sexta-feira, 19 de junho de 2009

E renasce a Fénix, fónix


(roubado ao blogue da Paddy. mas fazia sentido e não tenho mais nada para dizer)

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Hoje, 15 de Junho

Hoje, 15 de Junho, é o dia exacto em que se chega a metade do ano civil.
Hoje, 15 de Junho, é o dia.
Foi o dia. Foi o dia em que a primeira metade do ano civil me caíu em cima, aos trambolhões, desde que me levantei até que, por fim, cheguei a casa. E talvez até depois disso.
Hoje, 15 de Junho, na exacta metade de 2009, só tenho a dizer que a vontade de morrer, felizmente, nada se relaciona com a atitude de nos querermos matar.
Hoje, 15 de Junho, a expressão "fiquei para morrer" ganhou um novo sentido.
Hoje, 15 de Junho, aconteceram todas as coisas erradas nos momentos mais infelizes.
Hoje, fechou-se a primeira metade do ano. E eu morri diluída nas lágrimas de algumas colegas minhas, no desespero delas a antever o meu.
Hoje, estou farta disto. Com uma fartura que inclui tudo, e até este blogue.
Hoje, hoje, hoje, subscrevo a frase do Pedro Paixão: Viver todos os dias cansa.
Hoje despeço-me de vocês até qualquer dia, que não há vontade de nada. De nada a não ser acabar com a Jade, já que não há forma de acabar com a parva da outra, que dá, há trinta e três anos e mais de meio, pelo mesmo nome próprio.
Hoje, se perguntarem por mim, digam que morri: não vão estar muito longe da verdade.
Até um dia destes, aqui ou por aí. Hoje, não. Hoje, mais, não.

sábado, 13 de junho de 2009

Sobre a Gratidão


Há uns dias atrás, uma amiga minha explicava-me a dificuldade que tinha tido ao tentar explicar o verdadeiro significado da palavra “obrigada/o” a um estrangeiro, e o desconforto que sentiu na altura, por achar que o povo português ficava mal visto na fotografia, por expressar a gratidão de forma quase comercial: “Fizeste-me este favorzinho, estou por isso obrigado/a a retribuir-te”. Por isso, as mulheres devem dizer sempre a palavra no feminino e os homens no masculino, uma regra de gramática que muita gente descura por desconhecimento do que está, realmente, a dizer.
Aquando da mesma conversa, ela disse que esta era uma das palavras que mais ouve, o que, conhecendo-a como conheço, não me espanta. E eu disse, "eu também", porque ela ainda ia a meio da frase, e eu achei que ela ia dizer que era uma das palavras que mais usa. E eu, tal como afirmei no "Auto-retrato", se fosse uma palavra, seria “obrigada”. Não dispenso esta palavra a ninguém, por menos importância que tenha o acto em si. Sou uma pessoa grata com o bem que recebe, sempre. E não entendo a ingratidão. Fere-me, quando é comigo, e deixa-me literalmente doente quando o alvo é alguém de quem gosto.
A meu ver, poucas coisas são evidência maior de um espírito podre que o desrespeito pela ajuda alheia, ou o princípio de que as pessoas são obrigadas a colaborar ou a facilitar-te a vida de alguma forma. Arranjam-se sempre desculpas para este procedimento: somos amigos, és minha mãe, somos uma equipa, conheces-me há anos, já fiz muito por ti, sei que gostas de mim; tudo serve para fazer cobranças, para exigir atenção, para usar a boa-vontade alheia na justa medida dos nossos menores caprichos. E isso é, do meu ponto de vista, uma falha de carácter grave.
O nosso “obrigado/a” é feio, adianta pouco e é, quase sempre, irrelevante para quem ouve mas, ainda assim, é o mínimo de boa-educação requerido a quem teve a sorte de ter tido alguém que se desviou do seu caminho para ajudar outro ser. Melhor do que a palavra é, sem dúvida, uma atitude de reconhecimento mais óbvia, um elogio, um abraço ou um beijo, um presente, um sorriso, um postal. Ainda assim, como tudo isto pode ser interpretado como a tal paga que quem ajuda de coração nunca espera, e com a qual se pode até sentir insultado ou desconfortável, por enquanto, e por ter ficado a pensar na tal conversa, eu, a senhora “obrigada, muito obrigada ou obrigadíssima”, vai passar a substituir o seu léxico mais comum pela expressão “grata” ou “muito grata”. E continuar, sempre, a distribuir elogios, beijos, abraços e presentes, que há seres que me preenchem o Mundo que os merecem todos os dias.
É que eu gosto de fazer aos outros o que quero, e espero, que me façam a mim… e eu sou a tal que detesta “obrigados” e, ainda assim, se derrete com um beijo dado na altura certa. Recompensa por recompensa, nada recompensa mais que o carinho que deste, devolvido em dobro. Quando a moeda de troca é o carinho, todo o comércio é comércio justo.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Mar Adentro

