quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Agora, escolha!

Não, não é um revivalismo ao programa da Vera Roquette, que faz parte da minha infância, como o Verão Azul e os Três Duques. Isto porque não estou para ouvir a Shadow, depois, em plena dissertação dos ideais do generation gap.
O título é mesmo para mim.
Ontem um colega meu chamou-me mal-educada. Diz que passo por ele montes de vezes na rua sem o cumprimentar, com aquele ar arrogante que diz "conheço-te de algum lado, ó exemplar triste?"
Apanhou-me desprevenida e corei até à raiz dos cabelos.
Agora escolha, sôdôna Jade: admite que é uma grande mal-educadona, ou explica que é míope e despassarada, anda sempre no mundo da lua e de olhos no traseiro do infinito, não vê um boi a não ser que ele lhe caia em cima, e está farta de fazer figuras tristes a falar a pessoas que confunde com gente que conhece, mas que nunca viu mais gordas? Entre as duas opções, não sei em qual fico menos mal na fotografia.

Algo está pôdre...

... no reino da escolas portuguesas.
Uma colega minha, que eu conheço há vários anos, aceitou um horário de quatro horas na minha escola. Ontem, desistiu. Hoje encontrei-a no supermercado:
Jade, não dava, pá. Quatro horas de aulas não compensavam 29475638 papéis que tinha de fazer e entregar para ontem, nem 27464 horas de reuniões semanais. Com tanta burocracia, as quatro horas de aulas, irrisórias, nem sequer eram preparadas como deve ser.
E fiquei eu efectiva num Vaticano mais papista que o Papa. Cada um tem o que merece. Ou não.

Como disse?

Ontem falava-se de idades, e cheguei à conclusão que até a idade é muito subjectiva. Como é que alguma coisa que é traduzida em números pode ser subjectiva?
Aluno Gonçalo (que saudades) para mim, no ano passado: Ó professora, quando era nova...
WHAT????
Aluno XPTO para uma colega minha, ontem: A professora já é muito cota, tem para aí uns... quê? 25 anos?
Excuse me, are you crazy? Or just an idiot?
Não posso deixar de acrescentar a melhor de todas...
Colega "recém-colocada" para um amigo meu, "recém-quarentão" e muito bem conservado: tratá-lo por tu? não posso, não sou capaz, é que o professor é muuuuito mais velho que eu!...
Eu cá, batia-lhe. Juro.

Miau...

Notícias Sapo: "David Fonseca adora gatos".

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ironias

A tempestade tropical ao largo dos Açores, que nos tem dado tão bom tempo, chama-se Grace.
Agora digam lá... que Grace é que ela tem?

Será da água?

Hoje, entre o estupefacta e o morta de riso, vi a Mzinha sair da estação de serviço onde tinha ido pagar o gasóleo, de olhos postos na factura, e dirigir-se ao carro do lado onde, no lugar do pendura, um gajo, atónito, a observava em pleno acto de tentar entrar no carro. Quando ela deu pelo engano, já eu não aguentava de dores de estômago e maxilares.
Ela entra no carro - no certo, desta vez, bem visto - e diz: não te rias!, o que foi uma coisa muito útil de se dizer à alarve, que sou eu, que foi num berreiro incontrolável até ao supermercado.
Quando me recompus, consolei-a "deixa lá, isto deve ser da água".
Ao jantar, lá tivémos uma discussão filosófica, de que será, será da água? do vinho? ou do ar? É que isto não é normal!...
Na semana passada, muito compenetrada, eu tentava pôr o carregador da bateria do Nokia a carregar o computador; numa manhã destas, entre mim e a Mzinha, a mesma pastilha de Nespresso deve ter ido parar cinco vezes ao chão; já numa noite da semana passada, a Mzinha entra na sala a rir-se por ter arregaçado as mangas antes de lavar a loiça. Não tem assunto? Tem, tem, porque ela estava de t-shirt de manga curta; hoje ela tentou raptar um gajo num carro, por car-jacking, e, ao jantar, eu ainda a gozava por pôr três ou quatro medalhas de gordura na toalha de mesa quando, eu própria, lhe espetei mais três.
Pelo sim, pelo não, só bebo água do Luso e vou deixar de beber vinho desta região. Quanto ao ar... hei-de pensar numa solução, quando me passar a taulada do tinto que bebi ao jantar.

Não é Sádico?

