quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

E não se prevêem melhoras

Não é do tempo que vou falar nesta madrugada do último dia de 2009. É de mim. Já sei, bo-ring! (com aquele tom do Animal nos Muppets)
É só para dizer, a quem ainda não percebeu, que sou esquisita. Sou cheia de esquisitices. Sou desenquadrada. A sério. Tenho um amigo que diz que tem DOC (Distúrbio Obsessivo-Compulsivo), porque organiza tudo febrilmente, desde livros a t-shirts, por cores. Infelizmente, disso não sofro, ou a minha mãe seria muito mais feliz sem ter que conviver com uma praticamente slob em casa dela por mais que três dias seguidos. Não tenho disso, mas tenho muitas esquisitices.
E isto é para uma amiga minha, gosto de lhe chamar amiga, que ainda hoje me dizia que como não lhe tinha dado o meu messenger tinha achado que eu não queria confianças com ela. Nada disso. A verdade é que... não tenho messenger. E agora está meio mundo blogger a ler isto entre o atónito e o sarcástico: Pffff! Não tem msn...
É verdade, pessoal, nem toda a gente que tem um blogue domina a informática, ou sequer gosta de computadores. Sou estranha, não gosto de computadores. Para dizer a verdade, detesto-os, e eles sabem. O meu, por exemplo, odeia-me, e já me demonstrou isso em alturas bem más, em que precisava mesmo que não me deixasse ficar mal... adiante.
Há certas coisas sobre mim que o resto do mundo real não entende, e eu aceito que não entenda.
Sou assim, e sei que no mundo de hoje há muita presunção mascarada de esquisitice, tipo, olhem para mim que sou tão original, odeio best-sellers porque toda a gente os lê, não vejo blockbusters e não ouço música comercial, não vou ao McDonald's e só bebo água. Acreditem ou não, não é esse o meu caso.
Sou diferente das grandes maiorias porque sim, e porque infelizmente, por mais que me esforce, não consigo ser igual às pessoas ditas normais.
Sou esquisita. Já disse que não tenho partido político, deixei de ter religião e não percebo nada, nem quero, de futebol, embora seja simpatizante do Sporting, nem sei bem porquê. Isso afasta-me de muita gente que conheço, e que olha para mim de esguelha.
Não gosto de festivais de talentos nem de reality shows. Mas gosto de telenovelas, embora não com o entusiasmo que dediquei ao Roque Santeiro ou à Tieta.
Não me rio com comédias, nem com os contemporâneos, já nem com os gato ou com os simpsons; mas rio-me muitas vezes sozinha com coisas a que ninguém acha graça. E ainda me rio com o Markl, na rádio, e com o TV Rural e a Conversa da Treta.
Não tenho msn nem facebook, não sei trabalhar com a plataforma moodle e são os meus alunos que me explicam, todos os dias, como usar os quadros interactivos, pasmados por a stôrinha ser tão burrinha que nunca mais aprende. Ora com isto tudo junto, já não deve haver muita gente que não me olhe de esguelha. Mas continua.
Detesto conduzir. (O verdadeiro ultraje no país dos tugas...)
Não sei cozinhar nada de jeito. Sou o antípoda de uma dona de casa, esposa e mãe: desorganizada, impaciente, preguiçosa e irascível. E continuo solteira sem perceber porquê... cof, cof, cof! (pois, porque será?)
Não gosto do Natal e deixei de gostar da Passagem de Ano. Detesto o Carnaval e não posso com o Halloween e com o Valentine's Day. (Queimem-na que é uma bruxa herética!)
Ah, e fumo. (e estúpida, ainda por cima!)
Ah, e não gosto do Herman, mas até acho graça ao Malato. (completamente estúpida, diria mesmo...)
E detesto estar sozinha embora raramente mexa o rabo para combinar seja o que for com alguem, porque me deixo levar pela inércia. (deixa-te estar sozinha que com esse feitiozinho, só estragas uma casa!)
E detesto receber flores, noventa e nove por cento das vezes. (eu não dizia?)
E não faço fretes outras noventa e nove, o que significa que sou "uma tipa com muito mau feitio", porque aprendi a dizer um "não" redondo na cara seja de quem for. (na mouche, grande mal-educadona!)
E nunca alinho em maiorias se não concordar com elas. Mas numa coisa a maioria tem razão: sou esquisita. (ao menos isso, vá lá)
E não se prevêem melhoras, a sul do Cabo Carvoeiro. (temos pena)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Next Decade,

New York, the man of my dreams, my mother nearby, my own house, a better car, health and wealth, all my friends around, a job to do and a mission to accomplish.