Em caso de naufrágio diz-se que os ratos são os primeiros a "abandonar o barco". Tal expressão é usada comummente para identificar cobardes ou traidores. E eu pergunto, em caso de naufrágio, abandonar o barco não é, tão só, sinal de inteligência e perspicácia?
Sempre tive queda para ser drama queen. Sempre tive alma de comandante, o mundo a ruir, o icebergue a destruir todas as hélices, a vida a meter água por todos os lados, as evidências a gritar salta fora e eu, firme e hirta, a afundar-me com o resto. Estóica. Persistente. Teimosa nas convicções. A morrer uma e outra vez, resignada à sua triste sorte. Coragem, abnegação? Chamemos-lhe, apenas, propensão para o abismo ou, tão simplesmente, rematadíssima estupidez.
Tenho um medo denso de barcos. Uma fobia ancestral que se me cola à pele e me arrepia à simples visão de fotografias do Titanic no fundo do mar, ou de um simples quebrar de uma garrafa de Champagne num casco novinho em folha. Aliás, eu, que adoro viajar mais do que qualquer outra actividade no Mundo, tenho um medo irracional de tudo o que é transporte. A minha visão do idílio seria dar a volta ao Mundo a pé. Caminhar sobre as águas como Cristo, se preciso fosse. Ou, ainda melhor, dividindo as águas dos mares como Moisés, para as fazer abater sobre perseguidores inconvenientes. Yeah, that suits me perfectly.
E eu acho que muito desse medo de barcos está relacionado com a metáfora, não do afogamento, mas do afundamento. Magrita como sou, é contraditório que afunde sempre a tão grande velocidade, mas é a pura das verdades.
A caminho de Lisboa, com as mãos no volante do JadeMobile, a rádio passou uma das minhas músicas favoritas "O Homem do Leme". Como acontece tantas vezes, descobri-lhe novas nuances. Porque as canções que nos emocionam, se forem boas, encaixam em fases diferentes das nossas vidas e tocam-nos de formas díspares consoante os momentos. E retive, desta vez, alguns versos que transformei em mantra:

Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade,
vai quem já nada teme, vai o homem do leme...

No fundo do mar
jazem os outros, os que lá ficaram.
No fundo horizonte
sopra o murmúrio para onde vai.
No fundo do tempo
foge o futuro, é tarde demais...

E uma vontade de rir nasce do fundo do ser.
E uma vontade de ir, correr o mundo e partir,
a vida é sempre a perder...





Não sei se a vida é sempre a perder. É óbvio que não ficamos mais novos e o destino da viagem é igual para todos. Mas dizem que o importante não é o destino mas a viagem. E eu concordo. E vivo tempos conturbados ou, para me citar a mim própria numa frase já publicada por outros bloggers, "A existência não está para graças". Então, no meio de toda a filosofia de cordel que me tem passado pela cabeça nos últimos tempos, cheguei à conclusão que mudei de barco. Recusei-me a ser comandante do que estava a afundar, uma vez na vida e, não ao primeiro, mas ao derradeiro sinal de alerta, fiz como os ratos, e saltei fora. E, agora, "rompendo a saudade", aproveito um misto de vontades "de rir e de ir", deixando para trás "os outros", "os que jazem", "os que lá ficaram", e persigo o que foge porque, para insistir no que não tem remédio, "é tarde demais". Persigo, então, o futuro. E não, não tenho medo. Leram-me hoje as palmas das mãos. E vem aí um corte. Vem aí o desconhecido. Mas vem aí paz, calma. Diz que vem aí estabilidade. E eu, céptica até certo ponto, decidi que atrás do leme, "vai quem já nada teme". Mar Adentro, vai o homem, dirigindo o leme, em metafórica eutanásia.
Só que o homem do leme, contra todas as expectativas, é uma Mulher. Com M maiúsculo, de Maravilhosa. E J... de Jade.

domingo, 7 de junho de 2009

Justificação

As pessoas esquecem frequentemente a importância do que é pequeno. A importância do que é repetido. A importância do que parece, apenas, mais uma situação igual a tantas outras.
Eu chamo-lhe a gota-de-água que faz transbordar o copo.
É a minha justificação e a minha desculpa.
Faz-me parecer desequilibrada. Faz-me parecer excessiva. Faz-me parecer idiota, má, ressabiada. Serei tudo isso, sei lá, who cares about labels?
O que é importante, no meu ponto de vista, é que a gota-de-água faz transbordar um copo já de si cheio. E a mim parecem-me desequilibradas, excessivas, cruéis, más, isso sim, as pessoas que me rotulam pela atitude pós-gota-de-água, ignorando todo o copo que, ao longo do tempo, ajudaram a encher. A mim, parece-me estúpido que, por um pormenor que até pode ser inocente, o mundo se apresse a dizer que tenho um feitio do pior, que acordei de mau-humor, que não tem que levar com as minhas fúrias, esquecendo tudo o que vem de trás.
Isso sim, incomoda-me. Incomodam-me a insensibilidade e a falta de um espelho que certos seres usem para avaliar as suas próprias atitudes.
Às vezes deixo de falar às pessoas por pormenores absurdos. Simplesmente nunca é por isso, exactamente, que lhes deixo de falar. E a estupidez humana, quando vinda de gente inteligente, faz-me muita confusão.
E comigo o copo entorna sempre, mas sempre, por motivos triviais. Só que repetidos ao expoente da loucura, e cruzando os limites da paciência. Um simples comentário que cai mal agiganta coisas muito mais graves perdoadas anos a fio anteriormente. Sou assim. É assim que eu sou. Esbofeteiam-me, massacram-me, esborracham-me literalmente contra o alcatrão da estrada e eu levanto-me e volto a sorrir. Um dia, pisam-me ao de leve, e o meu caminho nunca mais cruza o do incauto que me pisou. O mesmo ser que tantas vezes foi perdoado por coisas tão piores.
Sou assim. Não acho que seja desequilibrada. Acho, isso sim, que sou demasiado tolerante. Tão tolerante que toda a gente acaba por se convencer que essa tolerância é infinita. A minha loucura é, então, o facto, natural e evidente ao senso comum, de que nada é infinito.
E a minha justificação é esta, se um dia te deres ao trabalho de aqui a vir procurar.

