terça-feira, 14 de julho de 2009

Looking Back...

...over my shoulder, dei com o último Conselho de Turma da escola onde estive por três anos. É uma sensação estranha, saber que não me vou sentar mais naquelas cadeiras com aquelas pessoas. Saber que não vou partilhar mais aquele ambiente de trabalho, aquele modo de fazer as coisas, aquela sala de professores e o bar, em cafezinhos rápidos ou lanches mais demorados. Olhar para aquela gente e pensar, como tantas vezes hoje, "não vais ter nunca mais o prazer de trabalhar comigo" ou "já te livraste de mim, já viste que conveniente, até pareces mais leve, à despedida..."
Detesto despedidas. Mesmo quando, como o Pan, me dizem "de ti jamais me vou despedir" e eu sei que é verdade, também é verdade que há coisas que se perdem para sempre, quando duas pessoas deixam de ser colegas. Porque há coisas de colegas que mesmo os amigos jamais partilham. E há colegas que jamais serão amigos mas que, ainda assim, são pessoas com quem gostamos de estar.
E eu estou muito aliviada por não ficar na mesma escola e sei que é sítio onde não quero regressar. E esta convicção faz-me ter, então, a tal certeza de que há pessoas com quem não vai haver mais conversas casuais, mais partilha de trivialidades ou má-língua pura, há pessoas que, muito provavelmente, não voltarei a ver a não ser por um ou dois minutos, numa fila de supermercado. E embora esta sensação seja, no geral, muito gratificante, que cheguei a ter pesadelos com a hipótese remota de ir parar à mesma escola, tem também um timbre de saudade, quando as caras em questão mudam.
Apesar de tudo, e saltando para outra canção, o meu objectivo hoje, que saí mesmo de lá, é cumprir o conselho daquela banda "But don't look back in anger..."
Não está fácil, mas lá chegarei.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Querias...

... Foi o que Deus me disse, quando arregalei os olhos ao saber onde fiquei efectiva, e Lhe perguntei "What the f*ck is wrong with you? I said ALLgarve! I prayed ALLgarve!"
Não cuspo no prato que me alimenta, e estou grata por estar efectiva. (Sempre posso levantar o nariz em frente às pessoas que me conhecem, e percebem a ironia, e dizer "respeitinho, que eu agora sou uma professora a sério...") Mas, caramba... concorri de Aveiro ao Algarve e fiquei a vinte quilómetros da Cidade de Deus! Fiquei no Bunker! Não saí do Ghetto! Não tive a experiência agri-doce de ver a placa desta cidade, tão linda que fica, pelo espelho retrovisor, pela última vez. Não pude dizer, à meia-dúzia de seres que interessam aqui, "eu depois venho visitar-vos, num dia de sol a nevar...".
Deus, o supra-sumo da ironia.
E eu estou-lhe muito grata, enquanto o insulto a olhar para o meu futuro, que queria um virar de página e foi, apenas, um ponto final, parágrafo.
(suspiro)
Já fui à nova escola. Alguém surpreendente disse, lá, a apresentar-me a um colega. "Esta é a fulana-de-tal. Já cá deu aulas há uns anos e é muito fixe. É minha amiga". E pronto, caíu-me muito bem. Normalmente sou eu a dizer isso dos outros. Há muito que ninguém dizia de mim, "é minha amiga". Coisinha simples, mas de tanto valor, uma fogueirinha íntima a aquecer a essência da Jade. Por isso, vou dar umas tréguas a Deus até Setembro. Depois se vê como é que corre a mudança de parágrafo.
E Ele: ALLgarve, ALLgarve, queres não queres? Querias...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Jade, from A to Z

