Estamos quase na Páscoa e não consigo evitar pensar no dia de ano novo. Diziam os astrólogos que ia ser um ano em grande para os sagitários. Na altura, por coincidência, estava tão iludida que achava que isso de facto seria mesmo verdade. Possivelmente sou mesmo serpentária, porque este 2011 tem sido bem mais semelhante a um salto em queda livre, em que o pára-quedas abre, mas uns segundos tarde demais e me estatelo contra o chão com demasiada velocidade e força, sem morrer, embora nos primeiros momentos achasse que teria sido melhor, mas com violência suficiente para me partir toda.
E permaneço deitada numa cama de hospital metafórica. Sem grande reacção, ainda a ganhar energias, depois de as usar todas na difícil tarefa de sobreviver de algum modo ao estampanço. Esta fase do hospital é, suponho eu, a mais dura. Porque é lenta, a recuperação. É uma disciplina minuto a minuto. Uma disciplina que nunca tive, um racionalizar de cada acção, uma luta contra mim mesma, contra a procrastinação, contra a ansiedade, contra, sobretudo, a sombra da tristeza.
Vim para Lisboa. A minha mãe precisa de mim e vê todos os dias que não estou à altura de a ajudar. Não tenho forças. Não tenho forças nem para responder a sms, nem para pegar no telefone e desejar Boa Páscoa aos amigos. Passo horas a jogar frontier e a ver televisão em hipnose, mas sobretudo durmo. Durmo muito mais do que devia ou queria, mas é assim que pretendo descansar de três meses muito, muito, duros.
E hoje a minha mãe decidiu ouvir a banda sonora do Mamma Mia, que nós gostamos muito. E não pude deixar de sentir um nó na garganta ao ouvir "dancing queen, young and sweet, only seventeen. See that girl, watch that scene, digging the dancing queen." Essa era eu, aos dezassete anos. Más opções e graves decepções depois, a bailarina está toda partida numa cama de hospital, fartinha de esperar por melhoras.
Boa Páscoa a todos.