Estou há dois dias mesmo em baixo. Cheia de saudades. De um passado que não foi, de um futuro que não chega. Tenho saudades de estar feliz. E ando mesmo, mesmo tristita. O que me vai levando em frente é o trabalho que tenho por fazer. E os mimos da mãe e da mana. Só isso. Mas hoje, a caminho de casa, não chegou. E aqui, sozinha, agora, também não chega. Tenho pena que o que para milhões é tão fácil, para mim pareça cada vez mais inatingível. Boa noite a todos.
domingo, 30 de outubro de 2011
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Exigência
Estou farta do deixar andar. Farta de cobranças de tudo quanto é lado. Farta que me façam exigências. Fartinha. A nível pessoal e profissional. Não me lembro do momento em que o meu saco encheu. Só sei que de há umas semanas para cá (eu disse que a cena da minha mãe me fez mudar um pouco, mas esta sensação já vinha de antes e intensificou-se durante e depois) ando eu numa fase de exigência de que não me lembro haver outra, ao longo da vida.
Deixei de ter paciência para engolir certas coisas, para ouvir certo tipo de discursos, para relevar atitudes que me caem mal. Acabou-se a compreensão e a tolerância. Muitas vezes disfarcei aquilo que julgava ser hipersensibilidade e não me livrei do epíteto de "mau-feitio". So be it, quero lá saber. Para andar amargurada com as pessoas e ter que fingir que está tudo bem, poupa-se o trabalho do fingimento e bola para a frente. Estou muito melhor assim, evito estar com quem não me apetece, faço com o meu tempo aquilo que julgo ser mais útil e produtivo, e chateio-me muito menos. Focus and avoidance. Let's learn a new way of living.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
Venenosa
Hoje acordei cedo, preocupada, como agora é novidade, com o sem fim de coisas que tenho por fazer. Lá fui ao supermercado, arrumei compras, tirei da máquina e arrumei loiça, pus dois sacos de cenas na reciclagem, estendi umas quantas peças de roupa, rezando para que não chova e para que o vento que está as seque. Tudo com uma má disposção interior, um veneno poderoso que se escoa em irritação e pensamentos irados, não sei, não estou nada pura.
Dei por mim em pensamentos de revolta.
Sou uma excelente pessoa. Não se riam, que se isto não é a verdade, é a minha verdade. Sou generosa, sou altruísta, sou solidária, sou justa, sou franca, sou leal. Quem conhecem vocês que seja isto tudo nos dias que correm?
Não me meto na vida de ninguém, não comento maliciosamente vidas privadas, não atiro a primeira nem pedra nenhuma, não desfaço no trabalho dos outros, não engraxo chefias, não quero saber de poder, não sou manipuladora, não ligo a aparências, não me impresssionam os grandes luxos, e não sei o que é a inveja podre, só aquela que me permite alegrar-me pelos outros, suspirando inocentemente por não ter o mesmo. E invejo relações e modos de vida, não invejo bens materiais.
Sei, porém, que no meio de tanta qualidade, sou arrogante. Sou arrogante porque a estupidez e a ignorância humana proliferam e me tiram do sério. Sou arrogante porque nasci inteligente e sinto que isso neste país é um pecado capital, e que a mediocridade dominante gosta de pisar, ressabiada, tudo o que seja um bocadinho acima da média. E irrita-me que uma dúzia de gente estúpida consiga levar a sua avante, e fazer de mim idiota, arrastando uma cambada de ovelhas com a velha máxima da "ela tem a mania que é boa mas a gente baixa-lhe a grimpa". Tenho passado a vida a dizer que sim a imbecis para que o resto do mundo deixe de achar que "eu tenho a mania que sou boa", para me camuflar e diluir capacidades e potencialidades em troca de simpatias.
E depois, de vez em quando, acordo assim, envenenada e venenosa, por não me reconhecerem esforços, por não me elogiarem conquistas, por não me verem como eu sou e me aceitarem assim.
Sinto-me completamente sufocada neste momento, nesta sociedade, por tudo aquilo que gosto de fazer, desde ler livros uns atrás dos outros sobre coisas tão diferentes como psicologia, ciência ou história, até ver exposições de arte contemporânea, passando por devorar filmes europeus, até gostar, realmente, de aprender, e dizer bem das ações de formação, ser, dizia eu, mal visto, mal interpretado ou invejado pelos comuns mortais que partilham comigo a nacionalidade. Ser encarado como cagança e elitismo.