Apaixonada. Sempre. Nem que seja apenas pelas suas convicções, valores e ideias, que defende, apaixonadamente, até ao fim, sem olhar ao preço que invariavelmente por eles tem que pagar.
Brilhante. Faz questão de ser brilhante todos os dias, nem que seja só no gloss dos lábios.
Carismática. Involuntariamente. Adoraria ser consensual. Seria mais fácil encontrar-se em opiniões alheias sobre si que não fossem tão díspares, mas enfim, ou é amada ou odiada e o meio termo anda pela rua da amargura.
Determinada. Decidida. Drástica. Há coisas que empastela anos a fio. No dia em que acorda com a decisão tomada, venha o Papa, venha quem vier, não há volta a dar.
Enervante. Elegante. Tira quem lhe apetece do sério. Mas sempre com elegância. Até a dizer palavrões de all-stars surrados.
Felina. Em tudo. Frontal. É o seu pior defeito e não há meio de se livrar dele, por mais que a vida lhe mostre que assim não vai longe. Ainda está a pensar “tem calma contigo” e a sua verdade mais profunda já lhe saiu boca fora. Temos pena.
Gira. E boa. Como os helicópteros. Genuína. Até doer.
Humilde, não se nota? E honesta, sempre. Principalmente consigo própria que não tem feitio nem paciência para auto-violentações.
Inteligente. Muito Inteligente. Inteligentíssima. Até quando é burra e parva a dar com um pau. Infantil. Impaciente. Idiota todos os dias. Porque tem ideias todos os dias. São é parvas.
Jovial. Dia sim, dia não, dia não, dia não, dia não, dia sim. A tentar inverter a mé(r)dia do seu feitiozinho peculiar.
Livre. De preconceitos, pelo menos.
Má como as cobras. Melodramática. Mulher. Menininha.
Natural, pouco dada a artificialismos. Exceptuam-se a maquilhagem e os soutiens pull-up, que uma mulher também não tem que assustar ninguém, nem tem culpa de sair ao pai nos peitorais.
Opá, não sei. Com “O”… Otária. Frequentemente.
Parva. É muito parva, a Jade, a começar pelo sentido de humor e a acabar no altruísmo que só lhe traz dissabores.
Querida. Muito querida. Pelo menos é o que diz quem gosta dela, e os outros… who gives a damn?
Resmungona. Resingona. Respondona. Acho que não são precisos mais sinónimos, nem fazer um boneco…
Solidária. Sincera. E simpática. Com quem merece e muito de vez em quando, mas ainda assim.
Tolerante. Até ao ponto de se tornar uma perfeita anormal. Ou uma autêntica banana, como afirma a sua mãe, sempre que pode.
Um por todos e todos por Um. É o seu lema.
Valente. Era o que o avô queria que ela fosse. Voluntariosa, é o que ela é.
X. é a sua letra inicial. Marca-lhe a identidade para os amigos e família. Não responde por outro nome, na intimidade. Identifica-se desde pequena com este X. X marks the spot. O X marca o tesouro.
Zzzzz. Adora dormir. Zen. O estado que não alcança por mais que tente.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Reconhecimento Póstumo


Hoje, estava no bar depois da reunião de departamento a deitar, literalmente, conversa fora com uma colega de Espanhol que acumula horário noutra escola, precisamente a primeira em que dei aulas quando vim parar à Cidade de Deus. Já lá vão dez anos ou quase.
Estive nessa escola apenas um ano e entrei lá com um tal aspecto que muitas vezes os funcionários olhavam para mim confusos, tentando avaliar se era professora ou aluna. Ora tendo em conta que os alunos mais velhos têm 15 anos, tal não abonaria muito a meu favor. O Presidente do Executivo tratava-me por "cachopa" ou "cachopita". Os senhores da secretaria falavam comigo como se eu fosse uma miúda com Necessidades Educativas Especiais. Quando de lá saí, e rumei ao Norte, nas vezes em que me recordava desses tempos, achava sempre que tinha feito a maior figura de parva da história da docência em Portugal.
E hoje a minha colega que lá dá aulas, e que foi colocada na nossa escola já tarde, e pouco lá parou, sempre de um lado para o outro, e que por isso mal me conhece pelo nome, saiu-se com esta pérola: “Pois, tu chamas-te não-sei-quantas... agora é que estou a associar, fulano-de-tal (meu antigo coordenador de Departamento, e nessa altura Presidente do Pedagógico e membro do Executivo) é teu amigo?”, e eu, "Amigo? Não diria amigo, já não falo com ele há anos… mas sim, damo-nos bem”. E ela “é que ele disse-me, quando lá entrei e ele soube que também dava aulas aqui, que tu eras espectacular, muitíssimo competente e uma excelente colega. Para eu não me deixar impressionar com o teu ar (presumo eu, um ar arrogante, antipático e temível), que te dissesse duas ou três larachas, ou pedisse ajuda frontalmente, que tu tinhas a mania que eras má mas só não fazias pelos outros aquilo que não pudesses mesmo!”
Há ironias filhas-da-puta. Não pude deixar de sorrir e de agendar um telefonema ao cromo que me anda a descobrir a careca pela Cidade-de-Deus. Mas não deixa de ter muita graça ver o meu trabalho reconhecido dez anos depois, por colegas da primeira escola alentejana em que dei aulas, quando rezo, todos os dias, para que a presente seja a última e, diga-se de passagem, não me sinto por ela lá muito bem tratadinha, ah pois não.
Todos os génios são homenageados, de facto, postumamente.

