É muito triste a vida de uma mulher quando nem se pode dar ao luxo de parar e deprimir. De bater no fundo do poço, para poder ganhar impulso e voltar a manter a cara acima da linha de água. Mais triste que estar deprimida e exausta é não o poder fazer por falta de tempo. Falta de tempo aliada a centenas de seres em idades parvas a dizer coisas alarves e a rir-se das nossas falhas.
Hoje, quando cheguei à escola, a pergunta não tardou: que olhos são esses, está tudo bem? parece que passaste a noite a chorar...por acaso não, passei foram as quarenta e oito horas antes dela, contam para as estatísticas? De manhã, a minha cara era gémea da de um pargo congelado há três semanas. Ao espelho, enquanto pensava, bonito serviço, mentecapta, e me enchia de base e corrector, e mais pó compacto e mais corrector, preparava-me psicologicamente para uma segunda-feira que, - logo hoje, cacete, és mesmo atrasada mental! - fruto de umas trocas com colegas, prometia nunca mais acabar: aulas das oito e meia às cinco e quarto, com uma hora de almoço, ola-ri-la... só te metes em estopadas, a tua vida não te chega!... Mas eis que, depois dos quarenta e cinco minutos da praxe, entre duche e secador e maquilhagem, vou ao quarto e ... está sol! Ainda a resmungar, lá disse em voz alta, agora é que apareces, palerma (para o sol, bem visto), deve ser para me verem melhor a cara de idiota...
Com um humor muito pior que o do House e a Nazi juntos e nos seus piores dias, lá fui para a escola, a adivinhar tempestades. Mas não. Venceu o cansaço. Às dez da manhã tinha dificuldade em raciocinar mais que cinco minutos. À uma, já só queria um chão qualquer para me deitar. Às três, não sabia já há muito como me chamava. E às cinco... às cinco qualquer pessoa de bom senso me teria proibido de conduzir, para me levar directamente para o hospício mais próximo.
Sobrevivi. À conta de muitos risos e boa-vontade adolescente. Ao meu centésimo desabafo de "Opá, vocês tenham dó de mim e internem-me", os pirralhitos riam-se e diziam, "deve pensar que hoje está pior que o costume, não? Fique sabendo que continua igual, e má como as cobras!!!". E pronto, arrumavam logo o assunto, e eu, que remédio, trabalhava com eles e pensava, é só mais um bocadinho, calma, está quase a acabar.
Quando cheguei a casa, adormeci instantaneamente. Dormi umas horas e levantei-me para... trabalhar! Interregno? Interregno uma ova. Se nem tempo tenho para pensar, que dirá para me chatear... mas ao contrário do que parece, isso não é bom. Não é mesmo nada bom. É por andar a cristalizar m*rdas a toque de caixa que nunca mais saio delas. Valeu o fim-de-semana. Foi deprimente, foi, mas as lágrimas que eu chorei deram espaço a mais uns quantos mesitos, espero eu, de controle e equilíbrio. (a começar na semana que vem, que esta, meus lindos, está apresentada).