É que Hoje fiz um Amigo...


Os motivos são irrelevantes.

Poderia enaltecer a irritação dos últimos dias, ou a incerteza quanto ao futuro profissional, ou o desgosto de ver partir pessoas que fazem parte do meu mundo. Poderia, pelo contrário, sublinhar uma conversa que tive numa esplanada em que, no meu cepticismo atroz, tão desarmante quanto mentiroso, afirmei: "Os amigos fazem-se na escola, depois disso apenas conheces gente". Poderia, ao invés disso tudo, dizer que assisti a um concerto brilhante da Mayra Andrade, em que não conhecia uma única música e ainda assim me apaixonei. Ou poderia ir por outra via, e dizer que, há bem pouco tempo, alguém se referiu a mim de uma forma tão doce, terna e meiga, que me deixou sem mais opções, por falta de hábito e de resposta, que não fosse dizer uma enorme quantidade de disparates a desconversar. E que esse alguém terminava o seu texto (sim, ainda por cima foi por escrito), com uns versos desta música. Ou poderia ainda dizer que esta letra é das coisas mais deliciosas que já se escreveram em Língua Portuguesa, tendo em conta que não gosto sequer do Sérgio e, por isso, sou absolutamente imparcial (lembram-se de vos dizer que o facto de não simpatizar com as pessoas não me torna ceguinha às suas boas qualidades? Ora aqui está um excelente exemplo dessa verdade). Finalmente, poderia explicar que sou muito, muito, mas mesmo muito, sensível a todos os tipos de brilhozinhos nos olhos.

Por isso, excluindo todas as implicações românticas, que são maravilhosas e muito bem adaptadas a outras fases e experiências da minha vida de que tenho muitas saudades, por isso, dizia, hoje, hoje em especial, por motivos tão numerosos quanto irrelevantes queria dedicar esta música à Shadow, à Carolina, à Mzinha e ao House.

Não andei com nenhum deles na escola, enquanto aluna, bem entendido, só para que conste.






mas a grande verdade é que, sem dúvida nenhuma,
... (e)coisa mais preciosa no Mundo não há.

sábado, 6 de junho de 2009

Post-Scryptum à Cereja

Lembrei-me, entretanto, de uma frase de um colega, há muito tempo, no ano em que dei aulas no Norte. Já falei dele, do F., um rapaz que trarei sempre num lugar especial algures no ventrículo esquerdo, juntamente com mais dois ou três seres, da altura, que trocavam os vs pelos bs, mas não trocavam nada do que se pode chamar "importante": não trocavam elogios por achincalhos, obrigados, desculpas e gosto d ti por silêncios. Não trocavam amizades por interesses, nem tempo de qualidade por pressas indiferentes. Não trocavam a sua dignidade por nada, e preferiam morrer a ser desleais. Um ano inteiro, pelo menos.

E F. disse-me um dia, enquanto eu, insegura, lhe perguntava: "Achas que fulano de tal achou que eu estava zangada com ele? Opá, sou tão bruta a dizer as coisas, que merda!" E ele respondeu-me, estupefacto: "Tu, zangada? Fu*da-se, rapariga, diz lá, tu és capaz de te zangar realmente com alguém? Ninguém acredita nesta escola que isso é possível... tu, zangada. Havia de ter a sua graça. Já toda a gente aqui te deu razões mais do que suficientes para levar três estalos. Tu só resmungas e ris-te. Tem juízo, pá. Cresce. Quando cresceres, talvez te tornes capaz de te zangares a sério com alguém. Ou não, que és uma paz-de-alma".

Terei crescido finalmente, ou continuarei a mesma banana de sempre? Ai, F., a falta que tu me fazes!... As vezes que eu ouvia "A Moura tem a mania que é má", e me passavam logo as fúrias num sorriso de menina apanhada em falso.

Aposto nas dores do crescimento. Porque deixar de falar às pessoas de que não gosto e que não gostam de mim porque não há entendimento possível, é uma coisa. Zangar-me com outras que me dizem muito, é outra completamente diferente. E desde aqueles anos no Norte, infelizmente, isso tem acontecido. Hoje, por exemplo, estou mesmo muito zangada. Mesmo muito.

E eu só gostava de saber se fui eu que cresci, ou se, simplesmente, a malta do Norte me dava a volta com uma limpeza sem igual. Não levando a sério a minha resinguice. Mas, sobretudo, dando-me, todos os dias, razões para estar bem-disposta. Aquela malta sabia levar-te à certa, dirão uns. Tratavam-te bem, diz, simplesmente, o meu ventrículo esquerdo.
Só concorri até Coimbra. Devia ter concorrido, pelo menos, até ao Porto.