domingo, 28 de junho de 2009

The Final Countdown

Europe, anos 80. Ou terá sido já nos 90? Anyway. I'm thrilled. It's almost over. E ando à procura daquele pingente com a mala de viagem, para a minha Pandora. Já que NINGUÉM me oferece daqueles românticos, acho que está na hora de oferecer um irmãozinho à pérola que a minha mãe me deu. Só rezo, rezo, rezo, para que seja o da mala de viagem. And God Speed...

Conversas de Gajas

Hoje saí à noite com uma amiga. Estivémos um bom par de horas na conversa. E foi redentor. Há conversas que só dá para ter com mulheres. Descrever umas sandálias que vimos há três semanas, por exemplo, até ao pormenor mais ridículo, sem que a outra perca o interesse, muito pelo contrário, dar toda a minúcia dos detalhes e a tua ouvinte acenar, de olhos arregalados, e fazer perguntas do género “salto agulha?” e tu, não, pá “stilletos”, é “stilletos” que se diz… já foste ao site do Louboutin? Do quê? Ai, a minha vida "melher"… do Louboutin, o Deus dos Sapatos, mas tu não vês televisão? Não lês a Elle? E ela, ai, caneco, ando desactualizada, logo eu que adoro sapatos… e eu, e das Melissas, já ouviste falar? E da colecção de havaianas da Bündchen? E ela, conta, conta, conta-me tudo!
Vá lá, ela já sabia que as pochettes agora se chamam “clutch”, mas ensinei-lhes que os macacos ou macacões dão actualmente pelo nome solene de “all-in-one”. E voltámos às sandálias, comigo a dizer-lhe: não eram umas Louboutin, mas custavam cem euros, cacete… cem euros! E ela, olha, estas, foi o que custaram, e eu: são giríssimas, mas repara, as outras seriam para usar uma vez ao ano, com sorte, e ela, pois, e estas também não fui eu que as paguei...
Quem lhas deu, na altura, foi o namorado. Suspirei. Apre, tenho mesmo dedinho para homens mão-de-vaca. Só me oferecem, e já vou com sorte e é raro, livros e filmes em DVD. Ou gadgets. Gadgets, a mim, que embirro solenemente com tecnologias, só uso o telefone para chamadas e sms, e não faço puto de ideia de como as músicas vão parar dentro do MP3. Suspirei de novo. Não sei que raio de ideia passo eu aos namorados, caneco. Está bem que sou um bocadinho a dar para o arrogante-intelectual, mas o que é que passa pela cabeça de um homem para oferecer um livro a uma namorada? Ou a porra de um MP4, ainda por cima feio, porque “não consegui arranjar o cor-de-rosa que tu querias…” (quando a única coisa a que eu acharia piada no dito objecto seria, precisamente, a cor)
Ando com a pontaria muito aquém do desejável. Os gajos acham que eu vou lá com poemas. Que me desfaço de amores com presentes simbólicos. Que suspiro por cartas de amor. Que sou doida por livros, músicas e filmes. E sou. Mas esses escolho eu, compro, peço emprestado, leio compulsivamente nas livrarias, viro a Fnac do avesso, passo a pente fino a Almedina. Isso lá é romantismo?
Flores, também… dispenso. A não ser que seja um girassol no timing certo, murcham e deitam-se fora. Agora, a minha amiga, essa sim, fez-me inveja. Só um homem que sabe bem o que faz oferece à namorada um par de sandálias de cair para o lado. Ou a carteira que ela anda a namorar. Ou um perfume maravilhoso. Ou “aquele” relógio que a faz babar vezes sem conta em frente à montra. Ou roupa, pulseiras, anéis, brincos, écharpes, havaianas, gorros... enfim, a parafernália é infinita e não é preciso serem coisas caras por aí além. Há que ter pinta e dar-nos graxa à futilidade, somos mulheres, caramba!
Daquela vez que o meu namorado me ofereceu o MP4, estive para enrolar os phones à volta do braço para me servir de pulseira (mas era tão feio...). Quando me ofereceram pela vigésima-sétima vez uns poemas (eram sempre de autores diferentes, mas enfim), considerei fazer uns furos nos livros para os prender às orelhas, tipo brincos (mas faltava-lhes um je-ne-sais-quoi de fashion). Uma mulher gosta de presentes que possa usar, que a enfeitem, que possa trazer consigo de amuleto, e dizer "foi o meu rapaz que me deu, não é tão liiiindo?" Tentem fazer isso com um DVD.
Por isso, enquanto hoje se falou de moda e eu dizia à minha amiga: "tu actualiza-te, que estás na Cidade de Deus, e podes estar de patas na lama… desde que estejas calçada de Blahniks…", pensava, de mim para mim, na intimidade do mais profundo ser que, da próxima vez que um namorado me ofereça um presente a que eu não ache graça, hei-de arranjar maneira de o meter (ao presente, não ao namorado) na minha Pandora. Oxalá não seja um aspirador, que ele há gajos para tudo.