A minha Directora está de... férias.
Epá, também é filha de Deus, e se as tirou é porque tem direito a elas. Pronto, direitos são direitos e são inalienáveis.
Só que eu, que ando a pedir batatinhas para permutas na segunda-feira, (epá, não me dá jeitinho nenhum, Jade, é que vou de fim-de-semana, e vou comemorar a vitória nas eleições, e o cacete), que tenho uma consulta médica e perco aulas com turmas que só tenho uma vez por semana, fico um bocado irritada com isto.
Qualquer professorzeco-sem-padrinho tem que pôr um requerimento à ministra (qual ministra, ao papa!) para faltar um dia, e a directora, no início do ano escolar, com a malta toda a ponderar cortar os pulsos... vai de férias.
E isto a mim, faz-me espécie.
Deve ser da inveja.

Quem é que me explica...

... as minhas próprias contradições?
Se virem à venda o livro "Jade para tótós", comprem e mandem-mo, que eu pago.
Só alguém profundamente perturbado diz que adora a chuva e detesta molhar-se. Tal não seria totalmente despropositado se um dos objectos a que eu tenho mais aversão não fosse, precisamente, o guarda-chuva.
Só alguém profundamente perturbado resmunga com falta de tempo para trabalhar e quando chega a casa vai direitinha ao sofá.
Só alguém profundamente perturbado tem um sentido de humor aceitável mas passa a vida com cara de má.
Só alguém profundamente perturbado não tem filhos aos trinta e três anos, entre outros motivos, por falta de paciência para os aturar, e escolhe aos seis anos passar a vida a aturar os filhos dos outros, aos vinte de cada vez.
Só alguém profundamente perturbado chega à idade adulta a gostar da Hello Kitty, de bolas de sabão, de andar de baloiço, da secção de brinquedos do supermercado e de gelados como o perna-de-pau e o epá (especialmente da pastilha, que é horrorosa mas sabe a prémio). Toda a gente sabe que os adultos só gostam de magnum e cornetto. Se forem radicais, um calippo, de vez em quando.
Só alguém profundamente perturbado, depois do parágrafo anterior, se vira para os alunos de sétimo ano e lhes chama "infantis".
Preciso de um livro de instruções de mim mesma, máquina diabólica. Os meus botões estão todos em chinês.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Jararaca está fumando...

Esta é uma das minhas expressões favoritas do Sai de Baixo, uma das poucas séries cómicas que me fez, ao longo da vida, ir às lágrimas e ficar com falta de ar com ataques de riso. Significa que uma das personagens mais mal-humoradas da série está a micro-segundos de ter um ataque de fúria.
Assim estou eu. Que sou jararaca, no feitiozinho ruim, e estou fumando, sem tabaco. Deito fumo pelas orelhas e tento acalmar-me mentalmente, mas não está a resultar.
Era suposto... era suposto muita coisa. Por exemplo, ter ficado na Cidade de Deus, a pôr a minha vida em ordem. Mas valores mais altos se levantaram, a minha mãe precisou de mim, e lá fui para Lisboa, adiando as 1001 coisas que tinha para fazer por aqui. (que se lixe, há que cuidar de quem cuida de nós, como diz uma amiga minha, e as minhas prioridades nunca foram outras). Depois era suposto regressar ontem, mas mais uma vez não fui capaz, não tive coragem. Lá fiquei, a fazer companhia a uma progenitora exausta e aborrecida com o que lhe calhou em sorte. A sorte é daquelas coisas que passa muitas vezes ao largo da porta lá de casa, e a malta com o meu sobrenome e sangue já a isso se habituou, tentando fazer o melhor com aquela que se vai tendo, e gerindo a coisa como se de tostões se tratasse.
Resultado, só vim hoje.
E, sendo dia do Professor, lá me pus a trabalhar. Calmamente, organizadamente, sem stress, que a ansiedade é inimiga de um trabalho bem feito.
É a ansiedade e o Microsoft Office, que resolveu "encontrar um problema" e fechar-se deitando para as cucuias três meses de planificações. Filho-da-p*ta!
A impressora, por seu lado, está a levar a Mzinha aos limites da loucura: até já lhe ouvi ameaças verbais explícitas "queres ir janela fora já?". Quando olhei para ela, não fosse a ameaça ser comigo por estar com um mau humor infernal, vejo-a, muito séria, a falar com a dita HP.
Dia do Professor? O cacete!
Parece que tudo que faço pelos outros corre bem. O pior é quando trato de fazer alguma coisa por mim, tipo pôr duas semanas de trabalho em ordem, visto que as passei a dar aulas nos intervalos de reuniões do reino do inconcebível.
Já percebi que não vou ter nada pronto a tempo dos prazos exigidos, mas se querem saber... marimbei. Vou jogar mahjong, jantar e esquecer que é suposto ter TPCs para fazer. Vou fingir que sou a professora que o meu governo proclama aos sete ventos que somos todos e... não vou mexer mais uma palha. Pelo menos, até amanhã. Ainda assim...
... a Jararaca está fumando.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Tem mesmo que ser

