quinta-feira, 22 de julho de 2010

Gimme a break

Atão, pá, nunca mais escreveste, o teu blog tem teias de aranha (desculpa lá, Teia, refiro-me ao pó e à penumbra das casas fechadas e não ao brilhantismo do teu estaminé...), já lá nem vou, que se passa contigo, tens que actualizar a cena, escrevias tanto e tão bem...
Gimme a break.
Passei muitas horas, muitos dias, muitas semanas... de empreitada ao computador, a teclar palavras, a imaginar sinónimos, a refazer discursos, a preparar powerpoints e sumários, a copiar citações. Esgotei-me. Resolvi mergulhar, a seguir, nas palavras dos outros.
Ando por aí, nos vossos blogues. Ando por aí, de volta de alguns livros, muitos ao mesmo tempo, para não dar verdadeira confiança a nenhum, não me vá dar vontade de voltar a estudar este ou aquele autor. Ando por aí, a auto-hipnotizar-me na minha vila do Oeste Americano do Facebook, em que afugento ursos e dou cabo de cobras, o que na vida real me é bem mais difícil. Ando por aí, a sorrir convosco ou a abanar a cabeça. De vez em quando, reconheço, tenho ataques de arrogância, leio posts ou vejo fotos, ou dou com determinados comentários ou citações e penso "mais um que descambou em cretino, tão espertinho que parecia e é mais um possidónio...". Ando por aí, a ver filmes que tenho guardados há meses, para "quando tiver tempo". E agora tenho. Tenho tempo para estar na esplanada, para ir a casa dos amigos, para mimar os sobrinhos, para ler, ver televisão, ouvir música, fazer compras de supermercado, ir ao banco, ir ao ginásio, ir a Lisboa. Tenho tempo para isso tudo e ainda nem de férias estou realmente. Alguma coisa teria obrigatoriamente que falhar. É o blogue, é a escrita, a imaginação, a opinião, a piadinha.
Prometo voltar. Nem que seja com uma ou outra crítica enfadonha a um livro ou um filme. Recuso-me é a vir para aqui estragar dois anos de blogue sincero e transparente por obrigação, só porque sim, só porque enfim. Mais depressa encerro este e começo um novo.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Conta-me como foi

Tenho uma directora que é uma imbecil. Quero dizer, não é bem isto exactamente, mas não sei bem que adjectivo melhor se lhe coaduna, a verdade é essa. Por outro lado, ela também não lê o blogue, e detesto dizer mal dos outros nas costas. Coisas que não lhes disse previamente no focinho, claro está. E nunca me virei para ela e lhe disse "Sra Directora, a senhora é uma imbecil", não. Não lhe disse. Até porque, como afirmei, não será exactamente imbecil. É prepotente. É autoritária. É megalómana. Egocêntrica. Má como as cobras. Muitíssimo provinciana. Enfim, capaz de tudo para levar a dela avante, por mais absurda que a dela seja. Claro que não me suporta, o que é mútuo.
Quarta-feira fui defender a minha dissertação de Mestrado. Foi um sucesso, mas não é pelo grau de Mestre que me sinto mais inteligente. Um bocadinho mais culta, realizada e feliz, sim. Mais inteligente, nada. Senão, vejamos: recebi nesse dia uma sms que dizia que a minha nota a um aluno tinha sido alterada de dois para três "e não havia nada que eu pudesse fazer em relação ao assunto". Ora eu, que tinha levado essa classificação à consideração do Conselho de Turma no dia anterior, deduzi, com a minha inteligência, que toda a gente gaba, que a Sra Directora tinha imposto a sua vontade, sem reunir novo Conselho de Turma, visto eu não ter sido convocada para nenhum, sem dizer água-vai.
Burra como sou, fiquei possessa. Pensei logo em meter-me em alhadas jurídicas e em escrever até ao Papa, se preciso fosse. Garanto-vos que movia mundos e fundos, e que não deixava a coisa barata.
Hoje explicaram-me que reuniram o Conselho de Turma sem mim (ora se eu estava a prestar provas públicas e tinha posto a minha nota à consideração do Conselho de Turma, para quê incomodarem-me?), um pró-forme para subir a minha nota. E eu, dadas as circunstâncias, assenti. Resta-me saber que terão eles dito de importante para mudar também a nota de Matemática ao mesmo aluno, de dois para três. É que essa nem tinha sido posta à consideração. E que terá dado na cabecinha de uma dezena de alminhas para mudar de ideias em menos de 24h. Mas, quanto a isso, abstenho-me. O Conselho de Turma é soberano.
Enquanto perdia o respeito pelos meus colegas todos, ganhei um bocadinho mais dele pela Directora. Cada escola tem, realmente, a Directora que merece; não me venham agora dizer mal dela, quando na hora da verdade se acobardam como ratos.
Uma escola que tem tudo para ser de excelência nunca passará de uma escola de fachada, porque o corpo docente não sabe, de facto, o que anda a fazer. Posto isto, "nada a fazer sobre o assunto", essa é que é essa.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Feeling like Mandela

It matters not how strait the gate
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate
I am the captain of my soul.

