... encontro-me em estado de negação.
Só um estado de negação absoluta justifica que esteja toda a gente prestes a cortar os pulsos com o trabalho de arranque do ano lectivo e eu me apresente de ar blasé em tudo o que é reunião. Como se nada fosse e aquele filme não me dissesse respeito.
Só um estado de negação absoluta justifica que esteja toda a gente prestes a cortar os pulsos com o trabalho de arranque do ano lectivo e eu me apresente de ar blasé em tudo o que é reunião. Como se nada fosse e aquele filme não me dissesse respeito.
E depois, porque ainda há escolas com algum bom senso, a minha colega de casa tem o descaramento de dizer que esta semana não põe cá os pés, já que as horas que tem de escola são tão poucas e concentradas que justificam fazer a viagem de regresso ao lar paterno.
E eu, sem Mzinha a trabalhar e a inspirar-me a fazer o mesmo, não faço ponta de chavelho. E nem sequer me pesa a consciência, de verdade.
Em vez disso, vou jantar fora. Ou arranjo quem venha jantar comigo. Ou vou caminhar e espairecer. Ou voluntario-me para fazer traduções literárias que me dão um gozo desmedido(basicamente como se estivesse de férias, e me pudesse entregar a actividades lúdicas, a hobbies, às paixões de sempre). Ou vou tomar cafezinhos sempre que sou desafiada. (já devo ter o sangue da cor da cafeína). Ou vejo as temporadas das minhas séries favoritas que me chegam de surpresa à caixa de correio. Ou falo horas ao telefone com os que estão longe.
Ando ocupadíssima. Num virote. Parece é que estou num filme surrealista. Só num filme surrealista eu poderia ser a personagem-zen quando o resto do Mundo está a alucinar histericamente. Por isso, acredito mesmo, e declaro solenemente, que é oficial, estou em negação, e não tarda sou despedida da função pública.
Claro que a culpa será, em último caso, dos meus amigos. Ou deste calor que não me deixa pensar, processo que mesmo em dias frios já é suficientemente raro e doloroso...
E agora vou ali já venho, deitar-me e dormir, que estar ao computador lembra-me das coisas que tenho que fazer... ou melhor, teria, se acreditasse mesmo nisso.