Este post impõe-se. Depois do dia que tive, só me faltava acabar Setembro com o número treze nos arquivos. Cruz-Credo, lagarto, lagarto, lagarto...
Começou logo bem, o dia. Trocaram-me as voltas e ia levando com uma falta nas trombas por não ler como deve ser as merdas que estão no placard. Resultado: cheguei esbaforida à apresentação de motas e cães dos senhores da Guarda Nacional Republicana, meia hora atrasada e porque enfim, fui mais cedo dar a minha primeira aula.
Lá estive toda a santa manhã, e até gostei. Primeiro, porque os Guardas eram giros, e tanto homem junto parecia saído de um anúncio da Hugo Boss, tudo a trajar preto integral em corpo musculado e olhos escondidos por Ray-Bans muito fashion. Segundo, porque havia cães. Muitos cães lindos e fofos. Finalmente, por causa das motas. E como bónus, um acidente entre motas, muito espalhafatoso, com a bombeirada toda a acorrer em grande estilo e um dos GNR motociclistas a levantar-se, muito combalido, no meio de uma chuva de aplausos, qual Cristiano Ronaldo a simular pénalti no minuto oitenta e nove. E os putos a perguntar, ó professora, aquilo foi de propósito? e eu, foi, foi, é uma aula viva de prevenção rodoviária! (enquanto pensava, estes gajos são um perigo, grandes maçaricos, assentar na moleskine "desviar-me de todas as motas da BT daqui para a frente...")
Pois, ainda me ri. Não me tinha rido tanto se soubesse que me esperavam seis (sim, leram bem) horas de reuniões à tarde. Seis. Dois Conselhos de Turma. Sim, dois. Eu não sou uma gaja que prime pela paciência. Não fiz o meu mestrado por falta de força de vontade, não estou interessada em fazer agora outro em "encher chouriços". A estupidez deprime-me. E eu, agora que tenho vida, fico verde (verde, não, azul, que verde é uma cor linda...) com reuniões onde se discute o sexo dos anjos. E tive que me passar e dar um par de berros àquela gente. Teve que ser.
Por isso, hoje, impunha-se um post. Depois de uma tarde para esquecer, não podia ir deitar-me com o peso de um treze redondo no blogue. Não, isso é que não. Que amanhã entro às oito e meia da manhã, e com isto vou estar menos de doze horas fora da escola. E isso é mesmo muito ruim. Preciso de toda a sorte do Mundo, eu. Primeiro a minha sanidade mental. Primeiro Eu. Eu. O resto... p*ta que os PAREU! Para rimar.

Bloqueador de Conversa

O post anterior fez-me lembrar uma cena. De utilidade pública, diga-se de passagem. Pública porque, aprendi há pouco tempo, há mais seres semelhantes a mim, pessoas que, por muito bem que a vida lhes corra, acordam mal-dispostas. Pronto, acordar é uma violência, e quando é para ir trabalhar, a violência torna-se ainda mais agressiva.
Hoje inventei o contraponto aos fantásticos "desbloqueadores de conversa" do Markl.
Quando cheguei à escola, perguntaram-me "que cara é essa?"
Em vez da resposta do costume à pergunta mais idiota da história da humanidade, respondi "É a da Penélope Cruz, e se não se nota vou processar o cabrão do cirurgião plástico". Magnífico bloqueador de conversa. Uma cara estupefacta entre um coro de gargalhadas dos espectadores.
Há dias em que me levanto a odiar o Mundo e me vou deitar satisfeitíssima comigo própria.
(e amanhã tenho que cá vir, que também não gosto do número treze e este é o décimo-terceiro post. Vida de blogger é canina)

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Numerologia, superstição e parvoíces do género