sábado, 27 de junho de 2009

Lollipop

Ofereceram-me um chupa. Um daqueles à antiga, da nossa infância, com um whirpool de cores quentes, redondo, espalmado.
Como é muito apetecível, já o abri. Sabem para quê? Não, não foi para lhe dar uma lambidela e voltar a fechá-lo, que isso é nojento.
Abri-o ontem... para o cheirar. Não cheira a nada, que decepção.
Voltei a embrulhá-lo e meti-o num dos copos da minha colecção de lápis. Já o tenho há quase um mês, e há-de apodrecer intacto.
Adoça-me a vista.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Intervalo

Dos per7ume, conhecem? O livro que eu não li, o filme que eu não vi?

Este é o post que eu não escrevi.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Quem é um doce?

A semana vai ser de fugir para os Sagitários, pelo menos é o que diz a Maya. E como hoje AINDA é Segunda-Feira, aqui vai um presentinho de incentivo a todas as Sagitárias de bom gosto.
Quem é um doce, quem é?
Eu... e o McDreamy.
Uma semana McFantastic para todas...



Esta fotografia está no meu ambiente de trabalho. Tipo amuleto. Voltei à adolescência? Também, mas gosto de pensar que sou, apenas, supersticiosa...
Pronto, antes que me trucidem... para as meninas dos outros signos também: não que precisem tanto como nós, mas enfim . Imbejosas...

sábado, 20 de junho de 2009

How to... (1)

... Survive a Saturday When You Have to WORK.
Tenho tendência para achar que há certas coisas que só me acontecem a mim. E são sempre coisas más, do reino do incrível. Não acredito que isto seja um acaso ou obra de Deus, acho que tal como toda a gente tem um anjinho da guarda (com características muito próprias, e o meu identifica-se facilmente por hibernar meses a fio e deixar-me entregue aos bichos), toda a gente tem também um demónio de estimação (e o meu é muitíssimo mais competente que o sorna do anjo) para nos infernizar vida e juízo, e assegurar de que tudo pode dar para o torto nas piores alturas.
Por isso, resolvi criar esta rubrica de conselhos no meu blogue. É inspirada nos meus queridos Amaricanos, e adaptados à realidade de mulheres como eu, com anjos meio-totós e indolentes e demónios alerta e meio-parvos.
O cretino do meu diabrete ri-se histericamente sempre que me prega a tal rasteira em que caio 9 em cada 10 vezes. Sempre que dou voltas à Senhora da Asneira, sempre que me apaixono pela pessoa mais imbecil que existe no meu grupo de opções, sempre que cometo a maior gaffe da sala com uma plateia enoooorme, sempre que estou de cama no dia "da melhor festa", ou estou convocada para vigilâncias no dia em que vai tudo dançar para a discoteca. Ri-se, o estupor.
Hoje, dia quente, primeiro dia de folga depois de uma semana que, como deram conta os mais perspicazes, foi de fugir, a Jade lixou-se: Acção de Formação todo o santo dia. E eu resmunguei, de manhã, ao levantar-me cedo, resmunguei horas a fio, metida numa sala sem ar condicionado, resmunguei a apresentar um trabalho chatérrimo, e insultei o palhaço do diabrete de cinco em cinco minutos ("Mas porquê eu? Que merda, pá... uns a dormir, outros na praia e eu aqui...").
À hora do almoço mandei o viscoso do demónio para o inferno. Vim a casa e vesti o bikini. Senti-me logo melhor. Depois combinei com uma amiga um mergulho numa das piscinas cá do sítio, mal virasse costas à Acção. E lá fomos, todas contentes, de havaianas a chinelar. E démos de caras com montes de alunos, que agora que já não nos aturam, nos tratam muitíssimo bem. A seguir, pimba, cerveja e caracóis, pãozinho torrado e sorrisos na tasca em que somos recebidas como se fôssemos família. Depois, sesta. A seguir, jantar e caipirinhas.
Hoje mandei o Demónio para o inferno e obsevei-o de cima, com um sorrisinho de troça. E enquanto o observo, furibundo, aos pinotes de raiva, arranjo-lhe de repente um nome: Dr Hannibal. E cuspo-lhe a deixa nas ventas, enquanto troço dos pontapés que dá nas paredes, "Quid Pro Quod, Dr Hannibal". Quem ri por último...
How to Survive a Saturday Working? Begin your Party a Little Later. But Do It Anyway.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