(William Henley)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Disseram influente?

Um estudo de uma revista norte-americana apurou que a personagem de ficção mais influente das últimas duas décadas em televisão é o ... Homer Simpson.
Trágico.
Como igualmente trágico teria sido um resultado que desse Archie Bunker ou Dexter. E atenção, são apenas três das minhas séries de culto. Mas influentes? O Homer é o anti-tudo aquilo que deve influenciar alguém. O Archie, um racista da pior espécie. O Dexter, um serial-killer. Não estaremos a confundir boas séries com boas influências? É que me parecem personagens-tipo do que há a evitar nesta vida.
A não ser que seja exactamente a psicologia da inversão: ai, filho, aí sentado nesse sofá com essa barriga pareces o Homer Simpson! ou, isso foi mesmo um comentário à Archie Bunker... (espero que ninguém tenha motivos para dizer a algum amigo que parece o Dexter, mas nunca fiando.)
Com tanta Christina Yang, Miranda Bailey, Gregory House, Gil Grissom ou Seinfeld... esta gente escolhe o Homer Simpson! Ainda se fosse a Lisa! (ou o MacGyver, que sempre era desenrascado, e jeitosito de mãos...)

terça-feira, 1 de junho de 2010

É isso!

Hoje uma colega minha dizia-me, sobre um colega nosso, amoroso, que foi acompanhar alunos às actividades do Dia da Criança: "O fulano-de-tal" vinha pior que uma chouriça!
Epifania. Páre o Mundo que se fez luz!
Então é isso que eu ando, há mais de um mês: ando "pior que uma chouriça!"
Venha mais malta do Norte para chamar as coisas pelos nomes e diagnosticar as nossas doenças mais íntimas.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

My New Mania

Glee.

Com L de Loser.

E de Lindo.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Lições

Aprendi muito em pouco tempo.
Aprendi que, com esforço pessoal e ajuda e motivação dos nossos, impossible is nothing.
Aprendi que quem nos quer bem pode muito mais que forças invejosas e contrárias.
Aprendi que a sinceridade e a frontalidade só são bem empregues com gente boa, e que, por muito que o mundo mude, vão sempre existir ditadores, e estes serão sempre estúpidos. Não me venham falar na mente brilhante deste ou daquele que ficou na história. A intolerância e a ignorância andarão sempre de mãos dadas. A estupidez humana é directamente proporcional à falta de auto-consciência, à falta da noção de que toda a gente erra, incluindo nós próprios.
Aprendi que a hipocrisia se paga na mesma moeda.
Aprendi que um bom líder dá exemplos, e um mau líder jamais passará de um chefe que temos que engolir a custo e jamais respeitar.
Aprendi que mais fácil que apoiar os outros nas suas derrotas é alegrarmo-nos com as suas vitórias.
Entreguei finalmente a minha dissertação de mestrado. Nunca pensei que o simples facto de a entregar me ensinasse mais do que tudo o que aprendi na investigação científica que nela está contida. É fantástico como o ganhar de uma simples batalha, pessoal e intransmíssivel, nos pode dizer sobre a natureza humana. A nossa e a dos outros.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Fónix!

Tentem escrever um texto científico esmerado, seríssimo, que ilustre toda a vossa sapiência, com a merda da tecla-vírgula a funcionar só à terceira vez e a murro, e manter o bom humor. Tentem. Se conseguirem, parabéns, estão na minha categoria de heróis. Se não, têm toda a minha solidariedade.
A solidariedade do meu orientador, esqueçam, que ele, depois de me acrescentar cinco mil duzentas e setenta e três vírgulas ao texto que lhe enviei, deve estar com vontade de me matar de forma lenta e dolorosa. Mas como eu já fumo, ele confiará na sorte.

Saúde...