Happy New Decade.

Farmácia... já!

Adoro farmácias. É uma cena estúpida, mas gosto. São lugares amigos, limpos, iluminados, arrumados. Nesta aqui do bairro, conhecem-me de pequena e desenrascam-me muitas vezes, dada a minha propensão ao fanico.
Mas agora ando um bocado aborrecida com elas. Porque a nova publicidade às farmácias portuguesas é enganosa. Diz que tudo o que faz bem, a farmácia tem. E eu fico a pensar na cara que faria o Sr. Pereira se eu lá chegasse e dissesse, bom dia, cá estou eu mais uma vez sem receita, mas tenho tanta urgência... pode fazer-me uma venda suspensa? e ele, ai, esta menina... que se passa, diga lá, vamos já tratar disso... e eu, quero um pacote, dos grandes, de concentração, um tubinho de força de vontade, meia dúzia de pastilhas de bom humor, mais uma caixa, não, duas, de paciência para mim própria e, já agora que aqui estou, dê-me lá uma injecção de espertina, que tenho um sono que não se aguenta!
Dada a publicidade enganosa, o mais provável era o Sr. Pereira me dar um bilhete expresso para o manicómio mais próximo.

Não se vão arrepender

Qualquer pessoa que já tenha feito, ou tentado fazer, um trabalho de pesquisa maiorzito, sabe que uma das melhores estratégias para ler bibliografia-que-interesse-mesmo é ler a lista bibliográfica das obras que o gajo que escreveu "aquele" artigo fundamental, a bíblia das bílblias, usou. E a partir daí, a mesma cena: gostaste do que leste? aponta a bibliografia.
Isto para dizer que com os blogues é a mesma coisa, excepção para mim, (se gostarem deste) que sou praticamente info-excluída: se gostarem do blogue, vão ver que blogues esse blogger lê. Não tardarão as excelentes surpresas. Desde já aconselho as listas da Teia e da Gaja. A minha não é má, mas está muitíssimo incompleta. E divirtam-se que, não tarda, diz que está aí um novo ano... não está um todos os dias? Enfim...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Alerta Amarelo - II

Uma grande amiga minha, que não dá confiança ao blogue, embora o leia, mandou-me um mail logo a seguir ao post anterior, com uma única pergunta: "Sabes, finalmente, o que tens a fazer nesses dias?" Ri-me.
Durante muito tempo, deixei-me ir, como se a tristeza não fosse apenas um estado de espírito mas um ser animado muito mais poderoso que eu. Deixava-me ir e ainda ajudava à festa. Achava que me "fazia bem chorar". Depois de dois ou três sustos de saúde agravados directa ou indirectamente por factores psicossomáticos comecei, gradualmente, a deixar-me disso.
Sim, P., sei finalmente o que fazer. Por isso, quando hoje senti picadas familiares nas linhas da pestanas, engoli em seco, evitei gavetas de cartas, bilhetes, fotos e lembranças, agarrei-me a uma caixa dos meus bombons favoritos, liguei o computador e só entrei em blogues que sei que são boa onda, evitando outros de que também gosto muito mas que podem ser perigosos em caso de tristeza aguda; ri-me, claro, depois abri o mail e fui dar com a tua pergunta. Agora, vou escrever, mas nada de pessoal, nada de introspecções, hoje. Vou escrever texto científico para um artigo que me pediram. E eu sei que é fútil, mas das coisinhas que mais me animam nestas alturas de tristeza sem motivo, é olhar para coisas bonitas. Por isso, expus aqui pelo quarto os presentes de Natal que a família me deu este ano... e é impossível não sorrir.
Cada um tem as suas estratégias. Uma amiga minha há uns anos dizia-me: vai ao campo apanhar flores e enfeita o teu quarto!... Nunca resultaria comigo, porque odeio passear sozinha, detesto exercício físico e não tenho paciência para sair de casa quando estou assim. O resultado seria que quando chegasse a casa com as flores, provavelmente arrancar-lhes-ia as pétalas com gargalhadas sádicas, tal a fúria.
Comigo funcionam cheiros, sons, sabores e futilidades. Respectivamente: o meu creme hidratante da Lancôme seguido do Code de Armani, que a minha mãe me ofereceu; os U2 a bombar no computador; a boca cheia de Mon Chéris, e a minha nova lingerie preta linda, linda, (e ainda na caixinha de cartolina hiper delicada) a piscar o olho ao futuro.