E renasce a Fénix, fónix


(roubado ao blogue da Paddy. mas fazia sentido e não tenho mais nada para dizer)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Hoje, 15 de Junho

Hoje, 15 de Junho, é o dia exacto em que se chega a metade do ano civil.
Hoje, 15 de Junho, é o dia.
Foi o dia. Foi o dia em que a primeira metade do ano civil me caíu em cima, aos trambolhões, desde que me levantei até que, por fim, cheguei a casa. E talvez até depois disso.
Hoje, 15 de Junho, na exacta metade de 2009, só tenho a dizer que a vontade de morrer, felizmente, nada se relaciona com a atitude de nos querermos matar.
Hoje, 15 de Junho, a expressão "fiquei para morrer" ganhou um novo sentido.
Hoje, 15 de Junho, aconteceram todas as coisas erradas nos momentos mais infelizes.
Hoje, fechou-se a primeira metade do ano. E eu morri diluída nas lágrimas de algumas colegas minhas, no desespero delas a antever o meu.
Hoje, estou farta disto. Com uma fartura que inclui tudo, e até este blogue.
Hoje, hoje, hoje, subscrevo a frase do Pedro Paixão: Viver todos os dias cansa.
Hoje despeço-me de vocês até qualquer dia, que não há vontade de nada. De nada a não ser acabar com a Jade, já que não há forma de acabar com a parva da outra, que dá, há trinta e três anos e mais de meio, pelo mesmo nome próprio.
Hoje, se perguntarem por mim, digam que morri: não vão estar muito longe da verdade.
Até um dia destes, aqui ou por aí. Hoje, não. Hoje, mais, não.