Este post tem apenas um propósito: o de evitar que fiquem no arquivo onze posts escritos em Setembro. É que "11" e "Setembro" são duas realidades que não se misturam. Juntas, arrepiam-me. As minhas torres gémeas estão muito bem de pé, e não me apetecem aviões metafóricos.
A numerologia e a superstição são assuntos muito parvos, mas diz que eu sou uma gaja muito parva. E a verdade é que a minha vidinha me tem corrido bem. Por isso, e porque yo no credo a brujas, pero que las hay, l'ASAE (e quem sou eu sem um trocadilho infame?), aqui fica o décimo-segundo post do mês de Setembro. Só para que conste que o meu WTC firme e hirto é para ficar. De pedra e cal.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Cerebrum

Ontem o parvo do Marco Horácio miava em pano de fundo no Salve-se Quem Puder que andava a Cerebrum. Alguma coisa havíamos de ter em comum. (e quem rima sem querer, é amado sem saber... onde é que andas, McDreamy? perto, perto...).
Anyway, eu e a Mzinha, demasiado ocupadas para mudar de canal, ainda tivémos uns ataques de riso à conta da palhaçada decadente que é aquele programa. Ataques de riso esses que a mim me custaram um recorde no Mahjong, mas enfim, ninguém é perfeito. A verdade é que entre Cerebrum e caminhadas à tarde, as sestas para compensar as poucas horas dormidas por noite por causa da terceira temporada de Dexter, e o tempo em que estive a trabalhar, continuo de rastos. Acho que, em vez de Cerebrum, devia era hibernar o fim-de-semana inteiro. Mas, cacete, são as eleições, e professor que se preze não perde estas.
Lá vou eu, de malas e bagagens, para a Capital, a ver se, para além de exercer o meu direito cívico, dou uma vista de olhos ao Museu da Paula Rêgo e compro umas calças de ganga e uns sapatos fechados, que isto de andar de sandaloca é muito bonito mas na semana passada apanhei uma chuvada valente e constipei as patas.
Entretanto, ofereceram-me uma nespresso... e nunca bebi tanto café na minha vida. Verdade seja dita, há muito tempo também que não tinha tanto sono. Definitivamente, ando com o mundo ao contrário. Quando até com o Marco Horácio me identifico, o céu deve estar prestes a tombar. Ou o céu, ou eu.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Para quem se pergunta...

...que treta é esta, nove posts escritos no mês de Setembro, quatro em Agosto... que decadência é esta? Jade responde, que não quero cá dúvidas que vos tirem o sono: ando com a vida aos trambolhões.
Mas isso é bom, reparem, é sinal de que tenho uma vida. Isto para responder aos amiguinhos que passavam o tempo a chatear-me com a frase "Get a Life!". Pois é, got one.
E mete vícios do cacete, tipo ver de empreitada as temporadas do Dexter (ai, merda, são três da manhã... só mais este), ou jogar Mahjong (Fónix, Mzinha, que espécie de batota fazes tu?), ou passar horas a rir-me alarvemente com o meu melhor amigo, (e já te contei aquela vez em que...) ou outras tantas na conversa ao telefone com a outra-que-não-é-minha-amiga-mas-imita-bem (faz-me companhia no regresso a casa... ok, tás fixe? ouve lá, deves estar a gozar comigo: são tantas da noite e estou a ir para casa, achas que tou fixe? Fuod*-se!).
Isto são coisas que consomem o tempo livre de uma pessoa. Tempo livre que, aliás, anda escasso, que chego a fazer cem quilómetros por dia para não ficar no enclave três horas e meia seguidinhas. Fora o tempo em que estou a ensinar a catraios de nono ano a diferença entre "How are you?" e "How old are you?". Detalhes, pormenores. Coisas de somenos importância, na avaliação adolescente da língua inglesa. How are you? I'm fifteen. Depois desta resposta só me apetece dizer "Me too. I'm fifteen times depressed. And a hundred years old".
E é assim que me falta o tempo para posts. Até para escrever coisas idiotas é preciso ter inspiração. E tempo. E vontade. E eu não tenho. É que agora tenho uma vida. E, por falar nisso, vou ali já venho, papar uns Dexters e tentar fazer mais cem pontos no Mahjong. Não páro, é uma maluqueira! Até... um dia destes.

É um pássaro? É um avião?