... é que não pode faltar. Nem numa revista feminina de terceira categoria.
A minha mãe convenceu-me de que é possível que eu tenha uma pneumonia, dado que ando há semanas com uma tosse que mais parece a gosma de um cão-de-fila. E porque também ando mais cansada do que o costume. E porque me farto de impar (não sabem o que é? paciência, que eu também só aprendi há umas semanas), logo eu que nunca me queixo.
Diz ela, a progenitora, que eu deveria fazer uma radiografia ao tórax.
E eu até concordo. Só não sei é quando. Vou ali marcar na moleskine um dia para pensar nisso. E fumar o primeiro cigarrito do dia, que está quase na hora da aula, e o tema de conversa puxa.

Dica da Semana

E já que isto parece o parente pobre e fútil de uma revista feminina de segunda categoria, não pode faltar um conselho de beleza:
A minha progenitora ofereceu-me uma caixa da Benefit que se chama "Confessions of a Concealaholic". Tendo em conta que às seis e um quarto da manhã já estava de pestana aberta e olheiras até ao queixo, cheia de borbulhas por causa dos chocolates que enfardei em Lisboa e uns papos nos olhos que me lembraram uma boga congelada há um mês... e que, quando cheguei à escola, um duche, duas horas e tal de viagem e um tratamento de concealing depois, sem almoçar e com um mau humor de fugir, me disseram: estás com um óptimo aspecto!... (e eu já tinha tirado os óculos escuros...) o meu conselho é: ide à Sephora. Se comigo hoje resultou, convosco resultará sempre.

Está bem, venha outra...

... que isto hoje está para o consultório sentimental: tenho uma amiga que anda com um "senhor casado". Sim, porque ele é um senhor, ela é que é a cabra: a culpa é sempre das gajas, que são umas invejosas e gostam de roubar o que é alheio. Os "senhores casados" não têm culpa nenhuma, elas é que lhes apontam bazucas à cabeça (sim, à cabeça que eles tanto prezam) e os obrigam a desrespeitar mulher, filhos, família: grandes meretrizes, cortesãs, rameiras! Apedrejadas! Apedrejadas é que era...
Perdi-me? Não. Perguntava-me ela, que é que eu faço, pá? Dei-lhe um sábio conselho que recebi por mail, entre outros itens de uma lista com o título "Como ser feliz", ou coisa que o valha:
- Se a sua relação é secreta, você não devia estar nela.
E mais nada.
(Acredito que para o tema "senhores casados" a Carolina tenha um rol de "sugestões Amélie Poulain" que nunca mais acabe... é que esses são tão fáceis de entalar que até dá pena!)

Frio... sempre frio

De cada vez que tenho uma conversa de mulheres cujo assunto é o crápula-do-gajo-que-nos-trocou-por-outra-que-ainda-por-cima-tem-ar-de-puta-e-nada-na-cabeça, lembro-me de um namorado que tive há uns bons anos atrás, e com quem estive para me casar. A relação acabou por si, não sobreviveu à distância, ao meu feitiozinho insuportável, por um lado, e bastante instável, por outro. Não tinha idade para me casar (nem sei se alguma vez terei) e rapidamente encontrei um novo amor mais perto. Contudo, ainda tivémos tempo para infernizar a vida um do outro: é que demorou uns largos meses, acabar com uma relação de sete anos. E nesses largos meses, ele conseguiu fazer com que o odiasse. (e vice-versa, certamente).
Nunca me esqueci de uma conversa que tive com quatro amigas da altura. Foi num jantar de mulheres e, depois de desfiar o rosário de merdas que ele me tinha dito e feito, e que eu tinha respondido e contra-atacado, estivémos mais de uma hora... acreditem, mais de uma hora, a inventar cenas do arco-da-velha para lhe fazer, mesmo ao estilo Amélie Poulain / A Vingadora.
Foi das coisas mais retemperadoras que me lembro de ter tido na vida. Qual viagem para tratar dor de corno, qual outro gajo para esquecer o primeiro. Dar largas à imaginação maldosa, essa é que é essa! Nunca mais me esqueci de algumas das propostas. E a Carolina, autora das piores, não desfazendo, também ainda se deve lembrar.
Há mais de um ano que não tenho ódios de estimação: batem-me forte mas passam-me rápido, acho que estou cada vez mais imune a grandes sentimentos. Mas quando uma conversa, de repente, se vira para uma mulher infeliz porque o seu namorado a deixou ou, sem a deixar, a magoou, e há um coro de vozes femininas entre o acusatório e o consolador, o justificativo e o "queime-se - em - praça - pública", eu, de há dez anos a esta parte, atrevo-me sempre a dizer, em voz calma e expressão impávida e serena: " E se deixasses passar uma ou duas semanas e lhe partisses uns copinhos de cristal na banheira? Não achas que um mesito de patas para o ar lhe refrescaria as ideias, o ajudaria a pensar melhor na vida? Não? Tu é que sabes..."
Se há coisa que aprendi com as minhas amigas, - já depois de adulta, que a minha mãe me educou para ser a maior tansa do Mundo e foi com elas que aprendi a abrir a pestana, - é que o ódio consome demasiada energia... e a vingança é um prato que se serve, sempre, frio.