sábado, 13 de junho de 2009

Sobre a Gratidão


Há uns dias atrás, uma amiga minha explicava-me a dificuldade que tinha tido ao tentar explicar o verdadeiro significado da palavra “obrigada/o” a um estrangeiro, e o desconforto que sentiu na altura, por achar que o povo português ficava mal visto na fotografia, por expressar a gratidão de forma quase comercial: “Fizeste-me este favorzinho, estou por isso obrigado/a a retribuir-te”. Por isso, as mulheres devem dizer sempre a palavra no feminino e os homens no masculino, uma regra de gramática que muita gente descura por desconhecimento do que está, realmente, a dizer.
Aquando da mesma conversa, ela disse que esta era uma das palavras que mais ouve, o que, conhecendo-a como conheço, não me espanta. E eu disse, "eu também", porque ela ainda ia a meio da frase, e eu achei que ela ia dizer que era uma das palavras que mais usa. E eu, tal como afirmei no "Auto-retrato", se fosse uma palavra, seria “obrigada”. Não dispenso esta palavra a ninguém, por menos importância que tenha o acto em si. Sou uma pessoa grata com o bem que recebe, sempre. E não entendo a ingratidão. Fere-me, quando é comigo, e deixa-me literalmente doente quando o alvo é alguém de quem gosto.
A meu ver, poucas coisas são evidência maior de um espírito podre que o desrespeito pela ajuda alheia, ou o princípio de que as pessoas são obrigadas a colaborar ou a facilitar-te a vida de alguma forma. Arranjam-se sempre desculpas para este procedimento: somos amigos, és minha mãe, somos uma equipa, conheces-me há anos, já fiz muito por ti, sei que gostas de mim; tudo serve para fazer cobranças, para exigir atenção, para usar a boa-vontade alheia na justa medida dos nossos menores caprichos. E isso é, do meu ponto de vista, uma falha de carácter grave.
O nosso “obrigado/a” é feio, adianta pouco e é, quase sempre, irrelevante para quem ouve mas, ainda assim, é o mínimo de boa-educação requerido a quem teve a sorte de ter tido alguém que se desviou do seu caminho para ajudar outro ser. Melhor do que a palavra é, sem dúvida, uma atitude de reconhecimento mais óbvia, um elogio, um abraço ou um beijo, um presente, um sorriso, um postal. Ainda assim, como tudo isto pode ser interpretado como a tal paga que quem ajuda de coração nunca espera, e com a qual se pode até sentir insultado ou desconfortável, por enquanto, e por ter ficado a pensar na tal conversa, eu, a senhora “obrigada, muito obrigada ou obrigadíssima”, vai passar a substituir o seu léxico mais comum pela expressão “grata” ou “muito grata”. E continuar, sempre, a distribuir elogios, beijos, abraços e presentes, que há seres que me preenchem o Mundo que os merecem todos os dias.
É que eu gosto de fazer aos outros o que quero, e espero, que me façam a mim… e eu sou a tal que detesta “obrigados” e, ainda assim, se derrete com um beijo dado na altura certa. Recompensa por recompensa, nada recompensa mais que o carinho que deste, devolvido em dobro. Quando a moeda de troca é o carinho, todo o comércio é comércio justo.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Mar Adentro

Em caso de naufrágio diz-se que os ratos são os primeiros a "abandonar o barco". Tal expressão é usada comummente para identificar cobardes ou traidores. E eu pergunto, em caso de naufrágio, abandonar o barco não é, tão só, sinal de inteligência e perspicácia?
Sempre tive queda para ser drama queen. Sempre tive alma de comandante, o mundo a ruir, o icebergue a destruir todas as hélices, a vida a meter água por todos os lados, as evidências a gritar salta fora e eu, firme e hirta, a afundar-me com o resto. Estóica. Persistente. Teimosa nas convicções. A morrer uma e outra vez, resignada à sua triste sorte. Coragem, abnegação? Chamemos-lhe, apenas, propensão para o abismo ou, tão simplesmente, rematadíssima estupidez.
Tenho um medo denso de barcos. Uma fobia ancestral que se me cola à pele e me arrepia à simples visão de fotografias do Titanic no fundo do mar, ou de um simples quebrar de uma garrafa de Champagne num casco novinho em folha. Aliás, eu, que adoro viajar mais do que qualquer outra actividade no Mundo, tenho um medo irracional de tudo o que é transporte. A minha visão do idílio seria dar a volta ao Mundo a pé. Caminhar sobre as águas como Cristo, se preciso fosse. Ou, ainda melhor, dividindo as águas dos mares como Moisés, para as fazer abater sobre perseguidores inconvenientes. Yeah, that suits me perfectly.
E eu acho que muito desse medo de barcos está relacionado com a metáfora, não do afogamento, mas do afundamento. Magrita como sou, é contraditório que afunde sempre a tão grande velocidade, mas é a pura das verdades.
A caminho de Lisboa, com as mãos no volante do JadeMobile, a rádio passou uma das minhas músicas favoritas "O Homem do Leme". Como acontece tantas vezes, descobri-lhe novas nuances. Porque as canções que nos emocionam, se forem boas, encaixam em fases diferentes das nossas vidas e tocam-nos de formas díspares consoante os momentos. E retive, desta vez, alguns versos que transformei em mantra:

Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...

No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
No fundo horizonte
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais...

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...