Não... é SuperJade no Lava-Mão!!!
Sempre me transcendeu a rapidez, a perícia e a acutilância requeridas para lavar as mãos como deve ser com a bendita solução alcoólica: aquela treta evapora antes de teres tempo sequer para entrelaçar os dedos, que dirá para fazer todo o ritual de contingência...
Depois de apanhar várias pedradas com o cheiro do álcool, e andar aos tropeções pela sala de aula com uma bebedeira do cacete, assumindo todas as deficiências que tenho ao nível da motricidade fina, lá me fui orientando. Practice makes perfect, e agora é ver a SuperJade a desinfectar-se em tempo recorde, lembrando, e superando, McDreamy scrubbing for surgery. (Facto a que não será alheia a minha verdadeira obsessão por ganhar à Mzinha no Mahjong do hi5. Ando a mexer os dedos mais rápido que a própria luz...)
Quanto ao jogo, népias, acho que ela tem algum truque que eu desconheço. MAS... sou recordista nos dois-segundos-dez-dedos. Ah, pois sou. É lindo, lindo de se ver. Very impressive, indeed. E digo-vos, se, depois desta, apanhar gripe A, temos o mundo ao contrário.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

PDI

É uma sigla. Toda a gente acima dos trinta a conhece. Dá para muitas situações. Quando engordas:PDI! Quando emagreces:PDI! Quando tens que comprar uns óculos: PDI! Quando te esqueces do que ias dizer, fazer, buscar, comprar:PDI!
E, depois, há PDIs privados.
O meu ficou hoje bem definido.
Entrei, receosa e insegura, às sete da tarde, numa sala de informática a fim de conhecer o meu "grupo de adultos". Entrei com ar cool, mas as pernas bambas, a pensar "Que cara*ho vou eu dizer que preste a esta gente sobre orçamentos e impostos? Eu que, se não fosse a Mzinha, mandava a aplicação electrónica de preenchimento do modelo 1 do IRS com os porcos? Isto vai ser bonito, vai... vai ser um enxovalho! Esta malta vai logo perceber que não faço a mais pequena ideia do que é suposto ensinar-lhes! Grand'a ursa..."
Ainda estava a passar a ombreira da porta quando noventa por cento dos adultos dizem, em coro, estupefactos: STÔRA?????!!!!
PDI.
Os meus adultos foram meus alunos de Inglês, nos bancos desta mesma escola, há seis anos atrás. Tinham, na altura, entre catorze e dezasseis anos.
Educação e Formação de Adultos? Foram meus alunos de oitavos e nonos anos! Serão para sempre GAIATOS!!!
P-D-I!!!
(mas com grande alívio, confesso, porque estes, decididamente, ainda sabem menos do que eu.)

domingo, 13 de setembro de 2009

Borboletas no Estômago?

Hoje passei o dia com uma amiga a trabalhar em matrizes e testes de diagnóstico. Antes de sair de casa, à conversa com outra, referia-me a ela como "um híbrido entre colega e amiga". Isto porque fomos muito próximas no ano em que dei aulas nesta escola em que agora efectivei, mas apesar de morarmos pertíssimo uma da outra, afastámo-nos completamente quando mudámos de escola. Por nada. Porque é a vida. Sem simpatias ou antipatias, sem cobranças, sem telefonemas no aniversário e no Natal, sem cafezinhos ao fim-de-semana.
Hoje, depois de cotações, competências e parâmetros, começámos a pôr em ordem a vida. Seis anos de novidades, por esta altura transformadas em velhos trapos que cheiram a bafio. Recuperou-se a cumplicidade perdida. Falou-se das escolas, das famílias, da saúde, dos amores.
Este último assunto deu, obviamente, pano para mangas. Para a camisola inteira, para ser mais precisa, com um longo cachecol a condizer. Dei por mim a contar-lhe as minhas desventuras e a desencadear ataques de riso incontrolável nesse processo. Dei comigo a fazer piadas e trocadilhos parvos à conta das relações estranhíssimas que tenho tido desde há seis anos para cá. E sempre com ela aos risinhos em pano de fundo, a dizer, não te podes queixar da monotonia; e eu a recalcitrar, ora obrigadinha, só me saem duques e cenas tristes, cacete, achas isto normal?
Já era noite cerrada quando ela remata, muito séria, e não tens saudades das butterflies in your stomach? Calei-me um milionésimo de segundo, a ponderar. Não é assunto em que me apeteça muito pensar, nesta fase da minha vida. Veio-me à cabeça dizer-lhe "In my stomach? Antes queria uma lasagna ou um chao-min com gambas". Em vez disso, respondi-lhe "E se fôssemos jantar ao chinês?'"
No meu estômago, de momento, prefiro alimentos que me dêem boas digestões a insectos coloridos e alados. Seriously. Definitely.