Sinto-me completamente sufocada por aquilo que sei fazer bem, como escrever, dar aulas, conquistar simpatias adolescentes, motivá-los, fazê-los gostar de mim, seja motivo de despeito ou escárnio, e criticado à primeira oportunidade.
Hoje estou mesmo, mesmo venenosa. Mais vale acordar tarde, quando posso. Uma sestinha, provavelmente, viria a calhar, para voltar ao meu modo "o mundo é que tem razão, eu não passo de uma idiota, os outros é que são bons."
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Workaholism
Durante o meu percurso escolar, incutiram-me em casa que aquele era o meu trabalho e se devia dar o máximo de nós para o cumprir como deve ser. Foi o que fiz. Na Faculdade, a coisa patinou um bocado, houve cadeiras que fiz sem pôr os pés nas aulas mas, ainda assim, em momentos de avaliação a coisa sempre foi levada muito a sério, e se fosse preciso fazer diretas ou começar a estudar com um mês de antecedência para uma prova de um cadeirão, lá estava eu, de nariz metido em livros, fotocópias e fichas de trabalho. No estágio, não me lembro de ter tempo para me coçar, quanto mais de procrastinar fosse o que fosse, e levei tudo certinho e organizado até ao fim. O mestrado foi o descambar total dos níveis de empenho e força de vontade, isto na fase da dissertação, que não falhei um seminário nem um trabalho curricular, e em nenhum tive menos que a nota máxima da turma.
No que diz respeito ao ganha-pão, contudo, e à exceção do ano de estágio, sinto que sempre dei de mim o máximo em contexto de sala de aula com os garotos e os mínimos em tudo o resto. Fiquei completamente traumatizada com papéis, computadores e pesquisas, com a criatividade à força e aulas preparadas com imagens de obras de arte de portugueses contemporâneos.
Chego a uma aula e puxo pelos miúdos, faço-os escrever, falar e ler Inglês até o vomitarem por todos os poros, mas há muito que me deixei de mais fichas de trabalho ou ceninhas para corrigir em casa.
Até agora, em que o trabalho se me deparou como um instrumento muito útil de escape, e meio de exaustão física e mental que não me desagrada de todo. Este ano não sei para onde me virar com a treta dos cargos e, talvez por isso, porque não gosto de coordenar, chego a casa e só me apetece trabalhar para os alunos, inventar atividades giras, fazer mais aquela ficha de gramática ou ler a quantidade de alarvidades que escrevem nas composições, para lhes poder chamar todos os nomes de que me lembro, enquanto o faço.
Tem sido terapêutico e tem melhorado bastante a minha autoestima, já que, na maioria das vezes, a trabalhar para os órgão pedagógicos, me sinto tão inútil como imbecil. Para além dos lugares de coordenação, naquela escola, serem sinónimo de muitas chatices e poucos amigos.
Há uns dias, dizia ao terapêuta que jamais serei uma workaholic porque não tenho pelo trabalho uma compulsão, apenas adquiri um novo hábito de alienação. Ou isso, ou entrei definitivamente no mundo dos adultos, e ao contrário do que dizem os idealistas "mantém a criança que há em ti", estou muito melhor assim, thank you very much.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
No news...
... is good news.
Às vezes precisamos de um tremor de terra que nos abale as estruturas para dar valor ao que temos e de que tantas vezes nos queixamos. Foi o que me aconteceu no final de setembro. A possibilidade concreta de a minha mãe poder estar gravemente doente, o pesadelo dos exames, das intervenções cirúrgicas, a espera, as biópsias, os resultados, tudo isso me fez entrar num whirlpool de medo denso e escuro.
Passou tudo para segundo plano. A minha vida foi trabalhar como uma louca, de semana, e ir para Lisboa ajudar a minha mãe, acompanhá-la e dar-lhe mimos, ao fim de semana. E quando vieram os resultados, "tudo em ordem, tudo bem", senti os ombros, o pescoço e as costas literalmente relaxar, quando já nem os sentia tensos, do hábito de andar em compressão muscular. E dormi pela primeira vez como deve ser, de segunda para terça, depois de vinte e seis dias de insónias intercaladas de pesadelos.