Alerta Amarelo

Há dias em que adormeço e acordo com a chuva a cair com força, de tal forma que deixo de distinguir se é lá fora que chove ou dentro de mim. Acabo sempre a chorar sem motivo, nesses dias. como o de hoje.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

I'm the best of the best

A deitar validação de competências por todos os póros, resolvi desistir e deixar para amanhã, vulgo, daqui a bocado, o que não posso, vulgo, poder podia, mas já estou pelos cabelos, fazer hoje, vulgo, já.
E então, para relaxar, que eu não consigo, pronto, sou assim, ir para a cama dois minutos depois de estar a trabalhar, pus-me a ler todos os posts que publiquei este mês.
E pensei, bolas (não foi nada disto que eu pensei, quem me conhece sabe que eu usei the f word) Jade, tu és mesmo o máximo! No meio do caos que tem sido a tua vida profissional, ainda tiveste pachorra e discernimento para escrever uma data de textos. E alguns até têm a sua qualidade. Bolas (yeah, yeah...) Jade, sim senhora, good girl.
Se eu gostar de mim, quem não gostará?
(Isto depois dos eventos do dia que passou, é apenas uma pergunta retórica, descaradamente roubada a uma publicidade de gosto duvidoso, tá? Não é para responder. E agora sim, vou-me deitar e dormir umas horas, muito contente comigo própria. Bolas!...)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Porque isto contado...

...ninguém acredita, e ainda assim ou falo ou expludo, impludo, vaporizo-me, desfaço-me em pó e cinzas, enfim, morro.
Entrei na escola às oito e meia da manhã e saí às dez e pouco...da noite. Isto dá... treze horas e meia em três reuniões de avaliação, duas horas de trabalho posterior e quarenta e cinco minutos de almoço.
Dormi duas horas esta noite.
Cheguei a casa e a Mzinha não está, porque foi à Ceia de Natal da escola dela. Eu faltei à minha, na quinta-feira passada, para vir para casa preencher grelhas de avaliação. Ou terá sido para acabar de corrigir trabalhos? Talvez tenha sido para escrever relatórios, já não sei.
Constipada até à quinta casa, passei o fim-de-semana a chá, paracetamol e portátil ao colo. Isto quererá, provavelmente, dizer, que fiz todo o trabalho, literalmente, em cima do joelho.
Na última reunião de Conselho de Turma de hoje, que já decorria há três horas e meia, tive um dos meus ataques de má-educação do costume e berrei com toda a gente. A reunião durou mais cinco minutos, claro, mas a Directora de Turma, que não tinha culpa absolutamente nenhuma do atraso, ficou quase lavada em lágrimas, enquanto todos os outros, nas costas dela, davam palmadinhas nas minhas, não tendo previamente aberto o bico para me apoiar. Lá tive que pedir imensas desculpas à mocinha, e desfazer o mal-entendido, que eu cá fervo e sou bruta nas horas mas detesto magoar seja quem for, e fico pior que as pessoas que por mim se sentem agredidas. Uma merda de todo o tamanho para a minha hipersensibilidade nervosa e emocional que ninguém conhece sem que eu deixe, e que eu não deixo que muita gente conheça.
Chego a uma casa vazia, sem nada no estômago desde o almoço e enfio quatro cigarros no buxo.
Depois disso, sento-me ao computador e escrevo de rajada o que assim, contado, ninguém acredita, enquanto considero enfiar dois copos de vinho tinto goela abaixo, antes de ir jantar e de enfrentar as quatro horitas de trabalho, bem medidinhas, que ainda tenho pela frente.
(e amanhã há mais, a partir das oito e meia da manhã. Se me contassem a mim, eu não acreditava.)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Futebol e outras parvoíces

