Continuo sem Moleskine. Por isso, não me surpreendi, embora me tenha chamado todos os nomes e mais alguns, quando percebi que ainda não paguei a renda de casa, e a inspecção do meu carro termina sexta-feira. Tal como o sêlo já deve ser comprado com multa. E se me lembrei destas, até tenho medo de pensar nas coisas de que me terei esquecido. Fora o facto de andar cheia de tempo livre para tratar da merda das trivialidades da existência...
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Um/O Princípio da Normalidade
Eu, que sou esquisita, resolvi atinar. Nivelar os meus ponteiros pelos ponteiros sociais. Começar, neste início de segundo período lectivo, a fazer o que as "pessoas normais" fazem: comer bem e a horas certas, comprar frutas no supermercado e mentalizar-me que tenho que ser eu a ingeri-las, e não o caixote do lixo depois de estarem semanas a apodrecer, dormir só, mas sempre, oito horitas, e não deixar para amanhã o que posso fazer hoje. Sejamos honestos, com o tamanho da lista de coisas que tenho para fazer, não deve haver nem hojes nem amanhãs que me cheguem, mas isso é um pormenor, e as "pessoas normais" não se deixam obcecar por pormenores.
Por isso, aqui estou eu, a estas horas da noite, a escrever um post no blogue para descansar do trabalho anterior e me preparar para o próximo. Aqui estou eu, no fim de um dia de aulas em que não me esqueci, pela primeira vez em onze anos de ensino, de marcar os testes atempadamente. Aqui estou eu, num dia em que passei só uma horita, ao todo, na net, entre mails, blogue e jogos de mahjong. Aqui estou eu, depois de passar um dia inteirinho sem me desesperar com a natureza humana, aceitando-a como irremediavelmente estúpida e seguindo em frente, mais preocupada com a minha vidinha que com aquilo que os outros dizem ou pensam dela.
Uma coisa que me fez despertar para a normalidade foi ter ganho uns quilinhos na altura das festas, coisa que nunca me aconteceu antes mas diz que "é normal". Parece, então, que o meu metabolismo e a minha saúde em geral estão "normais". Parece que estou a entrar no ritmo "normal" das pessoas pós-Natal.
Oxalá não me mate a cura para a doença da anormalidade, que isto de ser normal dá um trabalhão do caraças e muito pouco prazer, convenhamos.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Lei-de-Fucking-Murphy
Alguém me diz porque é que é exactamente nos dias em que dou aulas à noite, vou a correr ao supermercado da vila encher três ou quatro sacos de coisas pesadas e trago uma palette de leite, chove e venta com'ó cacete, e carrego com o portátil para além da pasta e da carteira, que o restaurante aqui da rua está cheio de gente e que parece que cada pessoa que lá está dentro trouxe o carro? Porque é que é precisamente nestas noites que tenho que carregar com tudo ao lombo dois ou três quarteirões com um frio horrível, antes de subir dois andares a pé, a ponto de cuspir os pulmões? (de preferência no prato de um dos gajos que está todo contente no restaurante e me tirou o lugar de estacionamento.)
Picardias
Deixei de ter paciência para elas. Como sou muito opinativa e demasiado assertiva, sou alvo fácil de picardias, quer de gente que gosta de argumentar para mostrar a um público que é muito inteligente, quer de outros que simplesmente gostam de contrariar para exaltar os ânimos, quer ainda de outros que tão simplesmente "são do contra".
As picardias não nascem apenas da diferença de opinião, mas da vontade de chatear o próximo. Ou, pelo menos, de o provocar. Tenho um amigo com quem estou em desacordo muitas vezes, mas com quem nunca entro em picardias, limito-me a apresentar os meus pontos de vista, ele os dele, e pronto. E duas pessoas podem discordar sem se irritar, se não entrarem no tal joguinho de provocações com expressões subliminares que significam "o que estás a dizer é de perfeita anormal", "não sabes o que dizes e mais valia estares caladinha".
Eu, pela parte que me toca, sou um bocadinho provocatória, mas já me passou a fase de levar as picardias ao expoente máximo do descontrolo total.
