Did you?
I didn't. Got pissed off by wishes that never came true. Ran out of hoping.
But good luck for you all!!!
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Surpresas
Não gosto de surpresas. Nem boas, nem más. Mas hoje teria gostado muito de ser raptada para ir jantar a um sítio giro, com pessoas divertidas. Estou a precisar de me rir. Por outro lado, o cansaço é tanto, tanto, que nem pensar em pegar no telefonne para desafiar seja quem for para um Licor Beirão depois de jantar. Sou assim. Uma grande chata contraditória vencida pela inércia.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
É verdade...
... também vai ser maravilhoso deixar o telemóvel na sala, e não ao meu lado na cama, a fazer de despertador, como nas últimas semanas, fins-de-semana inclusivé. Cheira-me que amanhã vou acordar de noite... por motivos diferentes dos costumeiros, quando o telemóvel toca às sete da manhã.
PDI
Tenho mesmo saudades dos tempos de faculdade, em que depois de uma ou duas semanas de stresse e pressão com avaliações, o que apetecia era ir beber copos e dançar para as discotecas até de madrugada, sextas e sábados. Hoje, depois destas semanas, estou uma cota mimalha. Se tivesse namorado, enroscar-me-ia no sofá e adormeceria com a cabeça no seu peito, a ver um filme da treta. Como não tenho, a conversa é a mesma, com a minha almofada da Kitty a fazer de peitorais masculinos. O sorriso e o ronronar, ainda assim, são os mesmos. E a maravilhosa ilusão de só descalçar as pantufas dentro de três dias, e me alegrar finalmente com o som da chuva a bater nos vidros.
Temos Porras?
Andei três semanas... três!, a sonhar com a quinta-feira à tarde em que não estaria ocupada e poderia ir dormir uma bela sesta depois de quarenta e tal horas de escola em três dias e meio de aulas. Era para ter sido hoje. Acontece que uma das intercalares não foi terminada no tempo regulamentar, e teve que ser adiada quarenta e oito horas. É hoje a segunda parte, às 16.30. Sesta, nicles, mas depois de três semanas seguidas a fazer doze horas de escola por dia, quatro dias por semana, achei que hoje já chegava. E estou na sala de professores, sim, mas com pacotes de caramelos de frutas e M&Ms de chocolate à frente, fones nos ouvidos com um álbum de Pink em altos berros, e, no écran, só blogues e facebook. Estou como os trabalhadores da Fábrica das Caldas: "Ai tenho mais uma reunião que me vai estragar a primeira sesta em condições que teria em semanas? Então não faço nem mais um cara*ho!!!"
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Ternurinhas
Gosto quando os meus pintos do 5º ano me encontram no pátio ou na escada ou no bar e me puxam por uma manga, me obrigam a inclinar-me até aos cinquenta centímetros que medem, me passam uma mão à voltam dos ombros e com a outra escondem a boca porque é "secreto", - nunca, mas nunca, dizem segredo - e me murmuram ao ouvido: "não fiz o TPC". É que fico sem palavras. E nem para lhes ralhar as encontro.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Lei de Murphy
Numa semana em que ando desnorteada, cheia de trabalho até ao tutano, com pesadelos do reino do horror, e sem tempo para me coçar, eis que fico na escola a trabalhar de tarde, em vez de ir à bomba pôr gasóleo, como as pessoas normais. Graças às reuniões intercalares, sôdôna Jade sai da escola já a noite vai alta e bomba... vistezia. Fico apeada, apanho boleia de uma colega, chego a casa, a minha companheira de lar foi dar aulas à noite e chave... vistezia. Depois de muitos palavrões, com um frio da coisa d'avó, descubro o estuporado do porta chaves, entro em casa e tabaco... visteziu.
Má semana para o DOC estar de férias. Muito má semana. Quando ele voltar, já eu estou numa camisa de forças, a babar-me, de boca ao lado e olhos no sim-senhor do infinito.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Tenho dito.
A todos os que se queixaram, Outubro inteiro, do calor e do sol, e que não era normal, e que isto e que aquilo, enquanto eu andava toda feliz da vida, de alcinhas e saias e vestidos e afins, agora que estou enchouriçada em casa, de patas e nariz gelados, quero dizer que podem ir todos dar uma volta ao bilhar grande, porque se for ao pequeno, não apanham chuva suficiente nesses chocalhos.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Cá se fazem...
Hoje, um quarto de hora passado da minha hora de terapia semanal, ainda sem as lágrimas com que brindo sempre o simpático que me atura no gabinete, ele pergunta-me: é esta a parte fundamental da tua vida, o trabalho, não? quero dizer, começamos as conversas sempre por aqui...