Costumo dizer que muito mais que Sportinguista, sou anti-benfiquista. E não, não me enganei no uso das maiúsculas. Nasci e cresci em Lisboa, no meio das mete-nojices mútuas entre verdes e encarnados, e sempre achei ridículas as horas de discussão de sexo dos anjos, em que cada qual defende a sua cor, culpa a arbitragem e vê coisas onde elas não existem. Sempre detestei fundamentalismos de gente que, quando perde, é sempre roubada, e quando ganha, é sempre a maior. Odeio arrogâncias. Odeio pavões armados, e em Lisboa... bem, há-os de parte a parte, mas os benfiquistas são mais numerosos e, por evidência estatística, também são mais numerosos os benfiquistas cretinos-a-dar-com-um-pau. Ganhei-lhes um pó muito especial.
Por outro lado, sempre fui fã da malta do Porto. Desde pequena que tenho um carinho muito especial pela parte da família que lá tenho e nunca, nunca, na casa deles ouvi dizer mal dos lisboetas. Nunca tinha dado conta que havia, sequer, essa divisão, até à adolescência tardia. O primeiro namorado que apresentei à minha família era do Porto, e foi com ele que aprendi os meandros da picardia. Deixou-me abismada. O tempo que ele passava a dizer mal da capital, da forma como nós falávamos, do modo como nos comportávamos, das facilidades que tínhamos, do trabalho que nós não fazíamos, porque no Porto é que se trabalhava... não fazia, até então, ponta de chavelho de ideia de tal mentalidade bairrista que, mais do que evidenciar as suas próprias qualidades, batia nas do so-called adversário.
Acontece que sempre achei ridícula esta atitude, até porque todos os meus amigos lisboetas são unânimes em dizer que "adoram o Porto", as gentes, os sotaques, enfim.
Cheguei há muito tempo à convicção de que os portuenses brigam sozinhos contra lisboetas que nem disso se apercebem. E esqueci o assunto. É triste para as gentes do Norte, mas em Lisboa esta luta é totalmente ignorada, não existe.
Estive para escrever um post aquando da cena da corrida do Red Bull, mas a Kitty Fane e a Pipoca fizeram-no por mim, e muito melhor. A celeuma que aquilo deu, que ridículo... faça-se um referendo em Lisboa, a ver se alguém está para arranjar chatices nacionais por causa de uma data de aviões a ameaçar a Torre de Belém e o Mosteiro! Ide lá despenhar-se contra a D. Luís, cacete, que gente parva! Levem também as Marchas, já agora, que é para o lado que eu durmo melhor.
Isto porque a malta do Porto, a malta ressabiada que eu só conheci tarde na vida, faz surgir o que os lisboetas têm de pior, que são os galões de que puxam, quando lhes pisam os calos.
Onde é que eu quero chegar? Com a palermice toda do Air-Race, e não só, que tenho lido por aí, hoje fiquei MESMO contente por o Benfica ter ganho o estupor do jogo.
Mesmo contente.

Cheira bem, cheira a Lisboa.