F., estejas onde estiveres, de pijama e apito, que estejas bem, e que continues a ver as pessoas à transparência. Era incómodo. Era embaraçoso. Mas foi inesquecível. E a prova está aqui, nove anos depois, num acesso de saudades. Um beijo do tamanho do Porto, que toda a gente sabe que é uma Naçon!

A Cereja no Topo do Bolo...

... é uma imagem usada recorrentemente para expressar o melhor da festa.

Tenho a acrescentar aos dois posts anteriores que sim, fui para a noite. Sem carteira. Porque eu perco tudo, revirei a casa, revirei o meu carro e o da Mzinha, revirei os bolsos e os armários, mais a pasta da escola, e desisti. Saí sem tabaco e com cinco euros no bolso, com a Mzinha sem dinheiro e com um humor muito parecido com o meu.

Como li ainda há pouco num post de uma amiga, sagitário é bicho que, quando se cala, é de temer. Somos tipicamente palavrosos e, no auge da alegria ou do desespero, sai-nos tudo boca fora. Passei duas horas no bar sem quase abrir a boca, e vim-me embora pior ainda, para encontrar a p*ta da carteira na pasta que tinha virado do avesso duas horas antes. Ou sempre lá esteve ou desmaterializou-se e voltou a materializar-se com o único intuito de me f*der o resto do dia.

Vim-me embora sem beber sequer um café ou uma água, para gastar os meus cinco euros num maço de tabaco. Enquanto acendia um cigarro, em silêncio, pensava num determinado provérbio tibetano de quase cinco mil anos, que me apetece tanto divulgar. Pensava, em silêncio, que não há como as palavras certas ditas no momento certo. Sou uma pessoa excelente nas palavras, e péssima nos momentos certos para as dizer.

Por isso, hoje sou um sagitário temível. Um sagitário em silêncio, a fermentar. À espera de um trigger. À espera de uma provocação, por menor que seja. À espera de uma hipótese para desentalar o que ando há tanto tempo a engolir caladinha. Adoro picardias mas detesto conflitos. Detesto discussões. Detesto agressões de qualquer espécie. Detesto ofender pessoas. Ainda assim, passo por ser "terrível", "do piorio". Oxalá, um dia destes, não dê proveito à fama que tenho. É que ando mesmo deserta de responder à letra, com juros, a alguns seres que me povoam a existência. E quando, e se, tal acontecer, não vai ser um espectáculo bonito. Mas os tibetanos é que a sabem...

A cereja no topo do bolo, em certos casos, é perfeitamente dispensável. Em silêncio, rogo ao meu Deus pessoal para me deixar comer o bolo sem a cereja, porque ela vai entalar, e terá que ser cuspida em cheio na cara do desprevenido que a tal se habilite incauto.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Raiva


Parece que há vacina contra isto. Sou uma pessoa de maus humores frequentes mas de raras raivas, e hoje estou literalmente raivosa. Enfurecida. Piursa. Passei a manhã a desatinar com os meus nonos anos e a desabafar com o meu oitavo preferido a raiva com que estou dos nonos. Passei a tarde a fingir que estava calma e bem-disposta mas com uma vontade ma-lu-ca de partir o focinho a muita gente. E eu não sou de levantar a mão a ninguém, acreditem. Só que parece que as pessoas escolhem estes dias específicos para serem inconvenientes, desagradáveis ou simplesmente estúpidas e, se há coisa que eu detesto, mesmo quando estou bem disposta, é gente estúpida.

Consigo perceber o efeito dos media na violência infantil. Parece que depois de uns tantos cartoons violentos os putos só pensam em espancar os irmãos.

Pois. Entendo. Eu depois de passar uma manhã em conflito ostensivo com duas turmas de alunos irresponsáveis e displicentes, e ainda assim a controlar-me a custo para, no meio de tanta irritação, não me sair nenhum palavrão ou tirada realmente grave, à tarde, a sério, tive vontade, mesmo vontadinha, de agredir duas ou três pessoas. Agredi-las a punho fechado, até. Partir-lhes literalmente a cara: por hoje, pelas últimas semanas, pelos próximos tempos, por todo o cansaço, por todo o stress, por toda a ansiedade, por todos os problemas. E até houve alturas, durante a tarde, em que um estalo bem espetado em certos focinhos seria exagerado, claro, mas não completamente injustificado. Só que não está na minha natureza. Infelizmente. E é exactamente por isso que estou com uma raiva que nem vejo bem.

Parece que há vacina contra isto. E eu tenho duas opções, ou vou para um Centro de Saúde acto contínuo, ou saio porta fora e vou para a noite, que o dia foi de fugir. Escolho a segunda. Fui.

