segunda-feira, 7 de março de 2011

E sim, eu sei.


Eu sei que tanta raiva não é saudável. E toda esta história do que é, e não é, saudável, só me dá uma escarninha e amarga vontade de rir. Quero lá eu saber o que é e não é saudável, como se a minha saúde dependesse apenas de mim, como se das minhas boas decisões houvesse um resultado tipo causa-efeito, pois. Como se, já agora, toda a minha vida ter sido em função do que está certo, do fazer tudo o que me ensinaram, como me ensinaram, da infinita luta e supremo sacrifício de ter passado metade da minha esperança de vida a ser uma boa menina, algum dia me tivesse trazido, sequer, um vislumbre de felicidade. Porque eu fui uma boa menina. Sempre. Por mais que isto pareça o cúmulo do ridículo a quem lê. Fui. Defendi os outros. Defendi o diabo. Pus-me na pele do outro. Entendi-o. Desculpei-o. Aceitei-o. Respeitei-o. E quê? Recebi na proporção que dei? Algum dia, alguma vez? Sim, raras. Dos amigos que tenho e cabem na palma de uma mão (talvez duas). E o resto? Família, colegas, amores, vida? Bola. Zero. Círculo. Ciclo. Viciado e vicioso.
E o mais irónico... pelos amigos que tenho, pelos verdadeiros, aqueles raros, nunca fiz nada que se visse, só recebi. Todos eles, há séculos, são fontes inesgotáveis de dívida. Só lhes devo. Então... nesse caso, é altura de reverter atitudes e acções. De, em vez de estar permanentemente zangadinha com o Mundo, me enfurecer de vez. Com quem merece, quando merece. A começar ontem. De me passar de vez o politicamente correcto, os diferentes pontos de vista. Deixar de dar ouvidos a fraudes, a aldrabices, aos políticos desta vida, os que governam, influenciam, manipulam, tiram, sugam e jamais, quando chega a altura de dar, de realmente retribuir, estão., dão, ficam. Que se lixe o que é saudável ou correcto. Ganhei o direito a ficar pissed like hell. Por tempo indeterminado.


The second stage of grief, ANGER







The five stages of grief

Meredith: There are five stages of grief. They look different on all of us, but there are always five.
Alex: Denial.
Derek: Anger.
Bailey: Bargaining.
Lexie: Depression.
Richard: Acceptance.


E pensar que estou convencida, há semanas, que me encontro na quarta e ainda não passei da segunda. Acho que inverti as coisas. Nunca estive em negação, comecei por deprimir e agora... agora veio a fúria.

Sweet Jade Moments # 15

domingo, 6 de março de 2011

(In)Human

Se hoje fosse um dia igual a tantos outros, amanhã teria que ir trabalhar. Quando me vim embora da escola, na quinta, não pensei que isso fosse possível, mas hoje, se tivesse que ser, acredito piamente que amanhã lá estaria.
Ao longo destes dias, descobri que temos em nós muito mais de animal irracional do que pensava. No fundo, é a natureza, e não a racionalidade, que nos domina.
Ser bicho compensou. Muito sono, boa alimentação, luz, preguiça, escuridão. Rendeu. Depois de muitas horas de sono e algumas refeições completas, já via as coisas de outra forma. Depois veio o humano que tenho em mim: os meus livros, os meus filmes, as minhas séries,. Por outro lado, tive que exercer também o controlo da mente, o evitar do "this is me, overthinking".
O humano que há em nós, por vezes, atrapalha. Atrapalha quando colocamos os nossos medos à frente dos nossos desejos. Atrapalha quando pautamos a vida pelo que temos e não pelo que somos. Atrapalha quando raciocinamos, como é o meu caso, baseados em falsas premissas. Atrapalha quando, como é o meu caso, deixamos que os outros façam de nós pessoas que não somos, e nos vemos por esses olhos, esquecendo o nosso próprio olhar.
Durante umas semanas carreguei o peso de me terem transformado num cliché. Contudo, livrei-me dele em poucas horas. Horas que incluíram luz, sombra, sono, vigília, livros, filmes.
E amigos. Dos verdadeiros. Dos que ficam. Dos que pertencem e se orgulham disso. Dos que acarinham o que temos. Dos que escrevem mensagens no telemóvel, cobram cafés cá em casa e te invadem a toca com ingredientes para um arroz de marisco e uma garrafa de vinho. Amigos que falam naturalmente contigo mesmo quando as lágrimas te caem cara abaixo, ou pior, quando não caem mas tens o olhar vazio e a mente ausente. Amigos que te amam e arranjam sempre formas de estar. Ainda que longe. Mesmo que o longe seja estar sentado ao teu lado no sofá, ou numa cadeira da sala de professores, e saber que tu estás noutra galáxia, perdida.
Hoje estou grata por ter amigos desses que, ao contrário de outros, sabem que amar é estar.

Jade's Therapy - part 5



quinta-feira, 3 de março de 2011

E pronto

Em casa. Muito longe de casa, mas entre quatro paredes a que chamo minhas sem o ser, estou, por fim, completamente sozinha. Como sempre? Como nunca antes. Resta-me descansar e que o descanso me traga, finalmente, paz, e me leve as dores embora. Descansemos, então.

Rest my Case

Facto: Hoje não estava em condições para vir dar aulas.
Facto: Fiz das tripas coração e vim.
Facto: Tinha entrado no carro da A. há cinco minutos e já estava arrependida.
Facto: Dei a minha aula de nono ano e houve um aluno que disse que "tinha passado depressa" ao que eu achei que tinha feito um bom trabalho.
Facto: Neste bloco de cargos terminei a papelada da reunião com os pais da minha Direcção de Turma.
Facto: Vou-me embora à hora do almoço, não consigo ficar para a tarde.
Facto: Ainda assim, no final destas duas semanas de trabalho, considero que fiz um esforço que me inclui na categoria dos heróis.

Rest my case.
Need to rest all the rest now.

Nicola

É hoje, o dia.
Decidi que hoje é o dia, e estou muito aliviada. Hoje é o dia da minha auto-indulgência, de largar as armas, de deixar de apertar os maxilares, de deixar de contrair a cervical e parar de engolir em seco para travar o vómito. Hoje é o dia de deixar de cerrar os punhos e de abrir muito os olhos para evitar lágrimas, e de deixar de inventar desculpas quando elas correm. Hoje é dia de desistir da luta, atirar a armadura ao chão, e cair de joelhos na arena. Toda a gente tem os seus limites e os meus foram amplamente ultrapassados. I quit. E estou em countdown.

quarta-feira, 2 de março de 2011

terça-feira, 1 de março de 2011

Givin' in

Por aqui, treme-se que nem varas verdes. Parkinson não é opção, por isso suspeita-se de um frio horroroso que se instalou no corpo e na alma apesar do sol. Começo a ceder a uma gripe de estirpe desconhecida. Preciso de sopas e descanso. Ou cházinho e bolachitas de manteiga. Qualquer coisa quentinha. E já.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sweet Jade Moments #14


Quando nada mais resulta... venha a medicação!
Às vezes, a vida encarrega-se de atirar connosco, de literalmente nos vomitar, numa qualquer sarjeta. Depois do choque, os químicos... contra as dores, os tremores, a falta de ar, a insónia, o sono, as lágrimas, a agressividade, o cansaço. Químicos de todas as cores e sabores. Em busca de uma doçura momentânea e de um instante de paz. Bom fim de semana, aproveitem o sol e os chocolates (há lá melhores químicos que os naturais... endorfinas, where the hell are you?)