Brittany Murphy, 1977-2009

Não é nada meu, esta cena de postar óbitos e comentar as ditas mortes. Não o fiz pelo Michael Jackson, não o fiz pelo Solnado, não o tenho feito por tanta gente tão conhecida e válida... então porquê a Brittany Murphy? Porque simpatizava com o ar clean e despretensioso de girl-next-door, sem aquelas merdas de vedeta teen hollywoodesca. Porque gostava da expressividade que ela tinha no olhar. Porque a achava doce, tipo a sucessora mais jovem da Meg Ryan. E porque, como nunca se ouviu o nome dela metido ao barulho nos grandes escândalos de álcool e drogarias de LA, fiquei mesmo chocada, e tive mesmo muita pena. Parece que em Hollywood também se morre de causas naturais. E quando é assim, sabe sempre a injustiça.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Pensamento do dia

A certa altura da vida, uma pessoa deveria ter o direito de ver, tipo num filme, o que aconteceria se a dada altura tivesse tomado uma decisão importante contrária à que definiu o seu destino. E, se lhe agradasse mais o desenlace, poder fazer emendas e escolher o outro caminho. Nem que fosse uma única vez. Nem que tivesse o direito a mudar apenas uma das suas escolhas.

Tortura

Tenho para cima de 2000 páginas para ler em livros emprestados, todos super tentadores, e nem tempo tenho para preencher todas as grelhas de avaliação a tempo e horas.
(fora os livros que eu própria tenho comprado... porque sou compulsiva)

Será pecado?

Nesta época de presépios iluminados, árvores de Natal que vão para o Guiness e milhares de luzinhas a piscar, eu só me lembro de Copenhaga, do dinheiro que me tiram de IRS, e do que eu gostaria, isso sim, que ele não servisse para estourar em decorações de Natal.
Nesta época de paz e amor pelo próximo, eu só me lembro de ter pensamentos homicidas em relação à maior parte da gente que me rodeia.
Nesta época de solidariedade e interajuda, eu só me lembro de olhar para o livro da Popota com desgosto, e não o comprar por achar um escândalo que só uma terça parte reverta para as tais obras de caridade.
Nesta época de felicidade e auto-indulgência, em que toda a gente aproveita para engordar uns quilos, eu só me lembro que, logo eu, que preciso tanto deles, fico completa e irremediavelmente enjoada pelo prato típico ser o bacalhau.

Sejam bem-vindos ao meu mundo. My name is Jade, and I'm a sinner.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Se é chato...

... coça!
Pois... e o que faz uma gaja que não tem, de repente, tempo para se coçar? Aguenta? Não se queixa?
Eu cá não tenho lá muito bom feitio e cheira-me que o próximo colega que se lembrar de me dizer que, afinal, em vez de trezentos e cinquenta e sete documentos, cada professor vai ter que entregar trezentos e cinquenta e oito, em cada reunião de conselho de turma de avaliação, vai levar um valente estalo no focinho.
Epá, é que para comichões, vá, ainda vou tendo pachorra, agora para trabalhar para aquecer só porque um grupo de imbecis tem fêtiches com grelhas de excel...não.
Só me apetece começar a largar daqueles palavrões a que a malta do ano passado estava tão habituada que já nem se chocava... só que, este ano, sou capaz de provocar uma data de ataques cardíacos... o que até nem era mal pensado, f*da-se!!!


(e agora vou ali já venho, pôr números em tabelas, acabar de ver testes, ponderar níveis, preparar actas de conselho de turma de avaliação, justificar a atribuição de todos, sim, leram bem, todos os níveis 2 atribuídos... e cortar os pulsos!)