Foi um mês que, de certa forma, mudou um pouco a minha vida, o meu modo de pensar, de agir e de estar. Dediquei-me de alma e coração ao trabalho e aos alunos... porque precisava muito de ter no que me concentrar e ao que me agarrar, precisava muito de afastar a cabeça do pânico e de encontrar para onde escoar carências, carinho, revolta e agressividade. Os alunos permitem-nos todos estes estados, num único bloco de noventa minutos. E, por outro lado, retribuem, interessam-se e não nos deixam parar, puxam por nós. Para além disto, este ano tenho cargos de que depende o bom funcionamento de parte dos órgãos pedagógicos: coordeno diretores de turma e professores de inglês de terceiro ciclo, por exemplo.
Também tenho muito que ler em casa, e muitos episódios das minhas séries favoritas, novinhos em folha, para ver.
No meio do pesadelo, fui ver o espetáculo da Rita Redshoes com alguns colegas de escola e jantar fora duas ou três vezes com eles porque quem sai da escola depois das oito da noite dias e dias seguidos, às tantas só quer mesmo comer e beber uns valentes copos de sangria de frutos vermelhos. E ainda tive tempo para arranjar o JadeMobile, que está trnsformado numa máquina infernal que facilmente dá os 160 não se atrevendo a dar mais porque a dona não deixa.
Também tenho muito que ler em casa, e muitos episódios das minhas séries favoritas, novinhos em folha, para ver.
No meio do pesadelo, fui ver o espetáculo da Rita Redshoes com alguns colegas de escola e jantar fora duas ou três vezes com eles porque quem sai da escola depois das oito da noite dias e dias seguidos, às tantas só quer mesmo comer e beber uns valentes copos de sangria de frutos vermelhos. E ainda tive tempo para arranjar o JadeMobile, que está trnsformado numa máquina infernal que facilmente dá os 160 não se atrevendo a dar mais porque a dona não deixa.
Depois do alívio, olho para trás e vejo que o susto me deu responsabilidade acrescida, sensibilidade triplicada, força de vontade para trabalhar e cumprir tarefas em dobro e... uma indiferença total aos assuntos do coração. Parece, finalmente, que estou bem sozinha, me basto a mim própria e consigo cuidar de mim e dos que amo sem precisar de namorado, marido, amigo colorido ou qualquer outra nuance relacional.
Basto-me a mim mesma: tenho trabalho que me chegue e sobre, tenho com quem sair, se me apetecer, e com que me entreter, se quiser estar em casa; já não tenho cabeça, nem paciência, nem vontade, nem disposição, para aturar outro ego que me contradiga, me coloque em segundo plano, me troque por um modelo mais giro, me pretira, ou me partilhe com outra tipa qualquer.
Basto-me a mim mesma: tenho trabalho que me chegue e sobre, tenho com quem sair, se me apetecer, e com que me entreter, se quiser estar em casa; já não tenho cabeça, nem paciência, nem vontade, nem disposição, para aturar outro ego que me contradiga, me coloque em segundo plano, me troque por um modelo mais giro, me pretira, ou me partilhe com outra tipa qualquer.
Não. Há coisas bem mais importantes para fazer na vida que dar com a cabeça nas paredes por pessoas que nunca viram em nós uma prioridade, mas um acessório que se usa quando tudo o resto nos falha. Está bem que é mais fácil ficarmo-nos a lamentar, eternamente presos aos Fantasmas dos Natais Passados, de Dickens, do que reagir à perda sem dramas e seguir em frente com a nossa vida, menos uma... preocupação, ou chatice, ou amargura.
Dizem que, com o tempo, a deceção acaba por passar e dar lugar à indiferença ou, no máximo, a um sentimento ácido e arrogante de "your lost". Mas eu lido muito mal com o tempo, e esse momento para mim sempre tardou muito em chegar. Foi preciso materializar-se à minha frente a possibilidade de uma perda real, para que as perdas ficcionais de que me lamentava ocupassem o seu verdadeiro lugar, que é nenhum, no meu espírito.
Dizem que, com o tempo, a deceção acaba por passar e dar lugar à indiferença ou, no máximo, a um sentimento ácido e arrogante de "your lost". Mas eu lido muito mal com o tempo, e esse momento para mim sempre tardou muito em chegar. Foi preciso materializar-se à minha frente a possibilidade de uma perda real, para que as perdas ficcionais de que me lamentava ocupassem o seu verdadeiro lugar, que é nenhum, no meu espírito.
domingo, 18 de setembro de 2011
Está difícil
Não sei o que se passa comigo, que ando com um sono terrível. Daquele tipo de sono incontrolável que, a qualquer hora do dia e faça eu o que fizer, cabeceio, bocejo, sinto as pálpebras pesadas. Bolas! Ver testes tem sido um inferno e ainda falta o resto...
