
segunda-feira, 14 de março de 2011
domingo, 13 de março de 2011
sábado, 12 de março de 2011
Toma e Embrulha
Não gosto nada da expressão "à rasca". Detesto a palavra "rasca". Acho feia e ofensiva. Não estive na manifestação, até porque nem sequer moro numa das onze cidades para onde foi convocada. Mas tenho que dizer que gostei de ver as notícias, hoje, e tive orgulho no meu país e nos seus cidadãos, que finalmente largaram os protestos das mesas dos cafés e saíram às ruas. Sem violência, sem desespero, a bem. Por enquanto. Não acredito que o autismo que habita o nosso governo mude. Acho que tudo isto será inconsequente. Mas, caramba, há muito tempo que não sentia que este povo ainda tem alguma alma e algum sangue a correr-lhe nas veias. Muito bem, Portugal. Hoje não estive em corpo, mas estou em todas, sempre, do fundo do coração, contra estes cretinos arrogantes que esqueceram há anos o que é uma democracia.
sexta-feira, 11 de março de 2011
Hoje é o primeiro dia
quinta-feira, 10 de março de 2011
E ainda me ri...
Já me tinha esquecido do que era rir-me feita idiota mas hoje, na aula de Estudo Acompanhado, a minha colega de Matemática virou-se para os alunos e disse "se não souberem a resposta correcta a este exercício, desculpem lá, mas têm um QI muito reduzido..."
Claro que teve que haver um cromo a fazer a pergunta da praxe "o que é um QI?"
Ia preparar-me para lhes explicar quando outro miúdo responde muito depressa, "É uma fruta, estúpido!"
Ri-me que nem uma macaca, e hoje depois disso já disse umas três vezes, a propósito de andar lenta que nem uma lesma e burra que nem uma porta,"desculpem lá, mas tenho um kiwi muito reduzido..."
Isto só na twilight zone que é a minha escola: nun-kiwi tanta asneira junta...
Claro que teve que haver um cromo a fazer a pergunta da praxe "o que é um QI?"
Ia preparar-me para lhes explicar quando outro miúdo responde muito depressa, "É uma fruta, estúpido!"
Ri-me que nem uma macaca, e hoje depois disso já disse umas três vezes, a propósito de andar lenta que nem uma lesma e burra que nem uma porta,"desculpem lá, mas tenho um kiwi muito reduzido..."
Isto só na twilight zone que é a minha escola: nun-kiwi tanta asneira junta...
quarta-feira, 9 de março de 2011
Aaaiiiiiii!

Esta é a minha cara, por saber que amanhã tenho que ir trabalhar. Aliás, esta é a cara da minha alma e o espelho da minha disposição por muitas outras coisas que agora não interessam mesmo nada. Que não interessam a ninguém, muito menos a mim. Amanhã lá terei que vestir a pele de um coelho fofinho qualquer e tentar não apertar o pescoço a nenhuma criancinha inocente, ou adulto... também inocente, vá, pelo menos por agora.
Wise Words, part two
Diz a Inês:
"If love isn't enough, it isn't love."
(Desculpa, Inês, mas a língua inglesa fica sempre bem... e nunca atraiçoa ninguém.)
"If love isn't enough, it isn't love."
(Desculpa, Inês, mas a língua inglesa fica sempre bem... e nunca atraiçoa ninguém.)
À noite
Tudo parece pior.
Vou passar a ir para a cama às sete da tarde. Evito pensamentos deprimentes e um mal-estar físico de bradar aos céus. Sweet dreams.
Vou passar a ir para a cama às sete da tarde. Evito pensamentos deprimentes e um mal-estar físico de bradar aos céus. Sweet dreams.
terça-feira, 8 de março de 2011
Os 35
Dizem que de sete em sete anos o corpo regenera. Que é esse o tempo que demora a mudar todas as células do corpo humano. Os astrólogos falam de ciclos planetários. Senti tudo isto muito fortemente aos 21 anos, quando o meu avô morreu, num momento em que eu mal acabara o curso e começara a dar aulas. Foi nesse ano também que comecei um relacionamento que quase terminou em casamento, não fora eu achar que aquilo não era para mim, exactamente sete, pois, sete anos depois.
Coincidência ou não, agora, com 35, enfrento uma das piores provas de resistência de que tenho memória. Um acumular de situações e desgostos, muito stress, muita ansiedade e muita tristeza, que incluíram a perda de um animal de estimação que me fez companhia quase trinta anos, a efectivação numa escola de doidos, como há poucas, uma crise de saúde recorrente mas muito incómoda, e uma gota de água infeliz que fez transbordar o copo.
Não sei se me caíram sete anos em cima, mas dois ou três, decididamente, estamparam-se de frente contra mim a grande velocidade. O sentimento é o de completo atropelo, e embora saiba o momento exacto da colisão de um grande anjo mau contra um corpo já frágil de várias pancadas anteriores, as consequências foram, por mim, imprevisíveis. I didn't see it coming.