De Preto

Hoje vesti-me de preto.
Não é que seja único, mas é cada vez mais raro, visto que toda a gente guincha que estou demasiado magra, e o preto não convém.
Não é que não goste de me ver, pelo contrário, não gosto é de bocas foleiras ao meu aspecto físico, como acho que ninguém gosta, mas tudo o que seja protesto da Jade é aproveitado para ser comentado como fruto do seu mau feitio.
Não é que me anime sobremaneira mas, até à data, pouco influenciava o meu humor a cor com que andava vestida.
Yo no credo a brujas...
Não é por nada, mesmo, mas tão cedo não me visto de preto. O dia correu mal. Mesmo mal. E tenho a dizer que por diversas vezes pensei: Pink-Hello-Kitty... hoje devias ter vestido pink, que pelo menos não olhavas para a camisola como se da tua alma se tratasse.
Tão cedo não me apanham de preto.
Para terminar o dia (excelente) em beleza, para ser tudo perfeito, vou levar com uma Acção de Formação mais chata que as coisas chatas. Quatro horas pós-laborais que é para ver se abro a pestana.
E o tempo não está para graças. Tal como a existência.
E agora vou ali já venho, na companhia do JadeMobile (preto, que coincidência), dar com a cabeça na parede por ser tão idiota, mas tão idiota, que já nem a roupa sei escolher de manhã. Entre idiotices bem piores, essas, infelizmente, bem mais intrínsecas e enraizadas.
Só tenho um consolo, fico bem em qualquer sítio: é que preto dá com tudo!
...pero que las hay, las hay. E vestem preto integral.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Apre!

Vou ali já venho, dormir uma sestinha de uma hora, que entre a abertura da época balnear, a abertura da época dos caracóis, a abertura da época dos concertos, a abertura da época de copos, a abertura da época de esplanadas da parte da tarde e a abertura da época das avaliações finais dos nossos nonos anos, nem sei se beba para esquecer, se me esqueça de beber.
Só sei que estou que nem posso, sem tempo para decidir como organizar a vida. Sem tempo para decidir o que fazer ao tempo que não tenho.
A Jade virou Coelho da Alice. E está deserta de uma sonequinha. Apre!
Ti-Jay

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Quando o Silêncio é de Ouro…


Fim-de-semana sui generis. Aparentemente igual aos outros, se exceptuarmos o facto da Mzinha ter ficado para Sábado, por causa de uma Acção de Formação. Claro que na sexta fomos jantar fora, beber uns copos, ouvir música numa esplanada, ver gente, deitar conversa fora, relaxar. Logo aí, sem ter que enfrentar a neura de sexta à tarde sozinha, o tempo passou muito menos agreste que o costume.

Depois veio o sábado e a festa do segundo aniversário do meu sobrinho, festa de família na Cidade de Deus. Nada do outro mundo, não fosse a mentecapta da Jade ter escolhido precisamente esse dia para uma maratona “Anatomia de Grey, 5ª temporada” Cheguei a casa da família com os olhos de uma boga congelada há três semanas. A malta a olhar para mim em pânico, como se me tivesse acontecido alguma tragédia de última hora e eu, muito envergonhada, a balbuciar, eu até gostava de arranjar uma desculpa menos idiota que a verdade, mas o que se passou foi que estive a ver uma série, e… serei gozada por isto até ser velhinha. Adiante.

No domingo estive a cristalizar emoções. Na minha douta opinião (sim, neste caso, a minha opinião é douta, visto que sou doutorada na dita série, sei de cor deixas, trato as personagens todas pelo nome e vivo tudo aquilo como se de amigos reais se tratasse…) é a melhor temporada de todas, com o melhor último episódio de sempre.

Ainda agora me sinto atordoada. É uma temporada sobre a amizade, sem dúvida. É uma temporada sobre o nascimento de grandes amores, sobre olhares subtis, toques de mão discretos, palavras dúbias, uma delícia nostálgica. E é, sobretudo, uma temporada sobre o tempo e sobre a morte. É uma temporada sobre o momento, e o poder da palavra dita. É uma temporada que grita que o silêncio não é de ouro, e que tudo aquilo que não é dito em tempo corre o risco de assombrar os vivos no resto dos dias que passam em ausência dos que partem primeiro.

Aquele último episódio é uma bofetada dada com toda a força no rosto do espectador desprevenido e manipulado pelas acções a obcecar com pormenores; é uma alegoria das nossas vidas: a rat-race, em constante resolução de problemas, em constante organização de agendas, em constante selecção de prioridades. A vida moderna, agarrada enfim ao detalhe e descurando o quadro geral.

O que é mais premente? Decisões, eficácia, sucesso. O jantar, os testes por ver, as aulas a preparar. O que é mais razoável? O orgulho forjado para fazer perdurar a dor de quem nos ofendeu, o desdém que se oferece àquela gente que nos olha enjoada, o silêncio diplomático quando a nossa alma grita impropérios, a indiferença fingida quando estamos tudo menos indiferentes, e nos cresce uma enorme fúria ou o mais profundo amor, e engolimos as palavras, adiamos o discurso, deixamos para amanhã o beijo, procrastinamos lágrimas, abraços, confiamos ao tempo que passa a cicatrização das nossas feridas, deixamo-las ao ar. Tudo pelo bem maior que é ficar bem na fotografia e agarrarmos o respeito geral.

A minha verdade? Tudo uma grande perda de tempo, tudo absurdo. O último episódio confrontou-me com o ridículo das acções que consideramos, diariamente, as correctas, as equilibradas, as sensatas, as razoáveis.

