das caretas e das pantomimas que eu detesto), ou seja, pouco mais que nada, achei um mimo este vídeo. Tenho que dar a mão à palmatória: Jimmy, honey, estiveste bem!

Karma

Eu não desejo mal a ninguém... mas só por medo supersticioso que o que desejo aos outros me caia, depois, em cima.
(agora que não fico com pena de ninguém que já me tenha feito mal, confesso, não fico)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Na Lista Branca

Na primeira aula da manhã, discutia-se a publicidade à fast food e a influência que ela tem na educação das crianças e dos jovens. À expressão "over the last twenty-five years", gracejei com os miúdos do oitavo ano, dizendo "that's my age, what a coincidence...".
Muito sério, pergunta-me o Sérgio, ó professora, isso quer dizer que daqui a onze anos já posso ter um curso e estar a dar aulas? e eu, feita parva, que idade é que tem? e ele, com naturalidade, catorze. E eu, ainda a dormir, a fazer contas... espere lá, está a dizer-me que acreditou que eu tenho 25 anos? E ele, de olhos muito abertos... claro!
Passou de imediato para a minha lista branca. E, se não estava na negra, estava na cinzenta bem escura...
(depois tranquilizei-o dizendo-lhe que sim, que aos 25, se tudo correr bem, já pode estar formado e a dar aulas... eu estava.)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Relativizando...

As quartas-feiras são o último dia da semana em que entro mais tarde, por ter horário da noite às terças. Ontem adormeci tardíssimo, e quando me sentei no carro hoje, a bater as dez da manhã, nem sequer ia mal-disposta.
Claro que o noticiário da rádio me pôs logo doente, com o horror que se passou no Haiti. E o medo, que me tem perseguido desde o nosso tremor(zinho) de terra de há umas semanas, regressou. Na altura, comecei a ligar a queda da falésia no Algarve este Verão, as quebras de energia cá na cidade, cada vez mais frequentes, o tempo que parece maluco ultimamente, os polvos a dar à costa às centenas, enfim, tudo, a um mau presságio em geral.
Não me sinto segura, confesso. Detesto profetas da desgraça, abomino teorias esotéricas New Age, não suporto aqueles mails tipo corrente "serás infeliz nos próximos três séculos" se não enviares isto a 384638499 pessoas; odeio, acho mesmo ridículo e, no entanto, acabo por ser sensível a tudo isto. Não é que cumpra, não é que obceque, mas fico sempre com um receio irracional. A isso chama-se superstição, que é a coisa mais idiota que existe à face da terra, e mete rituais parvos, alguns hilariantes de tão ridículos, e eu desprezo o ridículo.
Mas, repito, a minha parte animal anda desassossegada, com um medo plácido mas constante, uma sensação parva, não de premonição, mas de desagradável expectativa.
E resta-me relativizar. Racionalizando, tudo é incerto, nada está nas nossas mãos.
Para mim é um esforço racional intenso, o de pôr em prática as teorias do carpe diem. Ando sempre a correr atrás do tempo que me falta e sou saudosa do que passou. O presente acaba sempre por me passar ao lado.
Ao olhar as imagens do Haiti, convenço-me que a melhor qualidade humana será "saber viver". Aproveitar o agora, sem medos. Porque um dia tudo poderá ruir como um castelo de cartas. E esta ideia do mundo, as we know it, poder terminar, uma ideia que é hoje uma realidade haitiana, tem mesmo que relativizar os nossos grandes problemas quotidianos. Aqueles tão importantes que nos tiram o sono, tipo o seguro do carro por pagar, ou aquele trabalho por fazer e que, quando a terra ruge e a mãe-natureza se zanga a sério, mostram a sua cara, de uma futilidade embaraçosa.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Poesia

Eu, que tenho estado arredada das lides poéticas, por me encontrar concentrada nas narrativas e nas teorias literárias, fiquei muito contente por o Bairro Alto de hoje convidar um poeta para mim desconhecido: Joan Margarit, catalão. História de vida rica, poesia minimalista mas não simplista. Sei porque o fui googlar, um exercício perdido há uns bons meses. Aconselho. E o programa ainda está a dar. Em pano de fundo e em Castelhano, que sou poliglota e para isso o meu fraco conhecimento da língua de nuestros hermanos, que só arranho e mal, e da qual aprendi a gostar da musicalidade, ainda dá.