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
A tradição...
... continua a ser o que era.
Para variar, sexta feira livre, montes de planos para adiantar trabalho, são cinco e meia da tarde, trabalho "visteziu", cheguei agora do ginásio, vou tomar um duchinho, dormir uma sestinha (que para sexta feira me levantei de madrugada: ainda não eram onze da manhã!) e vou jantar fora com uma amiga.
Para quando, uma sexta feira produtiva???
Fim de Semana
Mais uma vez, o meu horário de luxo permite-me não ir à escola às sextas. Desta vez, contudo, o fim de semana está tão cheio de trabalho para fazer que até me dói o corpo todo só de pensar nisso. E pior é saber que não vei ser caso único... a minha vida está transformada em dias a apagar fogos uns atrás dos outros, e o trabalho reproduz-se como coelhos taradões. (suspiro)
Não me apetece. Apetecia-me um banco de jardim, um fim de tarde fresco, um livrinho interessante ou apenas o silêncio.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Se houver mais alguém com a mesma dúvida...
Alguém muito próximo perguntou-me recentemente: "Olha lá, Jade, como é que tu soubeste que era finalmente altura de procurar terapia?"
A pergunta tem razão de ser. Com tanta bagagem podre emocionalmente, muitos achavam que eu já o devia ter feito há muito, e que era uma questão de teimosia, de capricho e de preconceito. Como tal, pensaram também que mais depressa me suicidaria do que tomaria essa iniciativa. E era vista como um rochedo resistente a todas as tempestades. Uma rocha que colapsaria muda, sem pedir ajudas a ninguém, orgulhosa.
Não quer dizer que estas assumpções fossem erróneas, pelo contrário. Como disse ao meu terapêuta, quando ele me perguntou sensivelmente o mesmo, não o tinha feito até então por preconceito e falta de dinheiro. São tratamentos longos, com progressos pouco evidentes e custam uma pipa de massa. Nesse caso, por que mudei eu de ideias? Não ganhei prémio nenhum no euromilhões e estamos em tempos de crise, é verdade.
Procurei ajuda porque deixei de ser funcional. Funcional nos meus exigentes parâmetros. Ia para a escola e só não chorava nas aulas. Chorava o caminho todo, chorava nos intervalos, metida na casa de banho, chorava no bar e na cantina. Inventava alergias que me justificassem o péssimo aspecto e não conseguia desligar o cérebro do que me entristecia, do que me deitava abaixo. Martirizava-me com pensamentos circulares. Tremia por todos os lados. Quando e se adormecia, exausta, sonhava sobre o assunto. Não tinha paz. Andava esgotadíssima e entupia-me de vitaminas.
Procurei ajuda por medo. Por medo de ir para um sítio escuro da mente e de não haver regresso. Por medo de dar em doida. Por medo de deixar de fazer sentido. Por medo de perder o meu lugar na profissão, no Mundo. Por medo de fazer definitivamente a passagem para o lado de lá, para as margens, para o limbo. Assustei-me. E ainda bem. O medo é uma força poderosa, um beco escuro, húmido e mal-cheiroso. Às vezes, esse beco nojento é a nossa salvação.
Por outro lado, achava que antidepressivos não iam resolver o ponto a que me tinha deixado chegar. Considerei que era preciso uma mudança mais profunda e a verdade é que, hoje e agora, agorajá, como diria o O'Neill, se deixasse os comprimidos iria, sem dúvida, regredir imenso, mas já teria algumas armas psicológicas a que me agarrar, já teria percorrido algumas veredas do meu labirinto pessoal, e já teria aberto algumas portas. Só por isso, já me sinto mais forte. Só por isso, quero continuar, para descobrir até onde tudo isto me pode levar. Oxalá seja a um porto bem mais seguro que o cenário a que estou, há tanto tempo, mal acostumbrada.