Não sei se a vida é sempre a perder. É óbvio que não ficamos mais novos e o destino da viagem é igual para todos. Mas dizem que o importante não é o destino mas a viagem. E eu concordo. E vivo tempos conturbados ou, para me citar a mim própria numa frase já publicada por outros bloggers, "A existência não está para graças". Então, no meio de toda a filosofia de cordel que me tem passado pela cabeça nos últimos tempos, cheguei à conclusão que mudei de barco. Recusei-me a ser comandante do que estava a afundar, uma vez na vida e, não ao primeiro, mas ao derradeiro sinal de alerta, fiz como os ratos, e saltei fora. E, agora, "rompendo a saudade", aproveito um misto de vontades "de rir e de ir", deixando para trás "os outros", "os que jazem", "os que lá ficaram", e persigo o que foge porque, para insistir no que não tem remédio, "é tarde demais". Persigo, então, o futuro. E não, não tenho medo. Leram-me hoje as palmas das mãos. E vem aí um corte. Vem aí o desconhecido. Mas vem aí paz, calma. Diz que vem aí estabilidade. E eu, céptica até certo ponto, decidi que atrás do leme, "vai quem já nada teme". Mar Adentro, vai o homem, dirigindo o leme, em metafórica eutanásia.
Só que o homem do leme, contra todas as expectativas, é uma Mulher. Com M maiúsculo, de Maravilhosa. E J... de Jade.

domingo, 7 de junho de 2009

Justificação

As pessoas esquecem frequentemente a importância do que é pequeno. A importância do que é repetido. A importância do que parece, apenas, mais uma situação igual a tantas outras.
Eu chamo-lhe a gota-de-água que faz transbordar o copo.
É a minha justificação e a minha desculpa.
Faz-me parecer desequilibrada. Faz-me parecer excessiva. Faz-me parecer idiota, má, ressabiada. Serei tudo isso, sei lá, who cares about labels?
O que é importante, no meu ponto de vista, é que a gota-de-água faz transbordar um copo já de si cheio. E a mim parecem-me desequilibradas, excessivas, cruéis, más, isso sim, as pessoas que me rotulam pela atitude pós-gota-de-água, ignorando todo o copo que, ao longo do tempo, ajudaram a encher. A mim, parece-me estúpido que, por um pormenor que até pode ser inocente, o mundo se apresse a dizer que tenho um feitio do pior, que acordei de mau-humor, que não tem que levar com as minhas fúrias, esquecendo tudo o que vem de trás.
Isso sim, incomoda-me. Incomodam-me a insensibilidade e a falta de um espelho que certos seres usem para avaliar as suas próprias atitudes.
Às vezes deixo de falar às pessoas por pormenores absurdos. Simplesmente nunca é por isso, exactamente, que lhes deixo de falar. E a estupidez humana, quando vinda de gente inteligente, faz-me muita confusão.
E comigo o copo entorna sempre, mas sempre, por motivos triviais. Só que repetidos ao expoente da loucura, e cruzando os limites da paciência. Um simples comentário que cai mal agiganta coisas muito mais graves perdoadas anos a fio anteriormente. Sou assim. É assim que eu sou. Esbofeteiam-me, massacram-me, esborracham-me literalmente contra o alcatrão da estrada e eu levanto-me e volto a sorrir. Um dia, pisam-me ao de leve, e o meu caminho nunca mais cruza o do incauto que me pisou. O mesmo ser que tantas vezes foi perdoado por coisas tão piores.
Sou assim. Não acho que seja desequilibrada. Acho, isso sim, que sou demasiado tolerante. Tão tolerante que toda a gente acaba por se convencer que essa tolerância é infinita. A minha loucura é, então, o facto, natural e evidente ao senso comum, de que nada é infinito.
E a minha justificação é esta, se um dia te deres ao trabalho de aqui a vir procurar.

É que Hoje fiz um Amigo...


Os motivos são irrelevantes.