Post-scryptum
um verso: a poesia é agora a última casa da misericórdia.
Muito bonito.

Resultado:

Uma bruta cólica.
Quando trabalho de empreitada, seja nas horas que passo a corrigir testes, seja nas outras que se prendem com teclados e fotocópias, gosto de comer. Mas não podem ser legumes crus, nem bolachas integrais, não! que isso é coisa de gente consciente e equilibrada. Sôdôna Jade gosta de se encher de porcarias extra-doces e artificiais, preferencialmente gomas. Assim, a minha regra pessoal de causa-efeito decreta o seguinte: quanto mais trabalho, mais enjoada fico. Hoje estou que nem posso, com uma bruta dor de barriga e um índice de glicémia, - sei lá como, não sofro de diabetes, - que deve ter disparado em flecha.
Mas enquanto as minhas colegas da escola fazem um ar muito angustiado por não resistirem a roubar-me amoras de açúcar, e já a fazer contas às horas que depois disso têm que fazer no ginásio, a minha cara de enjôo não está associada ao posterior exercício físico doloroso, mas à fartura de gomas que tenho no estômago... irra, que sou bruta!
A mim, nem o trabalho dá saúde...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

É sempre giro...

... voltarmos à escola onde démos aulas no ano anterior e que os alunos, que nos chamavam bruxa, velhaca e mimos que a gente nem sabe nem quer saber, se pendurem no nosso pescoço tipo macaquinhos, ou nos digam com ar altivo "quem é que lhe deu autorização para se ir embora?".
O dia estava gelado e os pirralhos foram o forno íntimo que me aqueceu até casa, lilás de orgulho, não de frio.

Acho injusto...

... que a neve não seja como o sol, que quando nasce é para todos. Assim, algumas escolas fecharam. A minha não. Alguns colegas do distrito ao lado ficaram em casa, que as estradas fecharam. Eu não.
Logo, queria aqui dizer que a neve quando cai... devia ser para todos. Eu nem sinto as patas, que devem ter congelado. Isso não dá para ficar retido? perguntei. Nem se dignaram a responder-me. Humpf!

domingo, 10 de janeiro de 2010

E também assumo...

... que tenho uma inveja medonha do inglês falado pela Daniela Ruah. Que nervos, pá, a rapariga é mesmo cinco estrelas! (já para não falar na equipa com que contracena no NCIS LA, que também é bastante invejável...)

Assumo...

... que também gosto de blogues fúteis. Sobre moda. Sobre compras. Sobre sapatos. Gosto. Mas não vou pôr aqui os links para poder comentar à vontade, sem estar preocupada que fulano e sicrano também lá possam estar a ler parvoeiras, ou a escrever idiotices. Já tenho saudades de algum anonimato, palavra. (até parece que sou uma figura pública, mas em sítios pequenos é a sensação que dá)

Fuge, fuge...

Há dois tipos de pessoas de fugir:
  • os ciumentos possessivos, que acham que só há lugar no mundo para eles próprios e minam tudo o que há à volta do objecto da sua obsessão, seja ele o namorado, o melhor amigo, o filho ou um colega de trabalho que nem sabe da sua existência; gente insegura e ressabiada, com um profundo sentimento de inferioridade e uma inveja pouco consciente das relações saudáveis existentes entre as pessoas, passam a vida a envenenar com palavras, atitudes e artifícios aqueles que os obcecam. O melhor a fazer é ignorá-los e, de vez em quando, dar-lhes o troco, como se nada fosse.
  • os cobardes, que são normalmente também sonsos e hipócritas, que fazem sempre o que lhes apetece porque sabem que, na hora da verdade, lhes basta fazer cara de santos e insinuar as culpas para a alminha mais próxima. Vendem a própria mãe, juram em falso e não têm escrúpulos, embora digam que têm consciência e remorsos. Talvez porque se assumissem que nem isso, só lhes restasse atirar-se de uma ponte. O melhor a fazer é denunciá-los e cuspir-lhes na cara quando começarem a chorar.

A realidade é rica demais para não virar ficção. Estou a começar a escrever um livro, e já tenho os meus vilões.