Ó diabo! Comecei-me a rir e contei-lhe a história do meu círculo de amigas da Faculdade, e dos nossos jantares de gajas, que na altura éramos mesmo um gajedo do pior, e os nossos jantares eram uma versão hardcore dos das meninas d'"O Sexo e a Cidade": desfiávamos um rosário de pormenores escabrosos dos nossos namorados, dos nossos ex, dávamos palpites do piorio para consubstanciar vinganças do arco-da-velha e, no fim... aturávamos uma amiga virgem que só falava de trabalho e gozávamos com ela. Quero dizer, não era bem gozar, porque nós gostávamos realmente umas das outras, mas chateávamo-la qb, mandávamos bocas foleiras e machistas, dizíamos-lhe as últimas e ríamos todas muito, incluindo ela. Afastei-me entretanto de algumas delas, dessa rapariga inclusivamente, mas a dura realidade é que o afastamento não impediu que me transformasse nela.
O meu terapêuta riu-se, mas não me gozou. E eu tive pena que ele não o fizesse, porque cá se fazem, cá se pagam, e eu não me admirava mesmo nada se essa miúda, a quem eu chateei o toutiço tantas vezes, estivesse agora casada, mãe de filhos, e feliz, enquanto eu sou a paciente que lhe entra pelo consultório uma vez por semana, lhe fala de trabalho e, quando o assunto muda para as coisas do coração, chora como uma madalena arrependida.
A terapia serve para nos auto descobrirmos. Descobri que tenho o karma de uma rameira, que estou a pagar nesta vida com um feitiozinho da treta num corpinho desminliguido e uma atitude de grande tansa. O nome científico que consigo dar a isto é que sou A Ursa Maior da Constelação Não-Te-Trates,-Não,-Que-Vais-Longe...
(e o meu terapêuta ainda me diz, sessão-sim, sessão-não, que quando achar que não pode fazer mais nada por mim, me diz de imediato, que não gosta de enganar ninguém. Belo consolo... no dia em que ele me disser isso, e me estampar no focinho o rótulo de "doida varrida incurável", ou me explode uma veia, ou trato logo de cortar os pulsos... mentirinha, shrink, mentirinha, que gosto pouco de javardeira e depois lá vinha o CSI Cidade-de-Deus investigar as pistas no meu quarto que não é limpo há quinze dias, e isso era uma vergonha... até para uma leide-cadáver! (leide que é leide não perde a pose nem MORTA!))
Onde se lê "hoje", leia-se "ontem", que só agora dei conta que já passa da meia-noite, porque me parece que ainda agora cheguei e jantei, o que não está muito, muito, longe da realidade.
Onde se lê "hoje", leia-se "ontem", que só agora dei conta que já passa da meia-noite, porque me parece que ainda agora cheguei e jantei, o que não está muito, muito, longe da realidade.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Dias Difíceis
Eu peso menos de cinquenta quilos, pá. Meço mais de um metro e sessenta e cinco. Pareço um pauzito de virar tripas. Ainda assim, na segunda-feira trabalhei das nove e um quarto às vinte e três e trinta; Ontem pouco tive de feriado, a não ser levantar-me mais tarde e passar umas horas a jogar no facebook. Hoje, é das oito e meia ao meio dia, depois terapia, a vinte e cinco quilómetros da escola, do meio dia e meia à uma e meia; às duas, tenho que estar novamente na escola para uma ação de formação, até às seis, hora a que começa um conselho de diretores de turma que, se acabar antes das nove, já me dou por feliz.
As quartas-feiras são sempre dias infernais, por causa das consultas à hora de almoço, que me deixam de rastos, olhos inchados e estômago a roncar, mas costumam acabar às quatro e pouco da tarde. Isto, no meu horário oficial, aquele que estabelece as horas que me pagam. Normalmente, nunca chego a casa antes das seis, mas isso são pormenores sem grande interesse para chefias e estado.
O que interessa mesmo é que amanhã é outra vez das oito e meia às vinte e trinta, porque tenho outra ação de formação e, por isso, rio-me histericamente quando me dizem que o governo vai passar os horários dos professores das vinte e duas para as vinte e quatro horas letivas. Pergunto eu, mas em quantos dias? É que eu faço-as, já habitualmente, em dois, mais coisa menos coisa.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Inconsciente
Como não podia deixar de ser, depois de vários meses de sentidos adormecidos, seguidos de uns últimos dias de saudosos suspiros inexplicáveis, hoje sonhei outra vez contigo. Já não acontecia há muito, e foi quanto bastou para serem ainda dez da manhã e já me ter surpreendido meia dúzia de vezes a olhar pela janela da sala de professores, à tua procura, tipo milagre materializado, príncipe cavaleiro salvador de princesas enclausuradas em torres.