domingo, 13 de dezembro de 2009

Desafios

À medida que vou crescendo, vou ficando mais... cautelosa? cobarde? não sei, das duas uma. A verdade é que nunca fui daquelas pessoas corajosas e optimistas, que levam tudo à frente com a convicção de que, o que quer que se proponham a fazer, sairá brilhante. Não. Nunca me meti em grandes cavalgadas, nunca pratiquei desportos radicais, nunca me arrisquei a fazer loucuras, sempre medi consequências previamente. Muitas vezes é a gente assim, certinha, que acontecem as piores tragédias e, quando ouço histórias dessas, sinto-me infinitamente revoltada. Infelizmente, a vida muitas vezes se assemelha ao tema já velhinho da Alanis, o Ironic.
Arrisco pouco em todas as áreas da vida: para não me habilitar a ficar sem emprego, acabei por assentar arraiais bem longe de Lisboa e da minha mãe. Para não me habilitar a ser completamente humilhada por rejeições directas, perdi alguns possíveis namorados. Para não me habilitar a ficar sem dinheiro para um rainy day, como tenho tantos na minha vida, continuo sem ter casa própria ou o carro que gostaria de conduzir.
Admiro as pessoas que encaram os desafios com tenacidade. Admiro as pessoas que, todos os dias, são felizes a lutar pelos seus próprios impossíveis, porque só essas os conseguem desmistificar e fazer jus ao termo da nike "Impossible is nothing". Admiro as pessoas que sonham alto, sem medo da queda de Ícaro. Admiro.
Porque eu detesto desafios. Detesto pôr-me à prova. Detesto falhar.
Em fases piores da vida, naquelas fases em que "não tinha vida", diziam-me muitas vezes, estabelece objectivos e vai atrás deles, e as listas que eu fazia eram simplesmente ridículas, com objectivos de fasquia embaraçosamente baixa e, ainda assim, rasgadas e atiradas ao lixo, como se apenas as palavras me pressionassem e empurrassem para o fracasso.
E agora, eis que me impingem um desafio. O desafio. Talvez aquele que mais me aterroriza e que me faz estar, desde sexta-feira, petrificada, sem que o congelamento advenha das baixas temperaturas e do frio polar que há quem diga que veio em vaga e eu não sei, porque não saí de casa. E, sozinha em casa durante o fim-de-semana, ouvi a voz do meu amigo D., que não vejo há anos, a repetir até ao expoente da loucura a sua máxima, em voz grave e séria, "Enfrenta o elefante, Jade!"
Há desafios pelos quais preferia não ter que passar. E há notícias às quais tenho que aprender a reagir com celeridade. Porque quando está tudo tão perdido que caíu no esquecimento e uma voz me diz, é agora ou nunca, convém começar a fazer por isso. Ontem.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A Garça-Real