Sinceramente, com a falta de paciência com que ando para gente que quer chatear gratuitamente, para críticas à minha pessoa ou conselhos que eu não pedi, ou intromissões descabidas, que eu já sou adulta e nota-se bem, ou, simplesmente, atitudes idiotas de malta ressabiada que depois gosta de se colocar em bicos de pés espetando os cotovelos nos ombros do mais próximo, com isto tudo, dizia, deixei de entrar em picardias. Agora calo-me e rio-me de mim para mim. E se me achavam arrogante antes, eu acho que o cúmulo do sentimento de superioridade tenho-o agora: achar tudo isso patético e só me dar vontade de rir e encolher os ombros.
(também acho que deve ser porque não tenho tempo para me chatear. Se tivesse mais tempo, coçava-me, em vez de me chatear. E se tivesse mesmo muito, muito, tempo, então aí talvez me desse para voltar a responder a provocações, coisa que nunca me levou a lugar nenhum: um vintém é um vintém, e um cretino será sempre um cretino, como dizia o outro...)
domingo, 3 de janeiro de 2010
Ano Novo, Compromissos Velhos
Para mim, das coisinhas melhores das férias é não usar relógio. Adoro relógios, são parte da minha vaidade feminina, tenho muitos e uso-os sempre, mas nas férias uso-os como se fossem mais uma pulseira. Não olho para eles sequer. E nestas férias, embora curtas, aconteceu-me o que só costuma acontecer nas férias de Verão: perdi a noção dos dias da semana. A minha mãe esteve em casa a maior parte dos dias, o que também não ajudou, e tudo me parecia um fim-de-semana eterno.
Foi com uma neura do tamanho de um "camiõ atrabexado", como diziam os meus meninos no norte, que ontem carreguei e descarreguei carro, consciente de que, depois de dormir, ia acordar num domingo. Num domingo daqueles, igual aos outros, véspera de dia de trabalho.
Não estou preparada para recomeçar. E pensei que era só eu, que sou preguiçosa, adoro inércia, aquecedores com mantas por cima, sofás, almofadas a construir montanhas e gatos a dormir ao colo. Culpabilizei-me: és mesmo uma inútil, pá, só os inúteis não gostam de fazer nada, ainda nem começaste a trabalhar e já te lamurias intimamente.
Depois falei com a Mzinha, que está com uma telha parecida. Depois recebi uma sms da Shadow, a queixar-se de Domingos de Liberdade Condicional.
E como estas são duas das pessoas mais activas que conheço, dei-me umas tréguas, refastelei-me no sofá e comecei a mentalizar-me que este desgosto é, afinal de contas, normal
Foi com uma neura do tamanho de um "camiõ atrabexado", como diziam os meus meninos no norte, que ontem carreguei e descarreguei carro, consciente de que, depois de dormir, ia acordar num domingo. Num domingo daqueles, igual aos outros, véspera de dia de trabalho.
Não estou preparada para recomeçar. E pensei que era só eu, que sou preguiçosa, adoro inércia, aquecedores com mantas por cima, sofás, almofadas a construir montanhas e gatos a dormir ao colo. Culpabilizei-me: és mesmo uma inútil, pá, só os inúteis não gostam de fazer nada, ainda nem começaste a trabalhar e já te lamurias intimamente.
Depois falei com a Mzinha, que está com uma telha parecida. Depois recebi uma sms da Shadow, a queixar-se de Domingos de Liberdade Condicional.
E como estas são duas das pessoas mais activas que conheço, dei-me umas tréguas, refastelei-me no sofá e comecei a mentalizar-me que este desgosto é, afinal de contas, normal
sábado, 2 de janeiro de 2010
Então, mas afinal...
... alguém me explica porque é que quando a nossa resposta, à pergunta "tudo bem?", é "tudo óptimo!", as pessoas ficam completamente desconcertadas? A malta não abdica de um bom drama, essa é que é essa. Ou talvez achem que uma pessoa, para estar óptima, precise de andar aos saltinhos, aos risinhos e a atirar malmequeres pela janela do carro. Para mim, estar óptima é estar calma, sem agruras, com as preocupações triviais. Quando não há tempestades emocionais, estou óptima. Pronto. Live with that.
(tenho uma amiga que me dá essa mesma resposta, sempre. E embora me irrite um bocado, porque o diz com o mesmo grande sorriso de felicidade há vinte anos, não deixa de ser o meu exemplo de mulher de sucesso. Lembro-me sempre dela, quando digo esta frase e me abrem os olhos com espanto. Será que ser positivo é mal-visto... ou dará azar?)
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
2010...