É fantástico como uma pessoa que se auto-analisa tanto como eu ainda se consegue surpreender a si mesma, e ainda guarda dentro de si tanto sentimento virgem. Posso dizer que nas últimas semanas enfrentei monstros completamente desconhecidos para mim. E que é uma grande treta, dizer que o que não nos mata torna-nos mais fortes. Não torna. Fragiliza-nos ao ponto de dar medo. De nos sentirmos em pânico só por acordar e termos que sair de casa. Destrói-nos as defesas, tira-nos o chão. Atira-nos à cara com palavras como falibilidade, impotência, exaustão. Abraça-nos um cepticismo atroz, uma raiva incontrolável, uma clara sensação de injustiça, desânimo, decepção com tudo aquilo que pautava, anteriormente, a nossa existência.
Por vezes, o que não nos mata, simplesmente, não nos mata. Só isso. Quem quase morre ainda vive, como diz um texto que tenho há muito tempo no rodapé deste blogue. Mas quem quase vive...
Há muitas formas de dourar a pílula, muitos modos de lavar as mãos, como Pilatos, de deixarmos as nossas culpas e as nossas responsabilidades nas mãos do tempo, que tudo cura. Mas há coisas que o tempo jamais apaga. E se ainda hoje recordo o momento em que me morreu o meu avô, não é difícil perceber que jamais esquecerei este tornado de 35 anos que se abateu sobre mim, a gota de água que o despoletou, e a inacreditável implosão do meu mundo, em consequência. Jamais esquecerei esta sensação infernal de todas as células novas que tenho no corpo a latejar, das dores violentas de um nascimento feito a fórceps.
Coincidência ou não, agora, com 35, enfrento uma das piores provas de resistência de que tenho memória. Um acumular de situações e desgostos, muito stress, muita ansiedade e muita tristeza, que incluíram a perda de um animal de estimação que me fez companhia quase trinta anos, a efectivação numa escola de doidos, como há poucas, uma crise de saúde recorrente mas muito incómoda, e uma gota de água infeliz que fez transbordar o copo.
Não sei se me caíram sete anos em cima, mas dois ou três, decididamente, estamparam-se de frente contra mim a grande velocidade. O sentimento é o de completo atropelo, e embora saiba o momento exacto da colisão de um grande anjo mau contra um corpo já frágil de várias pancadas anteriores, as consequências foram, por mim, imprevisíveis. I didn't see it coming.
É fantástico como uma pessoa que se auto-analisa tanto como eu ainda se consegue surpreender a si mesma, e ainda guarda dentro de si tanto sentimento virgem. Posso dizer que nas últimas semanas enfrentei monstros completamente desconhecidos para mim. E que é uma grande treta, dizer que o que não nos mata torna-nos mais fortes. Não torna. Fragiliza-nos ao ponto de dar medo. De nos sentirmos em pânico só por acordar e termos que sair de casa. Destrói-nos as defesas, tira-nos o chão. Atira-nos à cara com palavras como falibilidade, impotência, exaustão. Abraça-nos um cepticismo atroz, uma raiva incontrolável, uma clara sensação de injustiça, desânimo, decepção com tudo aquilo que pautava, anteriormente, a nossa existência.
Por vezes, o que não nos mata, simplesmente, não nos mata. Só isso. Quem quase morre ainda vive, como diz um texto que tenho há muito tempo no rodapé deste blogue. Mas quem quase vive...
Há muitas formas de dourar a pílula, muitos modos de lavar as mãos, como Pilatos, de deixarmos as nossas culpas e as nossas responsabilidades nas mãos do tempo, que tudo cura. Mas há coisas que o tempo jamais apaga. E se ainda hoje recordo o momento em que me morreu o meu avô, não é difícil perceber que jamais esquecerei este tornado de 35 anos que se abateu sobre mim, a gota de água que o despoletou, e a inacreditável implosão do meu mundo, em consequência. Jamais esquecerei esta sensação infernal de todas as células novas que tenho no corpo a latejar, das dores violentas de um nascimento feito a fórceps.
Dia da Mulher




Haver um Dia da Mulher é, por si só, bastante chauvinista. Sempre olhei para este dia com um desprezo característico de quem sempre viu a igualdade de direitos como um dado adquirido, ridicularizando aquilo que achava ser um paternalismo machista. Mas, a verdade, é que as mulheres lutaram muito pelo seu estatuto de iguais, pelo respeito, pelo voto, pela aceitação. E há lugares onde essa luta continua a ser inglória. Há lugares em que continuam em posições de subalternidade. Há casas, mesmo aqui, neste nosso país, tão democrático, em que só o facto de serem fisicamente mais frágeis, as coloca no lugar de um saco de boxe. Por isso, para lembrar as que continuam oprimidas, e agradecer às que lutaram para que eu olhe para este dia com o profundo escárnio de quem nunca sentiu na pele ser menos que homem nenhum, bem pelo contrário, e tem voz e voto e é ouvida, trabalha, paga impostos e decide os seus caminhos, aqui fica o meu post de Feliz Dia da Mulher.
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