Ontem, no dia do meu aniversário, calhou não ter aulas nem reuniões à tarde, o que é quase inédito e, tendo calhado na data em que foi, é praticamente prova de milagre. Pouco depois do meio-dia, peguei no carro para me vir embora e, ao passar a ponte sobre a ribeira, atravessou-se-me à frente, em vôo baixo, uma garça-real que, diz quem sabe, é espécie ameaçada de extinção. Lembro-me de ter considerado este momento um bom augúrio, ontem, no dia do meu aniversário.
Depois esqueci-me disso, e fui à minha vida. Cumpri alguns compromissos e rituais. A Mzinha tinha-me mandado umas sms a desafiar-me para ir jantar ao nosso restaurante favorito mas, convenhamos, estava um frio do cacete, e disse-lhe que ficava para outro dia. Não estava para aí virada, sou gato de lareira. Por isso, dormi a minha sestinha à tarde. Ainda pensei: fónix, Jade, és mesmo uma triste, não tens melhor para fazer na tarde dos teus anos que te ires enfiar na cama? E disse o gato Garfield, dentro de mim, não, não tens, e quê? É pouco bom, queres ver?
Ronronava eu muito quentinha, já a tarde ia avançada, batem-me à porta e era um amigo, para me dar um beijo de Parabéns. Ouço a Mzinha a falar baixinho "ela está a dormir...", e um cagaçal de todo o tamanho "ACORDA-A! PARABÉNS A VOCÊ!!!" Saltei estremunhada da cama, e a sorte dele foi não me ter, de facto, acordado.
Olhei para o telemóvel, e fiquei pior que estragada. Nenhum, repito, nenhum dos meus amigos mais próximos do ano anterior, a malta aqui do burgo, nem um sequer, me tinha mandado sms. Não havia deles chamadas não-atendidas.
A Mzinha fez uma lasagna deliciosa, e eu disse-lhe várias vezes. "aquela gente... fulano, sicrano, senhora e beltrana, ninguém disse ponta de corno, acreditas nisto?"
A Mzinha não tinha culpa, e eu não adiantei mais. Pus cara alegre e fui atendendo chamadas do resto do pessoal, da malta que está longe, da malta do costume e até... de novos amigos bloggers, que me fizeram surpresas irresistíveis "adivinha quem é..." Brutal! Claro que aproveitava para dizer à Mzinha, já viste isto? Até as amizades feitas na net desencantam o meu número de telemóvel ou me mandam os parabéns pelo blogue e "aquela gente...". Estava piursa.
Depois das dez, refastelada no sofá e na palhaçada com a Mzinha, tocam à porta. E eu, ah, estava a ver... é o Pastorinho, de certeza! Vai levar nas orelhas! E lá me aparece o Pastorito, todo contente, enquanto eu estrebuchava, se não viesses cá nunca mais te falava! Parvo! Estava furiosa...
No meio desta ladainha, que eu não sou boa de assoar, nem falo propriamente baixo entra-me, sala adentro, a restante seita. Todos em peso. Todos sem excepção. Uns a rir, outros a resmungar, outros a dizer, vá lá, chora lá, uma com um bolo na mão, outra com um presente, outro com uma lembrança de uma viagem...
Toda eu me iluminei. Uma luz que veio, indiscutivelmente, de dentro. Abracei-os com força. Nem lhes levei a mal que me cantassem os parabéns. Perdoei-lhes tudo. A Mzinha, metida ao barulho, lá disse que a ideia do restaurante tinha sido da seita e eu, bicho-do-mato, lhes tinha estragado os planos. Mas foi muitíssimo melhor assim. Num milionésimo de segundo, esta sala virou um caos, com tudo a falar ao mesmo tempo, a rir, a contar histórias, a entalar o parceiro do lado, conta lá, vá, conta lá as coisas como elas foram, ou queres que conte eu? a discutir os novos rankings, a elaborar teses políticas, a chatear o próximo por causa dos resultados do futebol, a gritar disparates e a mandar calar toda a gente, à vez, épá, deixa-me falar, que isto assim ninguém se entende... cala-te, tu, ora essa! calam-se todos que quem manda aqui sou eu, porque eu é que sou a... olha-me esta, isso é que era bom, já viste isto? Está com a mania, agora...
O pandemónio do costume. De um costume a que já estava desacostumada, e do qual sentia mesmo falta. Não há nada mais reconfortante, para mim que sou esquisita, que ter um gajo a dizer-me com um ar muito cómico, tu cala-te e desculpa lá estar a mandar-te calar na tua casa mas...
Intimidade. Há coisas que não têm preço, e melhor do que lhes poder perdoar o silêncio, foi tê-los ouvido falar, gritar, rir, provocar, insultar, transformar o éter em som... como se o tempo não tivesse passado.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Secretly

Não gosto de ser o centro das atenções. Não sei reagir bem a demonstrações de ternura. Odeio que me cantem os parabéns. (Agora que penso nisso, devo ter algum trauma de infância com cantorias: ainda há uns dias barafustava contra tudo o que é festival da canção e afins, lembram-se? Deve ser por cantar mal todos os dias...).
Mudei de escola. Não disse a ninguém que fazia anos, mas tenho lá gente que me conhece de outros carnavais e alguém se descaiu. No entanto, foi tudo muito sóbrio e discreto. Beijinhos e abraços dos colegas e nenhum chavascal, o que eu adorei. A coisa não transpirou muito, e os alunos andaram na santa ignorância. Só uma, espertíssima, se apercebeu e mandou umas bocas ao primeiro tempo da manhã. Eu abri-lhe os olhos, ela calou-se. Ficou para o fim, na sala. Depois do último colega sair, disse-me: "A stôra tem é sorte: esta gente (os colegas) é tapadinha de todo!" Eu ri-me e nem tive tempo para lhe responder, já ela estava abraçada ao meu pescoço a dizer baixinho "Muitos parabéns, stôra, muitas felicidades". Deu-me um beijinho na bochecha e saiu aos saltinhos, deixando-me estupefacta, com as lágrimas a correr cara abaixo, e um sorriso de orelha a orelha.