...chegou tão depressa e de repente que só hoje dei conta que não tenho Moleskine. A minha, vermelha, de capa dura e muito pequenina, suscitava os mais diversos comentários: trazes a Bíblia? O livro do Mao? O caderninho do Auster? e era a inveja de todas as meninas perdidas, como eu, por mariquices do género: ah, e tem autocolantes coloridos, ai, que fofa, que prática, que fashion!...
2010 chegou e estou sem Moleskine. O mesmo será dizer que estou feita ao bife, sem ter onde assentar compromissos, guardar bilhetes de cinema usados, colar post-its, escrever a várias cores e despejar veneno. Pode vir a tornar-se razão de catástrofe. Por isso, amanhã logo pela fresquinha vou às Amoreiras e não saio de lá sem uma. E levo a minha mãe, para ela me ir lembrando quem sou, como me chamo e o que fui lá fazer que, sem Moleskine, é bem possível que me perca.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
E não se prevêem melhoras
Não é do tempo que vou falar nesta madrugada do último dia de 2009. É de mim. Já sei, bo-ring! (com aquele tom do Animal nos Muppets)
É só para dizer, a quem ainda não percebeu, que sou esquisita. Sou cheia de esquisitices. Sou desenquadrada. A sério. Tenho um amigo que diz que tem DOC (Distúrbio Obsessivo-Compulsivo), porque organiza tudo febrilmente, desde livros a t-shirts, por cores. Infelizmente, disso não sofro, ou a minha mãe seria muito mais feliz sem ter que conviver com uma praticamente slob em casa dela por mais que três dias seguidos. Não tenho disso, mas tenho muitas esquisitices.
E isto é para uma amiga minha, gosto de lhe chamar amiga, que ainda hoje me dizia que como não lhe tinha dado o meu messenger tinha achado que eu não queria confianças com ela. Nada disso. A verdade é que... não tenho messenger. E agora está meio mundo blogger a ler isto entre o atónito e o sarcástico: Pffff! Não tem msn...
É verdade, pessoal, nem toda a gente que tem um blogue domina a informática, ou sequer gosta de computadores. Sou estranha, não gosto de computadores. Para dizer a verdade, detesto-os, e eles sabem. O meu, por exemplo, odeia-me, e já me demonstrou isso em alturas bem más, em que precisava mesmo que não me deixasse ficar mal... adiante.
Há certas coisas sobre mim que o resto do mundo real não entende, e eu aceito que não entenda.
Sou assim, e sei que no mundo de hoje há muita presunção mascarada de esquisitice, tipo, olhem para mim que sou tão original, odeio best-sellers porque toda a gente os lê, não vejo blockbusters e não ouço música comercial, não vou ao McDonald's e só bebo água. Acreditem ou não, não é esse o meu caso.
Sou diferente das grandes maiorias porque sim, e porque infelizmente, por mais que me esforce, não consigo ser igual às pessoas ditas normais.
Sou esquisita. Já disse que não tenho partido político, deixei de ter religião e não percebo nada, nem quero, de futebol, embora seja simpatizante do Sporting, nem sei bem porquê. Isso afasta-me de muita gente que conheço, e que olha para mim de esguelha.
Não gosto de festivais de talentos nem de reality shows. Mas gosto de telenovelas, embora não com o entusiasmo que dediquei ao Roque Santeiro ou à Tieta.
Não me rio com comédias, nem com os contemporâneos, já nem com os gato ou com os simpsons; mas rio-me muitas vezes sozinha com coisas a que ninguém acha graça. E ainda me rio com o Markl, na rádio, e com o TV Rural e a Conversa da Treta.
Não tenho msn nem facebook, não sei trabalhar com a plataforma moodle e são os meus alunos que me explicam, todos os dias, como usar os quadros interactivos, pasmados por a stôrinha ser tão burrinha que nunca mais aprende. Ora com isto tudo junto, já não deve haver muita gente que não me olhe de esguelha. Mas continua.
Detesto conduzir. (O verdadeiro ultraje no país dos tugas...)
Não sei cozinhar nada de jeito. Sou o antípoda de uma dona de casa, esposa e mãe: desorganizada, impaciente, preguiçosa e irascível. E continuo solteira sem perceber porquê... cof, cof, cof! (pois, porque será?)
Não gosto do Natal e deixei de gostar da Passagem de Ano. Detesto o Carnaval e não posso com o Halloween e com o Valentine's Day. (Queimem-na que é uma bruxa herética!)