Às vezes...

... custa com'ó caraças regressar. Mesmo que se tenha passado o fim-de-semana em casa. Mesmo que nem sequer se tenha conversado grande coisa com a família. Mesmo que nem se tenham visto séries como deve ser na cabo. Só porque faz falta aquele cheiro particular da casa da nossa mãe. E porque apetece chegar a casa e ter um chocolate em cima da cama.

domingo, 18 de abril de 2010

Isto é que é motivação...

O meu agregado familiar lisboeta é constituído por quatro seres, a contar comigo.
De momento, duas estão de orelhas espalmadas em almofadas, respiração regular e olhos fechados.
O mais pequeno, e único macho da casa, grasna, canta, rosna, enfim, deve estar em plena rave semi-primaveril.
E eu estou ao computador, a trabalhar. Com uma vontadinha doida de ser produtiva, não desfazendo... e a culpa é deles, claro.

Só que a família não se escolhe, inveja-se.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

JadeMobile

A máquina infernal foi ao senhor doutor. À entrada das urgências perguntam-me, enquanto "familar-acompanhante":
-Matrícula?
Eu: ehhh... não sei, é aquele ali.
-Modelo?
Eu: ahn? É preto.
-Oh, minha senhora, e a marca, sabe, ao menos?
Eu: ah! É um Seat Ibiza! (Fónix, até que enfim que o imbecil do enfermeiro me fala em Português!)
-Venha buscá-lo dentro de uma hora.
Eu (só pensei, não disse): Tratamento ambulatório, pelo menos não ficas internado, nem chamam a assistência social por negligência parental.
O estúpido do enfermeiro ainda diz "já é um bocado tarde para isto, mas enfim, ainda lhe resolvemos a situação hoje."
Saí muito agradecida, até me aperceber de que o favor me custou quase cem euros.
O Sistema Nacional de Saúde Automóvel é vergonhoso.
Gatunos, ladrões, chupistas!


(Mas a máquina infernal já geme menos, valha-nos isso, que as preocupações de uma mãe nunca acabam...)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

É oficial...

... o meu orientador tem qualidades de Deus. É, pelo menos, omnipotente. Pode tudo. Como é que alguém que dá aulas e conferências, orienta mestrados e doutoramentos às dúzias, escreve livros, ensaios, estudos e blogues, vê todos os CSI e Dr Houses, e ainda vai a Nova Iorque a trabalho nos intervalos, tem tempo para ler e corrigir cem páginas num período de tempo em que eu não consegui escrever nem mais um parágrafo?
Será que dorme? É que eu nem isso, e ainda assim ando há dias sem tempo ara me coçar.
Shit, shit, shit!
Sou tãããão inteligente e jamais perceberei isto...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Tenho para mim que..

... num dia em que chove desalmadamente e está um frio de rachar, depois de uma semana de sol e calor a prometer e não cumprir o fim das intempéries;
... num dia de derby lisboeta, à hora das aulas dos EFAs de 12º ano, que acham que a sala de aula é mais ou menos a mesma coisa que a Tasca da Mariquinhas com um LCD a transmitir o jogo;
... num dia de TPM literal e não metafórico, como a maior parte dos meus;
... num dia em que o meu carro não se arranjou por milagre, e continua de fechos e vidros eléctricos avariados e eu me torno católica de tanto rezar para não ficar lá presa;
... num dia em que ainda não jantei, e estou em quebra de açúcar...


... não é fácil que a coisa ainda piore.




(mas tendo em conta que o Sporting ainda vai muito a tempo de levar 3 ou 4 secos na pá, ou de eu ser parada pela brigada e ter que falar com os senhores agentes por gestos, para eles me abrirem a porta do meu próprio carro, ou de ter que estacionar bem longe do prédio e arrastar-me debaixo de baldes de água até casa a alombar com pasta e computador, ou de chegar finalmente a casa e não me apetecer jantar nada do que lá há... é melhor estar caladinha, que a procissão ainda agora vai no adro.)