Para sermos respeitados, temos que ser muita coisa. Temos que ser cada vez mais e melhores. Temos que nos distinguir dos outros, que nos evidenciar, mas pelos parâmetros que eles traçam. Não podemos ser fiéis a ideias díspares. Para sermos respeitados, temos que ser mais e melhores que o convencionalmente aceite. Mas nada de transgressões, nada de inovações, nada de divergências, nada de alternativas. Temos que ser mais trabalhadores, mais competentes, mais coerentes, mais fortes. E isso implica esforço e dedicação a causas que nos pagam o ordenado e que, com alguma sorte, nos dão também prazer, mas que, em muitos casos, nos transformam em robots programados para mostrar, não para fazer. Para ostentar, não para ter. Para fingir, não para sentir. E andamos todos a perder o nosso tempo, enquanto calculamos os meios para não fazermos tristes figuras de nós próprios, remetendo para os confins da alma a nossa genuinidade, os nossos quereres, as nossas atitudes mais naturais, just to belong.

“What if”… o que acontece quando pensamos pela nossa própria cabeça e valorizamos outras qualidades que não a competência, a eficácia, o sucesso? O que acontece se não nos apetece o orgulho, a gabarolice, se não nos apetece parecer bem, se não nos apetece parecer, se só queremos que nos deixem, simplesmente, “ser”?

O que descuramos, para nos defender? Quase sempre o melhor de nós. Evitamos conversas com amigos noite fora porque há que trabalhar cedo no dia seguinte. Faltamos a convívios porque temos mesmo que acabar aquele projecto. Não nos desviamos do caminho para tomar um café porque temos a casa por limpar. Não dizemos palavras importantes por termos a certeza de que serão mal-interpretadas, porque não nos queremos expor, porque não queremos ser magoados. Porque não queremos perder a dignidade, o respeito, não queremos dar o flanco, ficar vulneráveis.

Valerá a pena? Valerá a pena, chegar ao fim do dia com a consciência do dever cumprido e com tudo o que é importante por dizer? Valerá a pena chegar ao fim do dia com a dignidade intacta mas com a sensação de que o tempo passa, e o silêncio que usas como máscara ou armadura de gladiador te esconde, isso sim, a verdadeira essência do resto do Mundo?

Amizade, Amor, Tempo, Morte. “Já disseste hoje amo-te? Já disseste, és importante, preciso de ti na minha vida? Hoje? Traça um objectivo. Persegue-o. Mas, de vez em quando, pára. Bebe o momento. Porque amanhã, tudo poderá já não existir” (Meredith Grey, último episódio da quinta temporada, discurso final, mais coisa menos coisa).

... algumas palavras são de diamante. Duras mas brilhantes. E tão raras, únicas e preciosas quanto absolutamente essenciais.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Auto-Retrato

Se fosse um bicho (e sou, do mato) seria um gato; se fosse uma cor, teria dias, e oscilaria entre o pink-Hello-Kitty, o green-Jade, o black-Night e o gray-Rainy Weather; se fosse um molho, seria agri-doce, já uma fruta, a cereja, como as conversas; para bebida, tenho vodka-type, com sabores, como o Smirnoff; se fosse um doce, seria chocolate, mas apenas porque é o meu favorito, porque se fosse um sabor, escolheria o salgado: só funciono na dose perfeita. Se fosse um elemento, o fogo. Uma paisagem, o mar. Uma temperatura... bem, acho que, a maior parte das vezes, a ebulição, ainda que aparentemente poucas diferenças possa haver entre mim e um glaciar. Se fosse um cartoon, seria o Tazz; uma personagem de ficção? Há quem diga que sou o House, eu acho que tenho muito mais de Bailey. Se fosse um gesto, seria uma gargalhada; se fosse um género literário, uma narrativa, embora adorasse ser poema; se fosse um objecto, gostava de ser chave, indispensável; se fosse uma cidade, queria ser Veneza, embora vivesse sempre invejosa de Nova Iorque. Se fosse um sentimento, seria a lealdade, se fosse um defeito, infelizmente, seria a impaciência. Se fosse uma palavra, seria um palavrão, daqueles cabeludos e terapêuticos, ou então um obrigada que não poupo a ninguém. Se fosse uma boneca, seria uma Bratz. Se fosse um comentário, seria um trocadilho. Se fosse um super-herói, não seria eu.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Não me leves a mal, mas...

Ninguém agrada a gregos e a troianos. Eu, com o feitiozinho que tenho, aprendi há muito tempo a viver tranquilamente com este facto. Mas se há coisa de que gosto, gosto mesmo a sério, é de saber distingui-los, os gregos dos troianos, bem visto.

Detesto gente sonsa que se ri para ti e te desanca mal viras costas. Há quem chame a isto ser agradável, saber viver. Eu chamo-lhe hipocrisia, e abomino gente hipócrita. Respeito as pessoas de que não gosto e que não gostam de mim. Respeito-as por serem genuínas e consigo discernir-lhes qualidades positivas. Uma amiga minha diz que “quando conheces alguém tempo suficiente, ninguém é tão bom que nunca te desiluda, ou tão mau que nunca te surpreenda positivamente.” É um facto. Não é por não gostar das pessoas que digo que são burras se são inteligentes, feias se são bonitas, ou incompetentes se são cumpridoras.