Só eu mesmo, triste imbecil, para esperar por milagres em Dia de Bruxas.
domingo, 30 de outubro de 2011
Saudades
Estou há dois dias mesmo em baixo. Cheia de saudades. De um passado que não foi, de um futuro que não chega. Tenho saudades de estar feliz. E ando mesmo, mesmo tristita. O que me vai levando em frente é o trabalho que tenho por fazer. E os mimos da mãe e da mana. Só isso. Mas hoje, a caminho de casa, não chegou. E aqui, sozinha, agora, também não chega. Tenho pena que o que para milhões é tão fácil, para mim pareça cada vez mais inatingível. Boa noite a todos.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Exigência
Estou farta do deixar andar. Farta de cobranças de tudo quanto é lado. Farta que me façam exigências. Fartinha. A nível pessoal e profissional. Não me lembro do momento em que o meu saco encheu. Só sei que de há umas semanas para cá (eu disse que a cena da minha mãe me fez mudar um pouco, mas esta sensação já vinha de antes e intensificou-se durante e depois) ando eu numa fase de exigência de que não me lembro haver outra, ao longo da vida.
Deixei de ter paciência para engolir certas coisas, para ouvir certo tipo de discursos, para relevar atitudes que me caem mal. Acabou-se a compreensão e a tolerância. Muitas vezes disfarcei aquilo que julgava ser hipersensibilidade e não me livrei do epíteto de "mau-feitio". So be it, quero lá saber. Para andar amargurada com as pessoas e ter que fingir que está tudo bem, poupa-se o trabalho do fingimento e bola para a frente. Estou muito melhor assim, evito estar com quem não me apetece, faço com o meu tempo aquilo que julgo ser mais útil e produtivo, e chateio-me muito menos. Focus and avoidance. Let's learn a new way of living.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
Venenosa
Hoje acordei cedo, preocupada, como agora é novidade, com o sem fim de coisas que tenho por fazer. Lá fui ao supermercado, arrumei compras, tirei da máquina e arrumei loiça, pus dois sacos de cenas na reciclagem, estendi umas quantas peças de roupa, rezando para que não chova e para que o vento que está as seque. Tudo com uma má disposção interior, um veneno poderoso que se escoa em irritação e pensamentos irados, não sei, não estou nada pura.
Dei por mim em pensamentos de revolta.
Sou uma excelente pessoa. Não se riam, que se isto não é a verdade, é a minha verdade. Sou generosa, sou altruísta, sou solidária, sou justa, sou franca, sou leal. Quem conhecem vocês que seja isto tudo nos dias que correm?
Não me meto na vida de ninguém, não comento maliciosamente vidas privadas, não atiro a primeira nem pedra nenhuma, não desfaço no trabalho dos outros, não engraxo chefias, não quero saber de poder, não sou manipuladora, não ligo a aparências, não me impresssionam os grandes luxos, e não sei o que é a inveja podre, só aquela que me permite alegrar-me pelos outros, suspirando inocentemente por não ter o mesmo. E invejo relações e modos de vida, não invejo bens materiais.
Sei, porém, que no meio de tanta qualidade, sou arrogante. Sou arrogante porque a estupidez e a ignorância humana proliferam e me tiram do sério. Sou arrogante porque nasci inteligente e sinto que isso neste país é um pecado capital, e que a mediocridade dominante gosta de pisar, ressabiada, tudo o que seja um bocadinho acima da média. E irrita-me que uma dúzia de gente estúpida consiga levar a sua avante, e fazer de mim idiota, arrastando uma cambada de ovelhas com a velha máxima da "ela tem a mania que é boa mas a gente baixa-lhe a grimpa". Tenho passado a vida a dizer que sim a imbecis para que o resto do mundo deixe de achar que "eu tenho a mania que sou boa", para me camuflar e diluir capacidades e potencialidades em troca de simpatias.
E depois, de vez em quando, acordo assim, envenenada e venenosa, por não me reconhecerem esforços, por não me elogiarem conquistas, por não me verem como eu sou e me aceitarem assim.