Ah, e fumo. (e estúpida, ainda por cima!)
Ah, e não gosto do Herman, mas até acho graça ao Malato. (completamente estúpida, diria mesmo...)
E detesto estar sozinha embora raramente mexa o rabo para combinar seja o que for com alguem, porque me deixo levar pela inércia. (deixa-te estar sozinha que com esse feitiozinho, só estragas uma casa!)
E detesto receber flores, noventa e nove por cento das vezes. (eu não dizia?)
E não faço fretes outras noventa e nove, o que significa que sou "uma tipa com muito mau feitio", porque aprendi a dizer um "não" redondo na cara seja de quem for. (na mouche, grande mal-educadona!)
E nunca alinho em maiorias se não concordar com elas. Mas numa coisa a maioria tem razão: sou esquisita. (ao menos isso, vá lá)
E não se prevêem melhoras, a sul do Cabo Carvoeiro. (temos pena)
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Next Decade,
New York, the man of my dreams, my mother nearby, my own house, a better car, health and wealth, all my friends around, a job to do and a mission to accomplish.
Happy New Decade.
Farmácia... já!
Adoro farmácias. É uma cena estúpida, mas gosto. São lugares amigos, limpos, iluminados, arrumados. Nesta aqui do bairro, conhecem-me de pequena e desenrascam-me muitas vezes, dada a minha propensão ao fanico.
Mas agora ando um bocado aborrecida com elas. Porque a nova publicidade às farmácias portuguesas é enganosa. Diz que tudo o que faz bem, a farmácia tem. E eu fico a pensar na cara que faria o Sr. Pereira se eu lá chegasse e dissesse, bom dia, cá estou eu mais uma vez sem receita, mas tenho tanta urgência... pode fazer-me uma venda suspensa? e ele, ai, esta menina... que se passa, diga lá, vamos já tratar disso... e eu, quero um pacote, dos grandes, de concentração, um tubinho de força de vontade, meia dúzia de pastilhas de bom humor, mais uma caixa, não, duas, de paciência para mim própria e, já agora que aqui estou, dê-me lá uma injecção de espertina, que tenho um sono que não se aguenta!
Dada a publicidade enganosa, o mais provável era o Sr. Pereira me dar um bilhete expresso para o manicómio mais próximo.
Não se vão arrepender
Qualquer pessoa que já tenha feito, ou tentado fazer, um trabalho de pesquisa maiorzito, sabe que uma das melhores estratégias para ler bibliografia-que-interesse-mesmo é ler a lista bibliográfica das obras que o gajo que escreveu "aquele" artigo fundamental, a bíblia das bílblias, usou. E a partir daí, a mesma cena: gostaste do que leste? aponta a bibliografia.
Isto para dizer que com os blogues é a mesma coisa, excepção para mim, (se gostarem deste) que sou praticamente info-excluída: se gostarem do blogue, vão ver que blogues esse blogger lê. Não tardarão as excelentes surpresas. Desde já aconselho as listas da Teia e da Gaja. A minha não é má, mas está muitíssimo incompleta. E divirtam-se que, não tarda, diz que está aí um novo ano... não está um todos os dias? Enfim...
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Alerta Amarelo - II
Uma grande amiga minha, que não dá confiança ao blogue, embora o leia, mandou-me um mail logo a seguir ao post anterior, com uma única pergunta: "Sabes, finalmente, o que tens a fazer nesses dias?" Ri-me.
Durante muito tempo, deixei-me ir, como se a tristeza não fosse apenas um estado de espírito mas um ser animado muito mais poderoso que eu. Deixava-me ir e ainda ajudava à festa. Achava que me "fazia bem chorar". Depois de dois ou três sustos de saúde agravados directa ou indirectamente por factores psicossomáticos comecei, gradualmente, a deixar-me disso.
Sim, P., sei finalmente o que fazer. Por isso, quando hoje senti picadas familiares nas linhas da pestanas, engoli em seco, evitei gavetas de cartas, bilhetes, fotos e lembranças, agarrei-me a uma caixa dos meus bombons favoritos, liguei o computador e só entrei em blogues que sei que são boa onda, evitando outros de que também gosto muito mas que podem ser perigosos em caso de tristeza aguda; ri-me, claro, depois abri o mail e fui dar com a tua pergunta. Agora, vou escrever, mas nada de pessoal, nada de introspecções, hoje. Vou escrever texto científico para um artigo que me pediram. E eu sei que é fútil, mas das coisinhas que mais me animam nestas alturas de tristeza sem motivo, é olhar para coisas bonitas. Por isso, expus aqui pelo quarto os presentes de Natal que a família me deu este ano... e é impossível não sorrir.