Estratégias
Eu gosto de partilhar truques. Aqui vai o desta semana: pus ao serviço um saco preto que eu tenho, muito fofo, com dúzias de Hello Kittys, e que dá para roupa suficiente para um fim-de-semana. (dos de Inverno, vá, mas só roupa). Enfiei-lhe lá dentro meia dúzia de t-shirts, dois pares de calças, uns quantos sacos de plástico, uma daquelas garrafas de alumínio ou o raio (não é Suiça, não, foi mesmo oferta de um produto qualquer da Dove) e os meus ténis (sapatilhas, para os puristas do Norte). Resultado: estou sempre pronta para pegar no saco e ir para o ginásio. Até o posso deixar no carro de uns dias para os outros, é só meter a roupa suja num saco de plástico e trazê-lo para cima. E, já agora, lembrar-me de encher a garrafa de água também dava o seu jeito: a técnica é um work-in-progress, claro está, ou não me chamasse eu Jade do despistanço, ao seu dispor.
Esta semana já fui ao ginásio dois dias... e seguidos! Estou inscrita há mais de um ano e acho que foi a primeira vez. O facto da treinadora me ter dito que eu faço pescoçais em vez de abdominais é apenas um pequeno pormenor de ordem técnica, que não interessa nada, já que a barrigada de riso lá servirá de abdominal, quer se queira, quer não.
Competição Pessoal
Este mês, ando a ver se ganha o número de posts, ou o número de idas ao ginásio. Por enquanto, o blog anda às moscas... e mesmo assim vai à frente.
Pérolas do Malato
Não vou falar do episódio do Malato de hoje porque... não.
Mas no de ontem, ele às tantas disse "eu não sou uma pessoa nada feliz. Sou bem-disposto, o que é completamente diferente". Grande verdade. Os meus mais próximos (família, amigos, colegas, alunos) dizem que eu tenho muito mau feitio. Mas a verdade é que, no meio de tanta resmunguice, sou muitíssimo boa onda e o pessoal tende a estar sempre a rir ao pé de mim, porque vou do doutoral ao brejeiro num microssegundo, porque emprego expressões muito peculiares, porque, como dizem os meus meninos, eu estou séria mas os meus olhos estão quase sempre a rir-se.
Digamos que quem acha que eu sou mal-disposta, sombria, fúnebre, amarga, me deveria ter conhecido em Março. Isso sim. Andei muitos meses sem conseguir rir com vontade, ou dizer uma piada parva que fosse. Agora, às custas de muito trabalhinho, estou outra vez uma moça bem disposta. Quase como era. Quanto ao feliz... isso, Malato, só nós dois é que sabemos, são outros quinhentos.
domingo, 11 de setembro de 2011
11 de Setembro
Passaram dez anos e tanto eu como toda a gente que eu conheço, cujos artigos leio ou nos depoimentos televisivos que vejo, se lembra exactamente de onde estava e a fazer o quê. Acho que isso diz tudo.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Setembro
Novo ano escolar.
Este ano vou dar Inglês a uma turma de 5º ano. Pois. Se eu quisesse dar aulas às crianças do 2º ciclo, teria ido para uma ESE. Não tenho jeitinho nenhum para estes seres acabadinhos de sair dos cueiros. Um deles tem por hábito fugir da escola e ir para casa quando as coisas não lhe agradam. Ora como eu lhes vou dar o segundo bloco da manhã, acho que o puto vai almoçar mais cedo. Isto, para dizer o mínimo. Isto, para não entrar em detalhes. Isto, para não começar já a estrebuchar. Que, sejamos sinceros, vontade não me falta. Vai haver um aumento notável de crianças nos pedopsiquiatras da cidade. É isso e processos judiciais contra a bruxa de Inglês. O ano promete, lá isso...
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Ah, já me esquecia...
... neste final de férias, acabei por ler, apenas, A Companhia de Estranhos, thriller histórico; O Céu Existe Mesmo, depoimento; umas páginas de 1 Km de Cada Vez, crónicas de viagens. O meu livro de cabeceira, agora, é O Assédio, romance histórico, que não sosseguei enquanto não tive na mão, depois das maravilhas que ouvi no Câmara Clara. E estou a gostar bastante.
Pois que foi muito bom...
...mas acabou-se.
Acabaram-se os dias de praia e piscina, e leitura e cinema, e passeios e jantares... e compras, pulseiras, livros, sandálias... chuif!
Não tarda, o relax dará lugar ao stresse de reuniões e aulas e miúdos barulhentos e graúdos um bocado parvos, e ginásio e supermercado, e levantar cedo e tarefas domésticas, e trabalho de casa e correcção de testes. É melhor pensar que também vem aí a época do chocolate quente, senão vou deitar-me e pôr o despertador para a Primavera.
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