Sinto-me completamente sufocada neste momento, nesta sociedade, por tudo aquilo que gosto de fazer, desde ler livros uns atrás dos outros sobre coisas tão diferentes como psicologia, ciência ou história, até ver exposições de arte contemporânea, passando por devorar filmes europeus, até gostar, realmente, de aprender, e dizer bem das ações de formação, ser, dizia eu, mal visto, mal interpretado ou invejado pelos comuns mortais que partilham comigo a nacionalidade. Ser encarado como cagança e elitismo.
Sinto-me completamente sufocada por aquilo que sei fazer bem, como escrever, dar aulas, conquistar simpatias adolescentes, motivá-los, fazê-los gostar de mim, seja motivo de despeito ou escárnio, e criticado à primeira oportunidade.
Hoje estou mesmo, mesmo venenosa. Mais vale acordar tarde, quando posso. Uma sestinha, provavelmente, viria a calhar, para voltar ao meu modo "o mundo é que tem razão, eu não passo de uma idiota, os outros é que são bons."
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Workaholism
Durante o meu percurso escolar, incutiram-me em casa que aquele era o meu trabalho e se devia dar o máximo de nós para o cumprir como deve ser. Foi o que fiz. Na Faculdade, a coisa patinou um bocado, houve cadeiras que fiz sem pôr os pés nas aulas mas, ainda assim, em momentos de avaliação a coisa sempre foi levada muito a sério, e se fosse preciso fazer diretas ou começar a estudar com um mês de antecedência para uma prova de um cadeirão, lá estava eu, de nariz metido em livros, fotocópias e fichas de trabalho. No estágio, não me lembro de ter tempo para me coçar, quanto mais de procrastinar fosse o que fosse, e levei tudo certinho e organizado até ao fim. O mestrado foi o descambar total dos níveis de empenho e força de vontade, isto na fase da dissertação, que não falhei um seminário nem um trabalho curricular, e em nenhum tive menos que a nota máxima da turma.
No que diz respeito ao ganha-pão, contudo, e à exceção do ano de estágio, sinto que sempre dei de mim o máximo em contexto de sala de aula com os garotos e os mínimos em tudo o resto. Fiquei completamente traumatizada com papéis, computadores e pesquisas, com a criatividade à força e aulas preparadas com imagens de obras de arte de portugueses contemporâneos.
Chego a uma aula e puxo pelos miúdos, faço-os escrever, falar e ler Inglês até o vomitarem por todos os poros, mas há muito que me deixei de mais fichas de trabalho ou ceninhas para corrigir em casa.
Até agora, em que o trabalho se me deparou como um instrumento muito útil de escape, e meio de exaustão física e mental que não me desagrada de todo. Este ano não sei para onde me virar com a treta dos cargos e, talvez por isso, porque não gosto de coordenar, chego a casa e só me apetece trabalhar para os alunos, inventar atividades giras, fazer mais aquela ficha de gramática ou ler a quantidade de alarvidades que escrevem nas composições, para lhes poder chamar todos os nomes de que me lembro, enquanto o faço.
Tem sido terapêutico e tem melhorado bastante a minha autoestima, já que, na maioria das vezes, a trabalhar para os órgão pedagógicos, me sinto tão inútil como imbecil. Para além dos lugares de coordenação, naquela escola, serem sinónimo de muitas chatices e poucos amigos.
Há uns dias, dizia ao terapêuta que jamais serei uma workaholic porque não tenho pelo trabalho uma compulsão, apenas adquiri um novo hábito de alienação. Ou isso, ou entrei definitivamente no mundo dos adultos, e ao contrário do que dizem os idealistas "mantém a criança que há em ti", estou muito melhor assim, thank you very much.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
No news...
... is good news.
Às vezes precisamos de um tremor de terra que nos abale as estruturas para dar valor ao que temos e de que tantas vezes nos queixamos. Foi o que me aconteceu no final de setembro. A possibilidade concreta de a minha mãe poder estar gravemente doente, o pesadelo dos exames, das intervenções cirúrgicas, a espera, as biópsias, os resultados, tudo isso me fez entrar num whirlpool de medo denso e escuro.
Passou tudo para segundo plano. A minha vida foi trabalhar como uma louca, de semana, e ir para Lisboa ajudar a minha mãe, acompanhá-la e dar-lhe mimos, ao fim de semana. E quando vieram os resultados, "tudo em ordem, tudo bem", senti os ombros, o pescoço e as costas literalmente relaxar, quando já nem os sentia tensos, do hábito de andar em compressão muscular. E dormi pela primeira vez como deve ser, de segunda para terça, depois de vinte e seis dias de insónias intercaladas de pesadelos.
