Não é do tempo que vou falar nesta madrugada do último dia de 2009. É de mim. Já sei, bo-ring! (com aquele tom do Animal nos Muppets)
É só para dizer, a quem ainda não percebeu, que sou esquisita. Sou cheia de esquisitices. Sou desenquadrada. A sério. Tenho um amigo que diz que tem DOC (Distúrbio Obsessivo-Compulsivo), porque organiza tudo febrilmente, desde livros a t-shirts, por cores. Infelizmente, disso não sofro, ou a minha mãe seria muito mais feliz sem ter que conviver com uma praticamente slob em casa dela por mais que três dias seguidos. Não tenho disso, mas tenho muitas esquisitices.
E isto é para uma amiga minha, gosto de lhe chamar amiga, que ainda hoje me dizia que como não lhe tinha dado o meu messenger tinha achado que eu não queria confianças com ela. Nada disso. A verdade é que... não tenho messenger. E agora está meio mundo blogger a ler isto entre o atónito e o sarcástico: Pffff! Não tem msn...
É verdade, pessoal, nem toda a gente que tem um blogue domina a informática, ou sequer gosta de computadores. Sou estranha, não gosto de computadores. Para dizer a verdade, detesto-os, e eles sabem. O meu, por exemplo, odeia-me, e já me demonstrou isso em alturas bem más, em que precisava mesmo que não me deixasse ficar mal... adiante.
Há certas coisas sobre mim que o resto do mundo real não entende, e eu aceito que não entenda.
Sou assim, e sei que no mundo de hoje há muita presunção mascarada de esquisitice, tipo, olhem para mim que sou tão original, odeio best-sellers porque toda a gente os lê, não vejo blockbusters e não ouço música comercial, não vou ao McDonald's e só bebo água. Acreditem ou não, não é esse o meu caso.
Sou diferente das grandes maiorias porque sim, e porque infelizmente, por mais que me esforce, não consigo ser igual às pessoas ditas normais.
Sou esquisita. Já disse que não tenho partido político, deixei de ter religião e não percebo nada, nem quero, de futebol, embora seja simpatizante do Sporting, nem sei bem porquê. Isso afasta-me de muita gente que conheço, e que olha para mim de esguelha.
Não gosto de festivais de talentos nem de reality shows. Mas gosto de telenovelas, embora não com o entusiasmo que dediquei ao Roque Santeiro ou à Tieta.
Não me rio com comédias, nem com os contemporâneos, já nem com os gato ou com os simpsons; mas rio-me muitas vezes sozinha com coisas a que ninguém acha graça. E ainda me rio com o Markl, na rádio, e com o TV Rural e a Conversa da Treta.
Não tenho msn nem facebook, não sei trabalhar com a plataforma moodle e são os meus alunos que me explicam, todos os dias, como usar os quadros interactivos, pasmados por a stôrinha ser tão burrinha que nunca mais aprende. Ora com isto tudo junto, já não deve haver muita gente que não me olhe de esguelha. Mas continua.
Detesto conduzir. (O verdadeiro ultraje no país dos tugas...)
Não sei cozinhar nada de jeito. Sou o antípoda de uma dona de casa, esposa e mãe: desorganizada, impaciente, preguiçosa e irascível. E continuo solteira sem perceber porquê... cof, cof, cof! (pois, porque será?)
Não gosto do Natal e deixei de gostar da Passagem de Ano. Detesto o Carnaval e não posso com o Halloween e com o Valentine's Day. (Queimem-na que é uma bruxa herética!)
Ah, e fumo. (e estúpida, ainda por cima!)
Ah, e não gosto do Herman, mas até acho graça ao Malato. (completamente estúpida, diria mesmo...)
E detesto estar sozinha embora raramente mexa o rabo para combinar seja o que for com alguem, porque me deixo levar pela inércia. (deixa-te estar sozinha que com esse feitiozinho, só estragas uma casa!)
E detesto receber flores, noventa e nove por cento das vezes. (eu não dizia?)
E não faço fretes outras noventa e nove, o que significa que sou "uma tipa com muito mau feitio", porque aprendi a dizer um "não" redondo na cara seja de quem for. (na mouche, grande mal-educadona!)
E nunca alinho em maiorias se não concordar com elas. Mas numa coisa a maioria tem razão: sou esquisita. (ao menos isso, vá lá)
E não se prevêem melhoras, a sul do Cabo Carvoeiro. (temos pena)