Para além destes dois grupos, os genuínos que não me suportam, e os hipócritas que fingem que sim, há um grupo, o pior de todos, que não tem perdão. É um grupo restrito, mas o mais perigoso de todos. Os que acham que têm confiança suficiente contigo para, em nome de uma amizade que te cobram e jamais te dão, te poderem dizer de sua justiça tudo o que lhes apetece e lhes passa pela cabeça, tendo tu a obrigação de reagir, sempre, a bem. Não. Não me venham com sorrisos, não me mandem boquinhas dúbias que me deixem na dúvida se me estão a insultar ou a brincar, não me venham com boas intenções para me poder agredir. E não me digam

“Não me leves a mal aquilo que te vou dizer, mas…”

Ui, se me querem ver furiosa, é espetar-me com uma frase destas para início de discurso. Primeiro, porque a gente já sabe que não vai gostar do que vai ouvir. Depois, porque revela premeditação nas coisas desagradáveis que se sucedem ao mas... Finalmente, porque quem começa assim uma frase está, desde logo, a atribuir uma verdade incontestável à sua opinião, e a implicar que se nos chatearmos estamos a ser pouco razoáveis. É o sermãozinho paternalista, o abrir de olhos “bem-intencionado”, o chamar à razão sem direito a contestação. Isso é que era bom…

Jamais um amigo diz a outro “Não me leves a mal…” As verdades são para ser ditas, claro, mas de forma construtiva e de boa fé. Falem-me de coisas específicas, o que não faltam são atitudes minhas em que estive mal, em que fui injusta, em que descarreguei o meu mau-humor em pessoas inocentes, em que fui inconveniente. E agradeço que ninguém se chateie comigo sem antes me dizer porquê, para eu poder pedir desculpas, se for caso disso, para poder remediar as coisas, se for a tempo. Mas façam-no com lealdade. Na altura e espaço próprios. Sem rodeios, generalizações e mesquinharias.

Quem me vem com “Não me leves a mal, mas…” não me quer ouvir. Quer apenas despejar a sua verdade, os seus juízos de valor, as suas acusações, as suas raivas fermentadas. Pedir para não ser levado a mal é, logo à partida, dar-me todas as razões do mundo para achar que as coisas são ditas, de facto, com má intenção. É um convite ao monólogo, a execução sumária de qualquer possibilidade de diálogo aberto comigo. Nada. Encerram-se logo ali os trabalhos, sem mais confianças.

E hoje vim para casa irritada a pensar nisto. E, nem de propósito, porque o dia só acaba no fim, recebo uma sms a dizer “já foste à caixa do correio?”. Quando abro a dita caixa, em envelope de Correio Verde, dou com a quinta temporada da Anatomia de Grey. Com vários filmes que queria ver há séculos. E com um porta-chaves da Nici, um gatito preto sem um olho. E exulto de alegria. Ao telefone com o remetente, este pergunta-me se preciso de um desenho sobre o significado do Gato, logo baptizado de Luisinho. E diz-me: “É que em terra de cegos, quem tem olho é rei” (não deixa de ser mirolho… mas é rei).

Passou-me logo tudo, fui dos zero aos cem num micro-segundo e, por isso, tenho que dar a mão à palmatória: "não levo nada a mal", môri, sou mesmo bipolar. Tenho altos e baixos por dá cá aquela palha e quando tenho baixos “trato mal gente que não merece”. Sobra para todo o lado, desanco meio mundo e a outra metade, é tipo hobby, cada um escolhe o que melhor vai com o seu tom de pele, e o meu é este. Sou louca-furiosa, de repente, sem motivo, pum! Haverá razões tangíveis? Problemas concretos? Bocas foleiras? Comentários infelizes? Nada! Isso são meros detalhes com que se preocupa apenas gente com poucos estudos, gente dada a pormenores extra-umbigo, fora da realidade de mundos de que é rei e senhor. Quais motivos? Não há razão nenhuma: é tontinha... e espalha o terror entre vítimas inocentes. Ola-ri-la!

Pois sou. E, sendo assim, vou procurar ajuda médica urgente. Estou seriamente preocupada com a minha influência no mundo que me rodeia, à mercê da minha loucura. Credo... como é que ainda não houve um motim? Gente acomodada a sofrer, este povo tuga...

E ainda me deixam presentes e mimos na caixa do correio... por isso,“não me levem a mal, mas…” vamos papar a quinta temporada da Anatomia de Grey. Eu e a outra, a tal que trata mal toda a gente, e ainda assim, tem amigos à maneira. Fenomenais. Para os quais tudo vem com o pacote, o bom e o mau. A Jade-Jekyll e a Jade-Hyde. Amigos cinco-estrelas. Ou seja, amigos, ponto final. O resto é redundante.

Mas há algo a que não resisto: mudar de ideias, que sou bipolar, esquecer a ajuda médica e assumir em vez disso o papel confortável da tontinha transviada, que se há coisa que toda a gente sabe é que os malucos não são para contrariar. E isso agrada-me muito. Não me contrariem que eu flipei, tá? Vou treinar ao espelho tiques nervosos e frases absurdas. Um olhar alucinado. Esgares. Reivindicar esse direito, para poder dizer, de minha justiça: "Honey, go fuck yourself and blame it on my insanity".

sábado, 23 de maio de 2009

Sessão da Tarde

Sábado muito preguiçoso. Força de vontade, zero.
Apanho uma sessão da tarde no canal 1. Uma comédia romântica que nunca tinha visto. Casticinha, como todas as que não chegam ao insuportavelmente mau. Não ao nível daquelas raras, em que a Julia Roberts ou o Hugh Grant brilham quase sempre.
Mas gostei muito de uma das deixas da personagem masculina:

"After our fight last night, I thought it was over. I decided to get away and leave you here alone. But then I realized I'd rather fight with you than to make love to anyone else"


Estes discursos são tão "munitos...", que só dão resultado nos filmes. Ou então é da língua, "A língua inglesa fica sempre bem, e nunca atraiçoa ninguém..."
Poderia, agora, ficar o resto da tarde a remoer o raio do filme. Em vez disso, vou lanchar a casa de uma amiga, passar em casa de outros dois, e corrigir testes. Porque a Sessão da Tarde não passa disso, e há fases, na vida das pessoas, em que a nostalgia e a reclusão deixam, de repente, de fazer qualquer sentido.