Foi um mês que, de certa forma, mudou um pouco a minha vida, o meu modo de pensar, de agir e de estar. Dediquei-me de alma e coração ao trabalho e aos alunos... porque precisava muito de ter no que me concentrar e ao que me agarrar, precisava muito de afastar a cabeça do pânico e de encontrar para onde escoar carências, carinho, revolta e agressividade. Os alunos permitem-nos todos estes estados, num único bloco de noventa minutos. E, por outro lado, retribuem, interessam-se e não nos deixam parar, puxam por nós. Para além disto, este ano tenho cargos de que depende o bom funcionamento de parte dos órgãos pedagógicos: coordeno diretores de turma e professores de inglês de terceiro ciclo, por exemplo.
Também tenho muito que ler em casa, e muitos episódios das minhas séries favoritas, novinhos em folha, para ver.
No meio do pesadelo, fui ver o espetáculo da Rita Redshoes com alguns colegas de escola e jantar fora duas ou três vezes com eles porque quem sai da escola depois das oito da noite dias e dias seguidos, às tantas só quer mesmo comer e beber uns valentes copos de sangria de frutos vermelhos. E ainda tive tempo para arranjar o JadeMobile, que está trnsformado numa máquina infernal que facilmente dá os 160 não se atrevendo a dar mais porque a dona não deixa.
Também tenho muito que ler em casa, e muitos episódios das minhas séries favoritas, novinhos em folha, para ver.
No meio do pesadelo, fui ver o espetáculo da Rita Redshoes com alguns colegas de escola e jantar fora duas ou três vezes com eles porque quem sai da escola depois das oito da noite dias e dias seguidos, às tantas só quer mesmo comer e beber uns valentes copos de sangria de frutos vermelhos. E ainda tive tempo para arranjar o JadeMobile, que está trnsformado numa máquina infernal que facilmente dá os 160 não se atrevendo a dar mais porque a dona não deixa.
Depois do alívio, olho para trás e vejo que o susto me deu responsabilidade acrescida, sensibilidade triplicada, força de vontade para trabalhar e cumprir tarefas em dobro e... uma indiferença total aos assuntos do coração. Parece, finalmente, que estou bem sozinha, me basto a mim própria e consigo cuidar de mim e dos que amo sem precisar de namorado, marido, amigo colorido ou qualquer outra nuance relacional.
Basto-me a mim mesma: tenho trabalho que me chegue e sobre, tenho com quem sair, se me apetecer, e com que me entreter, se quiser estar em casa; já não tenho cabeça, nem paciência, nem vontade, nem disposição, para aturar outro ego que me contradiga, me coloque em segundo plano, me troque por um modelo mais giro, me pretira, ou me partilhe com outra tipa qualquer.
Basto-me a mim mesma: tenho trabalho que me chegue e sobre, tenho com quem sair, se me apetecer, e com que me entreter, se quiser estar em casa; já não tenho cabeça, nem paciência, nem vontade, nem disposição, para aturar outro ego que me contradiga, me coloque em segundo plano, me troque por um modelo mais giro, me pretira, ou me partilhe com outra tipa qualquer.
Não. Há coisas bem mais importantes para fazer na vida que dar com a cabeça nas paredes por pessoas que nunca viram em nós uma prioridade, mas um acessório que se usa quando tudo o resto nos falha. Está bem que é mais fácil ficarmo-nos a lamentar, eternamente presos aos Fantasmas dos Natais Passados, de Dickens, do que reagir à perda sem dramas e seguir em frente com a nossa vida, menos uma... preocupação, ou chatice, ou amargura.
Dizem que, com o tempo, a deceção acaba por passar e dar lugar à indiferença ou, no máximo, a um sentimento ácido e arrogante de "your lost". Mas eu lido muito mal com o tempo, e esse momento para mim sempre tardou muito em chegar. Foi preciso materializar-se à minha frente a possibilidade de uma perda real, para que as perdas ficcionais de que me lamentava ocupassem o seu verdadeiro lugar, que é nenhum, no meu espírito.
Dizem que, com o tempo, a deceção acaba por passar e dar lugar à indiferença ou, no máximo, a um sentimento ácido e arrogante de "your lost". Mas eu lido muito mal com o tempo, e esse momento para mim sempre tardou muito em chegar. Foi preciso materializar-se à minha frente a possibilidade de uma perda real, para que as perdas ficcionais de que me lamentava ocupassem o seu verdadeiro lugar, que é nenhum, no meu espírito.
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