Poderia enaltecer a irritação dos últimos dias, ou a incerteza quanto ao futuro profissional, ou o desgosto de ver partir pessoas que fazem parte do meu mundo. Poderia, pelo contrário, sublinhar uma conversa que tive numa esplanada em que, no meu cepticismo atroz, tão desarmante quanto mentiroso, afirmei: "Os amigos fazem-se na escola, depois disso apenas conheces gente". Poderia, ao invés disso tudo, dizer que assisti a um concerto brilhante da Mayra Andrade, em que não conhecia uma única música e ainda assim me apaixonei. Ou poderia ir por outra via, e dizer que, há bem pouco tempo, alguém se referiu a mim de uma forma tão doce, terna e meiga, que me deixou sem mais opções, por falta de hábito e de resposta, que não fosse dizer uma enorme quantidade de disparates a desconversar. E que esse alguém terminava o seu texto (sim, ainda por cima foi por escrito), com uns versos desta música. Ou poderia ainda dizer que esta letra é das coisas mais deliciosas que já se escreveram em Língua Portuguesa, tendo em conta que não gosto sequer do Sérgio e, por isso, sou absolutamente imparcial (lembram-se de vos dizer que o facto de não simpatizar com as pessoas não me torna ceguinha às suas boas qualidades? Ora aqui está um excelente exemplo dessa verdade). Finalmente, poderia explicar que sou muito, muito, mas mesmo muito, sensível a todos os tipos de brilhozinhos nos olhos.

Por isso, excluindo todas as implicações românticas, que são maravilhosas e muito bem adaptadas a outras fases e experiências da minha vida de que tenho muitas saudades, por isso, dizia, hoje, hoje em especial, por motivos tão numerosos quanto irrelevantes queria dedicar esta música à Shadow, à Carolina, à Mzinha e ao House.

Não andei com nenhum deles na escola, enquanto aluna, bem entendido, só para que conste.






mas a grande verdade é que, sem dúvida nenhuma,
... (e)coisa mais preciosa no Mundo não há.

sábado, 6 de junho de 2009

Post-Scryptum à Cereja

Lembrei-me, entretanto, de uma frase de um colega, há muito tempo, no ano em que dei aulas no Norte. Já falei dele, do F., um rapaz que trarei sempre num lugar especial algures no ventrículo esquerdo, juntamente com mais dois ou três seres, da altura, que trocavam os vs pelos bs, mas não trocavam nada do que se pode chamar "importante": não trocavam elogios por achincalhos, obrigados, desculpas e gosto d ti por silêncios. Não trocavam amizades por interesses, nem tempo de qualidade por pressas indiferentes. Não trocavam a sua dignidade por nada, e preferiam morrer a ser desleais. Um ano inteiro, pelo menos.

E F. disse-me um dia, enquanto eu, insegura, lhe perguntava: "Achas que fulano de tal achou que eu estava zangada com ele? Opá, sou tão bruta a dizer as coisas, que merda!" E ele respondeu-me, estupefacto: "Tu, zangada? Fu*da-se, rapariga, diz lá, tu és capaz de te zangar realmente com alguém? Ninguém acredita nesta escola que isso é possível... tu, zangada. Havia de ter a sua graça. Já toda a gente aqui te deu razões mais do que suficientes para levar três estalos. Tu só resmungas e ris-te. Tem juízo, pá. Cresce. Quando cresceres, talvez te tornes capaz de te zangares a sério com alguém. Ou não, que és uma paz-de-alma".

Terei crescido finalmente, ou continuarei a mesma banana de sempre? Ai, F., a falta que tu me fazes!... As vezes que eu ouvia "A Moura tem a mania que é má", e me passavam logo as fúrias num sorriso de menina apanhada em falso.

Aposto nas dores do crescimento. Porque deixar de falar às pessoas de que não gosto e que não gostam de mim porque não há entendimento possível, é uma coisa. Zangar-me com outras que me dizem muito, é outra completamente diferente. E desde aqueles anos no Norte, infelizmente, isso tem acontecido. Hoje, por exemplo, estou mesmo muito zangada. Mesmo muito.

E eu só gostava de saber se fui eu que cresci, ou se, simplesmente, a malta do Norte me dava a volta com uma limpeza sem igual. Não levando a sério a minha resinguice. Mas, sobretudo, dando-me, todos os dias, razões para estar bem-disposta. Aquela malta sabia levar-te à certa, dirão uns. Tratavam-te bem, diz, simplesmente, o meu ventrículo esquerdo.
Só concorri até Coimbra. Devia ter concorrido, pelo menos, até ao Porto.

F., estejas onde estiveres, de pijama e apito, que estejas bem, e que continues a ver as pessoas à transparência. Era incómodo. Era embaraçoso. Mas foi inesquecível. E a prova está aqui, nove anos depois, num acesso de saudades. Um beijo do tamanho do Porto, que toda a gente sabe que é uma Naçon!