Cada um tem as suas estratégias. Uma amiga minha há uns anos dizia-me: vai ao campo apanhar flores e enfeita o teu quarto!... Nunca resultaria comigo, porque odeio passear sozinha, detesto exercício físico e não tenho paciência para sair de casa quando estou assim. O resultado seria que quando chegasse a casa com as flores, provavelmente arrancar-lhes-ia as pétalas com gargalhadas sádicas, tal a fúria.
Comigo funcionam cheiros, sons, sabores e futilidades. Respectivamente: o meu creme hidratante da Lancôme seguido do Code de Armani, que a minha mãe me ofereceu; os U2 a bombar no computador; a boca cheia de Mon Chéris, e a minha nova lingerie preta linda, linda, (e ainda na caixinha de cartolina hiper delicada) a piscar o olho ao futuro.
Alerta Amarelo
Há dias em que adormeço e acordo com a chuva a cair com força, de tal forma que deixo de distinguir se é lá fora que chove ou dentro de mim. Acabo sempre a chorar sem motivo, nesses dias. como o de hoje.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
I'm the best of the best
A deitar validação de competências por todos os póros, resolvi desistir e deixar para amanhã, vulgo, daqui a bocado, o que não posso, vulgo, poder podia, mas já estou pelos cabelos, fazer hoje, vulgo, já.
E então, para relaxar, que eu não consigo, pronto, sou assim, ir para a cama dois minutos depois de estar a trabalhar, pus-me a ler todos os posts que publiquei este mês.
E pensei, bolas (não foi nada disto que eu pensei, quem me conhece sabe que eu usei the f word) Jade, tu és mesmo o máximo! No meio do caos que tem sido a tua vida profissional, ainda tiveste pachorra e discernimento para escrever uma data de textos. E alguns até têm a sua qualidade. Bolas (yeah, yeah...) Jade, sim senhora, good girl.
Se eu gostar de mim, quem não gostará?
(Isto depois dos eventos do dia que passou, é apenas uma pergunta retórica, descaradamente roubada a uma publicidade de gosto duvidoso, tá? Não é para responder. E agora sim, vou-me deitar e dormir umas horas, muito contente comigo própria. Bolas!...)
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Porque isto contado...
...ninguém acredita, e ainda assim ou falo ou expludo, impludo, vaporizo-me, desfaço-me em pó e cinzas, enfim, morro.
Entrei na escola às oito e meia da manhã e saí às dez e pouco...da noite. Isto dá... treze horas e meia em três reuniões de avaliação, duas horas de trabalho posterior e quarenta e cinco minutos de almoço.
Dormi duas horas esta noite.
Cheguei a casa e a Mzinha não está, porque foi à Ceia de Natal da escola dela. Eu faltei à minha, na quinta-feira passada, para vir para casa preencher grelhas de avaliação. Ou terá sido para acabar de corrigir trabalhos? Talvez tenha sido para escrever relatórios, já não sei.
Constipada até à quinta casa, passei o fim-de-semana a chá, paracetamol e portátil ao colo. Isto quererá, provavelmente, dizer, que fiz todo o trabalho, literalmente, em cima do joelho.
Na última reunião de Conselho de Turma de hoje, que já decorria há três horas e meia, tive um dos meus ataques de má-educação do costume e berrei com toda a gente. A reunião durou mais cinco minutos, claro, mas a Directora de Turma, que não tinha culpa absolutamente nenhuma do atraso, ficou quase lavada em lágrimas, enquanto todos os outros, nas costas dela, davam palmadinhas nas minhas, não tendo previamente aberto o bico para me apoiar. Lá tive que pedir imensas desculpas à mocinha, e desfazer o mal-entendido, que eu cá fervo e sou bruta nas horas mas detesto magoar seja quem for, e fico pior que as pessoas que por mim se sentem agredidas. Uma merda de todo o tamanho para a minha hipersensibilidade nervosa e emocional que ninguém conhece sem que eu deixe, e que eu não deixo que muita gente conheça.
Chego a uma casa vazia, sem nada no estômago desde o almoço e enfio quatro cigarros no buxo.