Gotta Be

Ora, hoje houve efeméride na Cidade de Deus. Os Xutos encheram o estádio e eu estive lá: mocinha de cidade grande, habituada a concertos de estádio, a mares de gente, a estrelas pop/ rock, pasmei. Muito estranho, mesmo muito estranho, veres um estádio de futebol cheio de gente conhecida. Super engraçado, nunca tal me tinha acontecido. E se bem que tenha passado por um estado inicial de inibição, coincidente com a altura em que a banda tocou músicas do novo álbum, que desconheço, depressa me passou a vergonha na cara, com o "Mundo ao Contrário", o "Homem do Leme", o "Quero-te Tanto", o "Chuva Dissolvente", o "À Minha Maneira". Dancei como a condenada que não foi à discoteca com os alunos esta semana, cantei a plenos pulmões, saltei como uma transviada e marimbei em alunos, colegas, ex-alunos e ex-colegas. Mas o encore partiu tudo. Tocaram a minha música favorita. E eu não esperava, confesso. Quando ouço os primeiros acordes, deixei o Pastorinho para trás com a F. e desembestei para a frente. E o Tim cantou só para mim "O nosso amor de sempre, ficará... para sempre. Ai, meu amor, o que eu já chorei por ti... mas sempre, para sempre, gostar de ti". E caíram-me lágrimas cara abaixo, rumo a um sorriso que me dava a volta à nuca. Muito simples, a letra. Mas muito poderosa. O solo de guitarra... lindo. E eu, ganhei a noite.
No bar do costume, quase sem voz, ainda houve tempo e lugar a dois dedos de conversa, comigo a queixar-me (claro!), ai, pela tua rica saúde, qual praça, qual quê, 'tou de rastos, levei uma sova de todo o tamanho, eu quero é sentar-me, beber um copo e que ninguém me chateie, lá tenho pachorra para esplanadas cheias de gente...
Mas, afinal, era mentira, não estava assim tão cansada, porque, de regresso a casa, ao volante do JadeMobile, a rádio de repente passa isto...




E foi ver sôdôna Jade a cantar um dueto com a Des'ree, e a deixar-se ficar no carro, um bom bocado depois de o ter estacionado em segurança, sozinha no parque de estacionamento, a dançar toda contente a música até ao fim. Mesmo até ao fim.
E ainda galguei três lanços de escadas a trautear baixinho a melodia e a abanar a anquita, a subir dois ou três degraus e a recuar um, a ondular ao som de uma musiquinha quase inaudível aos vizinhos, (ou assim o espero) mas a pulsar forte no íntimo: "Love will Save the Day!"

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Tácticas e Estratégias

Hoje pus em dia as minhas leituras na blogosfera. Não ia à procura de nada, a não ser dos sorrisos que me arrancam sempre os meus bloggers favoritos. Confesso que, embora este blogue seja um muro de lamentações, os meus favoritos são os boa-onda, aqueles que me divertem, que me relaxam, que me fazem rir. Há por aí muito boa gente a escrever com sentido de humor e perspicácia acutilantes. E hoje dei com um post masculino de um blogger da minha faixa etária cujo tema era "Quanto mais me bates... mais gosto de ti". Fartei-me de rir, com o post e os comentários.
Mas deixem-me aproveitar o tema para dizer o seguinte: acredito piamente que o amor acontece. Ou não. Ou só de uma das partes. E das três, uma, sem mais hipóteses. Não acredito na conquista quando não há centelha de interesse. Não acredito na estratégia, no calculismo, na táctica, agora dou-te com os pés. depois sorrio-te, depois ignoro-te e a seguir toco-te no braço. Isso só resulta se a vítima já é sensível ao predador. (esta linguagem National Geographic é muito imagética, mas pronto, é o que dá viver só com quatro canais).
Agora a conquista, a conquista... a conquista não existe. Jamais podemos fazer com que o amor aconteça. A sério que acredito nisto. Acredito, embora, como toda a gente (incluindo o blogger de que falava e os seus comentadores), tal constatação me irrite ou desespere, quando as coisas não correm de feição. Mas a verdade é que, quando correm bem, mesmo bem, nunca sabemos explicar exactamente como aconteceu. E raramente faz parte de um processo mental ou físico de identificação, perseguição, estratégia, argumentação. É um reconhecimento. Um instante. Uma epifania. Acontece.


(O título do post vem do poema do Benedetti, que adorei, e que vem ao encontro do que acabei de dizer. Não há nada a fazer. Não depende do eu. Depende do nós, cinquenta-cinquenta)