Depois disso, sento-me ao computador e escrevo de rajada o que assim, contado, ninguém acredita, enquanto considero enfiar dois copos de vinho tinto goela abaixo, antes de ir jantar e de enfrentar as quatro horitas de trabalho, bem medidinhas, que ainda tenho pela frente.
(e amanhã há mais, a partir das oito e meia da manhã. Se me contassem a mim, eu não acreditava.)
domingo, 20 de dezembro de 2009
Futebol e outras parvoíces
Costumo dizer que muito mais que Sportinguista, sou anti-benfiquista. E não, não me enganei no uso das maiúsculas. Nasci e cresci em Lisboa, no meio das mete-nojices mútuas entre verdes e encarnados, e sempre achei ridículas as horas de discussão de sexo dos anjos, em que cada qual defende a sua cor, culpa a arbitragem e vê coisas onde elas não existem. Sempre detestei fundamentalismos de gente que, quando perde, é sempre roubada, e quando ganha, é sempre a maior. Odeio arrogâncias. Odeio pavões armados, e em Lisboa... bem, há-os de parte a parte, mas os benfiquistas são mais numerosos e, por evidência estatística, também são mais numerosos os benfiquistas cretinos-a-dar-com-um-pau. Ganhei-lhes um pó muito especial.
Por outro lado, sempre fui fã da malta do Porto. Desde pequena que tenho um carinho muito especial pela parte da família que lá tenho e nunca, nunca, na casa deles ouvi dizer mal dos lisboetas. Nunca tinha dado conta que havia, sequer, essa divisão, até à adolescência tardia. O primeiro namorado que apresentei à minha família era do Porto, e foi com ele que aprendi os meandros da picardia. Deixou-me abismada. O tempo que ele passava a dizer mal da capital, da forma como nós falávamos, do modo como nos comportávamos, das facilidades que tínhamos, do trabalho que nós não fazíamos, porque no Porto é que se trabalhava... não fazia, até então, ponta de chavelho de ideia de tal mentalidade bairrista que, mais do que evidenciar as suas próprias qualidades, batia nas do so-called adversário.
Acontece que sempre achei ridícula esta atitude, até porque todos os meus amigos lisboetas são unânimes em dizer que "adoram o Porto", as gentes, os sotaques, enfim.
Cheguei há muito tempo à convicção de que os portuenses brigam sozinhos contra lisboetas que nem disso se apercebem. E esqueci o assunto. É triste para as gentes do Norte, mas em Lisboa esta luta é totalmente ignorada, não existe.
Estive para escrever um post aquando da cena da corrida do Red Bull, mas a Kitty Fane e a Pipoca fizeram-no por mim, e muito melhor. A celeuma que aquilo deu, que ridículo... faça-se um referendo em Lisboa, a ver se alguém está para arranjar chatices nacionais por causa de uma data de aviões a ameaçar a Torre de Belém e o Mosteiro! Ide lá despenhar-se contra a D. Luís, cacete, que gente parva! Levem também as Marchas, já agora, que é para o lado que eu durmo melhor.
Isto porque a malta do Porto, a malta ressabiada que eu só conheci tarde na vida, faz surgir o que os lisboetas têm de pior, que são os galões de que puxam, quando lhes pisam os calos.
Onde é que eu quero chegar? Com a palermice toda do Air-Race, e não só, que tenho lido por aí, hoje fiquei MESMO contente por o Benfica ter ganho o estupor do jogo.
Mesmo contente.
Cheira bem, cheira a Lisboa.
Brittany Murphy, 1977-2009
Não é nada meu, esta cena de postar óbitos e comentar as ditas mortes. Não o fiz pelo Michael Jackson, não o fiz pelo Solnado, não o tenho feito por tanta gente tão conhecida e válida... então porquê a Brittany Murphy? Porque simpatizava com o ar clean e despretensioso de girl-next-door, sem aquelas merdas de vedeta teen hollywoodesca. Porque gostava da expressividade que ela tinha no olhar. Porque a achava doce, tipo a sucessora mais jovem da Meg Ryan. E porque, como nunca se ouviu o nome dela metido ao barulho nos grandes escândalos de álcool e drogarias de LA, fiquei mesmo chocada, e tive mesmo muita pena. Parece que em Hollywood também se morre de causas naturais. E quando é assim, sabe sempre a injustiça.
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